Olho nele! Dell'Agnol DMD 2005

Publicado por Blog Vinho SIM em 20.7.12 com 2 comentários


Minhas eternas busca por novidades e esperança nos “vinhos-butiques” (ou “vinhos de autor” como alguns preferem) brasileiros me fizeram chegar até o site da Estrelas do Brasil, jovem vinícola localizada na Serra Gaúcha, em Bento Gonçalves – RS.
O projeto é uma parceria dos amigos Irineo Dall’Agnol - enólogo da EMBRAPA - e Alejandro Cardozo - da Piagentini – que, segundo o próprio site, tem objetivo principal de elaborar vinhos espumantes de qualidade.

Neste artigo não tratarei dos espumantes (infelizmente ainda não os provei!), mas sim de um vinho interessantíssimo que comprei pelo próprio site da empresa: o Dall’Agnol DMD 2005 (R$ 35,00).

Antes de apresentar minhas impressões sobre o vinho eu gostaria de compartilhar uma informação sobre a produção que considero muito interessante.
A vinícola possui 9 hectares de vinhedos plantados do distrito de Faria Lemos, em que 90% estão erguidos no sistema de latada, e 12 hectares plantados em Nova Prata (também na Serra gaúcha) em que 50% estão erguidos no mesmo sistema.
Note que grande parte das videiras não está no sistema espaldeira, adotando um "estilo" na contramão de tudo que tem sido discutido nos últimos anos na vitivinicultura brasileira (e mundial)! Achei este dado bem interessante, mostrando, ao mer ver, uma compreensão diferente dos enólogos pelo solo brasileiro, pela natureza e porque não dizer pelo nosso terroir.

Sobre o protagonista do artigo, o Dall’Agnol DMD 2005, produzido com 100% Cabernet Sauvignon, também tenho informações interessantes.
O termo DMD se refere a Dupla Maturação Direcionada, isto é, há uma segunda maturação das uvas realizada no próprio vinhedo (é isso mesmo!). Os enólogos optaram por interromper a alimentação dos cachos (através de corte dos galhos ou torniquete) na própria parreira e os mantiveram assim por mais quinze dias antes de colhê-los. É o jeito brasileiro de produzir um “Amarone”.
Outra informação interessante diz respeito à própria degustação do vinho. Ao receber a confirmação da compra via telefone, a vinícola me sugeriu que decantasse o vinho por 10 horas antes de prová-lo, informação que também encontra-se no contra-rótulo. Atendimento personalizado. Show.


Ótimo, chega de histórias interessantes e vamos ao vinho!

Será que eu segui a orientação da vinícola e consegui manter o vinho decantando por 10 horas antes de prová-lo? É claro que não!
Coloquei o vinho no decantador assim que chegou, mas não resisti e provei uma taça de cara!

Visual vermelho rubi intenso. Límpido e brilhante.
No nariz, mostrou balsâmico, terra molhada, notas de couro e algo como casca de laranja seca, um aroma frutado cítrico e seco ao mesmo tempo, típico dos bons vinhos da Serra Gaúcha. Após algum tempo (fui provando o vinho de tempos em tempos) o balsâmico foi sendo substituído por um frutado maduro e de frutas secas. Ameixa e figo seco são bem evidentes. Um pouco de especiarias aparece também.
Paladar com acidez um pouco elevada no início, mas bem amaciado depois de algum tempo de decantação, finalizando com bom equilíbrio entre a doçura e a acidez. Boa estrutura, taninos presentes e bem afinados. Boa persistência.

Como não tinha ideia alguma sobre o vinho optei por não tentar nenhuma harmonização, mas creio ser um vinho com bom potencial gastronômico, especialmente para massas de paladar leve, risotos e pizzas sem muitos ingredientes.

Recomendado, especialmente levando-se em conta o preço de R$ 35,00.

R$ 35,00 (site da própria vinícola) | Alcool 13,5%

ÓTIMO - EXCELENTE relação QUALIDADE-PREÇO
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