quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Ranking Vinho SIM de Espumantes Nacionais 2012-2013: Quase 100 espumantes degustados às cegas!



Sempre fui um grande apreciador de Champagnes. Aquelas borbulhas eclodindo do fundo da taça me encantam de tal forma que eu posso viajar diversos minutos olhando para elas, curtindo os aromas que explodem de dentro da taça e me deleitando com os mágicos sabores, texturas e sensações que estes vinhos causam na minha boca.

De alguns anos para cá venho me interessando e estudando bastante sobre espumantes de outras partes do mundo, como as tradicionais Cavas espanholas, os ProseccosFranciacortas e Astis italianos, os intrigantes Sekt alemães e austríacos, os menos famosos - mas não menos saborosos -Sparkling Wines (nome genérico utilizado para espumantes), da África do Sul eAustrália, além dos brasileiros, claro.

Além de provar muita coisa por aqui e visitar diversos produtores do Sul do país, nos últimos anos venho lendo e catalogando uma quantidade enorme de matérias à respeito do espumante nacional, desde as que apresentam melhorias no método de produção  que envolvem do maior cuidado no cultivo das videiras ao emprego de tecnologia de ponta – até aquelas que apresentam resultados de degustações e premiações em concursos pelo Brasil e pelo mundo. Nisso tudo, algo vem me chamando à atenção há tempos: grande parte destas notícias se referirem a um determinado conjunto de produtores/produtos. Os resultados de muitos eventos são sempre muito parecidos. Compreendo que bons produtores sempre se destaquem, afinal de contas são dedicados, atentos e cuidadosos com toda a dinâmica de produção e é por isso que são merecedores de elogios diversos, mas o que me incomodava de verdade era não ver determinados espumantes já provados  por mim e sabidamente muito bons nunca se destacarem em evento nenhum.

A partir desta inquietação decidi matar minha curiosidade e conferir com minhas próprias impressões como estes espumantes se sairiam numa grande degustação às cegas. Quais deles se destacariam? Haveria entre todos, algum(ns) de relação QUALIDADE-PREÇO excepcional?

Depois de quase quatro meses de trabalho, entrando em contato com produtores, coletando amostras, convidando amigos que pudessem colaborar efetivamente na análise das provas, definindo um local, degustando e, por último, tabulando todos os resultados, finalmente o Ranking Vinho SIM (RVS) de Espumantes Nacionais 2012-2013 ficou pronto.

Antes de divulgar definitivamente os resultados - que serão apresentados por categorias – e em respeito à todos os envolvidos, peço sua paciência para ler os próximos parágrafos deste documento, onde apresento detalhes importantes de todo o processo de confecção do RVS 2012-2013.

Participantes

  • Basso,
  • Campos de Cima,
  • Casa Pedrucci,
  • Casa Valduga,
  • Casa Venturini,
  • Cave Antiga,
  • Dal Pizzol,
  • Don Bonifácio,
  • Don Laurindo,
  • Domno,
  • Dunamis,
  • Estrelas do Brasil,
  • Franco Italiano,
  • Garibaldi,
  • Geisse,
  • Gheller - Monte Azzurro,
  • Guatambu,
  • Kranz,
  • Lídio Carraro,
  • Marco Luigi,
  • Maximo Boschi,
  • Panceri,
  • Pericó,
  • Peterlongo,
  • Piagentini,
  • Salton,
  • Sanjo,
  • Villagio Grando,
  • Vinibrasil.


   
    
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Convidados / Juri

Como já escrevi em outras oportunidades, o blog Vinho SIM tem como um dos seus maiores objetivos a divulgação de eventos, enotecas, lojas, adegas, empórios, restaurantes e afins do ABC Paulista, região onde nasci, moro e sonho ver se expandir neste mercado tão fascinante do vinho, por isso grande parte dos convidados/juri são da região.

É importante frisar também a intenção de dar um perfil “técnico-popular” ao RVS 2012-2013, convidando para a prova amigos com excelente formação técnica e outros sem essa formação acadêmica, mas todos, sem exceção, enófilos apaixonados com boa experiência em degustações.

A degustação foi dirigida por mim e contou com a (brilhante!) participação dos amigos:

  • Celso Pavani, sócio-proprietário do Empório D'Vino,
  • Waldemar de Lello Jr., enófilo e sócio-proprietário da Plenarqui - Arquitetura & Engenharia,
  • Vanessa Sobral, sommelière e autora do blog Falando SobreVinhos,
  • Talita S. Martinez, enófila, analista clínica do Instituto do Coração e consultora do blog Vinho SIM para assuntos da área médica,
  • Arnaldo Grizzo, editor da revista Adega,
  • José Carlos M. Martinez, enófilo, ex-sócio-proprietário da Frangolândia, em SBC e comerciante do setor avícola no ABC, 
  • Marcelo Iabiku, especialista em Champagnes e sócio-proprietário da importadora Hedoniste - Champagnes artesanais e do Empório Hedoniste, em Santo André e
  • Carlos Eduardo Oliveira, autor do blog Conservado no Vinho.

 

 

 

 

Local / Regras

A degustação, conduzida completamente às cegas, foi realizada no Mazza Ristorante, um dos mais tradicionais daqui do ABC, e dividida em 6 categorias.

  • Extra Brut & Nature
  • Brut Champenoise Branco, & Brut Champenoise Rosé
  • Brut Charmat Branco & Brut Charmat Rosé [produzidos com qualquer cepa, exceto Prosecco)
  • Brut Prosecco
  • Demi-Sec
  • Moscatel
 

 

 

O gerente, sr Otaviano Pereira, responsável pela recepção do Mazza Ristorante (R. das Bandeiras, 312 - Jardim  Santo André - (11) 4990-8558)

Para avaliação foi adotado um sistema que varia de 0 à 20 pontos, o mesmo usado  em todas minhas avaliações do Vinho SIM e inspirado em artigos do sommelier Enrico Bernardo (http://www.enricobernardo.com/), do crítico português João Paulo Martins (www.joaopaulomartins.com/) e da crítica inglesa Jancis Robinson (http://www.jancisrobinson.com/), avaliadores com os quais tenho grande identificação.

Foram avaliados os seguintes quesitos:

  • cor / brilho (1 ponto),
  • perlage (1 ponto),
  • estrutura (1 ponto),
  • aromas (5 pontos),
  • equilíbrio (0 à 5,0),
  • acúcares/acidez (2 pontos) e
  • geral (5 pontos).

A NOTA FINAL final de cada espumante é a média aritmética das notas de cada convidado-jurado, sempre descartando-se a menor e a maior delas.


Símbolos

Preço

$ Menos de R$ 20,00
$$ Entre R$ 20,01 e R$ 35,00
$$$ Entre R$ 35,01 e R$ 50,00
$$$$ Entre R$ 50,01 e R$ 75,00
$$$$$ Acima de R$ 75,00

Para o leitor menos interessado em aspectos puramente técnicos, "criei" uma escala de avaliação mais simplificada que leva em conta basicamente dois quesitos:

1) O espumante tem virtudes que me fazem dizer que é de qualidade?
2) Depois de provar a primeira taça, tenho vontade de continuar bebendo?

Esta escala consiste em atribuir * (1 "estrela") aos espumantes que menos gostei e até ***** (5 "estrelas") aos espumantes que mais gostei, levando-se em conta qualidade e principalmente vontade de continuar bebendo.

Resumindo:


* Espumante DESEQUILIBRADO. Nenhuma vontade de continuar bebendo.
** Espumante CORRETO/BOM, mas que não dá vontade de continuar bebendo.
*** Espumante MUITO BOM, dá vontade de beber mais um pouco.
**** Espumante EXCELENTE, dá vontade de beber várias taças.
***** Espumante EXCEPCIONAL, dá vontade de beber a noite toda!


É isso. espero que o formato, as regras, os critérios e tudo o mais que envolve o RVS 2012-2013 estejam claros para todos, para que assim os resultados sejam os mais transparentes possíveis.

Nos próximos dias, os resultados estarão publicados por categoria. Aguardo os comentários e que Baco nos ilumine!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Direto de Mendoza: Bodega Bressia



A Bodega Bressia foi fundada em 2003 pelo experiente enólogo Walter Bressia, com mais de 30 anos de trabalho na enologia, juntamente com sua esposa e filhos, buscando um conceito minimalista que denominam Vinhos de Família ou Vinhos de Autor, inspirado nos grandes ícones da história de Mendoza que há anos vêm surpreendendo o mundo com esse conceito e produzindo vinhos cheios de estilo e personalidade.

 

A Bodega busca somente a produção de vinhos de alta qualidade num ambiente pequeno e totalmente regido pela família.

Agendei minha visita diretamente daqui, por e-mail, e foi tudo tranquilo. Apesar de um imprevisto com a Marita Bressia, filha do sr. Walter Bressia que nos receberia, fomos prontamente recebidos pelo Walter Filho e assim pudemos conhecer a Bodega.


Passeamos um pouquinho pelas instalações e fomos para a degustação, onde provamos, da esquerda para a direita:



1) Sylvestra Sauvignon Blanc 2012: Recém lançado, deverá assumir o papel de “soldado de linha de frente” da Bodega. Um vinho jovem e fresco, cujo nome é uma alusão à intenção da vinícola de produzir um vinho com mínima interferência, deixando-o expressar as características da casta e do terroir.

2) Monteagrelo Cabernet Franc 2010: Bom exemplar desta casta que me trouxe boas surpresas em Mendoza. Um vinho com bom equilíbrio, fruta, acidez na medida certa, completadas por uma certa rusticidade que eu sempre espero de um Cabernet Franc.

3) Monteagrelo Malbec 2009: Típico Malbec mendocino. Frutado, com bom corpo e pouca acidez. Na boca é macio e tem final adocicado. É gostoso de beber, mas não é o tipo de vinho que me convida a continuar bebendo.

Há ainda diversas outras linhas de vinhos mas, infelizmente, não provei-os.

A Bodega recebe turistas sempre com agendamento feito através do telefone (54) 261 439 3860 ou através do e-mail info@bressiabodega.com.

Qualquer dúvida, sugestão, etc deixe seu comentário que será um prazer responder e ajudar na sua visita à capital do Sol e da Malbec.

Que Baco nos ilumine.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Direto de Mendoza: Domínio del Plata: uma vinícola "autoral"


Uma vinícolaAutoral”. É assim que eu defino a Bodega Domínio del Plata, projeto pessoal da enóloga Susana Balbo, localizada no distrito de Agrelo, em Luján de Cuyo, Mendoza.

É muito comum ouvirmos aqui no Brasil o termo "vinhos de autor", que é normalmente atribuído a vinhos que possuem uma marca, uma personalidade específica que os relacionem a determinado enólogo ou mesmo à determinada vinícola. Definitivamente este termo é pequeno demais para o projeto que Susana Balbo iniciou em 1999 e que já acumula anos e anos de muito sucesso.


Se Mendoza é hoje, possivelmente, a região do mundo com o maior número de mulheres comandando a produção nas vinícolas, muito se deve a Susana Balbo, a pioneira enóloga formada em 1981 que trabalhou durante mais de 20 anos prestando assessoria e produzindo vinho nas mais distintas regiões do mundo, como Austrália, Califórnia, Chile, França, Itália, África do Sul e Espanha antes de produzir os próprios vinhos e se tornar uma referência no mundo dos vinhos.

A produção dos meus próprios vinhos em Dominio del Plata é para mim a consagração de todos os meus esforços como enóloga, fruto do trabalho de tantos anos. Poderia dizer que a Bodega é como meu terceiro filho, um sonho tornado realidade

Susana Balbo, em declaração para o site da Dominio del Plata

Ao fundo os vinhedos da Domínio del Plata, no distrito de Agrelo, em Luján de Cuyo - Mendoza

A enóloga participou e participa de tudo o que acontece na Domínio del Plata, desde o desenho do prédio sede da vinícola, até a elaboração final dos vinhos, passando por todas as etapas intermediárias, como o projeto dos vinhedos, a escolha das variedades, as plantações, o sistema de irrigação, enfim, tudo o que necessário desde a colheita até o produto final. Essa é a minha definição para uma vinícola Autoral.

Agendei minha visita diretamente daqui do Brasil, por e-mail, e meu remis em Mendoza, Ariel Sosa, fez a confirmação de horário com a vinícola. Tudo muito tranquilo e eficiente.


Recebidos pelo atencioso amigo Rodolfo Juárez, passeamos um pouco pelas instalações da vinícola, conhecendo parte dos vinhedos, a linha de produção e a sala de barricas, antes de chegarmos à simpática sala de degustações, onde tivemos a oportunidade de provar 3 vinhos de linhas diferentes, selecionados pelo Rodolfo.

 


Provamos, da esquerda para a direita:

1) Crios Torrontés 2012: grande sucesso de vendas no Brasil, a linha Crios apresenta sempre vinhos leves e agradáveis. Este branco é um típico Torrontés mendocino, muito aromático e com final adocicado. Ótimo para acompanhar entradas leves e pratos à base de frutos do mar.

2) Susana Balbo Signature – Cabernet Sauvignon 2010: Um CS um pouco diferente, pois praticamente não possui uma das características mais marcantes da casta: as notas de pimentão verde. Segundo Rodolfo, a vinícola tem um tratamento especial das parreiras para suavizar estas notas e tornar o vinho mais delicado. Muito macio e gostoso de beber. Para o meu paladar, um pouquinho mais de acidez o deixaria ainda melhor.

3) Benmarco Expressivo 2010: Corte de 50% Malbec, 20% Cabernet Sauvignon, 10% Petit Verdot, 10% Syrah e 10% Tannat com 16 meses de barricas francesas (70%) e americanas (30%), limitado a 7200 garrafas. Certamente um dos melhores vinhos de Mendoza, com muita fruta e toques mentolados no nariz. Na boca é bem concentrado, mas com uma acidez que torna o conjunto muito harmonioso. Apesar do preço na casa dos R$ 120,00 é um vinho de ótima relação qualidade-preço.

Vale lembrar que os vinhos da Domínio del Plata são importados para o Brasil pela Cantu (http://www.cantuimportadora.com.br/).


Uma visita muito agradável, com ótimos vinhos e altamente recomendada. A Domínio del Plata tem horários específicos para atendimento ao público (de 2ª à 6ª às 10h, 12h e 15h30) e convém fazer o agendamento pelo telefone (+54) 261 498 9200 ou através do e-mail info@dominiodelplata.com.ar.

Qualquer dúvida, sugestão, etc deixe seu comentário que será um prazer responder e ajudar na sua visita à capital do Sol e da Malbec.

Que Baco nos ilumine.

Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?