sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

TOP 10 Mendoza - Os 10 melhores vinhos provados na "Capital do Sol" em 2013!


Antes de mais nada, gostaria de fazer algumas observações importantes, que tendem a evitar mal entendidos ou mesmo comentários despropositados.

1. Esta lista é resultado da prova de algumas centenas de vinhos, provados por mim em companhia da minha parceira de Vinho SIM, Talita Martinez, em algumas dezenas de vinícolas, enotecas e restaurantes de Mendoza em 2013 mas, apesar disso, não tem nenhuma pretensão de ser uma lista definitiva e tampouco extremamente técnica e cheia dos (chatos) detalhes descritivos que têm tornado as avaliações cada vez mais previsíveis e monótonas.
É sabido por todos que em Mendoza se produz muito mais que 10 excelentes vinhos, por isso os eleitos por nós, são resultado de uma análise que foi sim bastante criteriosa e considerou alguns aspectos técnicos, mas principalmente levou em conta nossa vivência e gosto pessoal.

2. É importante frisar que comentários do tipo "ah, mas faltou então você provar o vinho X ...", que são insistentemente publicados em outras listas que já publiquei aqui no Vinho SIM, sempre serão respeitados, mas sempre encontrarão respostas muito parecidas: é claro que não provei todos os vinhos de Mendoza! Nenhuma lista jamais foi construída com a prova de todos os vinhos! O universo dos vinhos é muito grande e, mais que isso, dinâmico. A todo tempo estão sendo lançados novos vinhos e novas safras, o que torna impossível a prova de todos eles.

3. A lista é uma compilação daqueles que consideramos os 10 melhores vinhos provados em Mendoza e, portanto, não tem ordem alguma de colocação, de modo que não há nesta lista algum vinho que tenha sido eleito "o melhor", o top 1 ou qualquer outro adjetivo que faça alusão a um "vencedor", por isso serão apresentados em ordem alfabética.

E os eleitos são

   · Alto 2007 - Bodega Alta Vista
Como escrevi no artigo sobre minha visita (relembre), a vinícola localizada em Luján de Cuyo é a "mais francesa" de Mendoza e essa influência toda pode-se verificar neste corte de 70% Malbec e 30% Cabernet Sauvignon, com uma exuberância de frutas, muito bem acompanhadas por ótima acidez, que tornam o final muito agradável e elegante.

   · Azul Reserva 2009 - Bodega La Azul
   pouquíssimo badalada bodega do Vale do Uco guarda essa preciosidade, de produção bem limitada, praticamente aos sortudos que se animam de chegarem até lá. O corte de Malbec com Cabernet Sauvignon é denso e macio, com final fresco e longo.

   · Bramare Rebon Vineyard 2010 - Viña Cobos
Seria impossível deixar a multipontuada bodega de Luján de Cuyo de fora desta lista, mas ao contrário de Robert Parker (que acaba de atribuir extraordinários 99 pontos ao Bramare Marchiori) meu favorito é este 100% Malbec do vinhedo Rebon. Um vinho vivo, que evolui na taça de forma incrível durante todo o tempo da prova. Muito denso e complexo.

   · Carmelo Patti Cabernet Sauvignon 2004 - Carmelo Patti
estilo italiano de fazer vinho ainda existe em Mendoza. Não sei se é melhor ou pior, mas sei que não se pode ser indiferente a Carmelo Patti. O fantástico enólogo mendocino, um dos mais respeitados pelos locais, mas com pouco apelo midiático, trabalha praticamente sozinho fazendo o vinho que gosta de beber: sem fruta em excesso e amaciado durante anos e anos em garrafa. É assim esse Cabernet Sauvigon. Para mim, uma obra prima da vinicultura de Mendoza.

   · Cavas de Crianza Cabernet Sauvignon 2008 - Clos de Chacras
A vinícola localizada em Chacras de Coria, o local mais simpático de Mendoza, produz diversos ótimos vinhos, dos quais o que mais se destaca é esse Cabernet Sauvignon, mostrando ao mundo que nem só de Malbec vive a maior região produtora de vinhos da Argentina.

   · Gran Vino 2004 - Cavas de Weinert
Também localizada em Chacras de Coria, a Cavas de Weinert - vinícola com uma cave subterrânea incrível - apresenta a clássica mescla bordalesa de Merlot e Cabernet Sauvignon com uma pitada da Malbec mendocina que confere um toque "novo mundo", mas sem nenhuma perda de elegância.

   · Gran Cabernet Franc 2009 - Pulenta Estate
Mais uma prova - talvez a maior delas! - de que a terra do Sol pode produzir exemplares excepcionais com castas diferentes da Malbec, como esse Cabernet Franc, com uvas provenientes de Luján de Cuyo - onde se localiza a bodega - que mostra uma mescla de frutas e ervas frescas que nos seduzem ao exame gustativo, onde é ainda mais surpreendente.

   · Kinien Malbec 2009 - Ruca Malen
A vinícola localizada em Agrelo vem se consolidando como um grande nome de Mendoza, principalmente pela sua capacidade de crescer mantendo características de produção artesanal, que faz de seus vinhos algo singular. Conheci a vinícola (relembre) e me encantei com o cuidado que a vinícola teve na produção deste vinho, muito concentrado, sedoso e com uma ótima acidez, que é um convite intermitente para o próximo gole.

   · Mai 2008 - Kaiken
A parceria das condições geográficas de Mendoza, a atmosfera em torno do vinho que a região respira e a competência de Aurélio Montes (Viña Montes - Chile) não poderia dar outro resultado senão o sucesso desta vinícola localizada em Vistalba, traduzido perfeitamente por este Malbec produzido com uvas de vinhedos com mais de 80 anos e rendimentos baixíssimos. São perto de 12000 garrafas colocadas no mercado somente em anos de safras especiais.

   · Pleno Reserva del Enologo 2003 - Tempus Alba
Este corte de 95% Malbec com um toque de 5% de Tempranillo foi uma grata experiência que pude conhecer diretamente na vinícola (relembre) que eu costumo definir como a mais acadêmica da América do Sul. Os 10 anos de evolução fizeram muito bem para este vinho, que se mostra bastante complexo tanto no nariz quanto na boca. Um exemplar fora de série.

Dúvidas, perguntas, críticas e comentários diversos são sempre bem-vindos.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Bodega Pisano Wines (Uruguai)


Misture a cepa tradicional do País Basco1 (extremo norte da Espanha e no extremo sudoeste da França) – Tannat –, o clima único do Atlântico, a robustês e o jeito camponês de levar a vida. Acrescente uma pitada do estilo italiano de vinificação. O vinho Pisano está pronto!

Não dá pra definir o jeito com que a família Pisano lida com seus vinhedos, clientes, amigos, vinhos e afins com uma palavra mais adequada que: única.

Se o Uruguai é um país que vem se destacando muito no mundo do vinho nos últimos anos e com um crescimento notável, especialmente no mercado brasileiro, muito se deve aos vinhos da Família Pisano, uma das vinícolas mais tradicionais do país, com uma história desde o ano de 1870, quando chegou ao país Francesco Pisano, bisavô de Daniel, Eduardo e Gustavo Pisano, atuais comandantes da vinícola.


Uma pitada de história

Em 1914, Don Césare Secundino Pisano, filho de Francesco, se instala na região de Progreso (Departamento de Canelones) onde começa a plantar seus primeiros vinhedos com Nebbiolo e Bonarda. Em 1924 a Bodega produz seu primeiro vinho com uvas próprias e em 1930 começa o cultivo de Tannat, que nos anos seguintes se estabelece como a cepa que melhor se adapta ao terroir local e se torna o emblema do Uruguai.


Os anos que se seguem são de muito trabalho até que em 1996, a vinícola replanta todo o vinhedo com clones de baixa produção, visando a melhora na qualidade dos vinhos e o mercado exterior, para o qual manda boa parte de sua produção artesanal de 380000 garrafas por ano. Hoje são mais de 37 países alcançados.


Visita

Apesar de conhecer seus vinhos há diversos anos e ter ido ao Uruguai em outras oportunidades, foi só em meados de 2013 que tive a oportunidade de visitar a vinícola e conhecer de perto um pouco mais da história da família Pisano e, claro, da própria vitivinicultura uruguaia.

Tive o prazer de ser recebido e passar algumas boas horas com o próprio Daniel Pisano (gerente de exportações), uma verdadeira personalidade a quem o vinho uruguaio deve muito, principalmente pelo seu empenho em mostrar o que seu país pode fazer de melhor e pela forma apaixonada com que fala sobre seus vinhos e sobre o Uruguai de forma geral.

Sempre acompanhado de seu mate, Daniel fala sobre seus vinhedos, seus vinhos e sua história com uma alegria entusiasmante.
Crédito da foto: Bodega Pisano.

Parte antiga da vinícola, onde algumas pipas históricas são preservadas como história da Pisano.

A foto acima revela a "alma" da Pisano: "Love and Wine, better with time" (Amor e Vinho, melhor com o tempo). Nada de placas exuberantes ou salas espalhafatosas, a essência da vinícola está na simplicidade e na paixão com que lidam com o vinho

Depois de um ótimo tour e uma verdadeira aula sobre a história do vinho uruguaio, partimos para a sala de degustações, onde Gustavo Pisano (enólogo) já nos esperava para guiar a degustação. Mais uma aula, agora especificamente sobre os vinhos Pisano.


Provamos (da esquerda para a direita na foto acima):

Río de Los Pájaros Torrontés 2013,
Río de Los Pájaros Pinot Noir 2009,
RPF Pinot Noir 2009,
RPF Petit Verdot 2008,
RPF Tannat 2009,
Arretxea 2009,

sobre os quais publicarei as NDs em breve.


Mas não paramos por aí ...

Os Pisanos ainda tinham mais uma carta na manga.

Já não bastasse as histórias fantásticas e aula sobre o Uruguai e seus vinhos, uma bela harmonização ainda esperava por nós. Sabedores da minha paixão pelos vinhos espumantes, fizeram questão de me apresentar os dois que produzem e de uma forma absolutamente singular.

Embora o Uruguai produza uma infinidade de ótimos vinhos - como já escrevi no artigo "Uruguai, um país de vinhos únicos" -, quando penso no vinho uruguaio, de forma geral, não há nada que me venha à cabeça antes de uma bela parrillada, o churrasco local.

Churrasco e vinho tinto não é exclusividade uruguaia, porém uma harmonização de churrasco com espumantes não é muito provável, certo?

Errado. Pelo menos quando se trata de alguém que vive intensamente e é profundo conhecedor de sua cultura, além de trabalhar com uma imensa paixão na produção de seus vinhos, como é o caso destes caras ...

O primeiro espumante apresentado foi o Río de Los Pájaros Brut Nature Pinot Noir 2011. Produzido pelo método champenoise, mostrou-se leve e saboroso. Bem equilibrado e com acidez crocante. Apresentado como "boas vindas" e, na sequência, escoltando alguns a tradicionais vegetais na brasa. Ótima escolha.


O segundo apresentando é um espumante sem precedentes: Río de los Pájaros Brut Nature Tannat 2011, também produzido pelo método champenoise e único espumante tinto produzido com uva Tannat no mundo (observe a coloração na foto abaixo). Mostrou um conjunto de acidez e taninos impensável para mim antes daquele momento. Levemente cremoso e de grande personalidade. A harmonização não poderia ser melhor: mollejas (glândula timo) e chinchilines (intestinos), fantasticamente preparados pelo mestre Dardo, o "churrasqueiro" oficial dos Pisano!

Grande surpresa do dia. O único espumante tinto produzido com Tannat no mundo!

Vegetais, chorizo (linguiça), miúdos e carnes de boi e de cordeiro fazem parte da especialidade uruguaia: a parrilada.

Mais que conhecer uma das mais tradicionais bodegas uruguaias ou visitar grandes amigos, a passagem pela Pisano mostrou-se um verdadeiro aprendizado e uma viagem sensorial incrível, uma experiência única e imperdível.

Estar no Uruguai ou querer conhecer os vinhos uruguaios sem provar os vinhos Pisano é algo inimaginável para qualquer enófilo.


Daniel Pisano, eu e Gustavo Pisano

A vinícola não tem um tour específico, não recebe visitas regularmente ou possui restaurante, mas sempre que possível recebe os amantes do vinho de braços abertos. 

Caso se interesse em conhecer um pouco melhor sua histórias, cultura e vinhos, visite o site da Pisano e entre em contato.

No Brasil, os vinhos são importados pela Mistral e encontrados nos melhores empórios, enotecas e restaurantes.

Deixo aqui minhas sinceras muchas gracias a la familia Pisano, com a certeza que em breve estaremos juntos novamente.

Que Baco nos ilumine!

sábado, 14 de dezembro de 2013

TOP 10 Natal 2013: Superdicas de vinhos para presentear!


Querendo comprar um presente de Natal especial/diferente?

Vinho SIM apresenta o TOP 10 Natal 2013, com opções para presentear sem erro. Para facilitar a consulta dividi a lista em 3 "categorias": Bons e Baratos, onde apresento vinhos de ótima relação qualidade-preço, com custo até R$ 45,00Ótimas compras, que traz opções que não podem ser consideradas pechinchas, mas que são excelentes na relação qualidade-preço (de R$ 45,00 à R$ 100,00)Especiais, uma categoria para presentear amigos já iniciados no mundo do vinho e que mereçam um presente especial!

Bons e Baratos (Vinhos até R$ 45,00)

Ruca Malen - Yauquen - Bonarda 2011
O eleito pechincha de janeiro/2013 é um vinho de médio corpo e bastante versátil, ótima opção para acompanhar desde frios e embutidos, pizzas diversas ou até pratos à base de carnes vermelhas. Os demais vinhos da linha Yauquen também são bastante interessantes. Importadora: Hanoover, R$ 35,00

Guatambu  Poesia do Pampa 2011
O campeão da categoria Brut Charmat Branco da 1ª Edição do Ranking Vinho SIM de Espumantes Nacionais (2013) não poderia ficar de fora de uma lista com indicações de presentes em 2013. O Poesia do Pampa é um espumante ótimo para as comemorações, mas também muito indicado para acompanhar pratos leves como ceviches, sushis, sashimis ou ainda saladas e carnes brancas grelhadas.
R$ 42,00 nas melhores enotecas do Brasil.

Estrelas do Brasil - Dall'Agnol DMD 2005
Provei este vinho pela primeira em meados de 2012 (relembre) e já tinha ficado positivamente impressionado. Como comprei 6 garrafas, tenho a sorte de poder prová-lo no decorrer do tempo e agora, depois de 8 anos, creio que esteja próximo ao seu ápice. Ótima opção para presentear enófilos gastando pouco, aliás, muito pouco pela qualidade do vinho.
R$ 45,00 direto pelo site da vinícola: www.estrelasdobrasil.com.br

Ótimas compras (R$ 45,00 ~ R$ 100,00)

Feudo Maccari (Grand Cru - R$ 55,00)
Inusitado rosé italiano, produzido 100% com uvas Nero D'Ávola e com um intrigante período de 3 meses em contato com as borras durante a fermentação, que lhe confere alguns aromas de fermentação e torrefação muito interessantes. Muito fresco e com excelente persistência foi, ao meu ver, a grande pechincha do Grand Tasting 2013.
Importadora: Grand Cru, R$ 58,00.

Bouza Tannat 2011 (R$ 75,00 Decanter)
Este Tannat é praticamente uma aula de vinificação da uva emblemática do Uruguai. Muita fruta negra doce e toques de chocolate tanto no olfato quanto no paladar. Na boca mostra-se com bom corpo, taninos bem maduros e ótima acidez. Muito equilibrado. Macio. Imbatível nesta faixa de preço. Excelente para acompanhar carne de cordeiro e também para churrascos de carnes vermelhas.
Importadora: Decanter, R$ 75,00.

Don Bonifácio – Habitat 2009
Considerado o melhor da categoria Brut Champenoise Branco na 1ª Edição do Ranking Vinho SIM de Espumantes Nacionais por 3 dos degustadores (dentre eles, este que vos escreve!), só não levou a 1ª colocação porque suas avaliações foram um pouco inconstantes, mas sua nota final de 17/20 pontos mostra que é um espumante de grande qualidade, ótimo tanto para se refrescar nos dias quentes do verão que se aproxima, quanto para acompanhar entradas, saladas diversas e pratos à base de frutos do mar.
R$ 65,00 nas melhores enotecas do Brasil.

MontGras Intriga Cabernet Sauvignon
Um dos grandes destaques do 3º tasting Wines of Chile de São Paulo, este Cabernet Sauvignon é um vinho em que o equilíbrio impera do início ao fim. Muita fruta envolvida por toques mentolados, somadas à ótima acidez lhe conferem um frescor sensacional, que o coloca como um grande ícone no quesito "vontade de continuar bebendo". Ótimo para acompanhar pratos à base de carnes vermelhas e queijos maduros.
Importadora: Bruck, R$ 100,00.


Juris Rosé 2011
Grande destaque do Weinprobe de julho/2013, este biodinâmico produzido a partir da uva Sankt Laurent é um rosé de corpo médio e grande personalidade. Muito aromático e de paladar fresco e levemente "apimentado" pode ser excelente harmonização para pratos sofisticados à base de frutos do mar, como ostras gratinadas ou peixes de carne firme com molhos exóticos.
Importadora: The Special Wineries, R$ 100,00.

Especiais

Ventisquero Vértice 2007 (R$ 160,00 - Cantu)
Produzido pela vinícola Ventisquero, que vem ocupando cada vez mais posição de destaque no mercado brasileiro, este vinho é mais um devaneio dos enólogos Jonh Duval e Felipe Tosso, cujo objetivo era fazer um vinho que espelhasse o sucesso desta união de estilos. Para isso, nada melhor que um corte de Carmenère e Syrah, especialidade de Tosso e Duval, respectivamente. Nascia assim o Vértice. Esta safra, que traz 51% de Carmenère e 49% de Syrah, combina a rusticidade da primeira e o frutado-apimentado da segunda, formando um corte sem igual nesta categoria, que é completamente integrado às nuances provenientes dos 22 meses de passagem por carvalho francês, que ainda conferem uma elegância ímpar ao vinho.
Importadora: Cantu, R$ 160,00.

Pisano Arretxea (R$ 142,00 - Mistral)
Mais uma aula de vinificação da Tannat no Uruguai. Perfeita harmonia entre fruta, taninos e acidez permeados por um estilo "rústico", que dá um quê italiano a este vinho, certamente uma das melhores formas de expressar a fusão das viniculturas do velho e do novo mundos. Um grande exemplar uruguaio. Ótimo preço para sua qualidade.
Importadora: Mistral, R$ 142,00.

Dúvidas, perguntas, críticas e comentários diversos são sempre bem-vindos. 

Que Baco nos ilumine!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Cantu apresenta suas novas estrelas italianas: La Fuga e Il Pareto, da vinícola Folonari!


O dia 27 de novembro foi a data escolhida pela Cantu Importadora para reunir jornalistas e formadores de opinião num jantar de lançamento de duas novas estrelas de seu catálogo, os consagrados Tre Bicchieri (Gambero Rosso) vinhos  Il Pareto e La Fuga, da vinícola italiana Ambrogio & Giovanni Folonari.


O evento, organizado pela CH2A Comunicação, aconteceu no Terraço Itália e foi conduzido pelo embaixador de vinhos italianos da importadora, Luiz André Batistello.

Localizada em pleno coração de Chianti Clássico, a Ambrogio & Giovanni Folonari não se limitou a produzir vinhos desta região, mas se expandiu para outras regiões da Toscana. Seu Il Pareto, por exemplo, vem de Greve in Chianti enquanto seu La Fuga é um Brunello de Montalcino.

O mapa abaixo, da Cellar Tour, mostra com mais detalhes a localização das regiões, em turquesa Greve in Chianti e em laranja Montalcino.


Além dos lançamentos da noite, ainda pudemos degustar Cabreo – La Pietra IGT 2008 (R$ 180,00), Campo Al Mare 2009 (R$ 160,00), Cabreo – Il Borgo IGT 2007 (R$ 230,00) e Campo Al Mare – Baía al Vento 2008 (R$ 270,00), todos do mesmo produtor e que já estão à disposição dos consumidores aqui no Brasil há algum tempo. Para mais informações visite o site da importadora.


Voltando às estrelas da noite ...

La Fuga – Brunello de Montalcino DOCG 2008

A denominação Brunello de Montalcino DOCG pode dizer muito sobre as regras e cuidados que o produtor teve de se submeter para concluir seu vinho e poder lançá-lo ao mercado (uvas 100% Sangiovese – tradicionalmente conhecida como Brunello na região –, conservação, envelhecimento em madeira, envelhecimento em garrafa, etc) e, possivelmente ainda mais quando se trata de um produtor com a estirpe dos Folonari, onde a tradição remonta há muitas décadas, sendo este vinho, por exemplo, o primeiro de toda a Toscana a receber o título DOCG (denominação de origem controlada e garantida).

Apesar disso tudo, nenhuma regra DOC, DOCG, dentre outras garante o que é, ao meu ver, o mais importante num vinho desta categoria: o prazer de bebê-lo.

E é justamente neste quesito que este vinho se destaca. O vermelho rubi de incrível brilho é apenas um sinal para o que vem pela frente. Frutas vermelhas permeando entre frescas e maduras somam-se a notas sutilmente defumadas para encantar o olfato e preparar as papilas gustativas para a sequência: notas de framboesas e morangos recém amadurecidos, com seus “tons” agridoces que enchem a boca e, ao mesmo tempo, trazem continuamente aquela vontade de continuar bebendo. Excelente persistência.

Um vinho italiano para encantar olhos, nariz e boca. Sem nenhuma dúvida, um dos grandes Brunellos no mercado brasileiro.

R$ 240,00 | Álcool 14,5%

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (18,5/20)


Il Pareto – IGT

Então há de se imaginar que o supertoscano da Folonari seria ofuscado, não é mesmo?

Ledo engano, caro amigo. Os Folonari ainda tinham mais surpresas aos presentes.

Este 100% Cabernet Sauvignon, que estagia entre 16 e 18 meses em barricas de carvalho é um grande exemplo do porquê os supertoscanos são tão cultuados mundo afora. Cor, aromas e sabores sem miséria! Paladar de ótimo volume e concentração de frutas, com toques de baunilha e chocolate amargo, envoltos por taninos presentes e maduros, somados à acidez típica dos grandes vinhos italianos fazem deste vinho um dos mais agradáveis exemplares de uvas não autóctones da Toscana no mercado brasileiro.

R$ 315,00 | Álcool 14,5%

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (18/20)


Sendo assim, sejam bem-vindos os novos italianos ao mercado brasileiro e

que Baco nos ilumine!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

2ª Edição do Ranking Vinho SIM de Espumantes Nacionais!


Depois da grande repercussão da 1ª Edição do Ranking Vinho SIM de Espumantes Nacionais, que contou com a participação de quase 30 vinícolas e 100 espumantes, numa das maiores degustações às cegas de espumantes já realizadas (leia as matérias), tenho a alegria de comunicar o lançamento do Ranking Vinho SIM 2014!

Com mais de 60 vinícolas convidadas e muitas novidades, esta 2ª Edição do RVS promete ser ainda melhor.

Muitas novidades nos próximos dias ...

Vinícolas interessadas em participar e que, eventualmente, não tenham recebido convite, por gentileza enviar e-mail para vinhosim@uol.com.br que será um prazer passar maiores informações.

Que Baco nos ilumine!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Vertical Ícones do Chile - Uma década de grandes vinhos!


São Paulo recebeu na tarde do dia 29 de outubro mais um evento pra lá de especial, a degustação vertical Ícones do Chile, que reuniu 12 amostras dos maiores vinhos do segmento ultrapremium do nosso vizinho.

Depois de algumas ótimas ações para tratar das novas Subdenominações do Chile, desta vez a Wines of Chile reuniu alguns especialistas, jornalistas e críticos em torno de uma questão inicial, lançada pelo mediador, Patrício Tápia: "os vinhos chilenos evoluem bem?"

O crítico chileno foi acompanhado pelos "pais/mães" (enólogos) de alguns dos vinhos presentes, como Ana Maria Cumsille (Altair), Angélica Carrasco (Casa Lapostolle), Cecília Torres (Santa Rita) e Gustavo Hormann (Viña Montes), que engrandeceram muito o evento, trazendo muita informação e  riqueza de detalhes que as fichas técnica jamais apresentam.

Para embasar a resposta, a ideia foi trazer as amostras em 6 pares, propondo 6 mini-verticais com vinhos de safras com alguns anos de diferença e ainda com o cuidado, segundo Tápia, de serem safras com características similares para que o comparativo fosse o mais correto possível. 

Vamos aos vinhos.

Da esquerda para a direita: Montes Folly, Lapostolle Clos Apalta, Altaïr, Errazuriz Don Maximiano, Concha y Toro Don Melchor e Santa Rita Casa Real. Foto: CH2A Comunicação.

A primeira mini-vertical foi com o Don Maximiano Founders Reserve, da Viña Errázuriz, localizada no Vale do Aconcágua, com as safras 2002 e 2010.


E que começo! Como já era de se esperar, dois grandes vinhos, mas, com estilos diferentes.

2010 é um corte de 78% Cabernet Sauvignon, 10% Carmenère, 7% Petit Verdot e 5% Syrah, tem um estilo mais "moderno", novo mundo, com grande concentração de fruta em compota, tostado e notas de trufas com um belo frescor e ótima persistência, enquanto 2002, um 100% Cabernet Sauvignon, mostrou-se mais elegante e refinado, com um incrível mentolado e notas de caixa de lápis e alcaçuz e mostrou-se que o 2002. O passar dos anos estão fazendo bem a este vinho.

Não só gostei mais do 2002, como o considerei um dos "TOP 3" da prova. 1 x 0 pros "velhinhos"!


Do Aconcágua, partimos partimos alguns quilómetros para o Sul, chegando ao Vale do Maipo, onde passamos ao famosíssimo Don Melchor, da Concha y Toro, com as safras 1996 e 2010.


O vinho é um verdadeiro ícone chileno no mercado brasileiro e mundial e seu currículo com inúmeras premiações dispensa maiores apresentações.

2010, corte de 3% Cabernet Franc com 97% de Cabernet Sauvignon, apresentou-se extremamente fresco, com nuances minerais e uma "pitada" de casca de laranja, que dá um toque levemente amargo, trazendo um certo mistério muito interessante ao vinho. Já o 1996, apesar dos "já" 17 anos ainda possui uma acidez que dá aquela "vontade de continuar bebendo" que eu aprecio muito no vinho. Muito elegante, com notas de tabaco e menta e final saboroso

Essa "disputa" ficou um pouco desigual, já que o 1996 está em seu esplendor, prontíssimo para ser consumido, enquanto o 2010 ainda é uma criança. Apesar de toda a exuberância do 1996, aposto num amadurecimento ainda melhor do 2010, mas, no momento, fico com o 1996! 2 x 0 pros "velhinhos"!


Ainda no Vale do Maipo, seguimos com o Casa Real, da Viña Santa Rita, das safras 2002 e 2010.


2010, um "puro sangue" Cabernet Sauvignon, traz aromas de frutas em compota e notas do tostado da madeira, mas impressiona mesmo quando vem pra boca, mostrando uma acidez crocante e boa mineralidade, que me dá a nítida sensação de uma grande evolução nos próximos anos, ainda mais esperada quando se passa para a prova da safra 2002, que eu defino como muito mais que um 100% Cabernet Sauvignon! O vinho é, ao meu ver, um dos maiores exemplos do que o Chile pode fazer com esta casta, uma aula de vinificação, quase que um tratado de como fazer um Cabernet Sauvignon e, ainda mais, uma das maiores mostras de como seus vinhos podem evoluir no decorrer dos anosMuito complexo e sedoso. Um daqueles vinhos que parecem sempre prontos para o consumo, pois sua evolução é constante. Ao meu ver, o melhor do painel. 3 x 0 pros "velhinhos"! Virou goleada!


Continuando nossa viagem sentido Sul chileno, partimos do Vale do Maipo para o Vale do Cachapoal, chegando à vinícola Altaïr, a mais jovem da degustação, e provando os vinhos ícones da vinícola das safras 2002 (a primeira da história) e 2010


Esta foi a mini-vertical que me deu mais condições de avaliar a evolução de um vinho, já que os vinhos da Altaïr foram os que se mostraram mais semelhantes, com um estilo bem definido

Eu já havia provado duas safras deste vinho, a 2004 e a 2006, e inclusive destacado a capacidade de evolução do vinho durante evento da importadora (Grand Cru) deste ano (relembre) que agora se comprovou ainda mais.

O 2010, corte de 76% Cabernet Sauvignon13% Syrah, 7% Carmenère e 4% Petit Verdotassim como seus contemporâneos, mostrou uma ótima concentração de frutas vermelhas e negras e boas notas provenientes do envelhecimento em carvalho que, claramente, vem sendo cada vez mais ajustado aos vinhos, já que no 2002, corte de 86% Cabernet Sauvignon7% Carmenère e 7% Merlot o uso da madeira foi bem maior. Se o 2010 evoluir como o 2002 será um grande vinho, mas acredito, baseado nas impressões de acidez e tanicidade, que este terá uma evolução ainda mais longa e brilhante que o "progenitor" da vinícola. Gostei mais do 2010! 3 x 1 pros "velhinhos"! Reação?


Depois de passar pelos Vales de Aconcágua, Maipo e Cachapoal, chegamos ao Colchágua, mais especificamente à sub-região de Apalta, uma das minhas favoritas do Chile.

Estando em Apalta, partimos para a degustação de um dos grandes ícones locais: o Clos Apalta, das safras 2002 e 2010, da Casa Lapostolle, que tive a oportunidade de visitar pouco tempo atrás (leia o artigo da visita).


O 2010, corte de 71% Carmenère, 18% Cabernet Sauvignon e 11% Merlot é uma verdadeira bomba de frutas e madeira, muito bem equilibradas por ótima acidez. Lembro-me de ter provado a safra 2009 deste vinho na visita que fiz à Lapostolle e de não ter me encantado tanto. O 2002, corte de 85% Carmenère/Merlot e 15% Merlot ainda possui boa acidez e continua mostrando a presença da madeira, neste caso já muito bem integrada com o vinho, e apresentou uma deliciosa nota de chocolate amargo que confere elegância ao vinho. Nesta disputa, deu "empate". 


Da Lapostolle, andamos pouquíssimos quilômetros até chegar à Viña Montes, outra que tive a felicidade de conhecer  (leia o artigo da visita) e provar alguns de seus ótimos vinhos. O escolhido para esta prova foi o Folly, das safras 2000 e 2010.



O 2010100% Syrah, completa meu quadro "TOP 3", com uma explosão de frutas negras permeadas por especiarias, acompanhadas de algum toque mineral e uma acidez pungente, que, somada à estrutura quase mastigável, tornam este vinho, ao meu ver, um dos grandes exemplares do que a Syrah do Vale do Colchágua pode apresentar ao mundo. Certamente crescerá muito com o passar dos anos! O 2000, também 100% Syrah, apresentou notas licorosas acompanhadas de especiarias doces, porém menos acidez do que eu gostaria, acredito que já alcançou seu auge e não deva melhorar nos próximos anos. A "disputa" termina 3 x 2 pros "velhinhos"!


Conclusões

1.
Se havia qualquer dúvida sobre a capacidade de envelhecimento "dos vinhos chilenos", certamente ela foi esclarecida, pois não houve um vinho sequer, das safras "antigas", que não estava ótimo!
Mas por que "dos vinhos chilenos"? É importante frisar que os vinhos apresentados na degustação são todos vinhos ícones do Chile, posicionados na faixa de preços entre R$ 350,00 ~ R$ 500,00, por isso, não considero adequado generalizar para "os vinhos chilenos evoluem bem". Para esta conclusão, seria necessária uma prova com vinhos de outras faixas de preço, pelo menos um pouco mais intermediária, já que comumente não se espera evolução de vinhos do dia a dia. Fica a sugestão para a Wines of Chile.

2.
O resultado final da minha "disputa" é passível de uma observação: 3 x 2 pros "velhinhos" (e um empate). Por que? Ao meu ver, os 3 jovens que "perderam" têm um ótimo potencial de envelhecimento e certamente evoluirão muito nos próximos anos, talvez até superando seus predecessores, mas o que me chamou mesmo a atenção foram os 2 que "venceram" suas disputas, já que tiveram pela frente grandes "adversários". Estes vinhos, Altaïr 2010 e Folly 2010, são vinhos para se ficar de olho e aproveitar qualquer oportunidade de compra, pois mostraram um incrível potencial e, certamente, evoluirão muito nos próximos anos e, quicá, décadas.


E foi assim. 

A divulgação e organização ficou a cargo da sempre muito eficiente CH2A Comunicação, que mais uma vez acertou em todos os detalhes.
Deixo aqui meus parabéns para a Alessandra Casolato e toda equipe!


Que Baco nos ilumine!

Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?