Wine Bar: As novas subdenominações de origem do Chile

Publicado por Blog Vinho SIM em 14.8.13 com Sem comentários
 

Na quarta-feira dia 07/08 tive o prazer de participar do Winebar, uma degustação ao vivo na internet (winebar.com.br), organizada por Daniel Perches e Alexandre Frias, que reúne diversos blogueiros e enófilos dispostos a trocar experiências e debater sobre uma seleção de vinhos envolvendo algum tema deste mundo tão fascinante. É literalmente uma confraria virtual.

O tema desta semana foi "Subdenominações de Origem do Chile", parte da campanha da Wines of Chile no Brasil para divulgar um novo formato (implantado no Chile em meados de 2011) de divisão do território chileno em três partes, chamadas de Costa, Entre Cordilheiras e Andes.

Para nos guiar nesta aula-degustação, o Winebar desta semana contou com as presenças de representantes da Ventisquero (Nicolas Torres) e da Concha y Toro (Michele Carvalho), assim como o enólogo da Miguel Torres (Horacio Fuentes), além do âncora, Daniel Perches.

O mais interessante desta nova divisão do território chileno está na orientação. A divisão em "fatias" horizontais (os vales) permanece inalterada, mas agora também temos as divisões em três "fatias" verticais, algo bem inusitado para um país com comprimento de mais de 4000km, mas cuja largura média fica em torno dos 200km. E é justamente aí que está a grande sacada.

O Chile, que possui a Cordilheira dos Andes em toda sua extensão leste, possui também uma segunda cadeia de montanhas, denominada Cordilheira da Costa que, embora não possua a mesma altitude dos Andes, em alguns trechos pode ultrapassar os 2000m de altitude sobre o nível do mar e encontra-se a poucos quilômetros do Oceano Pacífico.

Não seria difícil então perceber que a probabilidade destas regiões gerarem vinhos com características únicas seria muito grande. Constatado isso, a nova divisão foi estabelecida.

O vídeo da Wines of Chile, apresentado no Winebar é muito didático e ilustrativo. Clique aqui assistir ao vídeo. Vale a pena.

Para ilustrar as características de cada região, foram selecionados 5 rótulos das três novas subdenominações.




Da subdenominação Costa, foram selecionados o espumante Santa Digna Estrelado Rosé, da Miguel Torres, o Pinot Noir Reserva 2011, da Viña Ventisquero e o Terrunyo Sauvignon Blanc 2011, da Concha y Toro.


Muito interessante notar que realmente os três vinhos, de vinificação completamente diferente - o primeiro (à esquerda) é um espumante rosado produzido com a casta local País, o segundo (centro) um tinto de Pinot Noir e o terceiro (à direita) um branco de Sauvignon Blanc, possuem como características, marcadas pela região, o excelente frescor e uma certa mineralidade, devidos aos ventos frios provenientes da corrente de Humboldt, que nasce na Antártida e banha a costa do Chile, baixando consideravelmente a temperatura média local.


Da subdenominação Entre Cordilheiras, foi selecionado o clássico Terrunyo Carmenère Cuartel 47, safra 2007, da Concha y Toro.


O carmenère da linha Terrunyo - que durante algum tempo foi considerada a principal da Concha y Toro, responsável, inclusive, por diversas premiações da vinícola -, produzido com uvas do Vale do Cachapoal, é um vinho que vem mantendo sua grande forma safra após safra. E esta não foi diferente, contemplando-nos com um vinho de grande concentração de aromas, paladar complexo e de excelente estrutura.  

Trata-se aqui, não só de um grande vinho da nova subdenominação Entre Cordilheiras, mas também de um grande vinho do Chile e, justamente por isso, confesso que não consegui chegar a qualquer conclusão sobre a região em si. Senti falta de algum outro exemplar, preferencialmente que diferisse deste de alguma forma (produção, tipo de casta, ...) para poder comparar e procurar algo que caracterizasse a região, como aconteceu no caso da subdenominação Costa.

Por outro lado compreendo que este já foi um Winebar com 5 vinhos e a inserção de outros mais poderia dificultar bastante a prática da degustação e mesmo a troca de ideias entre os participantes.


Finalmente a terceira subdenominação da noite: Andes, que trouxe como representante o Pérez Cruz Cabernet Sauvignon Reserva 2011, um dos bons chilenos em termos de relação qualidade-preço no mercado brasileiro.


O mais interessante desta nova subdenominação, ao meu ver, está na influência que o clima e o solo exercem sobre as videiras.

Muito embora a localização ao pé dos Andes não seja única no mundo - uma vez que Mendoza também disfruta deste privilégio da natureza -, o solo, a posição das montanhas em relação ao sol, o clima seco, a elevada drenagem - proporcionada por grandes concentrações de pedra no solo -, dentre outros, tornam esta região muito interessante e, possivelmente, uma das mais predispostas no mundo ao cultivo de vinhedos orgânicos e biodinâmicos.
Com relação à prova deste vinho, tive uma dificuldade parecida com a que escrevi na subdenominação Entre Cordilheiras. A falta de um vinho para poder comparar e buscar características em comum em vinhos diferentes torna a descrição da região algo impossível.


De qualquer forma, este foi um Winebar muito interessante. A mescla de uma boa condução, ótimos convidados, tema interessante e bons vinhos tornou a participação muito prazerosa.

Deixo aqui meu agradecimento pelo convite e

que Baco nos ilumine!
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