segunda-feira, 30 de julho de 2012

TOP 10 - Dia dos Pais!



Dia dos Pais chegando e qual é a melhor pedida para presente? Um bom vinho, de preferência compartilhado no dia, claro!

É um presente sem erro!

Se seu pai adora vinhos, basta dar uma sondada nas preferências atuais dele, como país, região, tipo de uva, etc, dar uma conferida nas dicas abaixo, ir às compras e acertar em cheio! Caso ele ainda não seja um grande apreciador, tente pegar as dicas de harmonizações e verifique se algum dos pratos agrada ao paizão. Se sim, bingo! Se não, prefira os vinhos menos corpulentos. Vinhos mais leves têm maior probabilidade de agradar apreciadores iniciantes.

Sempre gosto de lembrar que esta seleção não tem compromisso com o erro. Não é minha intenção escolher os 10 melhores vinhos existentes no mercado (mesmo porque não há condições de ter provado todos!), mas sim aqueles que são, as 10 melhores opções para o Dia dos Pais, provadas por mim. 

Para facilitar a escolha, separei os vinhos nas velhas e boas três categoriasaté R$ 50,00de R$ 50,00 à R$ 100,00 e acima de R$ 100,00, com uma novidade: a sub-categoria "A Pechincha". 

Espero que gostem. Bom proveito a todos! 


A Pechincha!

Montes Toscanini – Elegido – Tannat/Merlot
(Casa Flora, R$ 18,00)


Quem disse que não dá pra comprar um bom vinho gastando muito pouco?
Esse corte de Tannat e Merlot é uma eterna pechincha, com certeza! Um vinho super honesto, bem despretensioso, mas uma ótima pedida pra quem tá com a grana curta e mesmo assim quer se arriscar num presente legal pra esse Dia dos Pais. Harmonize com um belo assado de tira à moda uruguaia e espere os elogios!

Até R$ 50,00

Dall'Agnol DMD 2005
(Estrelas do Brasil, R$ 35,00)


Conheci este vinho há pouco tempo e fiquei impressionado com suas qualidades, especialmente porque trata-se de um vinho de R$ 35,00, o que o posiciona num patamar elevadíssimo na relação QUALIDADE-PREÇO. Um brasileiro de estilo próprio! Para obter mais detalhes sobre o vinho e a vinícola Estrelas do Brasil, leio artigo aqui.

Pisano – Rio de Los Pájaros – Tannat 2009 ou 2010
(Mistral, R$ 47,00)


Acabei de conhecer este vinho no Encontro Mistral 2012 e fiquei positivamente surpreso com suas virtudes. Um Tannat de excelente tipicidade e elegância. Ótima pedida para um dia dos pais possivelmente com temperaturas amenas! Carnes vermelhas na brasa ou mesmo uma bela tábua com queijos maduros são excelentes pedidas para este uruguaio. 

Embocadero 2009
(Grand Cru, R$ 49,00)


Gostei tanto deste vinho, que acabei considerando-o o vinho do MÊS DE JUNHO (leia ND) dentre os apreciados no VINHO SIM. Sendo assim, este espanhol 100% Tempranillo, muito fácil de beber, não poderia ficar de fora desta lista. Um belo exemplar espanhol por um preço que o coloca como uma EXCELENTE relação QUALIDADE-PREÇO. Ótimo para acompanhar pratos com molhos não muito condimentados ou mesmo pratos da culinária espanhola.


De R$ 50,00 a R$ 100,00

Chocalán – Cabernet Franc Reserva – 2007
(R$ 60,00, Terramater)


Com 90 pontos do guia Descorchados 2010 este 100% Cabernet Franc é um vinho com grande elegância para sua faixa de preço. Ótima opção para pratos condimentados (sem exagero, claro!), como pizzas de pepperoni ou calabresa.

Montes Alpha – Syrah 2009
(Mistral, R$ 97,00)

Indicado constantemente por grandes publicações como um dos melhores vinhos chilenos, o Alpha Syrah é um vinho de ÓTIMA relação QUALIDADE-PREÇO com uma expressão bem fiel da Syrah chilena! Vale cada gole. Muito indicado para pratos condimentados, queijos de média a grande maturação ou mesmo para uma bela massa!

Casa Silva Gran Reserva – Petit Verdot 2008/2009
(Vinhos do Mundo, R$ 95,00)


A consagrada Casa Silva e a promissora Petit Verdot formam o par ideal neste vinho. Boa intensidade aromática, com frutas vermelhas frescas e flores em abundância. O paladar bem frutado, jovem e sedoso costuma agradar bastante. Um vinho para iniciados e iniciantes! Ótima opção para pratos leves, como uma massa com molho à base de queijos.

Jean Bousquet Grande Reserve – Malbec 2010
(abflug, R$ 65,00)
Produção de Jean Bousquet com acessoria de Paul Robbs, no Vale do Uco, em Mendoza. Este Malbec de coloração quase negra, rico em aromas de frutas vermelhas e negras maduras, com pitadas de chocolate e café, é um tinto de muita personalidade. Muito elegante na boca, é o acompanhamento ideal para um belo churrasco de Dia dos Pais!

Acima de R$ 100,00

Vega Sauco – Tó 2004
(Ravin, R$ 105,00)


Proveniente da D.O. Touro, na Espanha, este 100% Tempranillo, com 14 meses de passagem por carvalho é um grande vinho. Os aromas de frutas vermelhas com toques de couro e algo de especiarias se destacam no nariz. Na boca tem ótimo corpo, com notas frutadas típicas da Tempranillo. Ótimo acompanhamento para pratos preparados à base de cordeiro ou carnes de caça. Pratos da culinária espanhola também tendem a crescer se acompanhados por este vinho.

Viñedos de Páganos - El Puntido – 2006
(Península, R$ 351,00)


O El Puntido 2006 é produzido na subzona Rioja Alavesa, pertencente a D.O. Rioja, com 100% Tempranillo. Envelhecido 18 meses em barricas de carvalho novas, apresenta-se muito complexo e sedoso, características dos bons Tempranillos, ampliadas pelo processo de fermentação todo realizado em barricas. Um vinho para bolsos generosos e, principalmente, para pais exigentes! Vinho de grande apelo gastronômico harmoniza muito bem com carnes vermelhas e carnes de caça.

Saúde a todos e um ótimo Dia dos Pais!

sábado, 28 de julho de 2012

Tília - Malbec + Syrah 2010



Os vinhos da vinícola argentina (Mendoza) Tilia são elaborados visando o consumo do dia-a-dia, tanto para o mercado interno quanto para exportação.

Tilia, palavra proveniente do latim que dá nome a uma árvore tradicional na província de Mendoza. Comumente usada como “sombreiro”, suas flores são usadas para fazer chá populares, alguns deles considerados sedativos.

Achei este vinho interessante por ser um corte bem inusitado, de Malbec e Syrah, duas cepas que têm protagonizado uma disputa oculta entre a Argentina e o Chile (leia o artigo publicado aqui no Vinho SIMpelos vinhos mais frutados, corpulentos e “apimentados” na América do Sul.

O vinho em questão, com envelhecimento de 6 meses em barricas de carvalho francês e americano (10% novas) é um vinho que cumpre exatamente seu papel: ótimo para o dia-a-dia. Coloração violácea. No nariz muita fruta vermelha e negra madura e algum toque das barricas, bem integradas. Na boca tem corpo médio e é bem macio. Taninos praticamente imperceptíveis. Boa acidez para acompanhar massas e boa estrutura para acompanhar carnes na brasa, especialmente as mal passadas. Um vinho fácil de beber.

R$ 35,00 (Vinci) | Alcool 13,5% | Acidez 5,5g/L

BOM – ÓTIMA relação QUALIDADE-PREÇO

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Vinho para acabar com os sintomas da menopausa?



A mulherada tem mais um motivo pra comemorar. E com vinho!

Nos últimos anos temos acompanhado um amontoado de notícias dando conta dos benefícios do vinho à nossa saúde, mas eu confesso que, mesmo sendo um grande apaixonado por vinhos e defensor do seu consumo, tenho ficado um pouco preocupado com todo esse "marketing pró-vinho" em nome da saúde. 

Diversos sites, blogs, revistas e publicações em geral já noticiaram que pesquisadores da Universidade de Oregon, nos EUA, publicaram nos últimos tempos um estudo indicando que o vinho tinto pode acabar com os sintomas da menopausa, como o calor, por exemplo.
Os especialistas afirmam que as mulheres que ingerem duas taças de vinho tinto ao dia, regularmente e junto às refeições (mais um argumento para "transformar" legalmente o vinho em alimento, aqui no Brasil - leia o artigo "Vinho como alimento JÁ"), têm os sintomas da menopausa atenuados, além de 50% menos chance de desenvolverem câncer nos ovários. O resveratrol, um dos 200 polifenóis do vinho, tem uma similaridade estrutural e funcional muito grande com o estrogênio. Por essa semelhança, ele é reconhecido como um fito-estrógeno e age atenuando as manifestações do climatério e menopausa que afligem tantas mulheres no final da vida reprodutiva. 
Outra consequência importante do estudo foi o aumento da densidade óssea que diminui bastante no periodo pós-menopausa, por causa da diminuição dos hormônios.
A diretora do estudo, Dra. Urszula Iwaniec disse que o resultado foi inesperado, mas muito satisfatório.

Como divulgador de informações me senti na obrigação de pesquisar um pouco mais sobre isso e consultar outras fontes antes de publicar a notícia. A página de saúde da Fox News, através da Dra Julie B. Damp, trata com cautela esse tipo de estudo, argumentado que "os flavonóides e o resveratrol são encontrados em outros alimentos (frutas e legumes), cacau e alguns sumos. Uvas e suco de uva tinto também têm muitos dos mesmos componentes que o vinho tinto" e ainda ressalva "pessoas com altos níveis de triglicérides - que está associado a doenças cardíacas e diabetes - devem limitar o consumo de álcool, evitando o aumento destes níveis, além de que o vinho também contém "calorias vazias", que podem levar ao ganho de peso."
A Dra Damp complementa que "alguns dos benefícios associados ao consumo de álcool podem ser, em parte, relacionados com estilos de vida saudáveis​​, tais como dietas nutritivas e horários fisicamente ativos - por parte dos consumidores moderados. Nunca se deve esquecer da atividade física e manter um peso saudável ao tentar melhorar a saúde geral". 

Ou seja "mulherada", podem sim curtir um bom vinho e esperar bons resultados na saúde, porém com moderação e sempre acompanhado de outros bons hábitos de vida. Saúde!

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Briga de gente grande: Caballo Loco Gran Cru Maipo Andes 2010 x Viña Maipo Protegido 2008



A ideia da importadora da Ravin era apresentar a sommeliers de São Paulo alguns vinhos recém chegados ao seu portfólio, com destaque especial para o Viña Maipo - Protegido 2008 e o Valdivieso - Caballo Loco Gran Cru - Maipo Andes 2010.

Ambos produzidos por vinícolas em crescimento no Chile e no mundo, com muita ambição de produzir grandes ícones e tomar mercado. Ambos produzidos com base na Cabernet Sauvignon chilena do Vale do Maipo e com preço na faixa dos R$ 200,00 ~ R$ 250,00. Será que as coincidências pararam por aí?

A degustação ficou pequena demais pros dois! Um “confronto” foi inevitável.


No Caballo Loco (60% Cabernet Sauvignon, 35% Cabernet Franc e 5% Carménère), de cor vermelho rubi profundo com nuances violáceas, muita fruta, com destaque para amora, mirtilo e ameixas. Um bom mentolado se mistura aos toques de baunilha provenientes da maturação. Algumas notas de arruda e toques de couro. No final o café dá o ar de sua graça, completando a matiz aromática deste grande vinho. Na boca é elegante com ótima estrutura, taninos presentes, já amadurecendo. Boa acidez. Boa persistência.


O Viña Maipo Protegido, também de cor vermelho rubi profundo com nuances violáceas, apesar de decantado por pelo menos uma hora, começou mais tímido. Frutas vermelhas maduras se misturam ao eucalipto e notas de pimentão, mostrando toda a tipicidade da Cabernet Sauvignon do Maipo. Taninos macios e presentes e acidez correta. Ótima persistência. Muito elegante.

O embate surgiu naturalmente e justamente por isso foi muito interessante ... a conclusão?

Apesar de todas as coincidências iniciais, são vinhos com estilos bem diferentes. O Caballo, mais frutado e jovem, eu indicaria para harmonizar com pratos à base de carne caça ou de cordeiro. O Protegido é um vinho mais elegante, que seria a companhia perfeita para carnes vermelhas braseadas mal passadas, como um bife ancho, um entrecote argentino ou um assado de tira uruguaio.

Isto é, se puder, fique com os dois, você não vai se arrepender!

terça-feira, 24 de julho de 2012

Enoteca Cavatappi promove evento inédito, com renda revertida para a APAE!



A Enoteca Cavatappi, em parceria com o restaurante Mangiare Gastronomia, promove no dia 23 de agosto o Degustações da Vila.
A primeira edição do evento contará com mais de 50 vinhos de diversos países e promete ser uma degustação bem diferente dos padrões que estamos acostumados por aqui, ao melhor estilo “comida de rua”.

A ideia é realizar um passeio por vários pratos da culinária italiana (Batuta di Manzo, Olive Fritte, Suplli e Le Polpettine, Pane Carasau com Pesto de Alici, Antipasti Freschi, Giotto Tradizionale, La Ribollita e Gran Tiramissú) acompnhados por sugestões feitas por  sommeliers. Algo bem descontraído.

Tudo isso já seria suficiente para prestigiarmos o evento, mas há ainda algo espetacular: além de comer e beber muito bem, você ainda ajuda as APAEs de São Paulo e São José do Rio Preto, já que todo o lucro será revertido para estas instituições!

Nos vemos lá!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Diário do Vale do Colchágua - Chile: Viña MontGras


Entrada da vinícola: símbolo da MontGras

Se eu precisasse descrever a minha visita/degustação à Viña MontGras com apenas uma palavra, esta seria: IMPERDÍVEL.
Minha viagem ao Vale do Colchágua rendeu uma dezena de visitas e degustações nos mais variados tipos de vinícolas: moderna, butique, sofisticada, "estrela", etc e dezenas de provas de vinhos excepcionais, porém nenhuma delas pode se comparar à MontGras.
O atendimento simpático e a capacidade de percepção dos atendentes da vinícola é surpreendente, principalmente o amigo Cristian O. Rojas e suas incríveis paciência e didática durante a visita.


Ao organizar minha viagem, selecionei algumas vinícolas onde gostaria de estar e fiz reservas a partir daqui mesmo, via e-mail. A Viña MontGras não estava nos meus planos, mas a sra. Leonor, dona da Posada Colchagua (por sinal, excelente!) me recomendou tanto a visita que acabei aceitando sua sugestão. Somente ao chegar à MontGras é que consegui entender o porquê de tanta insistência!

Diferentemente do que ocorreu em algumas visitas/degustações que fiz no Vale do Colchágua, na MontGras, o Cristian, que nos recepcionou, não demonstrava pressa alguma e foi extremamente solícito em esclarecer todas as nossas dúvidas. Fizemos um belo passeio em meio às vinhas experimentais da vinícola, conhecendo todos os tipos de videiras de perto e, em vários casos, provando as próprias uvas direto no pé. Muito interessante.

O passeio pela vinícola também foi bastante interessante, com direito até a provar do próprio tanque o MontGras Reserva Merlot 2011, que ainda não estava nem pronto! Esses detalhes tornam este passeio simplesmente imperdível, já que é muito diferente do que acontece normalmente. Muito bom.

Merlot direto da fonte!

Na degustação provamos 6 vinhos. Os reservas Carmenère 2010 e Merlot 2010, o Quatro 2010, os Amaral Chardonnay 2009 e Amaral Sauvignon Blanc 2011 e o Antu Ninquén 2009.

Os vinhos da linha Reserva mostraram-se bastante bons. Ambos bem frutados, com taninos bem afinados e madeira bem integrada. O carmenère mostrou-se mais complexo, um pouco defumado, muito bons.
O Quatro 2010, um blend de 45% Cabernet Sauvignon, 20% Carmenère, 20% Syrah e 15% Malbec também foi uma ótima prova. Vermelho rubi de média intensidade e alguns tons violáceos. Na nariz, além de frutas vermelhas e negras, baunilha, fumo, cassis e alguns toques herbáceos. Na boca tem bom corpo, taninos finos. Ameixa madura e um toque apimentado completam a matriz gustativa deste ótimo vinho, que recebeu 89 pontos de Robert Parker.


Os vinhos da linha Amaral e o Antu Ninquén são tão bons que merecem um post só deles! Nos links acima você pode ler as NDs e saber mais detalhes da produção destas preciosidades do Chile.


Saí da visita/degustação com a certeza de ter passado ótimos momentos, de ter vivido uma experiência fantástica e de ter feito mais um amigo, o Cristian, a quem gostaria de deixar meus agradecimentos públicos pela atenção e pelo excelente trabalho desenvolvido!

Talita, Cristian e eu

domingo, 22 de julho de 2012

Degustação de vinhos H.Stagnari na Enoteca Cavatappi


É 03 de agosto!

A Enoteca Cavatappi recebe a presença do enólogo José Luis, um dos responsáveis pela elaboração dos vinhos da H. Stagnari, que falará sobre a vinícola, o terroir, além de degustar junto aos participantes os rótulos Premier Tannat, Viejo Tannat e Dinastia.

Dinastia
A H. Stagnari é uma vinícola butique uruguaia, localizada em La Caballada, departamento de Salto, exatamente a região onde o imigrante Sr. Harriague cultivou 200 hectares de Tannat logo que chegou Uruguai, por volta de 1874. Resumindo, você degustará vinhos da região-berço da Tannat no Uruguai.

A degustação é sem custo para os amigos do vinho, tem início previsto para as 19h e térmico as 21h30 e será conduzida de maneira informal, como um bate papo entre amigos, por tanto, não se preocupe com horários, apenas vá!

Boa degustação!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Olho nele! Dell'Agnol DMD 2005



Minhas eternas busca por novidades e esperança nos “vinhos-butiques” (ou “vinhos de autor” como alguns preferem) brasileiros me fizeram chegar até o site da Estrelas do Brasil, jovem vinícola localizada na Serra Gaúcha, em Bento Gonçalves – RS.
O projeto é uma parceria dos amigos Irineo Dall’Agnol - enólogo da EMBRAPA - e Alejandro Cardozo - da Piagentini – que, segundo o próprio site, tem objetivo principal de elaborar vinhos espumantes de qualidade.

Neste artigo não tratarei dos espumantes (infelizmente ainda não os provei!), mas sim de um vinho interessantíssimo que comprei pelo próprio site da empresa: o Dall’Agnol DMD 2005 (R$ 35,00).

Antes de apresentar minhas impressões sobre o vinho eu gostaria de compartilhar uma informação sobre a produção que considero muito interessante.
A vinícola possui 9 hectares de vinhedos plantados do distrito de Faria Lemos, em que 90% estão erguidos no sistema de latada, e 12 hectares plantados em Nova Prata (também na Serra gaúcha) em que 50% estão erguidos no mesmo sistema.
Note que grande parte das videiras não está no sistema espaldeira, adotando um "estilo" na contramão de tudo que tem sido discutido nos últimos anos na vitivinicultura brasileira (e mundial)! Achei este dado bem interessante, mostrando, ao mer ver, uma compreensão diferente dos enólogos pelo solo brasileiro, pela natureza e porque não dizer pelo nosso terroir.

Sobre o protagonista do artigo, o Dall’Agnol DMD 2005, produzido com 100% Cabernet Sauvignon, também tenho informações interessantes.
O termo DMD se refere a Dupla Maturação Direcionada, isto é, há uma segunda maturação das uvas realizada no próprio vinhedo (é isso mesmo!). Os enólogos optaram por interromper a alimentação dos cachos (através de corte dos galhos ou torniquete) na própria parreira e os mantiveram assim por mais quinze dias antes de colhê-los. É o jeito brasileiro de produzir um “Amarone”.
Outra informação interessante diz respeito à própria degustação do vinho. Ao receber a confirmação da compra via telefone, a vinícola me sugeriu que decantasse o vinho por 10 horas antes de prová-lo, informação que também encontra-se no contra-rótulo. Atendimento personalizado. Show.


Ótimo, chega de histórias interessantes e vamos ao vinho!

Será que eu segui a orientação da vinícola e consegui manter o vinho decantando por 10 horas antes de prová-lo? É claro que não!
Coloquei o vinho no decantador assim que chegou, mas não resisti e provei uma taça de cara!

Visual vermelho rubi intenso. Límpido e brilhante.
No nariz, mostrou balsâmico, terra molhada, notas de couro e algo como casca de laranja seca, um aroma frutado cítrico e seco ao mesmo tempo, típico dos bons vinhos da Serra Gaúcha. Após algum tempo (fui provando o vinho de tempos em tempos) o balsâmico foi sendo substituído por um frutado maduro e de frutas secas. Ameixa e figo seco são bem evidentes. Um pouco de especiarias aparece também.
Paladar com acidez um pouco elevada no início, mas bem amaciado depois de algum tempo de decantação, finalizando com bom equilíbrio entre a doçura e a acidez. Boa estrutura, taninos presentes e bem afinados. Boa persistência.

Como não tinha ideia alguma sobre o vinho optei por não tentar nenhuma harmonização, mas creio ser um vinho com bom potencial gastronômico, especialmente para massas de paladar leve, risotos e pizzas sem muitos ingredientes.

Recomendado, especialmente levando-se em conta o preço de R$ 35,00.

R$ 35,00 (site da própria vinícola) | Alcool 13,5%

ÓTIMO - EXCELENTE relação QUALIDADE-PREÇO

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Encontro Mistral 2012 - Visão Geral


O tão esperado e aclamado Encontro Mistral 2012 passou por São Paulo e, como sempre, vai deixar saudades. A lista de personalidades e de vinhos presentes ao evento foi longa (veja aqui) e seria impossível visitar todos nos 3 dias de evento, imagine num único dia!
A convite do amigo Celso Pavani, do EmpórioD'Vino, estive presente e compartilharei algumas impressões com vocês nas próximas linhas.


Como é comum neste tipo de evento, pensei em fazer um set list, um roteiro de prova, ou algo desse tipo, mas a quantidade de produtores excepcionais era tão grande que acabei desistindo da lista e adotei o melhor estilo "deixa a vida me levar".
Mas a sorte grande estava ao nosso lado: logo ao chegar ao Hotel Hyatt encontramos a amiga Camilla Guidolin, sommelière e proprietária da Enoteca Cavatappi, que também não tinha um set list formatado, mas reuniu-se a nós na busca por grandes opções! Foi um acréscimo considerável poder contar com os conhecimentos de uma grande profissional do setor.


Neste post não vou detalhar os vinhos degustados, apenas destacar algumas preciosidades e apresentar a visão geral da "feira". Vamos a elas.

Começo minha aventura pelo Encontro Mistral 2012 com o ranomado Masi. Como não podia deixar de ser, provei a linha toda e os destaques (como também não poderia deixar de ser!) foram os Amarones Costasera 2007 e Riserva Costasera della Valpolicella 2006, os dois primeiros da direita para a esquerda na foto abaixo, ambos na casa dos US$ 185,00.

Linha da Masi
Celso, o diretor Luc DesRoches e eu 
Na sequência fomos à caça da figuraça Luis Pato, visita sempre imperdível nestes eventos. 

Sr. Luis Pato e eu
Dentre os seus já conhecidíssimos vinhos, destaco três. Os doces rosado e tinto da linha AM, produzidos a partir de uvas da casta Baga, submetidas à técnica da concentração (visite o site da vinícola para saber mais) e o Tinto 1988, uma preciosidade com preço compatível à sua complexidade, US$ 265,50.

Linha AM - Vinhos doces de padrão único no mundo
Luis Pato - Bairrada Tinto - 1988: 24 anos e uma jovialidade incrível 
Continuando a árdua tarefa de provar esses vinhos, fomos em busca dos biodinâmicos do Domaine Cazes, vinhos bem interessantes e com excelente relação QUALIDADE-PREÇO, US$ 36,00.
O produtor trouxe ainda dois vinhos doces bem interessantes, valem a prova.

O diretor Louis Blanchard
Depois de um descanso com direito a alguns petiscos e muita água ... 


... fomos conhecer as novidades do fantástico Joseph Drouhin.


E o que dizer destes vinhos? Qualquer palavra, frase ou texto será insuficiente para expressar a delicadeza e a complexidade, além da admiração que eu tenho pelos brancos e tintos deste produtor, então deixarei o leitor refletir apenas a partir da foto abaixo ...


Concluída a etapa de conhecer as novidades de produtores cuja reputação é incontestável, fomos à busca de produtores cujos vinhos não conhecíamos. E começamos bem, com o simpaticíssimo sr. Jose Perdigão, da Quinta do Perdigão.

Sr. Jose Perdigão e eu
Os grandes destaques da vinícola vão para o Touriga Nacional 2006 (US$ 115,00) e o Reserva 2005 (US$ 115,00), vinhos com estilo próprio, carnudos e complexos, muito interessantes. 

O estande do produtor Pascal Jolivet foi a nossa próxima parada. E que parada!

Pascal Jolivet e eu
O produtor, especializado na produção de vinhos brancos, trouxe exemplares fantásticos. Sua linha básica (Attitude, US$ 44,50) já impressiona pela mineralidade e frescor que apresenta, mas os Indigene Pouilly-Fumé 2006 (US$ 110,00) e Exception Sancerre 2004 (US$ 153,50) são vinhos de tirar o fôlego. Vinhos de personalidade, que enchem o nariz e a boca de sensações quase indescritíveis: excepcionais.

Saindo deste deleite de vinhos brancos, fomos conhecer a italiana Le Macchiole. Que surpresa!
Não é de hoje que sou fã dos vinhos produzidos com a uva Syrah, mas até então não tinha notícias de italianos 100% Syrah produzidos com tanto esmero.
Os fantásticos Paleo e Scrio 2007 certamente receberão pontuações impressionantes assim que estiverem nas listas de provas das grandes publicações avaliadoras. Vinhos que conseguem expressar toda a característica da cepa e ainda mostrar a potência e tipicidade dos super-toscanos. Fantásticos!

Linha Le Macchiole: uma das grandes surpresas do Encontro 2012
Para finalizar meus destaques, não podia faltar o sem adjetivos sr. Serge Hoshar e seus vinhos diretamente do Líbano, o Chateau Musar
A vinícola, considerada uma das "Top 100 Wineries 2010" da revista Wine & Spirits, possui 180 hectares de vinhedos instalados no mítico Vale de Bekaa, onde segue uma agricultura não intervencionista, certificada como orgânica no Líbano.

Eu e sr. Serge Hoshar, proprietário do Chateau Musar
Todos os vinhos merecem destaque, porém o Chateau Musar Branco 2005 é um caso a parte. Nós o provamos como vinho de entrada da linha e depois o sr. Serge pediu para o experimentarmos novamente. Indagado do porquê da segunda prova, pós tintos, o simpático proprietário disse-nos que o considera o seu "primeiro tinto", tamanhas complexidade e estrutura do vinho. E com razão.


E essa foi minha visão geral do Encontro Mistral 2012, espero que tenham gostado e em breve publicarei NDs de todos os vinhos degustados, com direito a pitacos dos próprios produtores.

Saúde!

quarta-feira, 18 de julho de 2012

VINHO SIM cobre hoje Encontro Mistral 2012!

Desde a última terça-feira (16) até hoje (18/07) acontece no Hotel Grand Hyatt, em São Paulo, a sexta edição do Encontro Mistral 2012, um dos eventos enológicos mais aguardados do ano.
O evento conta com a participação de mais de 80 produtores de 15 países, mostrando o que existe de melhor e mais autêntico no mundo do vinho atual, bem como ditando algumas das tendências para os próximos anos.
O blog VINHO SIM cobrirá o evento e trará aos leitores relatos das principais novidades apresentadas diretamente pelos produtores.

Confira abaixo a seleção premiadíssima feita pela Mistral para este ano.

África do Sul: Boekenhoutskoof, De Wetshof, Kanonkop, Krone & Barista.
Alemanha: Dr. Bürklin-Wolf, Domdechant Werner.
Argentina: Catena Zapata, Altos Las Hormigas.
Áustria: Kracher.
Brasil: Vallontano.
Chile: Amayna, Casa Lapostolle, Viña Carmen, Viña Montes.
Espanha: Chivite, Clos Mogador, Martninez Bujanda, Alión & Pintia, Valdemar, Clos Figueras, Jané Ventura, Pesquera, Ramirez de Ganuza, Viñas del Vero, Ànima Negro.
EUA: Paul Hobbs
França: Cos d’Estournel de Boudeaux, Joseph Drouhin da Borgonha,  Pol Roger e Bollinger de Champagne, Guy Saget do Loire e M. Chapoutier e Paul Jaboulet-Aîné, do Rhone.
Grécia: Gaía.
Hungria: Oremus
Itália: Adriano Adami, Alois Lageder, Badia  Colbituno, Biondi Santi, Bisol, Castello del Terriccio, Castello di Ama, Ca’Del Bosco, Coppo, Costanti, D’Amico, Fattoria di Fèlsina, Grappa Nonino, Isole e Olena, Le Macchiole, Lungarotti, Masciarelli, Masi, Santadi, Tasca D’Almerita, Vietti, Villa Poggio Salvi.
Líbano: Chatêau Musar.
Portugal: Campo Largo, Herdade de Coelheiros, Luis Pato, Niepoort, Quinta da Lagoalva de Cima, Quinta da Pellada, Quinta do Carmo, Quinta do Perdigão, Quinta do Vale Meão, Symington Family Estates.
Uruguai: Pisano.

Nos próximos dias mais relatos e notas de degustações. Acompanhe.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Bodegas Castaño - Hécula - Monastrell - 2009



Seleção de junho da Sociedadeda Mesa.

O Hécula 2009 é produzido pela Bodegas Castaño, localizada no sudeste da Espanha, mais precisamente na região de Murcia, D.O. Yecla, famosa pelos seus varietais de Monastrell, também conhecida como Mourvèdre na França.

A Familia Castaño é considerada uma das grandes artesãs dos Monastrell, uma casta que comumente é usada em cortes, mas que produz ótimos varietais, ramo em que esta vinícola tem grande destaque.

Bodega Castaño - Crédito: www.bodegascastano.com. Acesso em maio/2012.

Vamos ao Hécula 2009.
Envelhecido 6 meses em carvalho, o afamado Hécula 2009, que atingiu 90 pontos Parker é um vinho de boa estrutura e potência, com coloração vermelho-granada bastante intenso. No nariz, morango e framboesa maduras, além de toques herbáceas e algum mentolado. Na boca confirma as frutas maduras. Possui boa acidez e taninos amadurecidos.


Nesta ocasião propus uma harmonização com um nhoque ao sugo acompanhado de uma maminha envolta no sal grosso ao forno, uma boa escolha.

R$ 40,00 (Sociedade da Mesa) | Alcool 14% | Açucar residual 2,0/L | 
Acidez 5,4g/L

ÓTIMO - ÓTIMA relação QUALIDADE-PREÇO

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Mais uma do resveratrol: uma taça de vinho tinto equivale a 30 minutos de exercício físico!?


Mais uma do Resveratrol!
Pesquisadores da Universidade de Alberta, no Canadá, publicaram um artigo indicando que uma taça diária de vinho acompanhando o jantar equivale a 30 minutos de exercícios físicos. O responsável pelo feito: o Resveratrol. De novo.
“Este composto ajuda a fortalecer os ossos, nos protege do sobrepeso, é um  potente antioxidante e possui efeitos anticancerígenos. Além disso, melhora o suprimento de oxigênio aos tecidos, normaliza a viscosidade do sangue, reduzindo a formação de coágulos”, publicou a Rádio Santiago.
O estudo relata também, como já publicado aqui no VINHO SIM, diversos benefícios do resveratrol, como a considerável redução do risco de desenvolver doenças relacionadas ao sistema circulatório, arterioscrerose, hipertensão, AVCs e até ataques cardíacos.

sábado, 14 de julho de 2012

Syrah e Sauvignon Blanc dominam Catador W Santiago



Na última segunda-feira, dia 09/07 terminou uma das mais importantes premiações do Chile, a Catad'Or W Wine Awards Santiago, competição de vinhos, licores e aguardentes existente há 17 anos que contou este ano com mais de 600 amostras de cerca de 100 vinícolas chilenas, analisadas às cegas, segundo os padrões da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) e da Federação Mundial de Grandes Concursos de Vinhos e "Bebidas Espirituosas". O corpo de jurados contou com especialistas internacionais como Ricardo Grellet, Sergio Correa, Strika Marshall, entre outros.

Este ano, excepcionalmente, os prêmios de Melhor Vinho Branco e Tinto, que geralmente é dado a apenas um vinho branco e um vinho tinto, foi cedido a dois vinhos de cada tipo.


Na categoria brancos levaram o prêmio o Adobe Reserva Sauvignon Blanc 2012 e o Viña Aresti Emiliana y Trisquel Sauvignon Blanc 2011, enquanto na categoria tintos os premiados foram o Errazuriz Aconcagua Costa Syrah 2010 junto com o Casa del Bosque Pequeñas Producciones Syrah 2010.

O destaque do evento foi o fato de ambos premiados na categoria tintos serem varietais 100% Syrah, cepa que vem me chamando atenção e que eu tenho citado como protagonista dos melhores vinhos chilenos há algum tempo, como no artigo Syrah do Chile x Malbec da Argentina  publicado aqui no VINHO SIM alguns meses atrás.

A respeito destes resultados da Syrah, Grant Phelps, enólogo da Casas del Bosque disse: "me parece fantástico que os dois vinhos ganhadores são de Syrahs de clima frio e de estilo tipicamente chileno".

Em relação aos premiados na categoria brancos serem ambos varietais 100% Sauvignon Blanc, o enólogo Cesar Morales, da Emiliana, comentou: "Eu sinto que este prêmio brindou a complexidade aromática e a expressão vibrante, delicada e equilibrada na boca, que só os Sauvignon Blancs chilenos têm."

Além dos ganhadores, outros três vinhos foram premiados com a medalha Gran Oro, o Oveja Negra The Lost Barrel 2009,Cordillera Carmérère 2008, de Miguel Torres e o Late Harvest Reserva Gewürztraminer 2009, de Torreón de Paredes. O caso do Oveja Negra foi especial por se tratar do único corte agraciado com a medalha Gran Oro, prêmio que seu enólogo, Edgar Carter recebeu “feliz, porque o vinho já estava pronto ano passado e estávamos ansiosos para mostrá-lo, mas decidimos deixá-lo mais um ano engarrafado na esperança que pudesse evoluir. E deu certo, estamos colhendo os frutos agora! Além disso, este prêmio fortalece o Vale do Maule, que acredito ter um potencial imenso com a Carignan, a Petit Verdot e a Carménère, justamente as cepas deste corte”.

Além destes destaques, foram distribuídas um total de 74 medalhas de ouro (clique aqui para ver a lista completa de medalhas de ouro) e 68 medalhas de prata (clique aqui para ver a lista completa de medalhas de prata).


É isso. Mais um evento que premia a qualidade da Syrah e da Sauvignon Blanc chilenas, preciosidades da vitivinicultura da América do Sul.

Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?