sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Programe-se: tá chegando o III Workshop de Vinhos da Adega & Empório ABC!

A Adega & Empório ABC, em Santo André, em parceria com grandes importadoras, apresenta mais um Workshop de Vinhos do ABC, nos dias 05 e 06 de outubro com cobertura total do blog VINHO SIM!

Evento sem precedentes na região, o Workshop de Vinhos chega à sua 3a edição prometendo ser ainda melhor que o anterior, realizado nos dias 11 e 12 de maio deste ano e que foi um grande sucesso de público, com bons vinhos à prova e muita simpatia dos expositores.

Nesta edição encontraremos à disposição grandes rótulos do Novo e Velho Mundo, como o australiano Yellow Tail, os chilenos Undurrada e Aliwen, o espanhol Ontañon, os itaianos Chiantari e Zabú, os protugueses Chaminé, Paulo Laureano, Quinta do Ortigão e Quinta do Chocapalha, além dos espumantes brasileiros da Don Guerino e muito mais.

Ótima oportunidade para conhecer bons vinhos, provar novas safras dos já conhecidos e aproveitar para completar seu estoque para as festas de fim de ano.

Onde? Adega & Empório ABC, na Rua Lino Jardim, 854 – Santo André.
Contato: (11) 4432-3813 


Quando? 05 de outubro - das 17h00 às 22h00 e 06 de outubro - das 11h00 às 18h00

Quanto? R$ 80,00 por pessoa, convertidos compras, mais 2kg de alimentos não perecíveis que serão doados a Associação Beneficente Criança Cidadã.

No dia do evento, será oferecido desconto de 10% nas compras acima de R$ 100,00 e 15% nas compras acima de R$ 200,00 nos vinhos participantes do evento.

Vejo vocês lá, um ótimo evento pra todos!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Circuito Brasileiro de Degustação: TOP 5 Destaques!


Na segunda-feira 17/09 aconteceu em São Paulo o Circuito Brasileiro de Degustação, evento que contou com a participação de 21 vinícolas brasileiras que trouxeram mais de 120 rótulos de vinhos, espumantes e suco de uva 100%.

Com um grande número de provas realizadas, me sinto confortável para apresentar uma lista com meus 5 destaques do evento. Que fique claro: são 5 destaques, não necessariamente os 5 melhores vinhos, mas sim os que se destacaram por apresentarem algo especial, seja uma ótima relação qualidade-preço, uma novidade no mercado brasileiro, uma boa expressão de uma casta e por aí vai ...

Viapiana Expressões Chardonnay 2011


Amarelo Dourado. Aromas de frutas secas e frutas cítricas e também maçã e maçã verde. Paladar de boa untuosidade, médio corpo e muito boa acidez.  Madeira na medida. Equilibrado. Preço: R$ 48,00.

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO - Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA.

Vinibrasil - Vinha Maria Reserva Selecionada Branco 2010

O corte de Viognier e Chenin Blanc já seria bastante inusitado para um vinho brasileiro, mas este branco é ainda produzido pela Vinibrasil, no Vale do São Francisco.

Amarelo-esverdeado. Ao contrário de muitos brancos nacionais, este vinho não tem um ataque muito intenso, apresentou-se suave com notas de frutas cítricas já tendendo ao maduro, florais e também de pimenta branca. Paladar também bastante elegante, com corpo médio e acidez na medida certa.

O enólogo Ricardo Henriques, presente ao evento, comentou que o preço deste vinho será na cada dos R$ 40,00, o que o torna uma espécie de “super compra” ao meu ver.

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO - Relação QUALIDADE-PREÇO: EXCELENTE.

Don Laurindo Estilo 2008


Os vinhos da Don Laurindo foram, há muitos anos, minha porta de entrada aos vinhos nacionais e após bastante tempo eu ainda continuo apreciando seu jeito de produzir vinhos e seu estilo, aliás, principalmente seu Estilo.

Ainda não tinha provado este vinho, um corte de Malbec, Tannat e Ancelotta. 

Vermelho rubi-violáceo. Aromas de frutas vermelhas maduras e toques de café. Paladar sedoso, confirmando frutas vermelhas. Defumado. Boa acidez, taninos amadurecidos. Boa persistência. Preço: R$ 60,00.

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO - Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA.

Luiz Argenta Gewurztraminer 2012

A vinícola que vem aparecendo bastante no cenário nacional nos últimos anos, apresentou no CBD este Gewurztraminer 2012.

Vinho jovem, sem passagem por carvalho, que mostrou bastante fruta e uma ótima acidez. Um ótimo vinho para acompanhar entradas, saladas e carpaccios, bem como para um happy hour nos dias quentes que prometem vir na primavera e no verão. Preço: R$ 42,00.

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO - Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA.

Sozo Reserva Pinot Noir 2011


Para mim uma das maiores (se não a maior!) surpresas do Circuito Brasileiro de Degustação 2012 em São Paulo!

Coloração vermelho rubi de média intensidade, até um pouco maior que o padrão Pinot Noir, justamente por se tratar de um vinhos produzidos com uvas vindas de uma região com aproximadamente 1000m de altitude. Aromas de  framboesas frescas e alguma presença de cassis. Paladar leve e com certa mineralidade, justamente o que mais me chamou atenção.

Um Pinot Noir com jeito e estilo de Pinot Noir, diferente da grande maioria dos vinhos produzidos com esta casta aqui na América do Sul. Preço: ~R$ 35,00.

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO - Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

ACHADO! Albae - Esencia - Syrah / Merlot 2009!


Não costumo comprar vinhos em supermercados, mas confesso que, às vezes, caio na tentação de levar para casa uma ou outra garrafa na esperança de encontrar algo diferente. Na maior parte das vezes, como já é de se esperar, me decepciono. Mas desta vez foi diferente!

Localizada na região de Tomellosso (~ 200km ao sul e Madrid), a Hacienda Albae é um novo projeto focado na produção de vinhos de ótima relação qualidade-preço. A vinícola prioriza a Tempranillo na produção, mas vem apostando forte em outras cepas, como a Syrah, a Merlot, a Cabernet Sauvignon e a Chardonnay.

O projeto é encravado numa fazenda, que conta com vinhedo, vinícola e  um hotel junto ao edifício da vinícola, a partir do qual pode-se visitar os vinhedos e degustar os vinhos da empresa.

O protagonista desde post é um corte das melhores Syrah e Merlot da vinícola e tem uma passagem de 3 meses por barricas de carvalho americano e francês.

Coloração vermelho rubi intenso. Aromas de frutas vermelhas e negras maduras, principalmente framboesas e ameixas. Aparece também algum toque de especiarias, como pimenta, assim como notas de baunilha. Paladar bastante agradável, sedoso. As frutas vermelhas se destacam, com ótimo equilíbrio entre acidez, doçura e álcool. Boa persistência.

Comprei este vinho numa promoção "leve 3 - pague 2" no Carrefour (que é o importador), ao preço de R$ 24,90 por garrafa, ou seja, R$ 49,80 por 3 garrafas na promoção, o que o torna um vinho de EXCELENTE relação QUALIDADE-PREÇO. Na última semana passei novamente no mercado e o vinho já está custando R$ 28,90 e sem a promoção do "leve 3 - pague 2", mas ainda assim o preço é bom. Vale a pena provar.

R$ 28,90 (Carrefour) Álcool 13,5%

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO Relação QUALIDADE-PREÇO: EXCELENTE

sábado, 22 de setembro de 2012

Quinta de Gomariz - Vinho Verde - Colheita Selecionada - 2010



Situada na sub-região do Vale do Ave, coração da região dos Vinhos Verdes, a Quinta de Gomariz possui todas as condições naturais para a produção de vinhos verdes de alta qualidade. E é isso que faz, por isso vem acumulando premiações em Portugal e no mundo, inclusive já tendo ganho o concurso Vinhos Verdes 2008.

O protagonista deste post, o Loureiro Colheira Selecionada 2010, é produzido a partir da casta loureiro, uma uva branca de excelente tipicidade, que, quando bem vinificada, dá vinhos bem frutados e com uma acidez fantástica.

Este 2010 apresentou-se amarelo palha de pouca a média intensidade, com bastante brilho e totalmente límpido. Aromas de flores e frutas frescas, destacando-se maçã-verde e nectarina. Na boca, a “agulhada” típica dos vinhos verdes vem acompanhada por um excelente equilíbrio entre a doçura da fruta e a acidez corretíssima. Final de médio a longo.

Indicadíssimo para os dias quentes do verão brasileiro. Fácil de beber e de muita qualidade.

Para acompanhá-lo, escolhi um carpaccio tradicional de filé mignon com alface americana, palmito, mostarda com mel, alcaparras e queijo parmesão. Show!!!


Se você preferir, um vinagrete de polvo e/ou de mexilhões ou mesmo peixes em geral serão excelentes harmonizações para este belo exemplar dos vinhos verdes portugueses.

R$ 50,00 (Maison des Caves) | Alcool 11,5% | Açúcar 6,8g/L | Acidez 5,2g/L

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO / Relação QUALIDADE-PREÇO: EXCELENTE

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Empório D'Vino realiza Festival de Massas, Risotos & Vinhos inédito em Santo André, é o I Wine Weekend D'Vino!



Em parceria com algumas das principais importadoras do mercado, o
Empório D'Vino, em Santo André, inova mais uma vez e apresenta seu Festival de Pastas artesanais, Risotos & Vinhos, é o I Wine Weekend D'Vino!

O evento ocorre no jantar de sexta-feira, 21/09 e nos almoços de sábado e domingo, dias 22 e 23/09 com preço fixo de R$ 36,90 por pessoa ou R$ 66,50 o casal.

O jantar de sexta-feira acontece das 19h30 às 22h00 e o participante tem direito a entrada + salada + pasta + vinho.
Nos almoços de sábado e de domingo, das 12h às 15h30, o menu será composto de entrada + salada + risoto + vinho.

Todos os rótulos à disposição para degustação terão descontos especiais para compras no dia do evento. São eles:

Argentina
Susana Balbo - CRIOS Syrah-Bonarda 
Susana Balbo - CRIOS Rosé Malbec

Portugal
Cicônia Rosé
Cicônia Tinto
Cicônia Verde
Quinta dos bons Ventos

França
Pasquier des Vignes - Pinot Noir
Espumante Veuve Devienne - Rosé 

Itália 
Montresor Valpolicella Clássico
Zonin - Primitivo Salento IGT Masseria Palombra

Vagas limitadas!

Reservas: 2669-2188 ou emporiodvino@emporiodvino.com.br.

Vejo vocês lá.


Circuito Brasileiro de Degustação: e as salvaguardas?



Depois de passar por Curitiba, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, em maio, e  Porto Alegre, no último dia 13, o Circuito Brasileiro de Degustação chegou a São Paulo nesta segunda-feira 17/09, contando com a participação de 21 vinícolas brasileiras que trouxeram mais de
120 rótulos de vinhos, espumantes e suco de uva 100%.

Este tipo de evento, aberto ao público, é sempre uma boa oportunidade para os consumidores conhecerem alguns vinhos e conferirem as novidades da produção nacional.


Melhor que isso é a oportunidade de conversar direto com alguns produtores e indagá-los diretamente sobre as salvaguardas.
É claro que alguns dos maiores “salvaguardistas” brasileiros não estavam presentes, uma vez que são donos de vinícolas de médio e grande porte, raramente dão as caras neste tipo de evento e mandam apenas representantes, que se omitem de opinar sobre um assunto tão importante.

Senti uma certa tensão nas palavras de alguns ao falar sobre o assunto. A maioria se mostra aflito pela espera, já que começam a sentir algum efeito do mercado sobre as vendas. Fiquei feliz ao ouvir palavras de alguns deles, mostrando-se confiantes pela decisão contrária à medida, já que acreditam que este não é caminho para alavancar as vendas de vinhos no mercado nacional.

Continuamos aguardando ...

Voltando ao evento, duas “atrações” apresentadas foram as degustações temáticas conduzidas pelos jornalistas e críticos de vinhos Christian Burgos, da revista Adega, que conduziu a “Abre-alas” – supostamente com vinhos que ele costuma tomar no seu dia a dia – e Horst Kissmann, da Prazeres da Mesa, que conduziu a “Em cartaz na sua adega”, com seis destaques entre os vinhos brasileiros lançados em 2012.


Burgos escolheu os seguintes rótulos para o seu painel: Cada Valduga Gran Reserva Extra Brut 2006, Luiz Argenta Gran Reserva Chardonnay 2009, Dal Pizzol Pinot Noir 2012, Miolo Quinta do Seival Castas Portuguesas 2008, Antonio Dias Tannat 2009 e o Perini Éden Licoroso.


Já a degustação conduzida por Kissmann contou com um painel composto por: Salton Nature Gerações Antônio Domênico, Viapiana Expressões Chardonnay 2011, Perini Fração Única 2010, Pizzato Fausto Verde 2009, Casa Valduga Gran Raízes Corte 2009 e Almaden Vinhas Veçhas Tannat 2011.
As degustações foram bem organizadas e conduzidas, mas tenho algumas restrições quanto aos vinhos escolhidos.

No geral, foi um evento bacana, descontraído e com vinhos interessantes, ideal para rever alguns amigos representantes e produtores e provar algumas novidades dos vinhos brasileiros. Num próximo post, vou apresentar meus destaques, com as 5 melhores provas realizadas, será o TOP 5 VINHO SIM - Circuito Brasileiro de Degustação! Aguardem.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Quinta do Crasto - Superior 2010



Localizada na região demarcada do Douro, a Quinta do Crasto pertence à família Roquette há mais de um século e, tal como as grandes Quintas do Douro, sua origem remonta a tempos longínquos (o nome CRASTO, deriva do latim castrum, que significa Forte Romano).

Os importantes investimentos realizados nos últimos anos, permitiram modernizar as vinhas e instalações de vinificação, garantindo assim grande qualidade na produção de vinhos, mas apesar da utilização das mais avançadas tecnologias de vinificação, continua a ser utilizado o tradicional método de pisa em lagares.

O Crasto Superior 2010 é produzido a partir das castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Souzão e um percentual proveniente de uvas de vinhas velhas, todas provenientes da Quinta da Cabreira, localizada no Douro Superior e recentemente adquirida pela família para complementar a produção da Quinta do Crasto.

Vamos à prova.
Na taça mostrou vermelho-violáceo de boa intensidade e ótimos brilho e transparência. Os aromas florais e de frutas silvestres frescas se destacam imediatamente, aos poucos sendo complementados por toques de cacau e por algumas notas tostadas provenientes dos 12 meses de estágio em carvalho francês. No paladar, destaque para as frutas vermelhas com toques mentolados. Taninos bem arredondados. A ótima acidez traz um gostoso frescor ao vinho. Boa persistência. Ótimo equilíbrio.

R$ 98,00 (Qualimpor) | Álcool 14,2% | Acidez 5,1g/L |Acúcar 1,7g/L

Avaliação VINHO SIM: REFINADO / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Escorihuela - Pequeñas Producciones Chardonnay 2009



Andava eu despretensiosamente (nem tanto!) pelo Grand Tasting da Grand Cru – em São Paulo, procurando boas provas de vinhos brancos quando cheguei ao estande da Bodegas Escorihuela.

A vinícola mendocina, fundada no final do século XIX, tem uma história muito rica e marcada pelo pioneirismo, sendo, por exemplo, a primeira a produzir um Malbec 100%. Nos últimos anos, a vinícola entrou de vez no rol das mais conceituadas da Argentina, produzindo vinhos de qualidade indiscutível e de excelente relação qualidade-preço.

Seus tintos, especialmente os produzidos com Malbec e Tempranillo, estão os meus favoritos, mas os brancos ainda me eram desconhecidos. Ainda bem que resolvi parar ali para conhecê-los!

Depois de me apresentar o Viognier 2011, o responsável pela exposição dos vinhos no evento, Renzo Monge, trouxe este 100% Chardonnay, denominado Pequeñas Producciones e, com brilho nos olhos, me disse que este é um dos melhores brancos argentinos e, quiçá, da América do Sul. Renzo tinha razão.

Costumeiramente tenho provado Chardonnays excessivamente amadeirados, um estilo que confere estrutura e alguma cremosidade ao vinho, mas que tira frescor e aquele charme frutado dos bons brancos.

Neste Pequeñas Producciones 2009 a Escorihuela acertou em cheio no equilíbrio. Cor amarelo-dourado-esverdeado com bastante brilho e limpidez. Os aromas de frutas de caroço e frutas cítricas maduras, algo como uma mistura entre pêssegos maduros e abacaxi em calda, se destacam, logo sendo acompanhados por notas de amêndoas e alguns toques de baunilha, sinal do correto uso do carvalho: são 9 meses de envelhecimento em barricas francesas. Aparece também algo de especiarias, lembrando noz-moscada. Paladar com boa untuosidade, mas sem perder o frecor. Tentaria descrever a sensação inicial como se estivesse comendo um abacaxi não muito maduro em calda. Final com alguma mineralidade e excelente frescor. Os 14,6% de álcool são totalmente imperceptíveis. Ótima persistência. Um vinho muito harmonioso, pronto para o consumo, mas que ainda pode ser guardado para análise de sua evolução.

R$ 98,00 (Grand Cru) | Álcool 14,6% | Acidez 5,7g/L |Acúcar 1,9 g/L

Avaliação VINHO SIM: REFINADO / Relação QUALIDADE-PREÇO: EXCELENTE

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Talenti - Brunello di Montalcino - 2007



Tive a feliz oportunidade de provar este Brunello DOCG da safra 2007 no Grand Tasting da importadora Grand Cru, aqui em São Paulo. Que vinho!

Mas antes de "falar" no protagonista deste post, permitam-me dar algumas informações sobre os Brunellos:

Para se obter a DOCG (denominação de origem controlada e garantida) Brunello de Montalcino o vinho deve ser produzido com uvas Sangiovese – regionalmente conhecida como Brunello - cultivadas exclusivamente na comuna de Montalcino, na província de Siena, Itália.
A graduação alcoólica deve ser de, no mínimo, 12% em volume, mas se o produtor quiser especificar a vinha ou região de produção da uva, este percentual em volume muda para 12,5.
O Brunello di Montalcino deve passar por um período de envelhecimento de pelo menos dois anos em barris de carvalho de qualquer dimensão e pelo menos quatro meses em garrafa.
Se quiser ser qualificado como “Reserva”, o Brunello di Montalcino só pode ir ao mercado depois de 1 de janeiro do ano sucessivo ao término de seis anos calculados considerando o ano da safra, depois de passar dois anos em barris de carvalho e, pelo menos, seis meses em garrafa. Apenas 6% do vinho em envelhecimento poderá ser mantido em recipientes que não sejam de carvalho.
Toda a operação de vinificação, conservação, envelhecimento em madeira, envelhecimento em garrafa e engarrafamento devem ser efetuadas exclusivamente na zona de produção.

Agora sim, vamos ao “nosso” Brunello, o Talenti 2007.

Definido pela própria vinícola Talenti como o "coração da empresa” este Brunello, produzido com Sangiovese dos melhores vinhedos é envelhecido por 2 anos e meio em bottis (em português, “pipa”) de carvalho de 18 e 26hL, com exceção de uma pequena parte (não tenho informação sobre o percentual correto), que é envelhecida em barricas de carvalho esloveno, passando mais 12 meses em garrafa antes do lançamento.

Cor vermelho rubi com brilho e limpidez perfeitos. Aromas de frutas vermelhas como framboesa e cereja e algo que “abre” o olfato, como um fumo mentolado, além de algumas notas de especiarias e toques vindos do estágio em carvalho. Paladar bem delicado e equilibrado, confirmando frutas vermelhas. Taninos presentes e bem afinados. Harmonioso e com grande persistência. É redundante citar sua vocação gastronômica, já que os Brunellos me parecem ter nascido pra isso!

R$ 240,00 (Grand Cru) | Alcool 14%

Avaliação VINHO SIM: REFINADO

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Diário do Vale do Colchágua - Chile: Viña Laura Hartwig



O Chile possui muitos vinhedos e muitas vinícolas e, andando por lá, não é difícil perceber que há basicamente dois estilos bem definidos: as “modernas”/contemporâneas e as “tradicionais”. Esta rotulação proposta não visa separá-las por emprego de tecnologia e não quer dizer de forma alguma que as “tradicionais” não se utilizem de modernos recursos para a produção de seus vinhos, é apenas um estilo, uma forma de pensar no trabalho.

No Vale do Colchálgua há vinícolas que são verdadeiras obras de arte arquitetônicas, como é o caso da Lapostolle (relembre) ou da Viña Montes (relembre), por exemplo, mas também há aquelas que mantém um estilo mais tradicional nas construções, nos dando aquele ar de vinícola butique, como é o caso da MontGras (relembre) e desta que é a estrela maior deste artigo, a Laura Hartwig.

A vinícola existe há pouco mais de 20 anos e tem uma capacidade de produção anual de 300.000L, valor bem pequeno se comparado às grandes vinícolas chilenas, muitas com produção maior que 1 milhão de litros/ano. É uma empresa familiar, dirigida ainda pelo patriarca da família e fundador, Alejandro Hartwig Carte, e com foco na produção de vinhos de grande qualidade. E foi exatamente isso que vimos na nossa visita.

O agendamento da visita a partir daqui do Brasil foi bastante ágil. Apenas um e-mail e já nos foram sugeridas data e horário ideais. Ao chegar fomos recebidos pelo Cesar, o administrador turístico, muito atencioso e com ótimos conhecimentos da vinícola e dos vinhos.

Começamos com um encantador passeio de charrete pelos vinhedos da propriedade, momento em que nos foi explicado sobre a história da Laura Hartwig, sobre o Hotel TerraViña – uma parceria entre um casal de dinamarqueses e a Laura Hartwig - e sobre a escolha das castas para a produção dos vinhos, dentre elas a exuberante e intrigante Petit Verdot, que tratarei com atenção nas linhas a seguir.


Na sequência conhecemos as pequenas e charmosas instalações da vinícola e partimos para a sala de degustações, onde tivemos a oportunidade de conhecer algumas preciosidades da enologia chilena.

A pequena e charmosa sala de barricas
Toda a produção é baseada no lema “menos es más” e ao contrário de grande parte das “vinícolas butiques”, a Laura Hartwig ainda consegue preços muito convidativos.

Fizemos uma degustação com os principais vinhos da empresa, o Reserva Chardonnay 2010, o Reserva Cabernet Sauvignon 2008, o Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2008 e os dois lançamentos da linha Selección del Viticultor, um 100% Syrah e outro 100% Petit Verdot.


A Syrah já deixou de ser uma novidade no Chile há algum tempo, tendo gerado vinhos fantásticos nos últimos anos, mas a Petit Verdot ... ahh a Petit Verdot!

Esta casta ainda pouco explorada na produção de vinhos varietais vem ganhando força no Chile, onde tem dado bons frutos, a exemplo deste Selección del Viticultor que consideramos a grande surpresa e destaque da degustação.


Um passeio verdadeiramente imperdível quando estiver no Vale do Colchágua.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

De Aguirre - Casilda Gran Reserva 2009


Localizada na Vila Alegre, a 285km ao sul de Santiago, bem no coração no Vale do Maule, a De Aguirre Bodegas e Viñedos é uma vinícola familiar – os 7 irmãos trabalham em diferentes áreas - com mais de 60 anos de tradição.

O Vale do Maule é a maior região vinícola do Chile, onde se cultiva praticamente todas as variedades de uvas do país, porém com um grande percentual de vinhedos de uvas comuns, não ideais para a produção de vinhos finos. Certamente esse é o principal motivo para que a região não seja tão aclamada como os vales do Maipo, Colchágua, Casablanca, etc.
Apesar disso, a região vem ganhando destaque nos últimos anos com o desabrochamento de diversas vinícolas que aumentaram seu investimento na região, produzindo vinhos de extrema qualidade.

O protagonista deste post, Casilda Grand Reserva 2009 é a seleção de agosto da Sociedade da Mesa, produzido com 70% Cabernet Sauvignon e 30% Carménère provenientes de vinhedos selecionados da propriedade, cuidadosamente administrados com rendimentos controlados.

Cor vermelho violáceo. Aromas frutados, com destaque para mirtilos e framboesas maduras. Toques de pimenta branca e pimentão. Os aromas de baunilha e café provenientes dos 15 meses de passagem por barricas novas de carvalho francês são muito elegantes e não se sobressaem no conjunto. Paladar macio, de taninos maduros e ótima acidez. Harmonioso. Ótima persistência. Prova obrigatória, especialmente pelo preço.

R$ 40,00 (Sociedade da Mesa) | Álcool 13,6%

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO / Relação QUALIDADE-PREÇO: EXCELENTE

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Vinho do mês [AGOSTO/2012]: Família Deicas - Don Pascual Roble - Edición Limitada - Merlot 2008



Conheci a vinícola Juanicó (Establecimiento Juanicó – Família Deicas) em outubro de 2011, ocasião na qual provei este vinho (junto com uma porção de outros) e achei espetacular! Como não podia deixar de fazer, trouxe alguns para casa para poder confirmar aquelas impressões obtidas no Uruguai.

Antes de comentar do vinho, vou escrever algumas linhas sobre a Família Deicas.

Vinhedos da propriedade da Família Deicas, em Juanicó.
A vinícola é conduzida pela Família Deicas e o patriarca e fundador, sr. Juan Carlos Deicas - acompanhado de filhos e netos - ainda é presente no dia-a-dia da empresa, a maior produtora do Uruguai – mais de 4 milhões de litros produzidos na última safra - e talvez a maior reponsável pelo desenvolvimento e crescimento da vitivinicultura do país, tendo sido pioneira numa série de ações que mudaram a forma do nosso vizinho pensar seu vinho, principalmente em se tratando de qualidade, já que foi a primeira a produzir um grande vinho de guarda (em 1992), a primeira a ganhar uma Gran Medalla de Oro num grande concurso internacional (1996, na Espanha), foi a criadora a categoria Roble o Uruguai (em 1996, com a linha Don Pascual), a primeira vinícola sulamericana a obter certificação ISSO 9001 (em 1998), a primeira a produzir um Licor de Tannat (em 2002), dentre muitas outras contribuições para a vitivinicultura uruguaia.

Após esta visão inicial deste ótimo produtor, vamos àquele que foi eleito o VINHO de AGOSTO pelo blog Vinho SIM, o Família Deicas – Don Pascual - Edición Limitada Single Barrel – Merlot 2008.

Os vinhos da linha Don Pascual - Edición Limitada são vinhos de guarda que vêm de uma seleção especial feita das melhores barricas. Single Barrel significa que cada barrica é envasada diretamente, de forma separada e sem filtragem, gerando poucas garrafas, numeradas à mão e que são verdadeiramente únicas.

O exemplar provado foi a garrafa 12 – de um total de apenas 266 – provenientes da barrica no 1712, como se pode ver na foto inicial do post.

Cor vermelho rubi brilhante. Aromas de frutas negras maduras, nitidamente ameixas e mirtilos, acompanhados de notas de especiarias doces (canela) e chocolate. Paladar muito sedoso, com taninos bem maduros. Frutas em calda e chocolate voltam a aparecer. Surge também uma certa mineralidade. Acidez correta. Vinho extremamente equilibrado. No auge.


Para acompanhá-lo, preparei um risoto de miolo de alcachofra com presunto parma e a harmonização foi espetacular.


Quem importa a Família Deicas para o Brasil é a Interfood, mas não encontrei este vinho para venda no Brasil. No Uruguai custa por volta dos US$ 25,00.

Alcool 13,2%

Avaliação Vinho SIM: REFINADO / Relação QUALIDADE-PREÇO: S/A.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O vinho faz bem à saúde? Pesquisa na França mostra 1 milhão de pessoas com overdose de sulfitos!



Um recente relatório publicado pela Agência Nacional de Segurança Sanitária da França (Anses) está dando e ainda vai dar o que falar.

O relatório indicou que 3% dos adultos do país excedem a dose diária aceitável de sulfitos. A causa principal? O consumo de vinho.

A dose diária aceitável estabelecida pela OMS (Organização Mundial de Saúde) é de 0,7mg por kg de massa corporal por dia, isto é, um indivíduo com 70kg poderia ingerir, no máximo, 50mg de sulfitos por dia.

De acordo com o último censo na França, mais de um milhão de franceses consomem quantidades diárias de vinho que facilmente ultrapassam este valor, uma vez que doses cada vez maiores de dióxido de enxofre (SO2 – também conhecido como anidrido sulfúrico) estão sendo despejadas nos vinhos.

Para ser uma ideia numérica, estima-se que para determinados vinhos, duas ou três taças - algo muito próximo daquilo que é considerado um consumo razoável pela OMS - já são o bastante para ultrapassar o limite.

É importante frisar que o dióxido de enxofre pode causar algum tipo de intolerância mesmo quando não se excede o limite do aceitável, sendo ele responsável por uma série de sintomas, como dores de cabeça, corrimento nasal, uticária, diarréia e até algumas “reações alérgicas”, como explica o professor Jean-François Nicolas, um alergista do Hospital Universitário de Lyon: "Esta (associada aos sulfitos) não é uma verdadeira alergia, mas uma reação de hipersensibilidade e pode ser grave em alguns asmáticos”.

E agora? O que fazer?

Me parece uma grande contradição propor que não se consuma mais vinho, uma vez que a bebida, quando consumida moderadamente, traz comprovadamente uma série de benefícios à saúde.

Muitas revistas, blogs, sites e publicações em geral já panfletam há algum tempo práticas menos intervencionistas na produção de vinhos e este é claramente o caminho. Para desfrutar dos benefícios desta fantástica bebida sem ser “agredido” pelos danos potenciais dos sulfitos, as práticas mais naturais, como os vinhos biodinâmicos, orgânicos ou até mesmo naturais, com redução drástica ou eliminação total no uso destes elementos danosos, são a solução.

Temos visto e provado casa vez mais vinhos com os títulos de biodinâmicos, orgânicos, etc e este é um caminho sem volta (tomara!). A tendência é que mais e mais produtores se preocupem não apenas em oferecer ao mercado um produto com cor, aroma e paladar agradáveis, mas um produto que além desses importantes atributos, não apresente riscos à saúde.

Vamos fazer nossa parte. Olho nos sulfitos!

sábado, 1 de setembro de 2012

Vinho Peruano! Viña Tacama - Gran Tinto 2010



Eu nunca havia provado um vinho peruano. Para ser bem honesto, conhecia bem pouco sobre a vitivinicultura do nosso vizinho, cujo povo eu tenho grande simpatia e cuja culinária eu adoro!
O amigo Celso Pavani, proprietário do Empório D’Vino, ganhou este vinho de um casal de clientes e me convidou para fazer a degustação. Convite irrecusável para um eno-curioso de carteirinha.

História é o que não falta à Viña Tacama, produtora do nosso protagonista, o Gran Tinto 2010.

Os primeiros vinhedos de Ica, região onde se localiza a Tacama - a sul de Lima -, foram plantados por Francisco de Carabantespioneiro da vitivinicultura na Amérca - em 1540, vindos diretamente do México. Uau, quase 500 anos de história!

Na década de 1920, a Viña Tacama decidiu importar tecnologia e material da França com a intenção de melhorar sua produção, mas foi depois da 2a Guerra Mundial - mais precisamente a partir 1958 - que a vinícola direcionou de vez seus esforços para a produção de vinhos de qualidade, com a contratação do enólogo francês Robert Niederman, e de lá para cá a vinícola colhe bons frutos e elogios de grandes especialistas pelo mundo, como o renomado professor Jean Ribéreau-Gayon que declarou que “os esforços da Tacama já têm sido coroados com a produção de vinhos de qualidade indiscutível, mostrando toda a tipicidade do terroir peruano, comparados aos melhores vinhos dos países vinicultores”.


Muito bem, vamos tratar do Gran Tinto 2010.

Este vinho é um corte de Malbec, Tannat e Petit Verdot (não encontrei os percentuais), com 12,5% de álcool.
Coloração rubi de média intensidade.
De cara, no nariz, surgem aromas florais, especialmente de jasmim e violeta, muito evidentes. Agradável. Algumas notas frutadas. Nada de madeira. Na boca mostra-se bem seco, mas com taninos praticamente imperceptíveis. Um pouco mineral. Creio que a quantidade de açúcar residual seja bem baixa. Boa acidez. Um vinho bem diferente dos encontrados normalmente aqui no Brasil e que valeu muito a prova.

Ainda não tem no mercado brasileiro, mas se você for ao Peru, fica a dica: prove os vinhos peruanos!

Avaliação VINHO SIM: BOM / Relação QUALIDADE-PREÇO: S/A

Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?