Confraria Vinho SIM [Novembro/2012]: Piemonte x Toscana!

Publicado por Blog Vinho SIM em 8.12.12 com Sem comentários

A velha “disputa” italiana Piemonte x Toscana deu o tom, na última quarta-feira de novembro, em mais um divertido encontro da Confraria Vinho SIM.

Para os que não leram o post do encontro de outubro (relembre), explico que a CVS tem um objetivo um pouquinho diferente de grande parte das confrarias existentes. Além de reunir um grupo de apreciadores para trocar ideias e estudar sobre vinhos, nosso foco está na harmonização destes vinhos com pratos artesanais, elaborados pelos bistrôs, restaurantes e afins, principalmente aqui do ABC-SP.

Novembro foi mais um mês em que nos reunimos no Empório D’Vino, grande parceiro desta empreitada pioneira aqui na Província (pelo menos eu não tenho notícias sobre outra confraria nestes moldes, se alguém tiver e quiser/puder me convidar para participar, tô dentro! rs).

Após alguns bate-papos decidimos fazer uma brincadeira com com dois vinhos italianos das regiões da Toscana e do Piemonte. A ideia era provar vinhos um pouco fora do padrão e fugir do clichê (fantástico, diga-se passagem ...) Brunello x Barolo!

Para isso, da Toscana elegemos o Sant'Antimo Rosso D.O.C 2009, da vinícola La Velona e do Piemonte fomos de Le Grive 2009, da vinícola Forteto della Luja.

É importante frisar, antes de mais nada, que a tônica do encontro era apenas conhecer vinhos das duas regiões e não compará-los. Os vinhos não são equivalentes, nem em termos de preço, nem em termos de produção, por isso qualquer tentativa de comparação seria injusta.

Vamos aos protagonistas.

O Sant’Antimo Rosso DOC é um vinho tradicional da região de Siena, próximo a Montalicino – Toscana, produzido principalmente com Sangiovese Rosso, mas é comum vê-lo cortado com Cabernet Sauvignon, Merlot, Novello e até Pinot Noir. Normalmente é um vinho sem grandes pretensões, um vinho geralmente bem elaborado para escoltar pratos típicos da culinária italiana, mas, como quase tudo na vinicultura italiana, é possível encontrar exemplares fantásticos dele.

O nome Sant’Antimo é uma homenagem à majestosa Abadia de Sant'Antimo, construída no século X com arquitetura românica medieval, toda em mármore travertino e alabastro. No final de todos os dias um grupo de monges Norbertinos fazem seu canto gregoriano ecoar primorosamente, na missa das 17h.

Abazzia di Sant’Antimo, Siena – Itália. Fonte:  http://www.nozio.it. Acesso em nov/2012.


O La Velona - Sant’Antimo DOC 2009, produzido com 100% Sangiovese Rosso, mostrou-se com coloração vermelho rubi de média intensidade e bastante brilho. Aromas que me agradam bastante de cereja fresca, com alguns toques de fumo e de ervas frescas. Na boca tem corpo médio, com bastante frescor e uma sutil presença de taninos. É um vinho com bastante personalidade, facilmente reconhecível como italiano, o que me agrada e me deixa bastante satisfeito. Confesso que fui positivamente surpreendido. Certamente com grande vocação gastronômica, principalmente para pratos à base de molhos pouco sofisticados, como um sugo preparado com tomates frescos ou um bolonhesa. Pizzas também serão ótima companhia para ele.

R$ 75,00 (Tahaa) | Álcool 14%

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (15/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA


Passemos ao outro astro do encontro: o Le Grive 2009, da vinícola Forteto della Luja. Um vinho produzido a partir de preceitos orgânicos, com muito mais cuidados na elaboração e de estilo completamente diferente do Sant’Antimo. 

A pequena vinícola Forteto della Luja, de propriedade da família Scaglione, produz vinhos na mesma região desde 1826, o que não é nenhuma garantia de qualidade, mas é um grande indicativo de quão envolvida com o vinho é.

Interessante ver que numa região tão consagrada com a produção de Barolos, Barbarescos, Docettos, Barberas, Moscatos, dentre outros, há produtores que se dediquem a elaborar vinhos com personalidade própria e ainda mais, como é o caso da Forteto della Luja, orgânicos. Show!

O Forteto della Luja - Le Grive 2009 é um vinho que traz a denominação de origem Monferrato RossoEsta denominação é bastante flexível, não impondo aos produtores nenhum tipo de exigência quanto ao envelhecimento dos vinhos em barricas de carvalho e nem restringindo demais as castas a serem utilizadas, mas sempre dando prioridade para as castas locais como Barbera, Croatina, Freisa, Grignolino e Nebbiolo, que podem ser cortadas com castas internacionais como Bonarda, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Pinot Noir, dentre outras. As uvas devem ser provenientes da área que inclui vários municípios das províncias de Asti e Alessandria, na costa centro-leste do Piemonte.


Composto de 80% Barbera e 20% Pinot Noir, o Le Grive 2009 apresentou-se vermelho rubi intenso, com bastante brilho. Aromas de frutas vermelhas maduras, especiarias e  notas de baunilha dão o tom principal. Os 12 meses de afinamento em carvalho aparecem de forma sutil e bem integrada, acompanhados por um mentolado agradável e toques de anis. Paladar macio e aveludado, com ótimo equilíbrio. Ótima acidez e taninos afinados. Já está ótimo para consumo, mas me pareceu um vinho com grande potencial de envelhecimento, deve evoluir bastante nos próximos anos.

O preço é um pouco salgado, mas sabendo das dificuldades que é produzir um vinho orgânico de forma tão cuidadosa, não posso deixar de recomendá-lo. Vale a pena!

Apesar da indicação de harmonização do produtor ser principalmente para entradas, optei por me aventurar no sempre sensacional raviole de alcachofras ao sugo, como sempre, muito bem preparado pelo Empório D’Vino! Adivinha o que aconteceu? Não sobrou nadinha, nem pra contar história!

R$ 190,00 (Tahaa) | Álcool 13,5%

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (16/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: BOA


Em dezembro tem mais!
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