Vinho do mês [SETEMBRO/2012]: Ventisquero - Pangea 2007

Publicado por Blog Vinho SIM em 3.10.12 com 4 comentários

Santo André – SP, dia 26 de setembro de 2012.
Olhei pela janela e vi a chuva. Ao abri-la, o vento frio me fez pensar que talvez devesse ficar em casa.

Havia recebido a incumbência - dos amigos Calso Pavani, do Empório D’Vino, e Nicolas Torres, da Ventisquero - de organizar um encontro com poucos amigos para provarmos o Pangea 2007 e não podia me deixar vencer por uma mísera sensação térmica de pouquíssimos graus Celsius ... afinal, não estávamos falando de um vinho qualquer, estávamos falando de um grande representante daquilo que se tornou uma das minhas paixões enológicas nos últimos tempos: um Syrah chileno!


Não um Syrah “qualquer”, mas sim do Vale do Colchágua! Um dos mais (se não, O mais!) aclamados vales chilenos, já consagrado pelos fantásticos Cabernets Sauvignons, vem produzindo Syrahs de tanta qualidade quanto seus CS. Mas não para por aí ... este era um Syrah de Apalta, a micro-região de onde saem os meus Syrahs favoritos.

O Pangea 2007 é elaborado com 100% Syrah e passou 20 meses em barricas (60% de primeiro uso) de carvalho francês (80%) e americanas (20%), mais 12 meses em garrafa, antes de sair ao mercado.

Por se tratar de um vinho de 5 anos de idade, decidi dar um tempinho de decantação para que ele pudesse respirar. Confesso que a informação dos 20 meses de estágio em barricas influenciou um pouco minha decisão de aerar o vinho, uma vez que o excesso de madeira por muitas vezes diminui um pouco minha paixão pelos grandes vinhos chilenos.

Muito bem, neste tempo podíamos provar tranquilamente a excelente sardela do Empório acompanhada pelo sempre correto Crios Syrah/Bonarda, da Susana Balbo, e escolher as massas que escoltariam nosso Syrah.

Vamos ao “nosso” Pangea 2007.


Na taça, o ícone chileno já mostrou toda sua potência. Um vermelho rubi bem escuro, muito concentrado, com resquícios violáceos. No nariz, a explosão da Syrah. Muita fruta vermelha e negra em compota, claramente framboesas, mirtilos e ameixas, acompanhadas por pimenta recentemente moída, traços de chocolate e muita baunilha. Na boca, mostrou ainda mais suas qualidades. Excelente estrutura, muita fruta e traços apimentados, algo como um chocolate amargo com pimenta. Macio, taninos muito finos, excelente acidez e alguns traços minerais. Excepcional equilíbrio e persistência longa.

Mais um excepcional exemplo do que a Syrah chilena, principalmente a de Apalta, no Vale do Colchágua, pode produzir. Tendo oportunidade, não pense duas vezes, prove!

R$ 220,00 (Cantu) | Álcool 14,5% | Acidez 5,25g/L |Acúcar 2,27g/L

Avaliação VINHO SIM: REFINADO / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA.
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