quinta-feira, 31 de maio de 2012

Vinho do mês [MAIO/2012]: Família Deicas - Prelúdio Tinto - 2005


Em outubro de 2011 conheci este vinho numa visita/degustação feita ao Establecimiento Juanicó - Família Deicas, no Uruguai e, de cara, fui surpreendido. Como nesta visita/degustação provamos uma grande quantidade de vinhos (creio que algo entre 8 e 10) eu não tive a certeza se o vinho era mesmo muito bom ou se a prova de tantos outros vinhos havia alterado minha percepção na época, resolvi então trazer algumas garrafas para degustar depois, com mais calma.
O blend feito de Tannat (
38%), Cabernet Sauvignon (22%), Cabernet Franc (10%), Merlot (15%), Petit Verdot (8%) e Marselan (7%) foi fermentado em tonéis de carvalho e depois estagiou 26 meses antes de sair ao mercado em 16.546 garrafas numeradas. A grande variedade de cepas utilizadas na produção tornam o Prelúdio um vinho muito singulare, já que os percentuais e as próprias cepas podem mudar de ano pra ano dependendo da escolha do enólogo.

Aproveitando que teríamos um descanso no feriado de 1º de maio na Pousada A Rosa e o Rei, em São Francisco Xavier - SP, levamos o vinho para ser degustado com os ótimos pratos da cozinha vegetariana da Pousada e o resultado foi excelente, tornando o Prelúdio Tinto, da Familia Deicas, a minha escolha para o vinho de maio/2012.

Vinho de um vermelho-púrpura muito profundo, quase negro, muito brilhante e límpido. No nariz, uma explosão de aromas: figos secos, compotas de frutas vermelhas e negras, eucalipto, baunilha e algumas notas defumadas. Na boca, muito intenso também. Taninos presentes e bem macios. Frutas em compota e uma excelente estrutura.
Um vinho um pouco diferente do estilo sulamericano, com um certo ar europeu. Ótimo para consumo, mas com um potencial de guarda de vários anos ainda.

Na ocasião foi acompanhado de panquecas recheadas de um mix de cogumelos, com um belo molho de tomates frescos.
No Brasil, a importação é feita pela Interfood e a comercialização pela TodoVino. O preço de mercado por volta dos R$ 140,00 não permite que o Prelúdio seja um vinho para o dia a dia (pelo menos não para mim), mas é, sem dúvida, uma excelente opção para ocasião especiais, já que é um vinho que vale cada centavo do investimento feito.


Avaliação Vinho SIM: REFINADO (18/20)

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Caiu o selo fiscal! E daí, o que isso significa?


Créditos: http://revistaadega.uol.com.br
O jornal Valor Econômico noticiou na última segunda-feira, 28/05, que os importadores de vinho estão livres - pelo menos por enquanto - da obrigação de etiquetar na alfândega todas as garrafas da bebida que chegam ao Brasil. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou, pela segunda vez, os efeitos de uma sentença da Justiça Federal do Distrito Federal que autorizou os filiados da Associação Brasileira de Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas (Abba) a não utilizar o selo fiscal.

E o que isso significa?

No início de 2011, Marcelo Copello, no site Mar de Vinho, entrevistou Ciro Lilla, proprietário das importadoras Mistral e Vince, e Adolar Harmann, proprietário da Decanter, e ambos diziam na época que "se o selo for adotado teremos o maior retrocesso que já assistimos no mundo do vinho no Brasil".
Na época, Adolar (Leia a entrevista) já dizia que "o governo é o grande interessado no aumento dos impostos, bem como na implantação do selo fiscal, já que antecipa a sua arrecadação, o que é altamente negativo, principalmente nos importados e pequenos produtores nacionais. Nesta mesma entrevista Adolar já falava sobre o pedido de salvaguardas por parte dos grandes produtores brasileiros e  como isso acarretaria problemas para os pequenos.
O tempo passou, a UVIFAM - União das Vinícolas Familiares e Pequenos Viticultores - foi criada, mas de nada adiantou: o selo foi adotado!
A partir dali qualquer produtor de vinho nacional ou importado teria que comprar junto à Casa da Moeda uma quantidade de selos correspondente ao lote a ser vendido e aplicá-los sobre as cápsulas da garrafas, isto é, todos deveriam pagar o imposto com muita antecedência! Os grandes produtores tiveram um impacto menor, já que mecanizaram a aplicação do selo, mas os pequenos tiveram aumento considerável de custos, alguns deles, inclusive, deixando de exportar para o Brasil.
Nesta entrevista, Adolar ainda deixou claro que algumas consequências seriam inevitáveis para o consumidor: aumento de preços, deficiência no abastecimento e até "desaparecimento" de alguns vinhos.

Tudo isso de fato aconteceu.

Na EXPOVINIS 2012, por exemplo, conversei com alguns pequenos produtores que me narraram este fato como um (não o único, claro!) dos empecilhos para exportar seus vinhos para o Brasil e tenho lido diversas matérias em que os produtores justificam parte dos seus aumentos de preços com o famigerado selo!

E agora? O selo caiu! Veremos uma diminuição nos preços ou surgirá alguma justificativa "incrível" para que os preços continuem iguais?
Algo me diz que a 2ª opção é a que prevalecerá. Tomara que eu esteja errado.

Saúde.


segunda-feira, 28 de maio de 2012

Spice Route - Mourvèdre - 2008



Já havia provado este vinho umas duas ou três vezes, mas nunca prestado muita atenção nele até a EXPOVINIS 2012. Na ocasião, achei-o bastante interessante e fui procurar mais informações.

Produzido por uma vinícola jovem, fundada em 1997 e que tem como fundamentos a produção de vinhos maduros e profundos a partir de uma abordagem minimalista, desde as plantações até adega, seu preço na casa dos R$ 85,00 não é assustador, mas também não é convidativo para arriscar num vinho produzido a partir de uma uva não muito popular no Brasil, a Mourvèdre. Será?

Eis então que no 2o Workshop de Vinhos, realizado no último final de semana (11 e 12/05) pela Adega & Empório ABC, em Santo André, provei-o novamente, desta vez com a devida atenção, e o resultado/ND você pode verificar abaixo, assim como a resposta para a pergunta acima.

Assim que despejado na taça, sua cor vermelho cereja vibrante já chama a atenção. No nariz, bastante fruta vermelha, acompanhadas por pimenta branca e mais algumas notas temperadas que não consigo descrever com exatidão, mas é algo como uma mistura de ervas finas, cominho e hortelã, enfim, algo que oscila entre temperos secos e frescos. Na boca, a surpresa é ainda maior. No corpo médio, a framboesa se destaca de cara e me dá uma sensação de frescor que é completada por uma acidez típica de tomates maduros, que faz excelente contraponto à doçura. Algumas notas de especiarias também são perceptíveis. Um vinho muito bom. Ótima opção para acompanhar uma bela tábuas de frios com queijos maduros, azeitonas chilenas e uma seleção de alguns embutidos.

R$ 87,00 (Ravin)| Alcool 14.5% | Açucar residual 2.7g/L | Acidez 5.8g/L

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (15/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: BOA.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Heuchelberg – Qba trocken - Dornfelder - 2009



Selecionado pela Sociedade da Mesa para o mês de março de 2012, o Heuchelberg 2009 era prometido como uma surpresa.

Apesar de não ser tão popular no Brasil (exceto pelos famigerados Garrafa Azul muito populares na década de 1990), a Alemanha é uma boa produtora de vinhos e mundialmente conhecida por seus grandes vinhos brancos e pelos fantásticos Eisweins.
Os tintos alemães vêm crescendo no mercado e esse, produzido com a uva Dornfelder, 100% autóctone alemã da região de Württemberg, é mais uma tentativa de ganhar mercado.
Vinho produzido por Heuchelberg Weingärtner proveniente de uma região de clima ensolarado e com grande singularidade.

Vermelho rubi de média intensidade. No nariz um pouco de frutas maduras. Na boca é muito adocicado, lembrando balas de morango e cereja. A acidez muito abaixo do necessário deixa este exemplar sem equilíbrio e, para o meu paladar, muito enjoativo. Nada agradável. A degustação sempre vale a pena pela experiência de provar vinhos diferentes, mas o preço de mercado estimado em R$ 60,00 é altíssimo, tornando-o uma péssima opção. Nesta faixa de preços é possível encontrar inúmeras opções melhores.


Avaliação Vinho SIM: RAZOÁVEL (10/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: RUIM

sábado, 19 de maio de 2012

Colomé - Amalaya - 2010


Produzido pela Bodega Colomé, conheci este vinho no estande da Decanter, no 2o Workshop de Vinhos, realizado pela Adega & Empório ABC, em Santo André, nos dias 11 e 12/05/2012.

A Bodega Colomé, fundada em  1831, é uma das mais antigas da Argentina e possui vinhedos que se localizam entre 2300 e 3100 metros acima do nível do mar, o que os coloca como os mais altos do mundo, no Vale do Calchaqui, em SaltaDonald e Úrsula Hess, os atuais proprietários, visitaram os Vale Calchaqui pela primeira vez em 1998. Estavam a procura do terroir perfeito e o clima ideal para produzir vinhos autenticamente únicos na Argentina. O que encontraram foi muito mais do que isso, encontraram um segundo lar. A majestade e a beleza natural de Colomé os inspiraram e os rejuvenesceram. Em 2001 compraram Colomé. A partir de então plantaram vinhedos até chegar aos 140 has atuais distribuídos em 4 Estâncias, incluindo a Adega, o Hotel Rural Boutique e o exclusivo Museu James Turrell.

O Amalaya 2010 é um vinho produzido a partir das uvas Malbec, Cabernet Sauvignon, Syrah, Tannat e Bonarda. Vermelho púrpura com bastante intensidade. No nariz apresentou bastante fruta vermelha madura, destacando-se cereja, notas de chocolate e alguma presença de madeira. Na boca confirma boa fruta e tem bastante corpo. Taninos maduros e boa persistência. Um vinho que vale a pena ser provado.


R$ 43,00 (Decanter) | Alcool 14%

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (15/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Domaine Gayda - Flying Solo - Grenache + Syrah - 2010


Os vinhos do Sul da França que chegam ao Brasil não costumam me despertar tantas emoções, principalmente porque aqueles que são considerados muito bons, têm preços não tão bons assim para o meu bolso, mas, às vezes, encontro boas pedidas.

Este corte de Grenache e Syrah é produzido pela recente vinícola Domaine Gayda (Domaine Gayda), fundada em 2003 na região de Languedoc-Roussillon por três sócios, Tim Ford, filho de um viticultor do sudeste da Inglaterra, seu pais natal, o sul-africano Anthony Record, e Vincent Chansault, este sim, finalmente, francês e enólogo, responsável  pela modelagem dos vinhos.

Os vinhos da Domaine Gayda têm se mostrado modernos e bem feitos, que primam pela fruta, como é o caso deste Flying Solo. Vamos à ND.

Visual bem límpido e brilhante, um vermelho púrpura de média intensidade. Bons aromas de flores, cerejas e framboesas maduras e algumas notas de temperos frescos. Na boca é macio e bem fácil de tomar e tem boa acidez. Corpo média e pouca persistência. Boa escolha para pratos à base de molho de tomate. Não é um vinho fantástico, mas é uma boa pedida para um jantar descompromissado e vale a compra.

R$ 43,00 (Vinci) | Alcool 12,5%

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (14/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: BOA

PS. Não encontrei informações sobre açúcar residual e acidez total. Este vinho não aparece no site da Domaine Gayda.

4º Festival do "Tannat e Cordeiro" da Bodegas Carrau - Uruguai


Crédito: www.bodegasdeluruguay.com. Acesso em maio/2012

Quer viajar no feriado prolongado de Corpus Christi e não sabe pra onde ir? Já conhece o Uruguai e seus vinhos fantásticos?
Se tem disposição para viajar e quer conhecer este nosso vizinho de gente muito interessante e ótimos vinhos e vinícolas, a Bodegas Carrau está te dando mais um motivo para fazê-los no próximo feriado: o 4o Festival do “Tannat e Cordeiro”, a realizar-se no dia 09/06/2012!

Um menu de alta gastronomia, onde diferentes preparos de cordeiro da raça Texel serão acompanhados por uma seleção de vinhos Tannat prometem causar sensações singulares nos participantes. A textura fina e macia do cordeiro harmoniza-se perfeitamente com vinhos de aroma e sabor intensos como são os Tannats uruguaios.

Menu de harmonização "Tannat y Cordero”

Recepção

    Petiscos variados.
    +  JUAN CARRAU Tannat Rosé "Saignée" 2012

Entrada

    Carpaccio de cordeiro sobre crosta de parmesão.
    Mini ragout de cordeiro.
    Mini hamburguer.
    +  CASTEL PUJOL Clásico Tannat 2010.
    +  JUAN CARRAU Tannat de Reserva 2010.

Prato principal

    Rolinhos de cordeiro ao pesto de amêndoas com molho de Tannat.
    +  YSERN Blend of Regions Tannat - Tannat 2005.
    +  ARUNGUÁ Tannat 2007.

Sobremesa

    Pudim de chocolate.
    +  VIVENT Licor de Tannat 2006   (Leia a ND aqui)


VAGAS LIMITADAS

Sábado, 9 de junho  das 12h às 15h.

BODEGAS CARRAU - César M. Gutiérrez, 2556 – Colón, Montevideo

Custo: $ 1.050 Pesos uruguaios (~ R$ 100,00)


Crédito: www.bodegascarrau.com. Acesso em maio/2012.

RESERVAS: e-mail: info@bodegascarrau.com

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Amaral - Sauvignon Blanc - 2011


Proveniente de uvas do Vale de San Antônio, sub-região do Vale do Leyda, o “projeto” Amaral é de posse da excelente vinícola MontGras. Este SB 2011 (ainda não disponível no Brasil) certamente receberá muitas pontuações elevadas e será avaliado como best-buy por grande número de publicações.


Amarelo palha com notas esverdeadas, no nariz apresenta notas cítricas, florais e herbáceas. Nota-se claramente frutas como lima e pêra. Na boca a acidez saborosíssima de frutas cítricas dá frescor e vivacidade para os sabores das delicadas lima e pêra. Ótima complexidade, mineralidade e uma incrível cremosidade que fazem deste vinho um dos melhores Sauvignon Blancs da América do Sul, com toda certeza. Muito persistente.


Harmonizamos este excepcional vinho com uma bela massa à base de funghi recheada de cogumelos shitaki e shimeji, acompanhada com um molho de manteiga de sálvia. Ótima pedida.

R$ 54,00 (Bruck) | Álcool 13,6% | Acúcar residual 1,9g/L | Acidez 5,8g/L


Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (16/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: EXCELENTE

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Uma dor de cabeça a menos: vinho para intolerantes à sulfito

Pesquisadores da Universidade de Aveiro (UA), Portugal, liderados por Manuel Coimbra e Cláudia Nunes, apresentaram uma forma de produzir vinho branco sem adição de anidrido sulforoso e, com isso, ganharam o prêmio Investigação do AGROFOOD iTECH, dirigido a projetos tecnológicos inovadores com potencial de comercialização.

O projeto promete revolucionar a indústria do vinho e acabar com uma das maiores causas de dores de cabeça que algumas pessoas têm ao ingerir vinho: a adição de anidrido sulforoso na produção.

A pesquisa propôs a substituição do anidrido sulforoso pelo polissacarídeo quitosana (imagem), que já é muito utilizado em várias áreas, como o tratamento de sementes na agricultura, acelerador do crescimento das plantas, biopesticida e agente filtrante no processo de tratamento de água (remoção de partículas em suspensão), por exemplo. Existem também à venda produtos dietéticos/emagrecimento que têm este componente. Acredita-se que limite a absorção de gorduras pelo organismo.


Fonte: http://quitosana.zip.net/. Acesso em maio/2012.

O projeto do Departamento de Química da UA intitula-se “WineSulFree” e consiste na adição, durante a produção do vinho, de uma película de quitosana, para ajudar no processo de clarificação. Há muita gente que é intolerante ao anidrido sulfuroso e que se queixa de dores de cabeça e má disposição depois de beber vinho. Por isso, aquilo que nós fizemos foi propor um filme de quitosana que, pelo menos nos vinhos brancos que testamos com mais sucesso, permite substituir a adição de sulfuroso, explicou Manuel Coimbra ao Jornal Ciência Hoje de Portugal (Ciência Hoje).
O método, que conserva as práticas enológicas comuns a todas as adegas, é único no mundo e pretende revolucionar a indústria vinícola. Isto porque o sulfuroso, que é adicionado nas várias etapas da vinificação para evitar a proliferação de microrganismos que degradam o vinho e as oxidações que o acastanham, é um composto químico ao qual nem todas as pessoas reagem bem.
A ideia é que possa ser aplicado por todos os produtores de vinho, até porque a tecnologia é muito simples. Como explica o investigador da UA, quem sabe fazer vinho pode, sem alterar a tecnologia de produção e na altura de adicionar o sulfuroso ao vinho para o conservar, adicionar estas películas que nós preparamos. O custo também não é muito superiorem relação ao de adicionar sulfuroso.

A pesquisa ainda carece de mais ensaios para obter dados mais concretos, mas já há a expectativa, num futuro próximo, de extendê-la dos vinhos brancos para os espumantes e também para os tintos e , eventualmente, outro tipo de produtos onde possa haver a adição de sulfuroso.

Vamos torcer para que dê certo e a indústria do vinho adote o processo o mais rápido possível.


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Tem japonês no vinho brasileiro: Vinícola Hiragami.

Crédito: www.serrasc.com.br. Acesso em maio 2012.
A empresa Hiragami´s foi fundada na década de 1970 e, desde então, vem produzindo maçãs com excelência em São Joaquim/SC, até que, em 2001 vislumbrou a possibilidade de produzir vinhos.
Em 2006 foi implantado o primeiro vinhedo e em 2011 lançadas ao mercado 4500 garrafas, distribuídas em 6 rótulos. Dois homônimos Torii Cabernet Sauvignon 2008, cuja diferença é o tempo de estágio em barrica de carvalho (14 meses e 12 meses), o Torii Sauvignon Blanc 2010, o Torii Merlot 2010 e os espumantes Rosè Brut e Rosè Dem Sec, que tive oportunidade de conhecer na EXPOVINIS 2012.

Na feira provei o Torii Cabernet Sauvignon 2008 (foto abaixo) e o Espumante Brut Rosè, ambos muito bons.


Este "Cabernet" é na verdade produzido com Cabernet Sauvignon e Merlot, a partir de uvas plantadas em vinhedos a 1427m de altitude e passa 14 meses em barrica de carvalho fracês.
Na taça possui uma bela cor rubi intenso com alguns toques violáceos. No nariz é bastante frutado, lembrando amoras e ameixas. Alguns toques de eucalipto e de especiarias e muito café completam o buquê. Na boca possui bastante corpo, é bem saboroso, com muita fruta bem equilibrada pela acidez corretíssima. É um vinho realmente muito bom, bastante fácil de tomar.

O espumante pussui uma cor salmão claro de pouca intensidade. Perlage bem fina e constante. No nariz um pouco de fruta como abacaxi e morango, complementado por toques de ervas frescas. Na boca tem uma excelente acidez, bem equilibrado. Sem presença de amargor. Outra boa prova.

A simpatia do sr. Fumio e a qualidade dos vinhos fizeram a visita ao estande da Vinícola Hiragami valer pena! 
Boa surpresa da EXPOVINIS 2012. 

domingo, 13 de maio de 2012

Um brinde à todas as mamães: De Wetshof – Danie de Wet – Pinotage – 2011



Mais um vinho provado no 2o Workshop de Vinhos da Adega & Empório ABC, desta vez no estande da Mistral.

Apesar da Pinotage ter surgido de um cruzamento de Pinot Noir com Cinsault (também conhecida como Hermitage), os vinhos que tenho provado feitos  a partir desta uva são bastante potentes, com bastante cor e corpo, quase sempre gordos, o que não me lembra nada os típicos Pinot Noirs. Mas com este foi diferente!

Na taça apresentou-se vermelho com tons violáceos de média intensidade. No nariz um ataque bem floral e de frutas vermelhas, lembrando bastante morando e cereja. Surge algo de especiarias e algumas notas herbáceas. Na boca tem corpo médio, boa acidez, mas que não se sustenta até o final, deixando-o um pouco adocicado, apesar dos apenas 0,34g/L de açúcar residual, segundo a vinícola. Média persistência. Alguns críticos apontam este vinho como a melhor relação qualidade-preço do mercado para esta casta. Não sei afirmar se é verdadeiro, mas acredito que seja uma ótima prova e ótima compra para o dia das mães, já que, pela primeira vez, eu tomei um Pinotage que me fez lembrar da Pinot Noir!

Feliz dia das mães!

R$ 45,00 (Mistral) | Álcool 13,5% | Açúcar residual 0,34g/L | 
Acidez 5,2g/L

sábado, 12 de maio de 2012

Ironstone - Obsession - Symphony - 2010


Produzido pela vinícola Ironstone (Ironstone Vineyards) no coração da Califórnia, a partir da uva Symphony, um cruzamento de Grenache Gris com Moscato, este Obsession foi uma boa surpresa apresentada no estande da Casa Flora no 2o Workshop de Vinhos, realizado pela Adega & Empório ABC, em Santo André, neste final de semana, 11 e 12/05.

O Obsession é um vinho de cor amarelho palha bastante brilhante. Muito aromático, floral e com notas suaves de frutas brancas e limão siciliano. Na boca é bem macio, com ataque frutado e boa acidez, pouca persistência. É um vinho que deve acompanhar muito bem pratos picantes e pode ser uma boa opção para os amantes da culinária japonesa.

R$ 52,00 (Casa Flora) | Alcool 12% | Açucar residual 1,62g/L |
Acidez 6,8g/L


Avaliação Vinho SIM: BOM (13/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: RAZOÁVEL

sexta-feira, 11 de maio de 2012

2º Worshop de Vinhos na Adega & Empório ABC


Seis importadoras e uma vinícola estarão em Santo André hoje (11/05) e amanhã (12/05) para participar do Workshop de Vinhos promovido pela Adega e Empório ABC.

A 2a edição do evento contará com a participação das importadoras Casa Flora, Decanter, Magnum, Mistral, Ravin e Vinci, acompanhadas pela vinícola Casa Valduga, que leverão, cada uma, por volta de seis vinhos para serem apreciados pelos participantes.

A entrada tem custo de R$ 30,00, revertidos em compras, e 2kg de alimentos não-perecíveis.

Santo André, apesar de seus mais de 700 mil habitantes, recebe pouquíssimos eventos deste tipo, razão pela qual a Adega & Empório ABC merece os parabéns do blog VINHO SIM pela iniciativa! O ABC agradece e a expectativa é das melhores. Nos próximos dias publicarei fotos e comentários do evento.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Bodegas Carrau - VIVENT - Licor de Tannat - 2006

  
Fantástico fortificado uruguaio produzido pela competentíssima Bodegas Carrau, do Uruguai, a partir da uva emblemática do país, a Tannat.

Um vinho de sobremesa, especialmente indicado para chocolate, que faz frente aos grandes vinhos do Porto. Conheci este vinho numa degustação na própria vinícola Carrau e trouxe algumas garrafas para comprovar se era tão bom quanto pareceu mesmo. É bom demais!

Vamos às impressões.

Cor Vermelho granada com tons acastanhados. Bastante límpido.
No nariz aromas de frutas em compota, tais como figos e ameixas somadas à nozes e avelãs. Muitas notas defumadas.
Na boca bastante corpo. Muita fruta em compota e chocolate, elegantemente equilibrados por uma bela acidez que deixa uma salivação constante e aquele gostinho de quero mais, que acaba sendo controlado quando olhamos para o rótulo e lembramos que são 17,5% de álcool. Imperceptíveis!


É um vinho de grande qualidade que, certamente nos próximos anos, tornar-se-á uma boa opção para os vinhos do Porto, pelo menos na América do Sul, principalmente devido à sua ótima relação qualidade-preço. Acredito que ainda não esteja sendo comercializado no Brasil (pelo menos não o encontrei em nenhum site ou loja) e deve chegar por aqui em torno dos R$ 60,00.

Apesar de não ter para comprá-lo, outras opções de Licor de Tannat já têm aparecido por aqui e minha dica é que, se tiver oportunidade, experimente, todos os que provei até agora foram muito bons!


Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (16/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO:ÓTIMA.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Salvaguardas NÃO! Vinho como alimento JÁ!


Em tempos em que a discussão sobre a salvaguarda segue acalorada, sugiro que façamos, amigos leitores amantes do vinho, outro assunto ressurgir com tudo: o vinho como alimento JÁ!

Muito se tem discutido sobre a salvaguarda nas últimas semanas e, como amante do vinho e me sentindo lesado pela possibilidade de tal medida ser aprovada, gostaria de dar minha contribuição.
Li muitas notícias e alguns posts interessantes, mas a argumentação definitiva sobre o assunto foi o texto “Salvaguardas – Tecnicamente não passa”, do João Felipe Clemente no blog Falando de Vinhos, que, ao meu ver, foi o mais bem escrito até então!

Este meu post não tem a pretensão de trazer informações inéditas ou reinventar a roda, mas sim fazer uma pequena compilação de diversas pesquisas de caráter científico-médico já publicadas a respeito dos benefícios do vinho à saúde, para que possamos ter mais um argumento a favor do vinho, seja ele nacional ou importado! É claro que a afirmação do vinho como alimento em forma de lei não resolveria os problemas e não poderia ser uma ação isolada, mas ajudaria fazendo cair o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) o que, na prática, geraria uma redução dos atuais 12% para no máximo 7%, beneficiando a todos!


Muitos artigos já foram publicados sobre os benefícios do vinho para a saúde, mas o mais famoso é o conhecido como paradoxo francês, que relata estudos médicos realizados na Europa e Estados Unidos mostrando uma inconsistência entre o estilo de vida e a incidência de doenças cardiovasculares na França. Resumidamente, apesar de constatados hábitos de consumo de alimentos como queijos, ovos, manteiga, embutidos e muitos outros alimentos com altas taxas de gorduras saturadas, agravados por uma vida sedentária, os franceses apresentavam uma incidência de doenças cardíacas 40% menor que os americanos! O paradoxo existente entre este estilo de vida nada indicado pela medicina convencional/tradicional e o baixo índice de doenças cardíacas, gerou uma grande dúvida: o que tinham os franceses que os fazia diferentes? Sugeriu-se que o hábito de consumir vinho tinto diariamente durante as refeições poderia estar relacionado com a proteção contra problemas cardiovasculares e, esta sugestão, acabou gerando grandes dúvidas e a publicação de mais de 10 mil trabalhos na literatura científica mostrando as inúmeras qualidades do vinho.

Coração

Muitos estudos estabeleceram as ações e os elementos do vinho que agem na prevenção das doenças cardiovasculares, notadamente na doença coronariana. Atualmente o que se aceita como verdadeiro é que o efeito cardioprotetor do vinho seria dado principalmente pelo resveratrol, promotor de uma elevação da taxa de colesterol HDL e por uma ação antioxidante, que levaria à diminuição do colesterol LDL (mau colesterol, responsável pelas lesões ateroscleróticas). A ingestão moderada de vinho (uma a duas doses diárias) promove elevação de aproximadamente 12% nos níveis de HDL, semelhante à obtida com a prática de exercícios. Mais recentemente, Roger Corder, do Instituto de Pesquisa William Harvey, em St. Bartholomew, e da Universidade de Londres, descobriu que os polifenóis existentes no vinho diminuem a possibidade de infarto do miocárdio.


Alzheimer

O mesmo resveratrol tem a capacidade de neutralizar os efeitos tóxicos das proteínas associadas ao mal de Alzheimer, de acordo com uma pesquisa liderada pelo Instituto Politécnico Rensselaer, nos EUA. O resveratrol presente no vinho pode eliminar os efeitos tóxicos de uma proteína associada ao Alzheimer, o peptídio Aβ1-42, que é uma proteína que tem sido frequentemente associada à doença de Alzheimer e que forma placas que prejudicam a saúde cerebral. Os pesquisadores comprovaram que o resveratrol desmancha as placas ameaçadoras e conserva aquelas que não prejudicam. “Nós mostramos como o resveratrol tem uma seletividade muito interessante para marcar e neutralizar um seleto conjunto de isoformas de peptídeos tóxicos”, diz Peter M. Tessires, que liderou o estudo.

Câncer

O "International Journal of Cancer" publicou pesquisas mostrando que a ingestão de uma taça de vinho tinto por dia pode diminuir pela metade o risco de câncer de próstata e que seu efeito de proteção parece ser mais forte contra as formas mais agressivas da doença, enquanto o Centro Médio Cedars-Sinai, nos EUA, apontou que o consumo moderado de vinho tinto pode diminuir o risco de desenvolver câncer de mama. Segundo este estudo, a casca e a semente das uvas cultivadas para produção de vinho tinto têm substâncias capazes de equilibrar os hormônios femininos mesmo em etapas mais delicadas da vida, como a partir da menopausa.

Diabetes

Outra pesquisa interessante vem da Universidade de Recursos Naturais e Ciências da Vida, em Viena, na Áustria. O estudo mostra que o vinho tinto é uma poderosa fonte de compostos antidiabéticos. A pesquisa testou uma série de vinhos tintos e dois brancos para descobrir como os vinhos se ligavam à proteína PPAR-gama, um “receptor” responsável por regular a absorção de glicose nas células adiposas.
Como vários estudos têm mostrado que o consumo moderado de vinho tinto pode reduzir o risco de diabetes tipo 2, os pesquisadores resolveram então determinar a afinidade dos vinhos com a PPAR-gama e comparar seus efeitos com os das drogas comercializadas.
Eles descobriram que os vinhos brancos tinham baixa afinidade de ligação, mas todos os tintos eram facilmente ligados a proteína: a tendência de 100 mL de vinho tinto (cerca de metade de um copo) se vincular com a PPAR-gama é até quatro vezes mais forte que a mesma tendência de uma dose diária das drogas prescritas. A atividade tão alta causou espanto nos pesquisadores, que continuaram pesquisando e identificaram os compostos responsáveis do vinho. O flavonóide epicatequina galato, presente na casca e nas sementes da uva (também está presente no chá verde), teve a maior afinidade de ligação, seguido pelo ácido elágico polifenol, que vem dos barris de carvalho onde o vinho é mantido. Os pesquisadores acreditam que algumas das atividade antidiabéticas do vinho tinto podem ser devido a estes compostos de ativação do PPAR-gama, mas advertem que estes compostos não fazem do vinho tinto uma solução mágica. Tais substâncias do vinho podem ter outros efeitos antidiabéticos e, em qualquer caso, nem todos os compostos serão absorvidos ou ficarão disponíveis para o corpo usar. A maioria dos polifenóis não passa pelo trato digestivo inalteradamente e não pode ser absorvida, além de o vinho também conter etanol, que adiciona calorias ao corpo.


Sempre salientando que o consumo moderado é a chave para obter do vinho os devidos benefícios na saúde e que é fundamental que seja bebido sempre junto com as refeições para diminuir a absorção do álcool pelo organismo, evitando a hiper e principalmente a hipoglicemia, é fácil percebermos que o vinho é amplamente benéfico para a saúde humana, então bebamos sempre e com moderação. Saúde!

sábado, 5 de maio de 2012

Syrah do Chile x Malbec da Argentina!


Nos últimos 3 ou 4 anos (talvez até um pouquinho mais!) temos acompanhado um crescente número de grandes vinhos chilenos feitos com a uva Syrah (ou Shiraz), algo que me tem chamado bastante a atenção.
Todos sabemos da vocação chilena em produzir excepcionais vinhos com Cabernet Sauvignon, do grande empenho da mídia em destacar a Carmenère, da crescente reputação dos brancos dos Vale de Casablanca e San Antonio e de diversos outros grandes destaques da vitivinicultura chilena, mas os Syrah sempre me deixaram com uma curiosidade maior ...
Há tempos venho buscando informações em livros, revistas especializadas e jornais chilenos, bem como opiniões em sites e blogs, mas tenho encontrado menos informações e opiniões que gostaria, então, em janeiro último (2012), aprovetando uma viagem ao Chile, resolvi tentar matar minha curiosidade e chegar às minhas próprias conclusões.
Sem o tempo desejado para poder visitar todas as regiões e vinícolas que tinha vontade, elegi o Vale do Maipo e o Vale do Colchágua, tradicionalmente grandes produtores de Cabernet Sauvignon, como prioridades de visita (leia sobre algumas delas no menu Degustações & Viagens). Não me arrependi e formei uma opinião.

É fato que a Syrah vem crescendo no mundo todo e que, desde que saiu do Rhône, na França (há outras versões sobre sua origem!), para ganhar o mundo, nunca foi tão aclamada como nos dias atuais. Nos EUA, por exemplo, saiu de pouco mais de 150 hectares plantados na década de 1990 para algo em torno de 6400 hectares no início dos anos 2000, um cresimento de mais de 40 vezes! Na Europa, países como Portugal, Itália e Espanha vêm aumentando suas produções desta cepa e já têm produzido, inclusive, varietais Syrah que há pouco tempo atrás seriam inimagináveis. E o que dizer da França? Após uma estranha desvalorização por volta dos anos 1950, a Syrah “voltou” com tudo, especialmente com a recente venda, num leilão, de uma caixa de 12 garrafas do “Hermitage La Chapelle” de Paul Jaboulet, safra 1961, considerada a caixa de vinho mais cara da história, sempre citado como um dos mais prestigiados de todos os tempos e escolhido há alguns anos como um dos 12 mais importantes vinhos de todos os tempos pela revista norte-americana Wine Spectator. Citar a Austrália seria desnecessário já que é um país em que a Syrah impera e possui plantações desde a década de 1930.

Finalmente chegamos à América do Sul. E quem largou na frente por aqui? O Chile, claro! E por quê? O que há de tão especial nesta cepa?


As características profundo, denso, aromático, rico, redondo, etc já me dariam argumentos  suficientes para investir na Syrah, mas o que mais me chamou a atenção nas conversas com sommeliers, produtores, enólogos e demais membros do meio vitivinícola no Chile foi a enorme preocupação com a Argentina. Isso mesmo, com a Argentina! As constantes piadinhas e brincadeiras com o país vizinho ainda existem, mas aquela segurança toda que o Chile demonstrava quando comparava seus vinhos aos argentinos está sendo substituída por um certo ar de preocupação com o crescimento em quantidade e principalmente em qualidade dos vinhos dos hermanos.
Há pouco tempo a Argentina produzia Malbecs muito bons e alguns outros exemplares raramente significativos. O aparecimento de brancos superaromáticos produzidos com a Torrontès, os ótimos resultados com a Cabernet Sauvignon e com a Chardonnay, as felizes experiências com a Pinot Noir e algumas cositas mas, fizeram os chilenos se mexerem! Ouvir “se os argentinos estão fazendo Cabernets capazes de serem comparados aos nossos, temos que fazer algo para confrontar seus Malbecs” de sommeliers e enólogos no Chile não é incomum.
Manter a excelência na produção da Cabernet Sauvignon, investir na produção de brancos aromáticos a partir de Viognier e tentar apresentar “novidades” como varietais de Petit Verdot e Carignan são ótimos para manter o Chile na vanguarda da vitivinicultura mundial, mas não suficientes para fazer frente aos poderosos Malbecs argentinos, até então quase sem concorrência. Quase! Eis que uma lâmpada se acende: a Syrah!

Notando o crescente mercado, os produtores chilenos investiram tempo e dinheiro para melhorar a produção desta cepa, que já existe há muitos anos no Chile, mas que raramente foi tratada como protagonista.
Na minha compreensão, os grandes resultados obtidos pelo Chile com a Syrah são uma tentativa de criar uma concorrência para os Malbecs argentinos que, até então, vinham reinando quase solitários em seu estilo denso-frutado-rico-redondo-aromático na América do Sul e quiçá no mundo. E uma tentativa muito bem sucedida, pelo menos em termos qualitativos. Não encontrei ainda dados estatísticos para mostrar se o gradativo aumento de venda dos Syrahs chilenos tem começado a incomodar os argentinos, ou se tem sido maior que o aumento de venda dos Malbecs argentinos, mas tenho convicção que mais novidades virão por aí, basta notar a crescente gama de opções de vinhos premium e superpremium provenientes desta maravilhosa casta no mercado. Como exemplo temos o Gravas del Maipo, recente lançamento da Concha y Toro, o Reserva da Viña Falernia,  o Payen da Tabalí, o Folly da Viña Montes (veja em Viña Montes - Chile), todos eles da safra 2007, além do Antu Ninquen da Viña MontGras (Antu Ninquen - 2009), o Seleccion del Viticultor da Laura Hartwig, além de muitos outros.

Selección del Viticultor Syrah 2009, da Laura Hartwig
Folly 2007, da Viña Montes
Não sei se minhas conclusões estão certas ou erradas, mas sei que estou adorando essas novidades chilenas. Fã dos syrahs há muito tempo, acho fantástico que mais e mais países se dediquem a produzir excelentes exemplares com esta maravilhosa uva.

E você, caro leitor, o que pensa desse do confronto Syrah do Chile versus Malbec da Argentina? Já havia pensado nisso? Tem a mesma convicção que eu ou acredita que é apenas uma coincidência?
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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Nieto Senetiner - Don Nicanor - Malbec 2004



Quem me conhece sabe que eu gosto de fazer umas “maluquices” de guardar alguns vinhos por alguns anos para ver como evoluem. Não estou falando necessariamente de vinhos de guarda, mas de vinhos considerados comuns!
Numa dessas, decidi guardar um Don Nicanor Malbec 2004 há alguns anos. Abri-lo com esses 8 anos de idade não pode ser considerado um grande risco, mas muitos já o teriam tomado há tempos ...

Ao despejá-lo na taça já o percebi um pouco opaco, mas sem aparentar defeito, apenas menos bonito do que seria se o vermelho rubi intenso estivesse brilhante e transparente.
No nariz muito chocolate, menta (aquelas pastilhinhas de chocolate com menta), côco queimado, queijadinha. Muita fruta madura. 
Na boca, apesar dos 8 anos, está bem vivo. Taninos muito redondos, acidez e álcool na medida. Apesar de estar pronto para o consumo ainda me parece com potencial de guarda. Se você tiver duas ou mais garrafas, abra uma agora, curta e tome nota para comparar com a outra aberta daqui uns 2 anos. Caso só tenha uma, guarde mais um pouquinho!


Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (15/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: BOA

terça-feira, 1 de maio de 2012

EXPOVINIS 2012 - Caballo Loco Grand Cru


Fui convidado pela Importadora Ravin para participar deste evento, realizado no dia 25/04,  na Sala de Degustações da EXPOVINIS 2012.



A degustação de 4 vinhos da vinícola Valdivieso (http://www.vinavaldivieso.cl/), dentre eles dois rótulos ainda não lançados no Brasil, foi dirigida por um dos enólogos da empresa, Eugenio Ponce, responsável pela divulgação no Brasil.
A apresentação da vinícola foi curta e objetiva, com informações sobre as regiões utilizadas para plantação de uvas e alguns dados a respeito do volume produzido e exportado para o Brasil. Logo partimos para os vinhos.

O primeiro vinho apresentado foi o Single Vineyard Pinot Noir 2009 (~ R$ 90,00).
Um vinho de coloração vermelho cereja de boa intensidade. No nariz destacam-se morangos e cerejas, bem como notas florais e um toque de carvalho. Algo de especiarias também aparece. Na boca tem média estrutura e boa presença de fruta. O vinho é equilibrado, mas para meu gosto pessoal, a acidez fica devendo um pouco. Parece-me uma tendência que os Pinot Noirs assumam este papel de um vinho fácil de beber e com um final adocicado, que os marqueteiros têm chamado de vinho feminino. A mim, apreciador dos Pinot Noirs franceses, não agrada, sinto falta de mineralidade, mas não há dúvida que este vinho é muito bem feito e que este estilo foi escolhido pelos enólogos da Valdivieso.

O segundo vinho da degustação foi o Caballo Loco Gran Gru Apalta 2010 (na foto, à esquerda, rótulo azul), 60% CS e 40% Carménère.

Caballo Loco Gran Cru Apalta (esquerda) e Caballo Loco Gran Cru Maipo Andes (direita)

Vermelho profundo com tons violáceos. No nariz uma explosão de frutas maduras como framboesas e amoras, além de ameixas em calda. Mentolado típico da Cabernet Sauvignon, baunilha bem integrada e alguma presença de pimenta. Na boca confirma muita fruta e algo apimentado. Excelente estrutura, taninos macios, ótima persistência. Acidez bem controlada. Vinho excelente, que já está pronto, mas deverá melhorar ainda mais nos próximos anos. Eugênio Ponce sugere de 8 à 10 anos de guarda. Acaba de chegar ao mercado, importado pela Ravin, com preço por volta dos R$ 200,00.

O terceiro vinho foi o Caballo Loco Gran Gru Maipo Andes 2010 (na foto acima, à direita, rótulo vermelho), 60% CS, 35% Cabernet Franc e 5% Carménère. Vermelho rubi profundo. Belos aromas de frutas pretas maduras, como amora e ameixas. Pimenta e mentolado se misturam à baunilha, toques de café e algo como canela. Na boca é muito elegante, com ótima estrutura, taninos bem marcados, um pouquinho verdes ainda. Um pouco mais de acidez que o anterior, mas muito correta. Creio que este vinho ainda não esteja pronto e que envelhecerá de forma mais elegante que o anterior. Chega ao mercado pelos mesmos R$ 200,00. Se quiser comprar para guarda, opte por este, se quiser beber logo, opte pelo Apalta!

O quarto e último vinho (que pena!) da degustação foi o Caballo Loco nº 13.

Vinho de história interessante. Em 1990, os proprietários da Valdivieso decidiram que 50% da produção seria guardada para comporem um blend com a safra de 1991. Feito isso, 50% do total foi engarrafado e o Caballo Loco nº 1 estava pronto! 
No ano seguinte, a mesma dinâmica foi adotada e hoje temos pronto o Caballo Loco nº 13, impossível de ser safrado por conter uma mistura de 50% de vinho 2011 e outros 50% que vão de 1990 à 2010. Toda a história é bem bacana e interessante, mas de nada adiantaria se o Caballo Loco não fosse, de fato, um vinho muito bom. Mas é.

Caballo Loco nº 13
Este nº 13 apresenta-se vermelho rubi intenso com toques violáceos, bem límpido e brilhante. No nariz, frutas vermelhas e pretas bem maduras. Muitas notas tostadas. Café, açúcar queimado e toques de canela. Na boca, a mistura de frutas maduras com bala de café é bem evidente. Boa estrutura, taninos bem maduros e boa acidez. Seus quase R$ 300,00 não o deixam ser um vinho para o dia-a-dia (pelo menos pra mim, não!), mas vale para uma ocasião especial!
Enfim, ótimos vinhos e uma ótima degustação muito bem organizada pela importadora Ravin na EXPOVINIS 2012 e muito bem dirigida por Eugenio Ponce.
Eu e Eugenio Ponce com os Caballo Locos Gran Cru.
 

Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?