Confraria Vinho SIM [Outubro/2012]: Degustando uma lenda!

Publicado por Blog Vinho SIM em 12.11.12 com Sem comentários

Depois de muita pesquisa, bate-papo com amigos, reuniões com empórios, lojas, importadoras, produtores nacionais e tudo o mais, finalmente saiu do papel a Confraria Vinho SIM (CVS), única em seu estilo na região do ABC.

É claro que a CVS tem como objetivo principal reunir um grupo de enófilos para trocar ideias e estudar sobre vinhos, mas essa confraria é diferente pois tem outro grande objetivo: a harmonização com pratos artesanais.

Depois de fazermos um teste em setembro, voltamos com tudo em outubro para degustar uma verdadeira lenda, o Ventisquero Heru 2010, que foi muito bem harmonizado com uma bela pasta artesanal do Empório D’vino, acompanhada por um molho que, em breve, certamente tornar-se-á também uma lenda aqui em Santo André.

Começamos a noite provando dois brancos descompromissados com a complexidade, mas muito compromissados com o prazer: o Mitto Moscato Jovem 2012 e o Ventisquero Yelcho Sauvignon Blanc 2011.

O Mitto Moscato, como o nome diz, é um vinho jovem, bastante aromático - onde se destacam flores brancas, limão siciliano e maçã verde – e com ótimo frescor na boca. Ótima pedida para acompanhar saladas de folhas.

O Yelcho SB 2011 já é um vinho um pouco mais marcante. As frutas cítricas se destacam no aroma e vêm acompanhadas por notas de frutas tropicais, de pimentão verde e pimenta fresca. O paladar confirma frutas cítricas e tropicais, tem ótima acidez, certa untuosidade e algumas notas minerais, o que torna o vinho bastante interessante, principalmente levando-se em conta sua faixa de preço por volta dos R$ 30,00.

Ambos foram escoltados por uma cestinha de pães acompanhada por um antepasto de berinjela e uma clássica sardela, ambos muito bons.

Após esse passeio pelos brancos já estávamos aptos a escolher nossas pastas artesanais do Empório D’Vino, já que, em princípio, o molho já estava definido: o fantástico limão siciliano com presunto parma.

Pastas eleitas, escolhemos o sempre correto Montes Selection Pinot Noir para preparar as papilas para um grande Pinot Noir que viria pela frente: o Ventisquero Herú 2010, a grande estrela da noite!

O site da Ventisquero traz uma historinha interessante sobre o nome do vinho, sob o título “A partir de nossa imaginação para as mesas do mundo”: Heru é o testemunho de uma lenda que fala de um lugar chamado Casablanca, protegido por duendes mágicos sob o olhar de seu líder de boné vermelho, e onde todo feitiço é possível”. Sabores incomparáveis ​​atingem seu esplendor no terceiro mês do ano, momento em que a Pinot Noir do lote 34 é extraída utilizando todos os cuidados que devem ter os frutos de um feitiço”.


Tudo meio bobinho, mas interessante a forma como a vinícola trata uma das suas estrelas.

Vamos à lenda:

A coloração vermelho rubi médio com tons violáceos não lembra em nada os clássicos Pinot Noirs da Borgonha, mas sim os vinhos mais tinturados típicos da América do Sul. Já no nariz, os aromas de morangos e framboesas maduras, acompanhados de cerejas em calda se aproximaram mais do estilo dos bons Pinot Noir, mas as notas de baunilha e côco, apesar de serem bem agradáveis, me tiraram um pouco do prazer que é degustar um PN. No paladar também mostrou-se bem agradável, com boa fruta - uma mescla de vermelhas maduras -, acidez correta, uma presença discreta de taninos e uma certa mineralidade. O Herú 2010 passou 14 meses em barricas de carvalho francesas, sendo 35% novas, 35% de segundo uso e 30% de terceiro uso e, apesar de ser muito bem integrada, a presença da madeira me desagrada um pouco nos Pinot Noirs.

O raviolone de espinafre com molho de limão siciliano e presunto Parma foi uma harmonização sensacional para o Herú 2010.

"Moral da história": o Herú 2010 é um vinho extremamente saboroso, de qualidade indiscutível e, dentro desse perfil Pinot Noir com passagem por barricas, é certamente um dos melhores do Chile, porém, como já mencionei em outras ocasiões, este tipo de Pinot Noir não preenche minhas expectativas de degustar um vinho produzido com esta casta tão delicada. Continuo preferindo o estilo Borgonha de produzir a partir de Pinot Noir!

R$ 180,00 (Cantu) | Álcool 14%

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO / Relação QUALIDADE-PREÇO: BOA.
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