Vinhos da Áustria no Weinstube!

Publicado por Blog Vinho SIM em 2.8.13 com Sem comentários

Na noite da última terça-feira, dia 30/07, a The Special Wineries (TSW) apresentou alguns de seus rótulos num evento/degustação que já está se tornando tradição em São Paulo: o Weinprobe do restaurante Weinstube, no Club Transatlântico, em São Paulo, que ocorre sempre na última terça-feira de cada mês e é gratuito, basta confirmar presença  

A degustação foi dirigida pelo especialista em vinhos austríacos, Maurício Rodrigues e iniciou com uma verdadeira aula sobre a Áustria, que passeou pelas regiões produtoras, as castas tradicionais e vinícolas até chegarmos aos vinhos que seriam provados na noite.



Quem é a Áustria no mundo vitivinícola?

A Áustria é um produtor dos mais interessantes, com mais de 6000 vinícolas, das quais aproximadamente 350 possuem autorização da rigorosa fiscalização do país para exportar seus produtos.

E por que não encontramos muitos vinhos austríacos no nosso mercado? Simples, 70% de toda a produção é consumida internamente, o que coloca o país entre os 10 maiores consumidores per capita de vinho no mundo. Se contabilizarmos o consumo de cerveja e destilados, a Áustria passa para o primeiro lugar em consumo per capita no mundo!

O mapa vitivinícola da Áustria é dividido basicamente em 4 grandes regiões:
  • Niederösterreich (amarelo no mapa abaixo): especializada em vinhos brancos, onde reina a grande uva austríaca, a Grüner Veltliner.
  • Burgenland (vermelho): de onde vêm grandes tintos e vinhos doces, com grande destaque para as castas Sankt Laurent - uma derivada da Pinot Noir que produz vinhos muito frutados e perfumados - e a Gelber Muskateller, conhecida mundialmente como Muscat Amarela.
  • Steiermark (verde): considerada a Toscana austríaca, referência que não tem nenhuma relação com seu terroir, mas sim com a produção majoritária de castas internacionais.
  • Wien (Viena) (azul): onde se localiza grande parte das vinícolas cuja produção tem um carácter mais comercial, não em sentido pejorativo, mas sim no sentido de volume, com vinícolas cuja produção é muito maior que a média das demais.


Num mundo cada vez mais globalizado e, especialmente em relação ao mundo do vinho, cada vez mais padronizado é interessantíssimo conhecer vinhos de um país cujos produtores preservam, cultuam e priorizam a produção com castas autóctones, que nos dá a possibilidade de provar vinhos únicos, que expressam aquilo que eu, como estudioso e apaixonado por vinhos mais tenho buscado: personalidade e tipicidade!

Neste cenário, a grande estrela é a Grüner Veltliner, que reina principalmente em Weinviertel - maior região vinícola da Áustria e a primeira denominação de origem (que na Áustria é denominada "DAC") da nova legislação implantada em 2003 -, pertencente a Niederösterreich (região em amarelo no mapa acima), mas também é encontrada em diversas outras sub-regiões, sendo a responsável por 60% de toda a produção austríaca.

A casta produz vinhos dos mais variados estilos, desde os jovens frutados, passando pelos mais estruturados, com grande potencial de guarda, até chegar a vinhos de sobremesa, mas sempre com predominância de sua característica principal, o toque apimentado, que remete àquela que é possivelmente sua "mãe", a Traminer.

Chama a atenção também o fato de muitos produtores (como foi o caso dos apresentados nesta degustação) conduzirem seu trabalhos com vinhedos biodinâmicos, na busca por uma produção sustentável o que eleva ainda mais o padrão de pureza e qualidade dos vinhos.

Degustação


Após a ótima introdução sobre a Áustria, passamos para a prova dos vinhos, onde foram apresentados 5 rótulos, de sub-regiões de Niederösterreich (Kamptal DAC e Carnuntum) e Burgenland.


Da esquerda para a direita, Loimer - Lois 2011 [Grüner Veltliner] (R$ 97,30), Wenzel 2009 [Gelber Muskateller] (R$ 97,30), Juris Rosé 2011 [Sankt Laurent] (R$ 97,30), Markowitsch 2010 [Rubin Carnuntum] (R$ 96,00) e Prieler Johanneshohe 2008 [Blaufrankisch] (R$ 131,70).


A prova atendeu às expectativas criadas durante a "aula" inicial. Realmente os vinhos são muito interessantes, muito diferentes do padrão que o mercado parkerizado vem nos impondo cada dia mais.



Apesar de ter gostado dos cinco vinhos, quero destacar principalmente dois deles, que me agradaram bastante.

Wenzel 2009 [Gelber Muskateller]


O biodinâmico do produtor Wenzel, produzido com uva Gelber Muskateller é (Muscat Amarela) muito intrigante, pois possui um ataque aromático "doce", com muitas notas de lichia madura e florais, mas na boca apresenta-se seco, com uma fantástica mineralidade e acidez crocante. Elegante. A principal sugestão de harmonização fica por conta dos preparos agridoces, com destaque aqui para os pratos da culinária indiana e tailandesa.

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (16/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: BOA


Juris Rosé 2011 [Sankt Laurent]


Este para mim foi o grande destaque da noite.
Também biodinâmico, produzido pelo produtor Juris com a uva Sankt Laurent - uma possível derivada da Pinot Noir - este é um rosé bem diferente da maior parte que se encontra em nosso mercado. Uma espécie de meio termo entre os normalmente ótimos vinhos da Provence e os mais encorpados sulamericanos, é um vinho de grande personalidade. A paleta aromática é bastante extensa, com notas de morango e framboesa frescos algum toque apimentado. Na boca é intenso, com excelente equilíbrio entre fruta e acidez e um toque mineral muito interessante. Ótima harmonização para preparos mais sofisticados de frutos do mar ou ainda pratos diversos à base de molhos com boa acidez.

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (17/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA


Resumo da noite: ótima "aula", ótimos vinhos e ótima recepção proporcionada pelo Weinstube.


Para quem quiser conhecer vinhos diferenciados, fica a dica: toda última terça-feira de cada mês o restaurante realiza sua Weinprobe (prova de vinhos) gratuitamente. Ótimas oportunidades de conhecer vinhos diferenciados e a ótima gastronomia alemã de um dos mais renomados restaurantes do segmento de São Paulo.

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Que Baco nos ilumine!
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