3º Tasting Wines of Chile São Paulo - Compreendendo as novas subdenominações do Chile através dos vinhos

Publicado por Blog Vinho SIM em 28.8.13 com Sem comentários

O tempo é senhor da razão e como diz o ditado, nada como um dia após o outro ou, ainda melhor, nada como um um vinho após o outro.

Como comentei aqui no Vinho SIM, o Winebar do dia 07/08 - uma degustação ao vivo na internet (winebar.com.br), organizada por Daniel Perches e Alexandre Frias -, que reuniu diversos blogueiros e enófilos para provar alguns vinhos chilenos e trocar impressões sobre as novas subdenominações de origem do Chile, fiquei com algumas dúvidas que me trouxeram diversos momentos de reflexão e estudos interessantes, mas que deixaram inquietações que pareciam não ter fim ...

Pareciam, pois a chegada do dia 14/08, com o 3º Tasting Wines of Chile São Paulo mudou tudo. É claro que seria muito pretensioso da minha parte dizer aqui que agora já compreendo as subdenominações ou mesmo dar uma fórmula para que o leitor possa usar em suas provas para identificar os exemplares de cada subdenominação, mas posso dizer que a seleção de vinhos da Master Class, assim como outras dezenas de vinhos provados durante a feira, foi de grande valia e aprendizado.



Este post tem como principal objetivo ser o mais didático possível, tornando-se mais uma fonte de pesquisa na (nenhum pouco simples) tarefa de entender quais são as influências que cada uma das três novas subdenominações chilenas exercem sobre os vinhos, assim como quais são as  características esperadas destes vinhos. 


Vamos aos vinhos provados.

Subdenominação Costa:

    · Cool Coast Sauvignon Blanc 2012, da Casa Silva;
    · Cipreses Sauvignon Blanc Vineyard 2011, da Casa Marin e
    · Signos de Origen Syrah 2010, da Emiliana.

Os três vinhos apresentados, somados aos outros três exemplares do Winebar são ótimos descritores desta região, porém meu destaque vai para o Emiliana Signos de Origem Syrah 2010, produzido a partir daquela que para mim é a grande casta chilena, a Syrah e que está longe de ser uma escolha óbvia para representar uma região onde a mineralidade e o frescor imperam devido à forte influência das correntes frias provenientes do Pacífico.
Este vinho, embora ainda esteja jovem e apresente um grande potencial de melhora nos próximos anos, já mostra toda a elegância e tipicidade da região: ótima acidez e mineralidade permeados por toques apimentados e frutados típicos da Syrah. Os admiradores desta casta, podem esperar da subdenominação Costa grandes e diferentes exemplares nos próximos anos.

Subdenominação Entre Cordilheiras:

    · Vértice Carménère-Syrah 2007, da Ventisquero;
    · El Incidente Carménère 2008, da Viu Manent e
    · Lien 2009, da Maquis.

Desta subdenominação, onde se encontram as mais antigas e clássicas regiões do Chile, são esperados vinhos de grande concentração, potência e complexidade, devidos à pelmaturação mais lenta e controlada das uvas, proporcionadas  pela proteção das Cordilheiras da Costa e dos Andes.
Nesta cenário, os três exemplares apresentados atendem a todos os requisitos para serem destacados como grandes descritores da região, mas meu destaque vai para o Maquis Lien 2009, corte diferentão com 42% de Cabernet Franc, 32% Syrah, 23% Carmenère e 3% de Petit Verdot, onde se o melhor de cada casta aparece com grande destaque, frutas negras e vermelhas madurastoques mentoladosflorais e apimentados, tudo muito bem afinado pela fina presença do carvalho francês (envelhecimento de 10 a 12 meses), perfeitamente integrada à ótima acidez e taninos madurosSuculento.

Subdenominação Andes

    · Carménère 2010, da Koyle;
    · Sauvignon Blanc 2013, da Calcu;
    · Reserva de Família Cabernet Sauvignon 2009, da Santa Carolina;
    · Intriga Cabernet Sauvignon 2010, da MontGras e
    · Finis Terrae 2010, da Cousiño-Macul.

Era daqui que vinham as dúvidas que mais me incomodavam, já que das subdenominações anteriores a gama de regiões conhecidas e exemplares no Brasil são um pouco mais abundantes. 
O Pérez Cruz CS provado no Winebar, embora tenha sido um vinho muito prazeroso, não havia me levado a nenhuma conclusão, mas depois desta experiência, já tenho ideia do que esperar desta subdenominação, onde os solos aluviais (profundos e arenosos, pobres em matéria orgânica), as brisas frias provenientes dos Andes e, ao mesmo tempo a proteção que a montanha oferece em relação à insolação, fornecem condições para a produção de vinhos de extrema qualidade, com características únicas, que unem concentração de frutaacidez muito equilibrada e taninos aveludados.
Como grande exemplar desta subdenominação e destaque desta prova elegi o MontGras Intriga CS 2010, um vinho em que o equilíbrio impera do início ao fimMuita fruta envolvida por toques mentolados, somadas à ótima acidez lhe conferem um frescor sensacional, que o coloca como um grande ícone no quesito "vontade de continuar bebendo". Os taninos finos e maduros e uma ótima persistência o tornam um vinho não apenas recomendado, mas um exemplar obrigatório para compreender o que é a subdenominação Andes.


Espero que a análise dos vinhos possa ajudar de alguma forma na compreensão das novas subdenominações. Eu ficarei bastante grato de receber algum retorno neste sentido, seja através de críticas, sugestões ou comentários diversos. Bom proveito e


que Baco nos ilumine!
Reações: