sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Pechincha do mês [NOVEMBRO/2012]: Juno CS + Merlot 2009


Fala galera, tudo bem com vocês?

Mais uma vez estou aqui para indicar o vinho de preço mais acessível degustado por mim nos últimos 30 dias. Chegou a vez de novembro!
Sempre lembrando que para “preço acessível” defini o teto de R$ 40,00, que só será ultrapassado no caso do vinho em questão possuir uma relação QUALIDADE-PREÇO excepcional.

O achado de novembro vem direto da África do Sul e conheci na 5a edição do sempre muito bom Mania de Vinhos, realizado pela Maison des Caves da Gabriel Monteiro da Silva, em São Paulo. Este evento marca a abertura de uma promoção que a Maison des Caves faz todos os anos, sempre incluindo ótimos rótulos a preços muito bons.

Apesar de provar por volta de uns 30 vinhos, este que é o protagonista deste post chamou a atenção especialmente por sua relação qualidade-preço.

Produzido na região de Paarl, na África do Sul, o Juno Cabernet Sauvignon/Merlot 2009 já chama a atenção pela arte no seu rótulo.

A vinícola Juno Wine Company nasceu de um casamento entre vinho e arte, sempre estampando em seus rótulos, imagens da artista Tertia du Toit, muito conhecida na África do Sul por seus trabalhos sempre destacando a sensualidade feminina. Mulheres, que não por acaso, são destaque também dentro da vinícola, desde um dos lemas da empresa: “Honrar as mulheres, arte e vinho”, até a elaboração do vinho, que é feita por 4 enólogas, Adele Dunbar, Stephanie Betts, Alicia Rechner e Licia Solomans. Veja mais detalhes aqui.

Sensacional! Parabéns à Juno por esta empreitada!

Este vinho é corte de 60% Cabernet Sauvignon e 40% Merlot, que, de cara, já impressiona pelo ataque aromático. Muita fruta vermelha e negra madura, toques de eucalipto e um defumado muito gostoso me seduziram desde o primeiro momento. Não consegui encontrar informações oficiais do tempo de passagem por barricas, mas certamente passa alguns meses o que lhe confere algumas notas de baunilha muito interessantes. Na boca é muito macio, tem bastante fruta e uma acidez que me dá o tempo todo aquela vontade de continuar bebendo. Taninos maduros e ótima persistência. Não é um vinho para acompanhar alta gastronomia, mas pode ser um par perfeito para uma tábua de frios ou uma bela pizza!

Comprei-o por R$ 38,00, mas com a promoção leve 3 pague 2 cada garrafa sai por volta de R$ 25,00. É claro que comprei várias! Há ainda a opção do Shiraz, que também é muito bom e será tema de algum post futuro!

R$ 38,00 (Maison des Caves) | Álcool 13,5%

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (16/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: EXCELENTE

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Viña Mar - Reserva - Sauvignon Blanc 2011



Diretamente do Vale de Casablanca, região emblemática da vitivinicultura chilena, vem este varietal Sauvignon Blanc, produzido pela vinícola Viña Mar.

O nome da vinícola é uma homenagem à característica mais peculiar da região: a proximidade com o mar que, em geral, confere alguma mineralidade e frescor aos vinhos da região.

Conheci este Reserva SB 2011 no Wine Road Show da importadora Épice (relembre) e ele foi, justamente com os demais vinhos da vinícola, uma boa surpresa, principalmente pela ótima relação QUALIDADE-PREÇO.

Coloração amarelo palha com reflexos esverdeados. Muito límpido e com bonito brilho. Aromas típicos da casta, com destaque para frutas cítricas e tropicais com toques de pimentão, mel e damasco seco. Paladar muito agradável, com ótima acidez, bem equilibrada pela boa presença de fruta. Leve e com alguma cremosidade e mineralidade. Boa persistência.

Um vinho que vale muito ser experimentado e que é acompanhamento ideal para entradas e pratos à base de frutos do mar, especialmente os que devem ser servidos frios, como os vinagretes de polvo e mariscos.

R$ 36,00 (Épice) | Álcool 13,5 % | Acidez 4,3g/L |Acúcar 2,27g/L

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO (14/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Existe uma linha tênue entre o amor e o ódio: Tormentas - Minimus Anima 2007



Conheço os vinhos produzidos pelo Marco Danielle desde as primeiras safras e o que venho notando, ano após ano, é que eles quase sempre despertam sentimento de amor ou ódio nos degustadores. É raro nos deixarem resignados.

O projeto do Marco Danielle, denominado Atelier Tormentas – Vinho de Autor pode ser definido como, no mínimo, ousado, como descreve o próprio site da vinícola: “Nossos vinhos não são filtrados ou estabilizados artificialmente, de forma a preservar ao máximo certos traços de caráter. Vemos o depósito em garrafa não só como um charme ritual, mas como evidência de um processo de elaboração com mínima intervenção. Em função de nossa política de vinificações a baixo ou nenhum SO2 (sem adição de sulfitos ou INS 220), indicamos guarda climatizada. Mas isso vale para qualquer bom vinho, e só tem importância quando a intenção é adegar por vários anos. Mesmo assim, a opção por vinhos naturais, com baixo ou nenhum conservante, pode gerar leve gaseificação (nota frisante) em algumas garrafas, lotes ou safras, sem qualquer conseqüência sobre a qualidade geral e facilmente neutralizável por aeração em decanter. Aceitar tais condições é indispensável para compartilhar nossa proposta, e usufruir as vantagens de uma vinicultura não intervencionista. Embora utilizemos frutos produzidos com máximo esmero, nossa agricultura não é orgânica. Contudo nossa vinificação, em alguns casos, pode ser totalmente orgânica.

Alguns críticos consideram que o enólogo é muito panfleteiro, que exalta demais tudo o que faz e que usa isso como forma de esconder alguns defeitos de seus vinhos (leia esta crítica do enólogo Jucelio K. de Medeiros, antiga - de 2008 - mas que vale para uma reflexão) e outros consideram seus vinhos fantásticos, cheios de originalidade, como o enófilo e grande músico Ed Motta e o crítico Steven Spurrier, que costumam morrer de amores por eles.

Eu confesso que acho um pouco dos dois! Já é a terceira vez que provo este Minimus Anima 2007 e só agora tive vontade de escrever sobre ele. Já provei muitos vinhos do Tormentas e há alguns que gostei bastante e outros que nem tanto. A superpanfletagem não me agrada, porém compreendo a posição do Marco Danielle de querer exaltar seus vinhos e não simplesmente deixá-los à mercê da opinião alheia. Desde que o faça com bom senso, moderação e honestidade, acho tudo certo.

Muito bem, vamos ao Minimus Anima 2007, cuja produção se limitou a apenas 2600 garrafas com um corte de 35% Cabernet Sauvignon, 35% Tannat “supertardia”, 20% Alicante Bouschet e 10% Merlot, sem passagem por madeira e com quantidade insignificante de SO2.

Na taça, mostrou coloração vermelho rubi intenso com leves traços acastanhados, já mostrando uma certa evolução. Límpido, mas sem muito brilho. Os aromas que mais se destacam de cara são os de frutas maduras, com nítido toque de cassis, um belo floral e terra molhada. Me agrada bastante essa “clareza” da fruta, sem os toques de madeira. No paladar, de ótima estrutura, também se destaca uma bela concentração de fruta, com taninos bem maduros, possivelmente resultado da utilização de uvas Tannat "supertardia" em 35% do corte. A safra de 2007 foi contada em verso e prosa como uma safra não muito boa no Sul do país, inclusive na região da Encruzilhada do Sul - onde foram produzidas as uvas utilizadas neste corte -, mas, ao contrário do esperado, não considero elevada a acidez do vinho, que se mostrou bem presente durante a prova, mas fez um pouco de falta no final, deixando o retrogosto mais para o adocicado.


Para a harmonização deste vinho, escolhi um macarrão parafuso ao funghi seco, que se mostrou bastante correta, formando uma ótima parceria.

Ao meu ver, não se pode considerar este vinho um ícone brasileiro, mas também está longe de algumas críticas contundentes que já li. É um vinho que, sem a menor dúvida, deve ser, ou melhor, TEM QUE SER provado, principalmente pelas suas características únicas! É uma pena que está esgotado, pelo menos no site do produtor, mas, caso o encontre em alguma loja por aí, compre-o!

R$ 80,00 (site do produtor - esgotado) | Álcool 13%

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO (14/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: BOA

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Contarini - Prosecco DOC Millesimato



Diretamente de ConeglianoVênetoItália vem este Prosecco produzido pela Contarini.

Antes de falar do vinho, vou escrever algumas linhas sobre a região e esta uva fantástica.

Conegliano e Valdobbiadene são as únicas vilas do Vêneto com direito à denominação de origem controlada (DOC)! Vinhos de outras partes do Vêneto são classificados como indicação geográfica típica (IGT). E o que isso quer dizer? Em termos de qualidade, nada! É possível, encontrar ótimos IGTs e não tão bons DOC, porém a denominação de origem é uma garantia de que algumas normas serão seguidas. Só.

No total, o Vêneto possui 15 comunas, todas na região de Treviso, que produzem espumantes com a uva Prosecco.

A Prosecco é uma casta de uva branca, originária exatamente da região do Vêneto, por isso sua larga produção nesta região.

A Contarini emprega alta tecnologia na elaboração de seus espumantes e tem a tradição de sempre empregar enólogos formados na Wine School de Conegliano, uma das mais antigas escolas e de maior prestígio na Itália.

Conheci e comprei o espumante em questão, o demi-seco Contarini Prosecco Millesimato, no estande da Orion na Wine Weekend 2012 (relembre). Na ocasião, além de um preço com mais de 50% de desconto, a importadora/loja ainda estava oferecendo o vinho nestas bonitas embalagens. Ótima apresentação!

Coloração amarelo palha de média intensidade, com reflexos dourados bem sutis, bastante límpido e brilhante. Perlage média, com boa intensidade e persistente. Aromas de flores e frutas cítricas, sem destaque para nenhuma fruta em especial. Paladar com média estrurura, alguma cremosidade e acidez bem equilibrada com o açúcar. Ligeiro e fácil de beber. Apesar de ser um demi-seco, o final não é adocicado, já que possui boa acidez! Ótima escolha para um aperitivo em dias quentes - o verdadeiro "espumante beira de piscina" -, para recepção em festas ou para acompanhar saladas ou entradas leves, que exijam ótimo frescor do vinho.

Nesta ocasião, optamos por um clássico carpaccio de lagarto, alface americana, palmito, mostarda, alcaparras e queijo parmesão. Foi uma boa harmonização, mas um pouquinho mais de estrutura cairia ainda melhor.


É uma boa opção para quem quer conhecer um pouco mais os tradicionais Proseccos italianos, mas há espumantes brasileiros melhores e por preços menores! Ainda assim, recomendo como fonte de conhecimento.

R$ 45,00 (Orion) | Álcool 12,5 %

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO (14/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: BOA

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Mestres - Cava 1312


Cava é o termo oficial para o vinho espumante de método tradicional, produzido predominantemente em Penedès - embora existam alguns poucos produtores no resto da Espanha - e com as uvas Parrelada, Xarel-lo e Macabeo.

História é o que não falta à Cava Mestres, produtora desta cava, denominada 1312.

O nome me chamou a atenção e eu fui buscar informações sobre ele, momento em que fui largamente surpreendido: o nome é uma homenagem aos 700 anos de ligação da família com o mundo do vinho!

A vinícola não foi oficialmente fundada em 1312, mas há registros de antepassados já cultivando uvas nesta época. São 28 gerações ligadas ao vinho. Sensacional, não?

Vamos à prova.

Coloração amarelo palha de média intensidade, com algum reflexo esverdeado, límpido e brilhante. Bonita perlage, bem fina, abundante e persistente. Aromas agradáveis de maçã verde, frutas tropicais e  frutas de polpa branca. Pão torrado e toques de manteiga e alguma fruta seca também aparecem, um provável reflexo dos 18 meses em contato com as borras. Paladar seco, com boa cremosidade, ótima acidez e ótimo frescor. Boa persistência e retrogosto levemente amargo.

Cava com vocação gastronômica para entradas com bom tempero, como por exemplo canapés que contenham alcaparras ou azeitonas.

É um ótimo vinho, não há dúvida, mas peca um pouco na relação qualidade-preço, uma vez que podemos encontrar ótimos espumantes nacionais a melhores ou mesmo alguns Champagnes de melhor qualidade e preços próximos a esse.

R$ 129,00 (B-Cubo) | Álcool 12% | Acidez 6,1g/L |Acúcar 9g/L

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO (15/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: RAZOÁVEL

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Pago los Balancines - Crash Red 2011


Diretamente da DO Ribera del Guadiana, em Extremadura - Espanha, uma das mais importantes regiões da Península Ibérica durante o Império Romano, vem esse vinho jovem e frutado, adquirido por meio da Sociedade da Mesa: o Crash Red 2011, o “vinho de batalha” do produtor Pago los Balancines.

A história da vinícola fundada em 2006 é a do encontro de um grupo de apaixonados pelo mundo do vinho e uma região possuidora de inúmeros valores destacados na sua gastronomia, desde a produção das famosas cerejas do Valle del Jerte, passando por fantásticos azeites e mel, até chegar aos famosíssimos presuntos Pata Negra!

A vinícola chegou ao mercado com a proposta de elaborar vinhos “diferentes”, jovens, macios e frutados e que sejam referência de uma região muito rica em história e que, apesar de ocupar o segundo lugar em toda a Espanha em termos de superfície de vinhedos, não tem um grande destaque na produção de vinhos finos e por isso é pouco conhecida no cenário mundial.

O maior compromisso da vinícola é produzir vinhos com boa relação qualidade-preço, tentando alcançar outras regiões mais prestigiadas na Espanha.

O Crash Red 2011 é um corte de 25% Tempranillo, 25% Syrah, 25% Garnacha Tintorera e 25% Garnacha Negra, sem passagem por barricas de carvalho.

Coloração vermelho cereja, muito límpido e brilhante. Bonito. No nariz o destaque vai para morangos e cerejas maduros, com algum toque herbáceo e de ervas. O paladar não me agradou. É bastante frutado, mas me deixa aquele gosto de bala de cereja, adocicado demais. Falta acidez. Tem uma estrutura média e final muito curto e adocicado.

O preço por volta dos R$ 40,00 é caro demais se comparado à outras opções que temos no mercado brasileiro, inclusive se comparado a alguns vinhos nacionais que também têm essa pretensão de ser vinhos para o dia-a-dia, jovens e frutados. Apesar de não apresentar nenhum defeito, também não encanta em nenhum quesito. Não recomendo.

R$ 41,80 (Sociedade da Mesa) | Álcool 14,5%

Avaliação VINHO SIM: RAZOÁVEL (Nota: 10/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: RUIM

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Sieur d'Arques - Oceanique Limoux - Chardonnay 2009



O Festival Sud de France, realizado aqui em São Paulo este ano, não só me trouxe um imenso prazer em conhecer mais sobre a culinária e os vinhos franceses, como me fez estudar e aprender bastante sobre esta encantadora região francesa!

Este fantástico branco é produzido com 100% Chardonnay pela vinícola Sieur D’Arques - a mesma que produz o espumante Première Bulle, considerado por muitos o primeiro deste estilo no mundo, antes mesmo dos Champagnes – em Limoux, uma denominação na região de Languedoc, no sul da França.


O grande volume de vinhos do tipo “Vin de Pays d’Oc” desta região que chega ao Brasil sempre prejudicou minha avaliação e entalhou em mim um certo preconceito com os vinhos de lá, por isso quando provei este vinho no estande da Vinos & Vinos no lançamento do Festival Sud de France aqui em São Paulo  (relembre) tive uma grata surpresa.

Assim que aproximei a taça do meu nariz, o frescor e a mineralidade saltaram da taça me dando uma ótima impressão inicial. Mas é claro que não parou por aí. Muita fruta branca madura e pitadas cítricas, somadas a um aroma que só consigo notar nos grandes Chardonnays do mundo: maçãs cozidas. Alguns toques amanteigados e de madeira contornam brilhantemente o frutado.
No paladar a primeira impressão também é de algo bem mineral e foi incrível a vontade de harmonizá-lo com algum fruto do mar. O frutado também aparece – com destaque para pêssegos - e o equilíbrio entre acidez e doçura é incrível. Tive também a sensação de algum sabor parecido com açúcar queimado, talvez um caramelo mesmo. Madeira presente e novamente bem integrada, mostrando que os 10 meses de afinamento em carvalho fizeram muito bem ao vinho. Ótimo corpo, untuoso. Ótima persistência.

O buffet foi muito bem elaborado com ótimas sugestões para harmonizar os delicados vinhos do Sul da França


Gostei realmente bastante deste vinho e, para não ter dúvidas, provei-o novamente depois de algum tempo e, aí sim (!), harmonizado com um vinagrete bem suave de frutos do mar, oferecido pelo fantástico serviço do Bar des Arts, uma excelente escolha da organizadoras deste lançamento do Festival Sud de France!


R$ 90,00 (Vinos & Vinos) Álcool 13%

Avaliação VINHO SIM: REFINADO (18/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: EXCELENTE.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Confraria Vinho SIM [Outubro/2012]: Degustando uma lenda!


Depois de muita pesquisa, bate-papo com amigos, reuniões com empórios, lojas, importadoras, produtores nacionais e tudo o mais, finalmente saiu do papel a Confraria Vinho SIM (CVS), única em seu estilo na região do ABC.

É claro que a CVS tem como objetivo principal reunir um grupo de enófilos para trocar ideias e estudar sobre vinhos, mas essa confraria é diferente pois tem outro grande objetivo: a harmonização com pratos artesanais.

Depois de fazermos um teste em setembro, voltamos com tudo em outubro para degustar uma verdadeira lenda, o Ventisquero Heru 2010, que foi muito bem harmonizado com uma bela pasta artesanal do Empório D’vino, acompanhada por um molho que, em breve, certamente tornar-se-á também uma lenda aqui em Santo André.

Começamos a noite provando dois brancos descompromissados com a complexidade, mas muito compromissados com o prazer: o Mitto Moscato Jovem 2012 e o Ventisquero Yelcho Sauvignon Blanc 2011.

O Mitto Moscato, como o nome diz, é um vinho jovem, bastante aromático - onde se destacam flores brancas, limão siciliano e maçã verde – e com ótimo frescor na boca. Ótima pedida para acompanhar saladas de folhas.

O Yelcho SB 2011 já é um vinho um pouco mais marcante. As frutas cítricas se destacam no aroma e vêm acompanhadas por notas de frutas tropicais, de pimentão verde e pimenta fresca. O paladar confirma frutas cítricas e tropicais, tem ótima acidez, certa untuosidade e algumas notas minerais, o que torna o vinho bastante interessante, principalmente levando-se em conta sua faixa de preço por volta dos R$ 30,00.

Ambos foram escoltados por uma cestinha de pães acompanhada por um antepasto de berinjela e uma clássica sardela, ambos muito bons.

Após esse passeio pelos brancos já estávamos aptos a escolher nossas pastas artesanais do Empório D’Vino, já que, em princípio, o molho já estava definido: o fantástico limão siciliano com presunto parma.

Pastas eleitas, escolhemos o sempre correto Montes Selection Pinot Noir para preparar as papilas para um grande Pinot Noir que viria pela frente: o Ventisquero Herú 2010, a grande estrela da noite!

O site da Ventisquero traz uma historinha interessante sobre o nome do vinho, sob o título “A partir de nossa imaginação para as mesas do mundo”: Heru é o testemunho de uma lenda que fala de um lugar chamado Casablanca, protegido por duendes mágicos sob o olhar de seu líder de boné vermelho, e onde todo feitiço é possível”. Sabores incomparáveis ​​atingem seu esplendor no terceiro mês do ano, momento em que a Pinot Noir do lote 34 é extraída utilizando todos os cuidados que devem ter os frutos de um feitiço”.


Tudo meio bobinho, mas interessante a forma como a vinícola trata uma das suas estrelas.

Vamos à lenda:

A coloração vermelho rubi médio com tons violáceos não lembra em nada os clássicos Pinot Noirs da Borgonha, mas sim os vinhos mais tinturados típicos da América do Sul. Já no nariz, os aromas de morangos e framboesas maduras, acompanhados de cerejas em calda se aproximaram mais do estilo dos bons Pinot Noir, mas as notas de baunilha e côco, apesar de serem bem agradáveis, me tiraram um pouco do prazer que é degustar um PN. No paladar também mostrou-se bem agradável, com boa fruta - uma mescla de vermelhas maduras -, acidez correta, uma presença discreta de taninos e uma certa mineralidade. O Herú 2010 passou 14 meses em barricas de carvalho francesas, sendo 35% novas, 35% de segundo uso e 30% de terceiro uso e, apesar de ser muito bem integrada, a presença da madeira me desagrada um pouco nos Pinot Noirs.

O raviolone de espinafre com molho de limão siciliano e presunto Parma foi uma harmonização sensacional para o Herú 2010.

"Moral da história": o Herú 2010 é um vinho extremamente saboroso, de qualidade indiscutível e, dentro desse perfil Pinot Noir com passagem por barricas, é certamente um dos melhores do Chile, porém, como já mencionei em outras ocasiões, este tipo de Pinot Noir não preenche minhas expectativas de degustar um vinho produzido com esta casta tão delicada. Continuo preferindo o estilo Borgonha de produzir a partir de Pinot Noir!

R$ 180,00 (Cantu) | Álcool 14%

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO / Relação QUALIDADE-PREÇO: BOA.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Do fundo do baú (ou melhor, da adega!): Família Piagentini - Boutique Reserva - Cabernet Sauvignon 2004 (não, você não leu errado!)


Como já comentei diversas vezes aqui no Vinho SIM, tenho o hábito de, quando gosto muito de um vinho e/ou acredito no seu potencial de guarda, comprar algumas garrafas (se meu dinheiro permite, claro! rs) para provar ao longo do tempo. Este é um exercício muito interessante e divertido de se fazer, pois traz um grande aprendizado sobre a capacidade de decidir se um vinho realmente melhorará com alguns anos na garrafa ou não.

Nos últimos tempos tenho acertado mais que errado, mas confesso que já tive algumas experiências bem desagradáveis, daquelas de abrir uma garrafa com todo o entusiasmo depois de anos de adega e não poder aproveitar o vinho nem pra temperar uma bela salada de escarola com torresmo!

Este não foi, nem de longe, o resultado da degustação do protagonista deste artigo, o Família Piagentini - Boutique Reserva - Cabernet Sauvignon 2004. Não, eu não escrevi errado e nem me confundi!

Nos idos de 2005 e 2006 eu gostava muito deste vinho e sempre comprava-o na Adega Tonel do Rudge, aqui no ABC (São Bernardo do Campo), a adega de vinhos mais tradicional da região e até hoje imbatível no quesito "atendimento ao público iniciante em vinhos". Lembro-me de ter comprado algumas caixas dele (a garrafa custava por volta dos R$ 15,00) e, claro, guardei algumas garrafas. É importante frisar que o vinho não era para ser comparado aos grandes ícones sulamericanos, mas me chamava à atenção o fato de ter uma excelente relação qualidade-preço.

As NDs da época ainda chamam à atenção, pois contém dizeres como "excelente acidez (equilibrada com a doçura) e boa presença de taninos, fruta vermelha abundante, eucalipto, ...". Como sabemos, no mundo do vinho o aprendizado é constante e, às vezes, olhando estas anotações, chego a duvidar de mim mesmo: "será que eu não estava exagerando? Será que este vinho era bom mesmo ou meu conhecimento na época era pequeno demais para poder avaliar com segurança?"

O melhor jeito de responder estas questões era abrir uma garrafa e torcer para que o tempo não tenha deteriorado o vinho. E foi o que fiz!

De cara, a acidez exalou e quase desanimeichegando a ter dúvida se a acidez já havia tomado conta e ele se perdido com o tempo. Alguns minutos e consegui perceber que o aroma inicial era um balsâmico muito intenso. O paladar também apresentou uma acidez excessiva, mas sem denotar defeito. Estranho.

Mais alguns minutos na taça e os aromas de frutas secas foram aparecendo, assim como a acidez excessiva no paladar foi sendo amaciada.

O que fazer? Recorrer ao “santo decanter”, sem dúvida. Uma hora de bate-papo foi suficiente para o humilde Boutique Reserva CS 2004 se tornar um vinho completamente diferente do que aparentou nos instantes iniciais e incrivelmente saboroso. Uma certa complexidade aumentou ainda mais o  meu respeito por este vinho.

Cor vermelho rubi com poucas nuances acastanhadas e bons limpidez e brilho. Algum sedimento, mas bem pouco. No nariz alguma fruta madura e muita fruta seca, como ameixas e tâmaras, assim como uvas passas e toques de especiarias como noz moscada. Balsâmico. No paladar tem corpo leve e a acidez proeminente deu lugar a uma maciez fantástica, com ótimo equilíbrio. Taninos maduros, mas ainda presentes. Boa persistência.


É claro que não estou falando de uma super guarda, são "apenas" 8 anos de garrafa, o que considero bastante para este vinho. Acredito que ainda possa evoluir um pouco mais. Não sei se comemoro ou se lamento, mas tenho mais uma (só?) garrafa na minha adega ...

Lembro-me que as safras seguintes não me encantaram tanto quanto a 2004, por isso acabei não comprando mais, no entanto acabo de me arrepender, seria muito bom poder fazer uma vertical desde vinho!

Peço aos amigos leitores que tiverem provado outras safras deste vinho, a gentileza de compartilhar suas experiências para matar um pouco da minha curiosidade ...

É isso. Saúde!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Vinho do mês [OUTUBRO/2012]: Bodegas del Fin del Mundo - Special Blend 2007


Localizada na Patagônia Argentina, mais especificamente em San Patrício de Chañar, Neuquén, esta vinícola é relativamente jovem, tendo iniciado seu projeto em 1996, mas com a plantação das primeiras vinhas somente em 1999. Vale destacar que a Bodegas del Fin del Mundo foi a desbravadora desta região!
A região da Patagônia, que durante muito tempo afastou os grandes produtores por seu clima, tem se mostrado cada vez mais uma ótima opção vitivinicultora, já que possui uma das características mais essenciais para a maturação das uvas: grande amplitude térmica, podendo ultrapassar os 20oC (36oF), além de baixa pluviosidade, com chuvas que totalizam aproximadamente 180 mm por ano e pouca umidade.
Desde 2004 a Bodega conta com assessoria de Michel Roland, que viaja de 5 a 6 vezes por ano à Argentina para ajudar em todo o processo de elaboração do vinhos, desde a colheita das uvas até a decisão do tempo de maturação em barricas, juntamente com o enólogo local Marcelo Miras.

O protagonista deste artigo e eleito o vinho de outubro do Vinho SIM, é o Special Blend 2007, um corte de 40% Cabernet Sauvignon, 40% Malbec e 20% Merlot, com 15 meses de estágio em barricas de carvalho francês.


Coloração vermelho rubi profundo, com nuances púrpuras.
Os aromas iniciais agradam de cara. Flores com frutas vermelhas e negras maduras, toques mentolados e de especiarias doces. Após algum tempo na taça, os tostados, café, chocolate e baunilha aparecem e contornam muito bem o frutado inicial.
O paladar não deve nada ao aroma. Enche a boca. Muita estrutura, dando a sensação de estar comendo uma torta de frutas vermelhas maduras misturadas com frescas, algo como mastigar uma tortinha de framboesas em que o doce e o azedinho se misturam dando uma ótima sensação. Excelente equilíbrio entre acidez e doçura. Taninos bem maduros. Ótima persistência. Um vinho recomendadíssimo.

Comprei este vinho no Freeshop de São Paulo por US$ 19,00 (se não me engano, já faz um tempinho), mas não encontrei-o à venda no Brasil. Caso alguém conheça o importandor, por gentileza me avise para eu atualizar o post.

Avaliação VINHO SIM: REFINADO (18/20)

Álcool 14,5% | Acidez 5,4g/L |Acúcar 1,86g/L


Em tempo: A Mr. Man vende este vinho por R$ 225,00, como me alertou meu amigo anônimo aqui nos comentários.

Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?