quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Confraria Vinho SIM [Dezembro/2012]: Merlots da Casa Lapostolle!



Em dezembro, devido às festas de fim de ano, a Confraria Vinho SIM se reuniu um pouco antes do habitual para mais uma prova e bom bate-papo.

Apesar dos desfalques proporcionados pela proximidade com o final do ano, a forte chuva que assolou o ABC e mais alguns imprevistos, neste mês a CVS ganhou os reforços dos amigos Vanessa Sobral, do blog Falando sobre Vinhos, Carlos Eduardo de Oliveira, do blog Conservado no Vinho e Arnaldo Grizzo.

A bola da vez foram dois vinhos bastante interessantes, produzidos basicamente por Merlot pela fantástica vinícola chilena Casa Lapostolle.


Visitei a vinícola em janeiro/2012 (leia o post) e fiquei muito positivamente impressionado com a seriedade com que tratam o vinho e com as instalações, uma das mais modernas do Chile.  Na ocasião da visita, inclusive, provei a safra 2008 de um dos vinhos deste encontro, o Cuvée Alexander Merlot. Se estiver pelo Colchágua, não perca a oportunidade de visitar a Lapostolle.

Vamos aos vinhos do encontro.

Normalmente quando penso em Chile, as primeiras uvas que me vêm à cabeça são Cabernet Sauvignon e Syrah, com menção honrosa para Carmenère e Sauvingnon Blanc, mas diante da oportunidade de escolher um tema para o encontro de dezembro da CVS, decidi escolher a Merlot que é considerada uma das grandes especialidades da Lapostolle e tratada com muito carinho por lá.

O primeiro vinho provado foi o Casa Grand Selection Merlot 2011, um dos cartões de visita da Lapostolle, o vinho de entrada da vinícola.
Em geral, os vinhos desta linha apresentam 85% da uva que lhes dá o nome e os outros 15% bastante variados de ano pra ano, mas sempre usando uvas da mesma denominação, Vale do Rapel para os tintos e Vale de Casablanca para os brancos.


O Grand Selection Merlot 2011 é composto de 85% Merlot, 1% Cabernet Sauvignon, 9% Carmenère, 2% Petit Verdot e 3% Syrah, tendo apresentado as seguintes impressões. Vermelho rubi-violáceo, com bom brilho e limpidez. No nariz as frutas negras frescas, como ameixas e mirtilos se destacam, mas têm a companhia de um toque de especiarias. Na boca mostrou-se redondo e com boa acidez, corpo médio e taninos amaciados. Muito agradável.

Vale citar que este vinho já foi considerado uma das "escolhas mais sólidas" para a Wine Spectator e uma "impressionante relação qualidade/preço" para Robert Parker.

No encontro da CVS não achamos tudo isso, mas vale a pena ser provado!

R$ 60,00 (Mistral) | Álcool 13,5%

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (14/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA

O segundo vinho da noite foi o Cuvée Alexander Merlot 2009. Esta linha Cuvée Alexander já é um pouco mais refinada, apresentando alguns rótulos 100% varietais e outros, como é o caso deste Merlot, com um corte um pouco mais direto, utilizando menos variedades de uvas na composição. 


Este Merlot 2009 é um corte de 85% Merlot e 15% Carmenère com coloração vermelho rubi bem escuro. A primeira impressão no nariz é de um vinho com muita fruta vermelha madura, algum toque herbáceo, amadeirado e com álcool querendo saltar da taça. Com alguns instantes na taça, o amadeirado e o álcool são “amaciados”, o herbáceo fica mais “fino” e as frutas começam a ser acompanhadas por toques de especiarias e chocolate. A boa acidez e os taninos ainda um pouco verdes me dão a impressão que o vinho ainda pode evoluir um pouco mais.

Para acompanhá-lo escolhi um raviole de cordeiro ao sugo, uma massa muito saborosa e, como sempre, muito bem preparada pela Shirley do Empório D’Vino!

R$ 120,00 (Mistral) | Álcool 15%

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (15/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: RAZOÁVEL-BOA


Mais um encontro com bom bate-papo, bons vinhos e boa massa! Pra galera que não foi, só resta aguardar o encontro de janeiro. Pros presentes, deixo aqui meu agradecimento pelos momentos descontraídos e desejo um 2013 cheio de paz, saúde, sucesso e, claro, ótimos vinhos!

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Direto do Vale do Colchágua - Chile: Lapostolle



Fundada em 1994 por Alexandra Marnier Lapostolle, uma das herdeiras da família Marnier - dona do licor mundialmente conhecido Gran Marnier -, a vinícola Laspostolle tem uma arquitetura incrível, muito moderna e bonita.

Vizinha da Viña Montes (leia relato da visita do Blog Vinho SIM aqui), em Apalta - Vale do Colchágua, a vinícola cultiva Carmenère, Merlot, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot y Syrah em parreiras que datam de 1920 e que foram trazidas diretamente da França. Possui vinhedos também no Vale de Casablanca, onde cultiva Chardonnay e Pinot Noir e no Vale Cachapoal, onde cultiva Cabernet Sauvignon, Sauvignon Blanc e Syrah. Os vinhedos são 100% orgânicos e biodinâmicos, certificados  pelas organizações Ceres e Demeter, de renome internacional. Ainda em Apalta, há um belo hotel, o Lapostolle Residence, onde, a preços nada convidativos, você poderá se hospedar numa das quatro suítes, nomeadas de Carmenère, Merlot, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot e desfrutar de toda a estrutura e bela vista do Vale.


Reservei minha visita/degustação a partir daqui mesmo, através de e-mail em que me informaram que os vinhos degustados seriam um da linha Casa, um da linha Cuvée e o Clos Apalta, ícone da vinícola, o que me pareceu  suficiente, levando-se em conta que teria várias outras visitas/degustações.


A visita, que percorre diversos andares da vinícola - desde o superior onde é feito o desembarque das uvas até um subterrâneo, 15 metros abaixo, onde os vinhos descansam em barricas e há uma sala de degustações e uma adega pessoal dos proprietários (inacessível, claro!) - vale a pena e foi muito conduzida pela sommelière e atendente de turismo Erika Piña.


Após a visita e já a 15 metros subterrâneos fomos à degustação. Os vinhos escolhidos foram o Casa Sauvignon Blanc 2011, o Cuvée Alexandre Merlot 2008 e Clos Apalta 2009.

O Casa SB 2011 apresentou-se amarelho palha bastante brilhante. Notas de frutas tropicais e algo herbáceo no nariz, nada que tenha se dastacado. Na boca, acidez típica da SB, bem equilibrada às notas frutadas. Leve amargor residual.


O Cuvée Merlot 2008, que na verdade possui 15% de Carmenèré em sua composição, de cor vermelho violáceo, apresentou algumas notas tostadas, fumo, caramelo e côco queimado, bem interessante. Na boca, a presença da Carmenère é notada com boa presença tânica. Bom corpo, acidez correta. Muito bom de beber.


O Clos Apalta 2009 é um blend de 78% Carmenère, 19% CS e 3% de Petit Verdot. Visual bem bonito, vermelho rubi bem intenso com tons violáceos. No nariz, fumo, especiarias e baunilha, além de frutas pretas maduras, como amora e ameixas. Muito bem estruturado, com taninos ainda não tão maduros e pouca acidez, o que nos convida a bebê-lo imediatamente. Pode (e deve) ter algum potencial de guarda, mas, ao contrário da vinícola, eu não acredito que deva melhorar significativamente nos próximos anos.

 

Mais uma ótima visita/degustação altamente recomendada!

Que Baco nos ilumine!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

TOP 10 - Vinhos para presentear no Natal



Deixou para comprar o presente de Natal na última hora?

Vinho SIM apresenta 10 opções para presentear sem erro. Para facilitar a consulta dividi a lista em 3 "categorias": Bons e Baratos, onde apresento vinhos de ótima relação qualidade-preço, com custo até R$ 40,00; Gastando um pouco mais, com opções um pouco mais refinadas de preços até R$ 100,00 e Para pessoas especiais, uma categoria para presentear amigos já iniciados no mundo do vinho e que mereçam um presente especial!

Bons e Baratos (Vinhos até R$ 40,00)

· Don Laurindo Merlot Leve

Indicado como uma a pechincha de setembro/2012 (leia a matéria), este vinho brasileiro é ótima opção para os dias quentes do verão!

· Rapariga da Quinta - Escolha – 2010

Importado pela Épice, pode ser encontrado por volta dos R$ 30,00 e é um vinho bastante agradável. Paladar bastante leve e fresco, ótimo para acompanhar carnes magras

· Juno CS + Merlot ou Juno Syrah

Um vinho que costuma agradar aos mais diversos paladares. Com bom corpo e uma bela maciez, este vinho, indicado por mim como a pechincha de novembro/2012 (leia a matéria), é importado pela Maison des Caves e facilmente encontrado em qualquer loja da empresa

· Viña Mar – Reserva – Sauvignon Blanc 2011

Este branco chileno, já avaliado aqui no Vinho SIM, é uma excelente pedida para acompanhar as entradas na ceia de Natal

Gastando um pouco mais (de R$ 40,00 à R$ 100,00)

· Vigneti Zabu - Inzolia/Chardonnay 2010

Um dos destaques do III Workshop de vinhos da Adega & Empório ABC (relembre), este branco italiano, já avaliado aqui no Vinho SIM, importado pela Nor Import, é uma opção fora do padrão, muito interessante e com ótima relação qualidade-preço

· Villa Medoro – Montepulciano d’Abruzzo

Eleito um dos TOP 5 do III Workshop de Vinhos da Adega & Empório ABC, este clássico Montepulciano, trazido ao Brasil pela Tahaa, pode ser uma ótima escolta para os deliciosos pratos à base de carne de porco da ceia de Natal

· Amayna Sauvignon Blanc 2010

Certamente um dos melhores exemplares produzidos com esta casta à venda no mercado brasileiro, o Amayna SB foi tema de um artigo bastante acessado sobre o uso ou não de barricas neste tipo de vinho (relembre) e é extremamente indicado para acompanhar entradas ou mesmo para recepção dos convidados na noite de Natal

Para pessoas especiais

· Herú Pinot Noir 2010

Este grande ícone chileno, degustado no encontro de outubro/2012 da Confraria Vinho SIM (leia a matéria) é um grande ícone chileno e uma ótima opção para presentear grandes apreciadores desta casta maravilhosa, a Pinot Noir

· Talenti - Brunello di Montalcino – 2007

Este fantástico Brunello, também já avaliado aqui no Vinho SIM, importado pela Grand Cru é um dos melhores no mercado brasileiro e costuma agradar a gregos e troianos.

· Almaviva 2006

Eleito o vinho do mês de novembro/2012 (relembre), este ícone chileno dispensa maiores comentários, é um vinho fantástico que tende a agradar até os paladares mais exigentes

É isso.
Boas compras e um ótimo Natal pra todos!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Rapariga da Quinta - Escolha - 2010



Projeto pessoal do renomadíssimo enólogo português Luís Duarte, os vinhos Rapariga da Quinta são resultado de uma produção feita a partir de vinhas do próprio “quintal” de casa.

O vinhateiro, eleito em 1997 e 2007 o Enólogo do Ano pela Revista de Vinhos - uma das publicações especializadas mais prestigiadas de Portugal – apresentou seus vinhos durante o Wine Road Show, da importadora Épice, realizado em São Paulo (relembre).

De um enólogo - e agora produtor - com um tal percurso, espera-se um vinho consequente com a sua carreira. E isso, para quem segue e conhece o trabalho de Luís Duarte, é uma daquelas premissas que está garantida desde sempre.

Tive a oportunidade de provar os três tintos da linha, os fantásticos Rapariga da Quinta Colheita 2011 (91 pontos pela Wine Enthusiast nas safras 2008 e 2009) e Rapariga da Quinta Reserva 2010 (nada menos que 94 pontos pela WE nas safras 2008 e 2009), além deste Rapariga da Quinta Escolha 2010, que é o vinho de entrada da vinícola, mas que, guardadas as devidas proporções, foi o que mais me impressionou, especialmente por se tratar de um vinho com preço na casa dos R$ 30,00.

O Rapariga da Quinta Escolha, vinho para ser consumido no dia a dia, é um daqueles vinhos que nos intrigam, pois poderia facilmente ser vendido por maior preço. Ao meu ver, é muito superior aos vinhos da mesma faixa de preço encontrados no mercado.

Elaborado a partir de um corte de 40% Aragonês, 40% Trincadeira e 20% Syrah, parte do vinho estagiou em carvalho de segundo uso por seis meses.

Coloração vermelho rubi claro, com bastante brilho e totalmente límpido. Aromas de morangos frescos e maduros, formando uma paleta olfativa bem interessante, pois deixa uma sensação agridoce. Algum toque de especiaria adocicada também aparece. Na boca apresentou pouca estrutura, um vinho fácil de beber e bem leve, com ótimo equilíbrio entre doçura e acidez. Boa persistência.

R$ 30,00 (Épice) | Álcool 13,5 %

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO (14/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: EXCELENTE

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

William Fèvre - Chablis AOC - 2010



Os dias de primavera e a iminente chegada do verão aumentam consideravelmente minha vontade de provar vinhos brancos.

No entanto as muitas opções no mercado dificultam a escolha?
Será que existe uma casta, uma tipologia, uma região, ... que aumente a chance de acertar na escolha?

É claro que qualquer que seja a escolha sempre há chance de acertar e de errar, mas quando se fala de grandes produtores a razão acerto/erro é muito grande. E pensando em Chablis, Domaine William Fèvre é um deles.

Ao lembrar dos dias quentes do verão, à minha cabeça sempre vêm alguns vinhos: espumantes nacionais (infelizmente meu bloso não permite sonhar com Champagnes .. .rs), brancos de Limoux – França, Sauvignon Blancs do Chile e os fantásticos Chablis – França.

Algumas palavras para a região Chablis.


Localizada ao Noroeste da Borgonha – quase em Champagne – Chablis é uma região de clima frio e seu solo é de natureza argilo-calcária. Nos melhores locais este solo é do período Kimeridgiano, um solo sedimentar recheado de fósseis marinhos, aos quais é atribuída a principal característica dos vinhos da região, sempre produzidos com 100% Chardonnay: uma incrível mineralidade. A apelação possui quatro classificações: Petit-Chablis, Chablis, Chablis Premier Cru e Chablis Grand Cru.

Os Petit-Chablis são os mais simples, produzido nas regiões mais periféricas e, em geral, de qualidade muito variável. Na classificação Chablis é fundamental procurar pelos bons produtores e é nesta categoria que estão as melhores compras. Nos Premier Cru e Grand Cru a probabilidade de errar é muito pequena, no entanto a probabilidade de gastar pouco é ainda menor!

Quanto ao produtor do vinho deste post, William Fèvre, pode-se dizer que possui grande história na região. Iniciou seus trabalhos com o Domaine de la Maladière, trazendo sua primeira safra em 1959. William Fèvre foi um dos grandes nomes da "batalha" contra a extensão dos limites para a denominação Chablis, panfletando contra o uso do termo “Chablis” para qualquer produto que não fosse produzido sobre os solos desta região da França. Esta era uma questão bem particular contra alguns produtores estadunidenses que começaram a utilizar o termo para alavancar as vendas de qualquer vinho branco seco, independentemente da falta de semelhança com  o Chablis verdadeiro.

Outra grande contribuição de Fèvre, foi o desenvolvimento de práticas para minimizar os efeitos das famosas geadas da região - que causavam grandes estragos na produção das vinhas – como por exemplo o uso de aquecedores a óleo entre as videiras ou a cobertura do vinhedo com telas plásticas.

William Fèvre possui hoje 15,2 hectares de vinhedos Grand Cru e 12 hectares de vinhedos Premier Cru, tudo, naturalmente, no coração de Chablis, em solos que incluem o Kimeridgiano típico.

O protagonista desde post, o William Fèvre - Chablis AOC – 2010, é proveniente de uma plantação de 20 hectares de vinhas adjacentes aos Premier Cru, dando origem a um vinho jovem e cheio de frescor.

Coloração amarelo esverdeado, com bastante brilho. Aromas frescos misturam flores, frutas de polpa branca, hortelã e algo mineral. No paladar mostra algumas notas de frutas brancas maduras, como melão e pera, assim como uma mineralidade que deixa uma incrível secura na boca. A acidez crocante e a leveza de um vinho com “apenas” 12,5% de álcool deixam a cada gole uma imensa vontade de continuar bebendo. Um vinho muito interessante, cujo custo não é baixo, mas que vale cada gole. Uma ótima pedida para acompanhar pratos à base de frutos do mar. Mariscos, ostras frescas e polvo são iguarias que me vêm à cabeça imediatamente ao pensar neste vinho. Recomendado!

R$ 120,00 (Grand Cru) | Álcool 12,5%

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO (16/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA

sábado, 8 de dezembro de 2012

Confraria Vinho SIM [Novembro/2012]: Piemonte x Toscana!


A velha “disputa” italiana Piemonte x Toscana deu o tom, na última quarta-feira de novembro, em mais um divertido encontro da Confraria Vinho SIM.

Para os que não leram o post do encontro de outubro (relembre), explico que a CVS tem um objetivo um pouquinho diferente de grande parte das confrarias existentes. Além de reunir um grupo de apreciadores para trocar ideias e estudar sobre vinhos, nosso foco está na harmonização destes vinhos com pratos artesanais, elaborados pelos bistrôs, restaurantes e afins, principalmente aqui do ABC-SP.

Novembro foi mais um mês em que nos reunimos no Empório D’Vino, grande parceiro desta empreitada pioneira aqui na Província (pelo menos eu não tenho notícias sobre outra confraria nestes moldes, se alguém tiver e quiser/puder me convidar para participar, tô dentro! rs).

Após alguns bate-papos decidimos fazer uma brincadeira com com dois vinhos italianos das regiões da Toscana e do Piemonte. A ideia era provar vinhos um pouco fora do padrão e fugir do clichê (fantástico, diga-se passagem ...) Brunello x Barolo!

Para isso, da Toscana elegemos o Sant'Antimo Rosso D.O.C 2009, da vinícola La Velona e do Piemonte fomos de Le Grive 2009, da vinícola Forteto della Luja.

É importante frisar, antes de mais nada, que a tônica do encontro era apenas conhecer vinhos das duas regiões e não compará-los. Os vinhos não são equivalentes, nem em termos de preço, nem em termos de produção, por isso qualquer tentativa de comparação seria injusta.

Vamos aos protagonistas.

O Sant’Antimo Rosso DOC é um vinho tradicional da região de Siena, próximo a Montalicino – Toscana, produzido principalmente com Sangiovese Rosso, mas é comum vê-lo cortado com Cabernet Sauvignon, Merlot, Novello e até Pinot Noir. Normalmente é um vinho sem grandes pretensões, um vinho geralmente bem elaborado para escoltar pratos típicos da culinária italiana, mas, como quase tudo na vinicultura italiana, é possível encontrar exemplares fantásticos dele.

O nome Sant’Antimo é uma homenagem à majestosa Abadia de Sant'Antimo, construída no século X com arquitetura românica medieval, toda em mármore travertino e alabastro. No final de todos os dias um grupo de monges Norbertinos fazem seu canto gregoriano ecoar primorosamente, na missa das 17h.

Abazzia di Sant’Antimo, Siena – Itália. Fonte:  http://www.nozio.it. Acesso em nov/2012.


O La Velona - Sant’Antimo DOC 2009, produzido com 100% Sangiovese Rosso, mostrou-se com coloração vermelho rubi de média intensidade e bastante brilho. Aromas que me agradam bastante de cereja fresca, com alguns toques de fumo e de ervas frescas. Na boca tem corpo médio, com bastante frescor e uma sutil presença de taninos. É um vinho com bastante personalidade, facilmente reconhecível como italiano, o que me agrada e me deixa bastante satisfeito. Confesso que fui positivamente surpreendido. Certamente com grande vocação gastronômica, principalmente para pratos à base de molhos pouco sofisticados, como um sugo preparado com tomates frescos ou um bolonhesa. Pizzas também serão ótima companhia para ele.

R$ 75,00 (Tahaa) | Álcool 14%

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (15/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA


Passemos ao outro astro do encontro: o Le Grive 2009, da vinícola Forteto della Luja. Um vinho produzido a partir de preceitos orgânicos, com muito mais cuidados na elaboração e de estilo completamente diferente do Sant’Antimo. 

A pequena vinícola Forteto della Luja, de propriedade da família Scaglione, produz vinhos na mesma região desde 1826, o que não é nenhuma garantia de qualidade, mas é um grande indicativo de quão envolvida com o vinho é.

Interessante ver que numa região tão consagrada com a produção de Barolos, Barbarescos, Docettos, Barberas, Moscatos, dentre outros, há produtores que se dediquem a elaborar vinhos com personalidade própria e ainda mais, como é o caso da Forteto della Luja, orgânicos. Show!

O Forteto della Luja - Le Grive 2009 é um vinho que traz a denominação de origem Monferrato RossoEsta denominação é bastante flexível, não impondo aos produtores nenhum tipo de exigência quanto ao envelhecimento dos vinhos em barricas de carvalho e nem restringindo demais as castas a serem utilizadas, mas sempre dando prioridade para as castas locais como Barbera, Croatina, Freisa, Grignolino e Nebbiolo, que podem ser cortadas com castas internacionais como Bonarda, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Pinot Noir, dentre outras. As uvas devem ser provenientes da área que inclui vários municípios das províncias de Asti e Alessandria, na costa centro-leste do Piemonte.


Composto de 80% Barbera e 20% Pinot Noir, o Le Grive 2009 apresentou-se vermelho rubi intenso, com bastante brilho. Aromas de frutas vermelhas maduras, especiarias e  notas de baunilha dão o tom principal. Os 12 meses de afinamento em carvalho aparecem de forma sutil e bem integrada, acompanhados por um mentolado agradável e toques de anis. Paladar macio e aveludado, com ótimo equilíbrio. Ótima acidez e taninos afinados. Já está ótimo para consumo, mas me pareceu um vinho com grande potencial de envelhecimento, deve evoluir bastante nos próximos anos.

O preço é um pouco salgado, mas sabendo das dificuldades que é produzir um vinho orgânico de forma tão cuidadosa, não posso deixar de recomendá-lo. Vale a pena!

Apesar da indicação de harmonização do produtor ser principalmente para entradas, optei por me aventurar no sempre sensacional raviole de alcachofras ao sugo, como sempre, muito bem preparado pelo Empório D’Vino! Adivinha o que aconteceu? Não sobrou nadinha, nem pra contar história!

R$ 190,00 (Tahaa) | Álcool 13,5%

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (16/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: BOA


Em dezembro tem mais!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Luis Pato - BTT - 2009


O fantástico Luis Pato, “rei” da região da Bairrada, em Portugal, aprontou mais uma de suas peripécias enológicas lançando este vinho de nome dúbio, o BTT 2009.

Segundo o próprio Luis Pato me disse no Encontro Mistral 2012 (relembre), a ideia deste corte de Baga, Touriga Nacional e Tinta Cão é "mostrar ao mundo que é possível consumir um vinho da Bairrada - produzido somente com castas locais – ainda jovem, desconstruindo a noção de que os bons vinhos locais sempre levam alguma “casta internacional” no seu corte."

Outra informação muito interessante é que a sigla BTT - uma clara referência aos nomes das castas – também é a abreviação de mountain bike em Portugal, o que nos leva a associá-la com a capacidade deste vinho de transitar por qualquer tipo de situação, seja ela a de servir como vinho de contemplação ou mesmo de harmonização para um grande número de pratos.

Teria sido Luis Prato pretensioso demais?

Quando se trata deste gênio da enologia portuguesa e mundial, nada é pretensão demais. O português é fera na arte de produzir excelentes vinhos, é uma figura das mais carismáticas do mundo do vinho e vem se mostrando uma grande revelação na arte da inovação também.

O BTT 2009 logo em sua primeira safra já foi condecorado como um dos 50 melhores vinhos de Portugal por Tom Cannavan, um feito louvável vindo deste renomado crítico escocês.

Coloração vermelho rubi intenso, muito límpido e brilhante. No nariz muita fruta vermelha fresca, como morangos e cerejas, além de toques de ameixas maduras, café e terra molhada. Paladar fresco, com ótima acidez e bastante frutado. Taninos presentes e maduros. Ótima persistência. Um vinho muito gostoso de beber e que vale muito mais pela curiosidade de provar um vinho típico da Bairrada, produzido com um corte incomum no Brasil. 

R$ 164,00 (Mistral) | Álcool 13,0 %

Avaliação VINHO SIM: ÓTIMO (15/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: RAZOÁVEL

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Vinho do mês [NOVEMBRO/2012]: Almaviva 2006


Quem vem acompanhando o Vinho SIM já se acostumou a ver no final de cada mês, o artigo Vinho do mês, em que seleciono o vinho melhor avaliado nos últimos 30 dias (ou um pouquinho mais, em casos excepcionais) para comentar aqui.

O vinho de outubro (relembre), o fantástico Special Blend 2007, da Bodegas del Fin del Mundo foi bastante acessado e agora chegou a vez de um ícone chileno, o Almaviva 2006.

O site da vinícola Almaviva, traz a seguinte descrição:

Em 1997, a baronesa Philippine de Rothschild, assessora-presidente da Baron Philippe de Rothschild S.A. e Don Eduardo Guilisasti Tagle, presidente da Viña Concha y Toro S.A., firmaram um acordo de sociedade com a ideia de criar um vinho premium franco-chileno excepcional. Desta fusão surgiu o Almaviva.

Produzido sob a supervisão conjunta dos dois sócios, a primeira colheita foi sucesso internacional imediato assim que foi lançada ao mercado, em 1998.

O nome Almaviva, apesar da ressonância hispânica, pertence à literatura clássica francesa: O Conde de Almaviva é o herói de O Casamento de Fígaro, a famosa comédia de Beaumarchais (1732-1799), mais tarde transformada em ópera pelo gênio Mozart.

O logotipo, por sua vez, faz uma homenagem à história da ancestralidade do Chile, com três reproduções que simbolizam a visão da terra e do cosmos na civilização Mapuche. O rótulo exibe o nome de "Almaviva" com o manuscrito original de Beaumarchais.


Localizada em Puente Alto - a parte mais alta do Vale do Maipo, zona central do Chile e reconhecida como ideal para a produção de Cabernet Sauvigon, a vinícola, projetada pelo arquiteto Martín Hurtado, une toda a modernidade de um “desenho” muito funcional com as tradições dos nativos da região, desde a utilização de madeira provinda do Sul do Chile até a decoração com símbolos e artefatos da cultura mapuche.

Apesar de jovem, a vinícola certamente veio pra ficar. Ou melhor, já está!

Ufa, vamos ao vinho!

Escrever sobre uma safra boa no Chile é chover no molhado. Nos últimos anos o país vem experimentando boas safras uma após a outra, o que colabora muito com a crescente produção de vinhos ícones, como é o caso, porém 2006 teve suas particularidades. O inverno um pouco menos chuvoso que a média trouxe um sofrimento extra às videiras, o que garantiu um brotamento homogênio, que gerou posteriormente frutos com excelente concentração de açúcar, ainda mais potencializado pelas já comuns poucas chuvas do verão e pela grande amplitude térmica do Maipo. As baixas temperaturas de abril desaceleraram um pouco o amadurecimento final das uvas, tendo a colheita sido sido iniciada no final de abril.

Provei o Almaviva 2006, um corte de 63% Cabernet Sauvignon, 26 Carmenère, 9% Cabernet Franc e 2% Merlot, que estagiou 17 meses em barricas de carvalho francês novas na companhia do amigo e enófilo Waldemar de Lello Jr., grande apreciador dos ícones chilenos e as impressões foram as seguintes.

Coloração vermelho rubi de grande intensidade, tingindo a taça com veemência. Límpido e brilhante. No nariz, o vinho começa a justificar seu nome, pois realmente tem uma grande alma, apresentando novidades incríveis com o passar dos minutos. A proposital não utilização de um decanter trouxe mais prazer à nossa prova, pois a oxigenação foi mais demorada, facilitando que pudéssemos notar as mudanças da paleta olfativa do vinho. De cara, muita fruta vermelha (groselha e framboesa) e negra (amora, mirtilo e ameixa) em compota e pimentão entremeados por notas de carvalho novo, que imprimem um caráter “verde”, um pouco selvagem, mas sem agressividade. Em alguns segundos, um tostado, baunilha, tabaco, mentolado e chocolate também deram o ar da graça. É daqueles vinhos que dá vontade de ficar curtindo os aromas por muito tempo. Paladar de grande estrutura, mastigável. Muita fruta madura bem contornada pela acidez. Taninos maduros. Excelente equilíbrio. Ótimo para consumo, mas certamente ainda deverá evoluir por longos anos. Muito persistente.

Uma curiosidade sobre este vinho é que ele não possui importador, é trazido ao Brasil por negociantes, prática muito comum na França, mas bem incomum por aqui.

Apesar do preço salgado, é um vinho super recomendado!

R$ 400,00 ~ R$ 700,00 Álcool 14,5 %

Avaliação VINHO SIM: REFINADO (18/20)

domingo, 2 de dezembro de 2012

Blogs ganham até R$ 80 mil por elogios!

Interessante matéria publicada neste domingo, 02 de dezembro para a Folha de São Paulo on line.



Abaixo a matéria na íntegra.

Juliana Cunha, colaboração para Folha de São Paulo

Ganhar brindes de marcas, ser convidado para participar de eventos e receber entre R$ 500 e R$ 15 mil por uma opinião favorável a um produto estão entre as regalias de ser um blogueiro famoso.

Segundo levantamento feito pela Folha com 12 agências de publicidade que trabalham com marketing digital, um blogueiro cujo site tenha a partir de 40 mil acessos diários ganha entre R$ 15 mil e R$ 80 mil por mês fazendo publieditoriais.

Também conhecidos como publiposts, post pagos e jabás, são textos financiados por marcas e veiculados em blogs. A maioria aparece com uma discreta identificação de que se trata de publicidade -apenas uma "tag" no pé do texto, com a palavra "publipost". Outros nem isso mostram. É comum que esses avisos apareçam só no fim do texto, em tamanho pequeno.

Publipost é todo material pago veiculado em blogs como se fosse um post normal. De certo modo, corresponde aos chamados "informes publicitários", textos com aparência jornalística feitos por empresas e publicados em jornais e revistas com identificação para que o leitor não o confunda com reportagem.

Por causa do post pago, é possível ver blogueiros elogiando marcas de absorvente, roupas, celulares, restaurantes e até dermatologistas.

A propaganda, que não tem cara de publicidade, nem sempre aparece identificada como tal. Escrita em primeira pessoa, assemelha-se a uma dica de amigo.

"O grande problema é a falta de regulamentação. Cada blogueiro identifica as propagandas como quer. Alguns com uma 'tag' minúscula no fim do post, outros com selos", diz o blogueiro e publicitário Alexandre Inagaki.

Para Inagaki, o correto seria identificar como propaganda logo no título.

Neste ano, o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) investigou um caso de propaganda disfarçada em blogs pela primeira vez: três blogueiras publicaram textos idênticos elogiando produtos da loja de maquiagens Sephora.

Ao final, o conselho recomendou que elas evitassem gerar desconfianças nos consumidores.

Segundo as agências de publicidade, os melhores blogs para anunciar são os de humor e os de moda, que já ganharam até uma rede para organizar os publiposts, chamada F.Hits.

A plataforma criada pela empresária Alice Ferraz reúne 24 blogs de moda e chegou a receber o título de oitava companhia mais inovadora do Brasil no ranking da americana Fast Company.
Um dos blogs de humor mais rentáveis é o "Não Salvo", feito por Maurício Cid. Ele afirma identificar suas publicidades por meio de 'tags'.

"O que o blogueiro tem de mais importante é a sua credibilidade. Além disso, meus leitores acham justo que eu ganhe dinheiro com o blog."

AGÊNCIAS

O procedimento padrão do publipost é feito por uma agência de publicidade ou setor de marketing de uma empresa. A agência entra em contato com blogueiros cujos sites tenham a ver com o produto. São acertados valores e a exposição do texto.

Há quem peça, por exemplo, que o texto fique na página principal do blog por um número determinado de dias.

O blogueiro costuma escrever o texto para que o material não seja muito diferente dos textos normais do site.

Há, porém, redatores publicitários especializados em imitar o estilo dos blogueiros. A marca aprova o material antes de ele ser publicado.

Outras ações publicitárias como vídeos, mudança do "layout" do blog e participação dos blogueiros em eventos costumam ser mais caras.

Para Daniel Oliveira, do blog "Não Intendo", não há como blogs grandes se sustentarem sem publicidade. Ele a identifica com uma tag.

"Publico uma média de 25 textos toda semana, apenas 2 ou 3 são publicidade. Um site com muitos acessos como o meu precisa de um servidor elástico, o que pode custar US$ 2.000 por mês."

Entre seus clientes, Oliveira já teve marcas de bebida, carros e lojas de roupa.

Para Ian Black, da agência New Vegas, o mercado está inflacionado: "A demanda de marcas que se interessam por esses serviços cresceu e surgiram agenciadores que sabem cobrar como agência".


Sou um novato neste meio e deixo aqui a pergunta: será que existe este tipo de post nos blogs de vinho?

Pessoalmente não gosto, mas não acho nenhum absurdo publicá-los desde que seja feita a devida citação de publicidade.

Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?