Direto de Mendoza - Zorzal Wines: técnica e improviso na medida certa!

Publicado por Blog Vinho SIM em 2.3.13 com 2 comentários


Visitar a Zorzal Wines, recebido pelo seu enólogo Juan Pablo Michelini, foi uma experiência parecida com ouvir um excepcional disco de blues ou jazz, ou ainda melhor, é como estar num show de Big Joe Turner, Eric Clapton, Bob Dylan, BB King, Jimmy Red, Jonh Lee Hooker, Chuck Berry, dentre outros.
Já explico.
Assim como os vinhos, a música é uma grande paixão na minha vida e, como um apaixonado que se preza, sempre investi muito tempo estudando e procurando conhecer tudo o que fosse possível. Costumo dizer que não tenho um estilo musical preferido, pois valorizo a boa música independente da base harmônica e/ou do ritmo que ela é composta, mas no fundo, no fundo isso não é verdade. É claro que valorizo a boa música, mas é ainda mais claro que meus ouvidos estão sempre mais atentos quando o som que chega é um blues, um jazz ou um soul. A “música negra” me encanta porque tem técnica de sobra com pitadas de improviso difíceis de se encontrar em outros estilos ...

Eis então que você me pergunta: “ora, isso é um blog sobre vinhos ou sobre música?”

É um blog sobre vinhos e viagens, mas a única forma que encontrei para descrever o que senti ao visitar a  e também o que sinto quando provo seus vinhos foi criar uma analogia com o que sinto quando ouço música. Vinho e música têm muito a ver, pois são capazes de aflorar sentimentos semelhantes e de gerar discussões profundas sobre eles próprios que dificilmente conseguimos em outros temas.


A grande "moda" na América do Sul e em muitos países europeus atualmente são os vinhos superconcentrados, que alguns especialistas costumam chamar de “bomba de frutas”, no entanto, essa padronização tem tornado os vinhos um tanto quanto previsíveis. Não há dúvida que existam muitos vinhos excepcionais neste estilo, mas, ao meu ver, isso tem tornado a tarefa de prová-lo um pouco chata, pois raramente me apresentam algo novo.

Minha alegria ao conhecer a Zorzal começa exatamente neste ponto.


A superjovem vinícola - foi fundada em 2008 numa área praticamente inexplorada, o distrito de Gualtallary, em Tupungato, Vale do Uco - foi difícil de ser alcançada. A estrada de terra que los leva até lá, a partir do centro de Tupungato não é das melhores e é longa ... No meio do trajeto liguei para Juan Pablo dizendo onde estava e ele me disse: “siga nesta estrada até o final, estou te esperando onde acaba a pista!”.


O clima e o terroir de Gualtallary são únicos. A onipresença do vulcão Tupungato e a fantástica insolação mendocina, somadas à brisa fria constante que durante as noites faz a temperatura baixar bastante, tornam a região muito especial. Não bastassem as condições climáticas superfavoráveis, há algum tempo foram encontrados fósseis marinhos em alguns pontos, o que explica a mineralidade destacada em alguns vinhos da casa.


Como muitas das vinícolas do Vale do Uco, a Zorzal possui injeção de capital estrangeiro - neste caso do Canadá – e, claro, embora o projeto ainda não esteja completamente concluído, já se percebe que não se privarão de tecnologia de ponta.


Tradicional para vinhos brancos na região de Chablis - França, o huevo é utilizado pela Zorzal para amadurecer seus Malbecs.

É justamente aí que se nota em sua totalidade o talento e a perspicácia do jovem enólogo J.P. Michelini que, com a assessoria de seu irmão, o renomado Matias Michelini, “não permite” que toda essa estrutura e tecnologia torne seus vinhos previsíveis.


"Somos profissionais, por isso utilizamos todas as técnicas disponíveis para produzir nossos vinhos, mas, acima de tudo, nos queremos nos divertir fazendo isso"

Juan Pablo Michelini

Em cada rótulo sempre haverá uma pitada de improviso.

 

Não vou escrever sobre os vinhos degustados, já que provamos "apenas" vinhos diretamente das barricas, por tanto, ainda não prontos para o mercado, - mesmo que alguns deles já estivessem excelentes! -, mas um deles chamou muito à atenção: o Big Brother!

Sua saída ao mercado ainda deve demorar um pouco (que pena!), mas guarde esse nome, certamente será um grande ícone da Argentina!

Baco me iluminou!
Reações: