Direto de Mendoza: Bodega Escorihuela Gascón: 130 anos de história e um restaurante fora de série!

Publicado por Blog Vinho SIM em 21.1.13 com Sem comentários

 

Quase 130 anos na vanguarda da vitivinicultura argentina, excelentes vinhos e muita história para contar! É assim que posso resumir minha visita à Bodega Escorihuela Gascón que, por sinal, iniciou muito bem, acompanhada de um belo espumante Rosé da linha Pequeñas Produciones.


O Pequeñas Produciones Rosé Champenoise me fez companhia enquanto conhecia um pouco mais sobre a vinícola e passeava pela instalações

Um pouquinho de história.

A história da Bodega localizada em Godoy Cruz – um distrito já quase inserido ao centro de Mendoza, capital da província de Mendoza - se inicia no final do século XIX, mais precisamente em 1880, quando Miguel Escorihuela Gascon chega à Argentina, com 19 anos, vindo da Espanha à procura de um local onde pudesse se estabelecer e fazer história.

Após adquirir alguns hectares de terra, em 1884 era fundada a Bodega Escorihuela Gascon, com o foco na produção de vinhos de qualidade. E foi assim que a vinícola se desenvolveu ao longo do tempo, sempre buscando elevar seus vinhos a uma posição de destaque no mercado nacional e internacional.

Don Miguel sempre foi um grande empreendedor, muitas vezes considerado exagerado. Um exemplo disso aconteceu em 1920, quando liderou um projeto para construir o edifício mais alto de Mendoza num local considerado o ponto de maior atividade sísmica na cidade. Quando o edifício de nove andares, construído com vitrais importados da França, foi inaugurado em 1926, Don Miguel teve que pagar para que pessoas o habitassem, tamanha era a desconfiança em seu projeto. Um ano depois, um forte terremoto destruiu muitas casas perto do edifício, mas a obra de Don Miguel se manteve intacta. Esse projeto rendeu-lhe o apelido de "El Loco Escorihuela".

Antigo tonel trazido da França no início do século XX

O fundador da Bodega administrou e desenvolveu a bodega até sua morte em 1933, quando foi assumida por seus herdeiros, que deram continuidade ao investimento e divulgação da marca que se tornou uma grande referência da vitivinicultura argentina e mundial.

Atribui-se à bodega, nos anos 1940, a produção do primeiro varietal 100% Malbec.

Muita coisa aconteceu até que entre os anos de 1992 e 1993 a Escorihuela é adquirida por Nicolas Catena, que investiu pesado na modernização da bodega adequando-a às exigências do mercado atual. 

Em 2008 um incêndio atingiu a vinícola, destruindo muitos produtos armazenados e forçando a vinícola a realizar mais uma reforma estrutural, modernizando-se ainda mais.

A vinícola que patrocina uma equipe de pólo, possui um campo de "bike-polo", utilizado pelos funcionários nas horas de lazer

Depois de um pouco de história e de um "recorrido" pela vinícola era hora de conhecer alguns dos vinhos.

Com a temperatura elevadíssima do verão nada melhor que uma degustação ao ar livre, sentindo a brisa mendocina e apreciando a vista das instalações da vinícola.





Provamos, da esquerda para a direita:

1) Espumante Escorihuela Gascón Extra Brut: ótimo espumante, produzido com Chardonnay e Pinot Noir pelo método Champenoise com 8 meses de contato com as borras. Muito refrescante.

2) El Conquistador 2009: blend de Cabernet Sauvignon, Syrah e Petit Verdot com 11 meses de amadurecimento em barricas de carvalho francês novas, muito aromático e com ótima estrutura. Muito saboroso.

3) Pequeñas Produciones Cabernet Sauvignon 2009: "puro sangue" elaborado com uvas do Vale do Uco e com 11 meses de amadurecimento em barricas de carvalho francês e americano novas e de 2º uso. Um CS do jeito que eu gosto, com notas herbáceas, boa acidez e um pouco agressivo, que foge um pouco do estilo superfrutado e adocicado que a Argentina vem adotando, principalmente com seus Malbecs.

4) Miguel Escorihuela Gascón 2008: blend de 85% Malbec, 10% Cabernet Sauvignon e 5% Syrah de muita qualidade e bastante interessante para quem gosta do estilo adocicado e concentrado. Bastante fruta e acidez mediana. Um bom vinho, mas de um estilo que não contempla meu paladar.

5) Don Malbec 2007: TOP da vinícola e considerado um dos grandes ícones argentinos. Com produção limitada de 11574 garrafas e amadurecimento de 14 meses em barricas de carvalho francês novas é um tinto de grandes concentração, estrutura e persistência. Muito macio na boca e com excelente acidez faz jus ao título de um dos melhores Malbecs do mundo.

Pela história, pela Bodega e pelos vinhos, sem dúvida, uma visita obrigatória em Mendoza

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mas a visita não terminou por aí.

Nas dependências da Escorihuela Gascon há ainda outra atração imperdível em Mendoza: o 1884 Restaurante, a casa que nasceu como uma homenagem aos vinhos de Mendoza e à cozinha andina, projeto conjunto de Nicolas Catena Zapata e do conceituadíssimo chef Francis Mallmann, nascido na Patagônia, com passagem por grandes restaurantes franceses e considerado um dos grandes mestres do churrasco ao estilo argentino.

Capa do livro Sete Fogos, do chef Francis Mallmann


O restaurante é uma visita obrigatória em Mendoza, não apenas pela ótima cozinha, mas também pelas lindas dependências de estilo arquitetônico espanhol e pelo ambiente muito agradável.






O cardápio conta com muitas opções da cozinha argentina com toques de cozinha internacional e uma excelente carta de vinhos, com destaque especial, claro, aos vinhos da Escorihuela Gascon.





Iniciamos nosso almoço com um couvert de pães fatiados na hora acompanhados por um carpaccio de peras e presunto cru.


Seguimos para a entrada, provando os lagostins chapados com batatas, harmonizados com o excepcional Pequeñas Produciones Chardonnay, um dos melhores vinhos provados em Mendoza. A foto fala por ela mesma.


Como prato principal escolhi o fantástico Ojo de Bife, harmonizado com o Pequeñas Produciones Malbec, enquanto a Talita optou por um Risoto de Frutos do Mar e seguiu com o Pequeñas Produciones Chardonnay. Ambos recomendadíssimos.

 

Não bastasse os excepcionais serviço e qualidade dos pratos, a companhia do simpático e atencioso amigo Renzo Monge tornou nossa visita ainda mais divertida e inesquecível.


Já deleitados pelo show de sabores, cores e texturas, ainda havia espaço para provar mais algumas delícias que a fusão entre a culinária andina e internacional poderia nos proporcionar: as sobremesas.

Provamos a deliciosa Panqueca com doce de leite argentino e o "trio de chocolates" chamado de Chocolate para Fanáticos, ambos harmonizados com um fantástico Colheita Tardia de 2003, produzido com Semillón e não mais comercializado pela Bodega.

 

Embora o cardápio do jantar traga outras opções - como a tradicional chuleta argentina, um verdadeiro pedaço de boi com quase 2kg - sugiro fazer uma reserva para o almoço e casar com uma visita à Bodega, para que o passeio seja completo!

Como os pratos principais são muito bem servidos, se a fome não for muito grande sugiro compartilhar uma entrada e, dependendo do caso, até mesmo a sobremesa. Desta forma é possível curtir pratos muito bem elaborados, acompanhados por um ótimo vinho e gastar algo em torno de US$ 60,00 (devido á inflação na Argentina, não é conveniente estimar os preços em pesos) por pessoa.

É isso. Se quiser alguma outra sugestão, ficou alguma dúvida, etc deixe seu comentário que será um prazer responder e ajudar na sua visita à capital do Sol, do Malbec e, por que não?, da boa comida!

Que Baco nos ilumine.
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