sexta-feira, 29 de março de 2013

Miguel Torres - Vendimia Tardia - Riesling - 2008


Depois de mais de um século produzindo vinhos na Espanha, a vinícola Miguel Torres decide iniciar uma história também no Chile, onde em 1979 adquire uma pequena bodega no Vale do Curicó, buscando um mercado promissor e terras com grande potencial de produção, sendo assim, a primeira vinícola estrangeira a produzir vinhos no Chile.

Atualmente são 445 hectares de vinhedos próprios, separados em seis parcelas com características distintas (veja mais detalhes aqui), no próprio Vale do Curicó e também em outros vales próximos, onde são produzidas cepas tradicionais como Cabernet Sauvignon, Carmenère, Syrah, Pinot Noir, Merlot, Chardonnay, etc e também cepas como Tempranillo e Monastrel, especialmente destinadas à produção dos vinhos de gama alta.

Há também produção de uvas não tão difundidas no Chile como a Gewürztraminer e a Riesling, que são destinadas a “projetos” especiais, como é o caso do colheita tardia que dá título a este post

Falando isso, vamos à ele.

Produzido com 100% Riesling, provenientes do Vale San Francisco, em Molina, este colheita tardia apresentou coloração amarelo dourado com algum traço de evolução para o âmbar, límpido e brilhante. Muito bonito. No nariz, as notas de mel, misturadas com abacaxi fresco, flores do campo e algo de especiarias são um ótimo presságio do que é o vinho. Esta mistura de aromas doces e cítricos é muito interessante e excita a salivação. Na boca, a impressão dos aromas se confirma. A ótima concentração de açúcares permeada por uma acidez muito agradável, tornam este vinho muito harmonioso e, diferentemente de muitos colheitas tardias, deixa aquele “gostinho de quero mais” na boca.

Provei o vinho antes de saber que sobremesa escolheria, mas assim que coloquei-o na boca, percebi que seu par ideal poderia ser um chocolate.


Testei uma harmonização com um chocolate com amêndoas e laranja que deu muito certo, mas acredito que este vinho possa acompanhar muito bem qualquer sobremesa que esteja nos extremos entre doçura e acidez, como um pudim de leite condensado ou uma torta de limão, por exemplo. Não o indicaria para sobremesas com ataque mais neutro, como cheesecakes ou similares.

R$ 85,00 (DeVinum) | Álcool 14,5%

Avaliação VINHO SIM: REFINADO (17/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA

terça-feira, 26 de março de 2013

Confraria Vinho SIM [Fevereiro/2013]: Pinot Noirs da vinícola Ventisquero!


Depois do ótimo encontro de janeiro, contando com a volta de alguns confrades muito queridos na prova de ótimos Pinotages sulafricanos (confira), a Confraria Vinho SIM se reuniu novamente, agora para provar alguns Pinot Noirs do Vale de Casablanca, no Chile, mais especificamente Pinot Noirs da vinícola Ventisquero.

Para este encontro contamos com a presença do amigo Nicolas Farias, embaixador da Ventisquero no Brasil, que veio nos presentear com suas sempre claras e elucidativas palavras sobre os vinhos e a vitivinicultura chilena!

Vamos logo ao que interessa!

Começamos a noite com o Ventisquero Pinot Noir Reserva 2011.




Produzido com uma mescla de uvas de vários vinhedos de Tapihue, no Vale de Casablanca e com 4 meses de passagem por carvalho. Destacam-se as notas de morangos e framboesas maduras e algo de ervas finas. A safra 2011, mais fria que a média da região, trouxe um quê a mais de elegância a este sempre ótimo exemplar. Final bastante longo, principalmente para um Pinot Noir desta faixa de preço.

R$ 40,00 (Cantu)

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (15/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA.


Partimos então para o Queulat Pinot Noir 2010.


Este vinho já é produzido com uvas provenientes de um único vinhedo da mesma região do Reserva e tem passagem de 10 meses por carvalho da Borgonha, parte dele novo. As notas de frutas maduras aqui já são permeadas por notas terrosas e minerais, assim como um tostado muito bem integrado.

Se tivesse que defini-lo com poucas palavras, diria: impressionante relação qualidade-preço.

R$ 60,00 (Cantu)

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (17/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: EXCELENTE


Após esta sensacional “introdução” à Pinot Noir, partimos para duas safras de um dos ícones da Ventisquero e, sem dúvida, um dos melhores exemplares chilenos produzidos com esta casta e presente no Brasil: os Heru 2010 e 2008.

Os Heru são produzidos a partir de uvas de pequenas parcelas daquele que é considerado o melhor vinhedo para Pinot Noir da vinícola, na parte mais alta de um terreno com topologia que o Nicolas descreve como uma “carapaça de tartaruga”, geografia essa que garante ótima ensolação às videiras e uma brisa constante, que dão a este Pinot Noir características únicas.

O Heru 2010, que já foi tema da CVS em outubro, foi comentado aqui no Vinho SIM (relembre) e posso afirmar que estes poucos meses em garrafa já trouxeram algum benefício a ele.


Fruta concentrada com notas terrosas e minerais formam a base do vinho, aparecendo ainda algumas notas tostadas e especiadas. Na degustação anterior me lembro de as notas de baunilha e côco terem mais destaque. Como já mencionei outras vezes, gosto destas notas, mas tenho mais prazer em provar Pinot Noirs mais leves e frutados. A evolução que este vinho teve em poucos meses me deixou animado a provar o Heru 2008.

R$ 180,00 (Cantu)

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (16/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: BOA



Ahhh ... o Heru 2008!


Neste exemplar, produzido nos mesmo moldes do anterior, as notas tostadas e de frutas concentradas já estão bem “domadas”, prevalecendo a harmonia e as características da Pinot Noir. Na boca, a excepcional acidez - me lembrou os bons Borgonhas – dá a este exemplar uma grande vocação gastronômica, que foi colocada à prova com o já consagrado molho de Presunto Parma com limão siciliano do Empório D’Vino, que já está se tornando uma espécie de patrimônio público de Santo André e que, desta vez, acompanhou um belo ravioli de brócolis.

Apesar da diferença de apenas 2 anos, nem parecem o mesmo vinho! Sem dúvida, o Heru possui grande capacidade de envelhecimento.

R$ 180,00 (Cantu)

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (18/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA


Para provar os vinhos e/ou as massas, lembro a todos que o Empório D'Vino fica no 329 da Rua Dr. Messuti, na Vila Bastos, em Santo André. Para maiores informações é só ligar no (11) 2669-2188 e falar com o Celso ou com o Shirley.

Mais um encontro com ótimos vinhos, ótima comida, bate-papo descontraído e grande aprendizado com o amigo Nicolas Farias, a quem deixo aqui, em nome da CVS, nosso muito obrigado!

Pra galera que não foi, só resta aguardar o próximo encontro.

Que Baco nos ilumine!

sábado, 23 de março de 2013

Direto de Mendoza - Ruca Malen: ótimos vinhos e um restaurante imperdível!



Não bastasse um passeio muito agradável, a visita à Bodega Ruca Malen ainda tinha que terminar com um fantástico almoço, num restaurante em meio às parreiras, acompanhado dos excelentes vinhos da vinícola. Um passeio imperdível em Mendoza.


A vinícola iniciou seus trabalhos em 1998, a partir de um encontro entre Jean Pierre Thibaud (ex-presidente de Bodegas Chandon Argentina) e Jacques Louis Montalambert e o nome da vinícola foi escolhido para homenagear um mito da região, uma lenda Mapuche que nos foi resumida pela a sommelière Eugênia de la Iglesia, nossa “guia” durante o passeio pelas instalações da vinícola. "A lenda diz que as mulheres mapuches caminhavam sem levantar a cabeça, por medo de enfrentar o olhar de um deus muito jovem e bonito. Um dia, a mais destemida delas,  apesar de temerosa, enfrentou o olhar do temido deus. Neste momento um relâmpago a atingiu e ela se apaixonou loucamente. O deus, comovido, levou-a consigo para o Norte, até este pico que chegava ao céu e de onde nascia uma forte luz: o Aconcágua. Ele deveria partir. Mas, ofereceu à mulher uma moradia: Ruca Malen, “a casa da jovem”. E também, como um feitiço, ofereceu-lhe um néctar para que ela pudesse tomar e vivenciar de novo toda a alegria de seu olhar.”

A primeira safra da vinícola foi a 1999 e de lá para cá a produção vem aumentando em quantidade e, principalmente, em qualidade, chegando atualmente a um milhão de litros/ano.

Indo à Mendoza, não deixe de visitar a Ruca Malen e seu fantástico restaurante. Separe algumas horas de um dia da sua viagem para desfrutar uma experiência inesquecível: o menu 5 passos, sistema muito difundido nas vinícolas mendocinas e perfeitamente executado pela Ruca Malen.

Para maiores informações sobre horários, preços e para reservar, entre em contato através deste formulário.


O almoço é servido em 5 etapas e a harmonização é elaborada em conjunto pelo chef, pela sommelière e pelos diretores da vinícola. O menu varia de estação para estação e é sempre renovado. Provei o menu primavera, mas não tenho dúvidas que os demais também são excelentes.


Vou tentar descrever um pouquinho minhas impressões, embora as fotos quase falem por si sós.

Menu Primavera

Primeiro passo ("aperitivo"): mini ravioli de abobrinhas assadas recheadas com escabeche de olho poró e limão sobre uma espuma de limão e azeite de oliva Arbequina. 


Harmonização: Ruca Malen Chardonnay 2011.



45% do vinho passa 8 meses por barricas de carvalho. O ótimo frescor deste Chardonnay ressalta o frescor do prato, formando um par perfeito.

Segundo passo ("aperitivo")Conchigliones recheados com beringelas queimadas, queijo fundido e creme de beterrabas.


Harmonização: Yauquen Bonarda 2011.


Uma das grandes surpresas da minha viagem à Mendoza, este Bonarda é um grande best buy, inclusive sendo meu eleito como Pechincha de Janeiro/2013 (relembre). 
Nesta harmonização, o frescor do vinho somado à leve presença de taninos macios destacam a untuosidade da massa. Bela escolha.


Terceiro passo (entrada): Salada morna de locro, linguiça confitada com molho de vinho e creme de abobrinhas defumadas com sementes de abóboras tostadas.

A apresentação do prato é linda, servido sobre uma "tábua" de vidro com as explicações  todas detalhadas logo abaixo: a expressão "comer com os olhos" nunca foi levada tão à sério.

Harmonização: Ruca Malen Cabernet Sauvignon 2010.

Este puro sangue com 12 meses de afinamento em carvalho é um dos grandes exemplares do que esta casta representa em Mendoza. Suculento, frutado e rústico na medida certa.

A presença de taninos harmoniza perfeitamente com a gordura da linguiça, assim como a acidez e o ótimo frutado se fundem com a untuosidade dos cereais, obtendo uma excelente harmonia.



Quarto passo (prato principal): Medalhão de filé mignon com biscoito de batata, juliana de vegetais da estação, confitura de azeitonas pretas e cebolas caramelizadas com canela.



Harmonização: Ruca Malen Malbec 2010 & Kinien Malbec 2009.

A brincadeira proposta pela vinícola de harmonizar um prato com dois vinhos é muito acertada, pois é possível compará-los, notar claramente as diferenças e comprovar que cada um ressalta características diferentes no prato.


O Ruca Malen Malbec 2010, com 12 meses de carvalho, é a pura expressão do Malbec mendocino. Muito frutado, com boas notas florais e pouca acidez. Rassalta perfeitamente a textura da carne.


Já o Kinien Malbec 2009com 18 meses de carvalho novo, embora também apresente um frutado espetacular e notas florais, tem boa presença de taninos e uma acidez que o torna mais elegante que seu "irmão mais novo", o que ressalta a "doçura" da carne argentina. É um vinho com grande vocação para assados.



Ambos são excelentes opções. Se puder/quiser gastar um pouco mais, vá de Kinien.


Quinto passo (sobremesa): Crumble de peras e chocolate perfumado com cassis, pera fresca ao vinho e casca de laranja.


Harmonização: A Ruca Malen não possui (ainda) um vinho de sobremesa, por isso não há sugestão de harmonização, mas resolvi fazer uma brincadeira e pedi para provar novamente o Ruca Malen Bonarda 2011. O resultado foi surpreendente. É claro que não é uma harmonização perfeita, mas o frescor e os taninos doces deste Bonarda conseguiram acompanhar a sobremesa sem "matá-la" e sem se destacar em demasia. Creio que seja possível pensar numa sobremesa para este vinho!


E foi assim!
Para maiores informações de onde encontrar os vinhos da Ruca Malen por aqui, basta entrar em contato com a Hannover Vinhos, a responsável pela importação para o Brasil.


Que Baco nos ilumine sempre!

sábado, 16 de março de 2013

Ranking Vinho SIM de espumantes Nacionais 2012-2013 - Categoria Demi-Seco - RESULTADO FINAL


Avaliados os espumantes das categorias Brut ChampenoiseBrut & Rosé, Prosecco, Brut Charmat Branco e Brut Charmat Rosé, chegou a vez dos espumantes classificados como demi-seco.

Nesta categoria, a regra é que os espumantes devem conter de 20g/L até 60g/L de açúcar residual, denotando uma categoria intermediária entre o Brut (de 15 à 20 g/L) e o Suave (mais que 60 g/L).

Surpreendentemente foram inscritas 8 amostras nesta categoria, sendo 7 delas elaboradas pelo método Charmat e uma pelo método Champenoise.

Lembro à todos que este ranking, contou com a ajuda de bastante gente e caso queiram conhecer ou relembrar as critérios usados, saber quem foram os convidados ou mesmo ver fotos do evento sugiro a leitura DESTE POST, onde escrevi todos estes e mais alguns detalhes sobre esta grande prova.

Saúde e divirtam-se!



RESULTADO FINAL – DEMI-SECO




Vinho
Safra
Produtor
Região
$ médio
Nota
1
Insinuante
-
Gheller
Guaporé - RS
30,00
15,5
2
Kranz
2011
Kranz
Treze Tílias – SC
22,00
14,5
3
Alto Vale
-
Donmo
Bento Golçalves - RS
25,00
14,0
4
Tributo
-
Marco Luigi
Bento Gonçalves - RS
28,00
14,0
5
Salton
-
Salton
Bento Gonçalves - RS
19,00
13,75
6
Monte Paschoal
-
Basso
Farroupilha - RS
22,00
12,5
7
Chance
2011
Villagio Grando
Campos de Herciópolis - SC
*
11,5
8
Panceri**
-
Panceri
Tangará - SC
 -
11,5















*  não foi possível estabelecer um preço médio, pois não encontrei-o à venda num número considerável de estabelecimentos.

** ainda não lançado.



1. Gheller Insinuante

Região: Guaporé – RS
Uvas: 100% Trebbiano.
Álcool: 7,5%.

De cara, duas características me chamaram muito a atenção. A primeira foi o método utilizado para elaboração: Champenoise com 12 meses de contato com as borras. Creio que seja o único demi-seco nacional elaborado por este método! A segunda é a escolha da casta para elaboração: a Trebbiano. Não tenho notícias sobre qualquer outro espumante elaborado com esta casta no Brasil.

E o resultado de tudo isso?

Aprovado! Boa perlage, fina e persistente. Coloração dourada com pouco brilho. Aromas de frutas brancas, frutas secas e alguns toques de confeitaria. Na boca é relativamente refrescante e possui boa persistência. Surpreendente.

**** / $$


2. Kranz Rosé Demi Seco 2011

Região: Treze Tílias – SC
Uvas: 100% Cabernet Sauvignon
Álcool: 12%.

O único rosé e um dos dois únicos safrados da categoria, produzido com 100% Cabernet Sauvignon é um espumante bastante interessante, com notas frutadas, boa acidez e boa persistência.

*** / $$


3. Domno Alto Vale

Região: Bento Gonçalves – RS
Uvas: 50% Chardonnay 50%, 20% Pinot Noir 20% e 30% Riesling
Álcool: 12%.

Aromas de frutas cítricas com toques florais. Boa acidez e boa persistência.

*** / $$


4. Marco Luigi Tributo

Região: Bento Gonçalves – RS
Álcool: 12%.

Aromas de frutas secas com toques florais. Boa acidez e um final levemente adocicado.

*** / $$


5. Salton Demi-Sec

Região: Bento Gonçalves – RS
Álcool: 12%.

Bonita perlage. Aromas de frutas cítricas com destaque para maçã verde com toques florais. Boa acidez e média persistência.

** / $$


6. Basso Monte Paschoal

Região: Farroupilha – RS
Álcool: 12%.
Uvas: Chardonnay e Riesling.

Aroma bastante evidente de lima, com alguns toques de limão e abacaxi. Paladar leve, lembrando novamente lima. Leve amargor que também remete à lima, sem incomodar.

** / $$


7. Villagio Grando Chance

Região: Campos de Herciópolis – Água Doce - SC
Álcool: 11%.
Uvas: 100% Riesling.

Um dos únicos dois safrados desta categoria, este 100% Risling produzido em Santa catarina mostrou-se frutado com algum toque floral. Na boca, a acidez um pouco baixa, não traz à tona aquela vontade de continuar bebendo.

** / $$


8. Panceri Demi-Sec

Região: Tangará - SC

Espumante ainda não lançado no mercado. Solicitei à vinícola as informações sobre quantidade de álcool, uvas utilizadas, método de produção, etc, mas não recebi nenhum retorno.

Apresentou notas cítricas, com algum destaque para maçã verdade e lima. Na boca, possui baixa acidez e deixa um leve amargor, ambas características que diminuem a vontade de continuar bebendo.

** / $$


Comentários Vinho SIM

Nesta categoria, vale ressaltar um grande “problema”: a falta de personalidade da maioria das amostras, principalmente pela pouca acidez apresentada, o que deixou em diversos casos um final adocicado bastante desagradável.
De forma geral, posso dizer que os resultados não foram dos melhores, mas não se pode dizer que foram decepcionantes, pois não havia muita expectativa nesta categoria.  Posso dizer que foi uma prova interessante, em que alguns produtos, se forem tratados com mais carinho e atenção nas próximas safras, podem gerar ótimos resultados.

Que Baco nos ilumine!

sexta-feira, 15 de março de 2013

Pechincha do mês [FEVEREIRO/2013]: Zorzal Wines - Terroir Único - Pinot Noir 2012



Mais um achado do mês aqui no Vinho SIM!

Todo mês, aqui no blog, será indicado para você o vinho de preço mais acessível degustado por mim no mês anterior. Como “preço acessível”, defini em 2012 um teto de R$ 40,00, mas haja vista a grande oferta de excelentes vinhos até R$ 50,00 no nosso mercado, em 2013 alterei o limite, para evitar ter que promover exceções.

Em fevereiro, a grande “surpresa” foi o Zorzal Terroir Único Pinot Noir 2012!

Conheci o estilo de produzir o Pinot Noir Terroir Único em recente visita que fiz à Zorzal Wines (leia o relato da viagem!), uma jovem vinícola fundada em 2008 numa área praticamente inexplorada, o distrito de Gualtallary, em Tupungato, Vale do Uco, Mendoza, Argentina.

Na ocasião, o enólogo Juan Pablo Michelini – que me recebeu e conduziu a visita – fez questão de mostrar a forma carinhosa como a vinícola tem tratado a Pinot Noir e tive a oportunidade de provar uma amostra, diretamente da barrica, do Pinot Noir Gran Terroir 2013, um vinho que ainda não estava pronto, mas que já impressionava bastante pelo excepcional equilíbrio entre fruta, acidez e madeira.

Como não pude comprar este Gran Terroir 2013, pois ainda não estava pronto, comprei algumas garrafas do Terroir Único Pinot Noir 2012, pois tinha a intenção de prová-lo com algumas empanadas argentinas, principalmente com a especialidade de Mendoza, que recebe o clássico nome de Criolla, preparada com carne minuciosamente picada, ovo também picadinho e um pouco de molho chimichurri (um molho à base de alho, cebola, tomilho, orégano, pimenta vermelha moida e outros ingredientes, bastante utilizado nas culinárias argentina e uruguaia). Harmonização 100% aprovada!


De volta ao Brasil, meu típico ceticismo falou mais alto e eu tive que provar este vinho novamente para ter certeza que aquelas ótimas impressões não tinham sido majoradas pela atmosfera mendocina.

Vamos à prova.

A região de Gualtallary desenvolve ótima mineralidade nos vinhos, pois é uma região que num passado distante foi fundo de oceano, como provam amostras de fósseis encontrados há algum tempo atrás.
Essa característica, ao meu ver, essencial para um Pinot Noir, é muito destacada neste vinho, o que, somada à excelente acidez, gera um equilíbrio final pouco visto nos Pinot Noirs da América do Sul, principalmente quando se fala em vinhos desta faixa de preço. Algumas notas de frutas secas dão complexidade e elegância ao vinho, sem perder a leveza e sutilidade características da casta. Um vinho muito bem feito, que pode acompanhar desde entradas até pratos com carne vermelha, desde que pouco gordurosos, passando por pizzas, “empanaditas”, bruschettas, etc.

R$ 46,00 (Grand Cru) | Álcool 13,5%

Avaliação VINHO SIM: REFINADO / Relação QUALIDADE-PREÇO: EXCELENTE

segunda-feira, 11 de março de 2013

InCor e HCor fecham parceria para pesquisa visando comprovar os benefícios do vinho à Saúde!



A última semana de fevereiro revelou uma notícia fantástica para o mundo vinho!

Depois de diversos artigos publicados, alguns inclusive citados aqui no Vinho SIM, como o "Uma taça de vinho equivale a 30 minutos de exercício físico", da  Universidade Alberta - Canadá, o "Vinho para acabar com sintomas da menopausa", da Universidade do Oregon - EUA, o "Uma dor de cabeça a menos: vinho para intolerantes à sulfito", da Universidade de Aveiro - Portugal, dentre tantos outros, finalmente noticio uma pesquisa realizada pelo Brasil.

O Instituto do Coração (InCor), do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e o Hospital do Coração (HCor) de São Paulo, dois centros de referência em cardiologia do Brasil, selaram uma parceria, apoiada pelo Ministério da Saúde, para realizar uma pesquisa com mais de 3200 pacientes com doenças cardiovasculares visando comprovar os benefícios do vinho à saúde.

Os pacientes terão sua “dieta” enriquecida com uma dose diária de vinho tinto.
O projeto, que será conduzido pelos médicos-pesquisadores Dr. Protásio Lemos da Luz (InCor/USP) e Dr. Otávio Berwanger (HCor) terá um vinho especialmente elaborado pela Embrapa Uva e Vinho, com apoio do Ibravin/Fundovitis e tem recebido total apoio do Ministério da Saúde foi selado durante a cerimônia de inauguração da Rede Universitária de Telemedicina (Rude) com a presença do ministro Alexandre Padilha.

E expectativa pelos resultados é enorme e o Vinho SIM vai cobrir todas as etapas, sempre divulgando os resultados .

Que baco nos ilumine!

Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?