quarta-feira, 28 de agosto de 2013

3º Tasting Wines of Chile São Paulo - Compreendendo as novas subdenominações do Chile através dos vinhos


O tempo é senhor da razão e como diz o ditado, nada como um dia após o outro ou, ainda melhor, nada como um um vinho após o outro.

Como comentei aqui no Vinho SIM, o Winebar do dia 07/08 - uma degustação ao vivo na internet (winebar.com.br), organizada por Daniel Perches e Alexandre Frias -, que reuniu diversos blogueiros e enófilos para provar alguns vinhos chilenos e trocar impressões sobre as novas subdenominações de origem do Chile, fiquei com algumas dúvidas que me trouxeram diversos momentos de reflexão e estudos interessantes, mas que deixaram inquietações que pareciam não ter fim ...

Pareciam, pois a chegada do dia 14/08, com o 3º Tasting Wines of Chile São Paulo mudou tudo. É claro que seria muito pretensioso da minha parte dizer aqui que agora já compreendo as subdenominações ou mesmo dar uma fórmula para que o leitor possa usar em suas provas para identificar os exemplares de cada subdenominação, mas posso dizer que a seleção de vinhos da Master Class, assim como outras dezenas de vinhos provados durante a feira, foi de grande valia e aprendizado.



Este post tem como principal objetivo ser o mais didático possível, tornando-se mais uma fonte de pesquisa na (nenhum pouco simples) tarefa de entender quais são as influências que cada uma das três novas subdenominações chilenas exercem sobre os vinhos, assim como quais são as  características esperadas destes vinhos. 


Vamos aos vinhos provados.

Subdenominação Costa:

    · Cool Coast Sauvignon Blanc 2012, da Casa Silva;
    · Cipreses Sauvignon Blanc Vineyard 2011, da Casa Marin e
    · Signos de Origen Syrah 2010, da Emiliana.

Os três vinhos apresentados, somados aos outros três exemplares do Winebar são ótimos descritores desta região, porém meu destaque vai para o Emiliana Signos de Origem Syrah 2010, produzido a partir daquela que para mim é a grande casta chilena, a Syrah e que está longe de ser uma escolha óbvia para representar uma região onde a mineralidade e o frescor imperam devido à forte influência das correntes frias provenientes do Pacífico.
Este vinho, embora ainda esteja jovem e apresente um grande potencial de melhora nos próximos anos, já mostra toda a elegância e tipicidade da região: ótima acidez e mineralidade permeados por toques apimentados e frutados típicos da Syrah. Os admiradores desta casta, podem esperar da subdenominação Costa grandes e diferentes exemplares nos próximos anos.

Subdenominação Entre Cordilheiras:

    · Vértice Carménère-Syrah 2007, da Ventisquero;
    · El Incidente Carménère 2008, da Viu Manent e
    · Lien 2009, da Maquis.

Desta subdenominação, onde se encontram as mais antigas e clássicas regiões do Chile, são esperados vinhos de grande concentração, potência e complexidade, devidos à pelmaturação mais lenta e controlada das uvas, proporcionadas  pela proteção das Cordilheiras da Costa e dos Andes.
Nesta cenário, os três exemplares apresentados atendem a todos os requisitos para serem destacados como grandes descritores da região, mas meu destaque vai para o Maquis Lien 2009, corte diferentão com 42% de Cabernet Franc, 32% Syrah, 23% Carmenère e 3% de Petit Verdot, onde se o melhor de cada casta aparece com grande destaque, frutas negras e vermelhas madurastoques mentoladosflorais e apimentados, tudo muito bem afinado pela fina presença do carvalho francês (envelhecimento de 10 a 12 meses), perfeitamente integrada à ótima acidez e taninos madurosSuculento.

Subdenominação Andes

    · Carménère 2010, da Koyle;
    · Sauvignon Blanc 2013, da Calcu;
    · Reserva de Família Cabernet Sauvignon 2009, da Santa Carolina;
    · Intriga Cabernet Sauvignon 2010, da MontGras e
    · Finis Terrae 2010, da Cousiño-Macul.

Era daqui que vinham as dúvidas que mais me incomodavam, já que das subdenominações anteriores a gama de regiões conhecidas e exemplares no Brasil são um pouco mais abundantes. 
O Pérez Cruz CS provado no Winebar, embora tenha sido um vinho muito prazeroso, não havia me levado a nenhuma conclusão, mas depois desta experiência, já tenho ideia do que esperar desta subdenominação, onde os solos aluviais (profundos e arenosos, pobres em matéria orgânica), as brisas frias provenientes dos Andes e, ao mesmo tempo a proteção que a montanha oferece em relação à insolação, fornecem condições para a produção de vinhos de extrema qualidade, com características únicas, que unem concentração de frutaacidez muito equilibrada e taninos aveludados.
Como grande exemplar desta subdenominação e destaque desta prova elegi o MontGras Intriga CS 2010, um vinho em que o equilíbrio impera do início ao fimMuita fruta envolvida por toques mentolados, somadas à ótima acidez lhe conferem um frescor sensacional, que o coloca como um grande ícone no quesito "vontade de continuar bebendo". Os taninos finos e maduros e uma ótima persistência o tornam um vinho não apenas recomendado, mas um exemplar obrigatório para compreender o que é a subdenominação Andes.


Espero que a análise dos vinhos possa ajudar de alguma forma na compreensão das novas subdenominações. Eu ficarei bastante grato de receber algum retorno neste sentido, seja através de críticas, sugestões ou comentários diversos. Bom proveito e


que Baco nos ilumine!

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

3º Tasting Wines of Chile 2013 São Paulo


O 3º Tasting Wines of Chile São Paulo passou pela terra da garoa neste mês de agosto trazendo algumas das vinícolas mais renomadas do mundo e muitas novidades do país produtor mais famoso da América do Sul.

O evento deste ano, a exemplo do que havia sido o Grandi Marchi (relembre), manteve a ótima parceria do bonito Hotel Unique com a eficiência e simpatia da CH2A Comunicação, muito bem dividido em 2 partes, sendo a primeira uma Master Class, que contou com uma apresentação-degustação de 11 vinhos, quase todos representados por produtores e/ou importadores e a segunda uma degustação no formato exposição, com a presença de 37 vinícolas e mais de 200 vinhos à prova.



Master Class foi mediada pelo crítico Jorge Lucki com as presenças de Claudio Vilveti e Oscar Páez Gamboa, respectivamente manager director e diretor comercial no Brasil da Wines of Chile.

O trio de condutores usou o primeiro momento justamente para explicar o que são e como foram definidas as novas subdenominações do Chile, tema norteador do encontro deste ano e que já venho explorando e debatendo desde o Winebar do dia 07/08, momento muito interessante em que exemplares das três novas subdenominações foram degustados e comentados coletivamente, mas que havia me deixado com algumas dúvidas, e um pouco incomodado (relembre a matéria), principalmente pelo fato de não ter conseguido apontar características únicas que, de fato, diferenciem os vinhos das três subdenominações.

Como já abordei o tema em outras oportunidades e não quero ser repetitivo, vou deixar aqui a indicação de um vídeo muito didático, que explica com detalhes estas novas subdenominações do Chile. Vale muito a pena assistir.

Os vinhos apresentados na Master Class foram:

da Subdenominação Costa

· Cool Coast Sauvignon Blanc 2012, da Casa Silva,
· Cipreses Sauvignon Blanc Vineyard 2011, da Casa Marin e
· Signos de Origen Syrah 2010, da Emiliana;

da subdenominação Entre Cordilheiras

· Vértice Carménère-Syrah 2007, da Ventisquero,
· El Incidente Carménère 2008, da Viu Manent e
· Lien 2009, da Maquis;

da subdenominação Andes

· Carménère 2010, da Koyle,
· Sauvignon Blanc 2013, da Calcu,
· Reserva de Família Cabernet Sauvignon 2009, da Santa Carolina,
· Intriga Cabernet Sauvignon 2010, da MontGras e
· Finis Terrae 2010, da Cousiño-Macul.


Como já escrevi em outras oportunidades, pessoalmente não me sinto à vontade para pontuar os vinhos apresentados na Master Class, pois acredito que este momento possui um objetivo muito claro - neste caso mostrar exemplos de vinhos das novas subdenominações do Chile - e uma nota, ao meu ver, não corrobora com o que se espera do evento, a não ser que seja baseada em critérios muito específicos e pré-estabelecidos. Ainda assim, respeito a opção de cada um. Uma das grandes belezas da vida é a capacidade de divergir com educação e inteligência!


Nos próximos dias escreverei sobre minhas conclusões quanto as subdenominações do Chile e também sobre os destaques da feira, já que na segunda parte do evento também puderam ser provados ótimos exemplares.

  

 

E foi assim.
A equação ótimos vinhos simpáticos produtores + excelente organização deu a tônica novamente e o resultado não poderia ser outro: convidados felizes e satisfeitos pela participação em mais evento muito elegante.

Deixo aqui meus parabéns a todos os envolvidos e já começo a contagem regressiva para 4º Grandi Marchi 2014!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Estão chegando ao Brasil os vinhos da Junta Winery, olho neles!


A convite da diretora de marketing Veronica Barros, estive presente na última sexta-feira, dia 16/08/2013, no almoço-degustação, realizado no restaurante Zeffiro, de apresentação dos vinhos da Viña La Junta, localizada no Vale de Curicó - aproximadamente 200km ao sul de Santiago, Chile – com vinhedos dentro das novas subdenominação de origem Entre Cordilheiras e Costa (leia mais sobre as novas subdenominações aqui).

Durante o encontro, onde estiveram presentes alguns jornalistas e formadores de opinião, a simpática Veronica Barros nos contou um pouco sobre a história da La Junta, fundada em 2009 com a única pretensão de produzir vinhos de grande qualidade.

Para atingir esta expectativa, a La Junta conta com o trabalho de Antonio Vásquez, enólogo apaixonado pela sua profissão, reconhecido principalmente pela sua capacidade de compreender a Carmenère, sendo considerado um dos maiores domadores da cepa emblemática do Chile, fama adquirida com os ótimos trabalhos desenvolvidos em vinícolas como Córpora,  Caliterra, Terramater, Santa Elena, Sieguel e San Pedro, nos vales de Aconcagua, Casablanca, Maipo, Cachapoal, Colchagua, Curicó, Maule e Bio Bio.

Só nos restava conhecer os vinhos para comprovar as pretensões da vinícola e a fama do enólogo.


Provamos vinhos das três linhas principais da vinícola. Da Momentos - linha reserva, que prima pela presença da fruta com leves toques de madeira - provamos o branco Viognier/Sauvignon Blanc 2012, o Carmenère 2012, o Cabernet Sauvignon 2012 e Merlot 2012. Da Gran Reserva - linha que prima pela concentração de aromas e sabores, bem como pela complexidade aportada pelo amadurecimento em barricas de carvalho - provamos o Cabernet Franc 2011 e o Cabernet Sauvignon 2011. Por último, provamos o topo de gama da "La Junta", o Escalera 2008, corte de 40% Carmenère, 30% Syrah, 20% Cabernet Sauvignon e 10% Petit Verdot.

Gostei bastante dos vinhos, todos eles com ótimo equilíbrio entre fruta, acidez e madeira, que me parece ser uma tendência de diversas vinícolas chilenas para os próximos anos, trazendo ao mercado brasileiro um estilo menos agressivo e amadeirado que imperou por aqui nos últimos anos.

Como em qualquer prova, sempre gosto de buscar aqueles vinhos que se destaquem por motivos diversos e nesta não foi diferente. Vamos à eles.

Linha Momentos: Carmenère 2012


Confirmando o que disse a Veronica, realmente este Carmenère mostra toda a habilidade do enólogo em domar esta cepa que, nesta faixa de preço (R$ 40,00 ~ R$ 50,00*), costuma apresentar vinhos austeros, herbáceos e comumente maquiados por um excesso de madeira. Este é macio, com um frutado muito gostoso e notas de especiarias. Praticamente imperceptível a presença da madeira e com a grande virtude de não trazer as notas de pimentão verde que costumam aparecer nos exemplares da sua (possível) faixa de preço. Par perfeito para a pizza de sábado à noite (e qualquer outro dia, calro! rs).

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (15/20)

* Ainda não tem preço no mercado brasileiro.

Linha Gran Reserva: Cabernet Franc 2011


Ainda que o Cabernet Sauvignon tenha sido bastate elogiado (justamente) por grande parte dos presentes na degustação, minha preferência foi claramente por este Cabernet Franc. Esta cepa não possui boa fama para a produção de varietais (com poucas exceções), mas, quando bem tratada, traz resultados espetaculares, como é o caso deste Gran Reserva 2011. Um vinho com grande concentração de aromas de frutas negras maduras, assim como alguns toques terrosos e de especiarias. Na boca confirma a concentração de frutas, que aparecem de forma harmoniosa com os toques dos 12 meses de afinamento em carvalho, permeados por muito boa acidez, que lhe confere frescor e grande vocação gastronômica.
Aproveitei a oportunidade para testá-lo numa harmonização que não me parecia provável, mas que a minha veia investigativa e a ocasião me permitiram fazer, e acabou se mostrando bastante interessante. A acidez e os taninos bem afinados do Cabernet Franc Gran Reserva 2011 escoltaram perfeitamente a delicadeza e untuosidade do saboroso Nhoque com ragu de rabada, servido pelo Zeffiro. Recomendado.


Avaliação Vinho SIM: REFINADO (17/20)

Escalera 2008


Com produção de apenas 2760 garrafas, o Escalera 2008 foi elaborado para ser a grande estrela da La Junta e o resultado de todo o cuidado na elaboração, que foi desde a seleção das melhores uvas até a escolha das melhores barricas de cada cepa do corte, é realmente muito significativo. O escalera 2008 não é somente a grande estrela da La Junta, mas possivelmente um dos grandes vinhos do Vale do Curicó e da subdenominação Entre Cordilheiras. Expressão aromática de grande complexidade, com presença de frutas maduras, frutas secas, especiarias e algumas notas refinadas provenientes do envelhecimento em carvalho. Na boca confirma toda a concentração de fruta e apresenta taninos bem maduros e um delicioso frescor, que lhe conferiria uma grande nota no quesito "vontade de continuar bebendo". 

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (17/20)


Acredito que os vinhos La Junta cheguem ao Brasil com condições de mercado bastante favoráveis, pois são vinhos de muita qualidade e personalidade com, aparentemente (e esperançosamente) bons preços, que expressam toda a capacidade do Chile de produzir grandes vinhos com preços muito convidativos.

Que Baco nos ilumine!

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Jorge Rosas, gerente da Ramos Pinto, fala sobre a história da vinícola e do vinho do Porto, durante almoço-aula-degustação no restaurante Trindade, em São Paulo


Falar de Adriano Ramos Pinto no Brasil sempre foi e continua sendo sinônimo de falar de vinho do Porto. É tão natural que houve um momento em que não se pedia um vinho do Porto num restaurante, mas sim um "Adriano", resultado de uma estratégia de marketing genial de um jovem produtor português, que fundou sua própria vinícola no ano de 1880 - com apenas 21 anos - e construiu uma linda história, baseada em grandes ideias e vinho de ótima qualidade, que perdura até hoje pelo mundo.

Foi com a expectativa de ouvir mais sobre esta história e saber mais sobre a evolução da Ramos Pinto ao longo dos anos, que tive o prazer de participar de uma verdadeira aula-degustação de alguns dos rótulos da Ramos Pinto, ministrada por Jorge Rosas, um verdadeiro representante de toda a tradição da vinícola e do vinho do Porto, sobrinho-bisneto do fundador, Adriano Ramos Pinto, e hoje gerente de exportação desta marca que é uma das mais prestigiadas do mundo.


História

Durante a "aula", Rosas contou um pouco sobre a história do vinho do Porto e sobre a fundação da vinícola, dada em 1880 por Adriano Ramos Pinto, que com apenas 21 anos e cheio de ideias inovadoras e planos, decidiu exportar vinhos do Porto para o Brasil.

Possivelmente a maior contribuição de Adriano para a vinícola e para o próprio mundo do vinho, foi a ideia de exportar seus vinhos já engarrafados para cá, algo inédito até aquele momento, já que era mais prático e econômico trazer os vinhos em pipas e engarrafá-los aqui.

É claro que para ter êxito nesta empreitada, Adriano pensou num produto de grande qualidade, desde o próprio vinho, claro, até a escolha das melhores garrafas e de lindos rótulos que pudessem encantar o mercado brasileiro. E foi o que aconteceu.

Para se ter a dimensão do sucesso que a ideia teve do ponto de vista comercial e econômico, os portos Ramos Pinto - embora fossem vendidos por aqui a preços até três vezes maiores que os dos concorrentes -, em pouco mais de 10 anos, já dominavam mais de 50% de todo o mercado de vinhos do Porto da América do Sul.

Entre uma taça e outra de ótimos vinhos, Rosas topou contar um pouco mais sobre a história da Ramos Pinto e dividir com o Vinho SIM um pouco de todo seu conhecimento sobre os vinhos do Douro, num bate-papo descontraído (dividido em três partes), cuja a introdução pode ser conferida no vídeo abaixo. Vale a pena ver.


Inovação


Com tanta história e tradição, pode-se pensar que a Ramos Pinto poderia viver "apenas" da reputação adquirida, mas não foi isso que aconteceu.

A contribuição para o mundo do vinho está no sangue da vinícola e, neste sentido, a Ramos Pinto iniciou, em meados da década de 1970, uma grande pesquisa científica com as castas do Douro, que culminou na escolha das 5 "melhores", as mais adaptadas à região e com vocação para a produção de vinhos de grande qualidadeTouriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca, Tinta Roriz e Tinta Cão, que hoje são usadas por quase todas as vinícolas da região, tanto na produção dos Portos, quanto na produção dos vinhos "Douro", os vinhos "tranquilos" de denominação de origem controlada.

Hoje pode-se afirmar com tranquilidade, que a Ramos Pinto é umas das grandes responsáveis pela modernização que temos observado nos vinhos portugueses ao longo dos últimos anos. 

Vinhos

Durante este encontro, pude provar alguns dos rótulos trazidos ao Brasil pelas mãos da importadora Franco-Suissa (visite o site), todos de ótima qualidade e que serão comentados em breve aqui no Vinho SIM.

Da esquerda para a direita: Duas Quintas Reserva 2008, Duas Quintas DOC 2010, RP Porto Reserva ("Adrianinho"), RP 10 Quinta da Ervamoira (10 anos)

A agradável conversa com Jorge Rosas rendeu outros vídeos, em que o português me contou sobre o futuro da Ramos Pinto, a produção de vinhos orgânicos e deu dicas sensacionais sobre harmonizações com vinhos do Porto, que estarão disponíveis aqui no Vinho SIM nos próximos dias. Sou suspeito para falar, mas são realmente imperdíveis.

Deixo aqui meus agradecimentos ao Jorge Rosas pelo ótimo papo e ao restaurante Trindade (Rua Amauri, 328 - Itaim Bibi - São Paulo - Telefone: 3079-4819) pela recepção.

Que Baco nos ilumine!

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Wine Bar: As novas subdenominações de origem do Chile

 

Na quarta-feira dia 07/08 tive o prazer de participar do Winebar, uma degustação ao vivo na internet (winebar.com.br), organizada por Daniel Perches e Alexandre Frias, que reúne diversos blogueiros e enófilos dispostos a trocar experiências e debater sobre uma seleção de vinhos envolvendo algum tema deste mundo tão fascinante. É literalmente uma confraria virtual.

O tema desta semana foi "Subdenominações de Origem do Chile", parte da campanha da Wines of Chile no Brasil para divulgar um novo formato (implantado no Chile em meados de 2011) de divisão do território chileno em três partes, chamadas de Costa, Entre Cordilheiras e Andes.

Para nos guiar nesta aula-degustação, o Winebar desta semana contou com as presenças de representantes da Ventisquero (Nicolas Torres) e da Concha y Toro (Michele Carvalho), assim como o enólogo da Miguel Torres (Horacio Fuentes), além do âncora, Daniel Perches.

O mais interessante desta nova divisão do território chileno está na orientação. A divisão em "fatias" horizontais (os vales) permanece inalterada, mas agora também temos as divisões em três "fatias" verticais, algo bem inusitado para um país com comprimento de mais de 4000km, mas cuja largura média fica em torno dos 200km. E é justamente aí que está a grande sacada.

O Chile, que possui a Cordilheira dos Andes em toda sua extensão leste, possui também uma segunda cadeia de montanhas, denominada Cordilheira da Costa que, embora não possua a mesma altitude dos Andes, em alguns trechos pode ultrapassar os 2000m de altitude sobre o nível do mar e encontra-se a poucos quilômetros do Oceano Pacífico.

Não seria difícil então perceber que a probabilidade destas regiões gerarem vinhos com características únicas seria muito grande. Constatado isso, a nova divisão foi estabelecida.

O vídeo da Wines of Chile, apresentado no Winebar é muito didático e ilustrativo. Clique aqui assistir ao vídeo. Vale a pena.

Para ilustrar as características de cada região, foram selecionados 5 rótulos das três novas subdenominações.




Da subdenominação Costa, foram selecionados o espumante Santa Digna Estrelado Rosé, da Miguel Torres, o Pinot Noir Reserva 2011, da Viña Ventisquero e o Terrunyo Sauvignon Blanc 2011, da Concha y Toro.


Muito interessante notar que realmente os três vinhos, de vinificação completamente diferente - o primeiro (à esquerda) é um espumante rosado produzido com a casta local País, o segundo (centro) um tinto de Pinot Noir e o terceiro (à direita) um branco de Sauvignon Blanc, possuem como características, marcadas pela região, o excelente frescor e uma certa mineralidade, devidos aos ventos frios provenientes da corrente de Humboldt, que nasce na Antártida e banha a costa do Chile, baixando consideravelmente a temperatura média local.


Da subdenominação Entre Cordilheiras, foi selecionado o clássico Terrunyo Carmenère Cuartel 47, safra 2007, da Concha y Toro.


O carmenère da linha Terrunyo - que durante algum tempo foi considerada a principal da Concha y Toro, responsável, inclusive, por diversas premiações da vinícola -, produzido com uvas do Vale do Cachapoal, é um vinho que vem mantendo sua grande forma safra após safra. E esta não foi diferente, contemplando-nos com um vinho de grande concentração de aromas, paladar complexo e de excelente estrutura.  

Trata-se aqui, não só de um grande vinho da nova subdenominação Entre Cordilheiras, mas também de um grande vinho do Chile e, justamente por isso, confesso que não consegui chegar a qualquer conclusão sobre a região em si. Senti falta de algum outro exemplar, preferencialmente que diferisse deste de alguma forma (produção, tipo de casta, ...) para poder comparar e procurar algo que caracterizasse a região, como aconteceu no caso da subdenominação Costa.

Por outro lado compreendo que este já foi um Winebar com 5 vinhos e a inserção de outros mais poderia dificultar bastante a prática da degustação e mesmo a troca de ideias entre os participantes.


Finalmente a terceira subdenominação da noite: Andes, que trouxe como representante o Pérez Cruz Cabernet Sauvignon Reserva 2011, um dos bons chilenos em termos de relação qualidade-preço no mercado brasileiro.


O mais interessante desta nova subdenominação, ao meu ver, está na influência que o clima e o solo exercem sobre as videiras.

Muito embora a localização ao pé dos Andes não seja única no mundo - uma vez que Mendoza também disfruta deste privilégio da natureza -, o solo, a posição das montanhas em relação ao sol, o clima seco, a elevada drenagem - proporcionada por grandes concentrações de pedra no solo -, dentre outros, tornam esta região muito interessante e, possivelmente, uma das mais predispostas no mundo ao cultivo de vinhedos orgânicos e biodinâmicos.
Com relação à prova deste vinho, tive uma dificuldade parecida com a que escrevi na subdenominação Entre Cordilheiras. A falta de um vinho para poder comparar e buscar características em comum em vinhos diferentes torna a descrição da região algo impossível.


De qualquer forma, este foi um Winebar muito interessante. A mescla de uma boa condução, ótimos convidados, tema interessante e bons vinhos tornou a participação muito prazerosa.

Deixo aqui meu agradecimento pelo convite e

que Baco nos ilumine!

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Tá chegando! Próxima 5ª feira, 15/08, Degustações da Vila, um dos eventos mais bacanas de São Paulo!


Vem aí a 2ª Edição de um dos eventos mais charmosos de São Paulo: o Degustações da Vila, organizado pela Enoteca Cavatappi.

A primeira edição do evento foi um grande sucesso de público e crítica, proporcionados por toda a simpatia dos anfitriões Camilla e Renê, além de excelentes vinhos harmonizados com diversas opções de "comidinhas", delicadamente selecionadas para a melhor harmonização com os vinhos do evento e estrategicamente separadas em "ilhas" gastronômicas. Sobrou capricho.

Como em time que está ganhando não se mexe, a organização manteve o formato e mais uma vez a renda será revertida para a APAE.

Degustações da Vila - 2ª Edição
Onde? Imperatriz Villa Bar - R. Passo da Pátria, 1673 - Vila Leopoldina - São Paulo.
Quando? Próxima 5ª feira, 15/08/2013 das 19h às 23h.
Quanto? R$ 160,00 / convite.

Informações diretamente na Enoteca Cavatappi, que fica na 1476 da Rua Carlos Weber (Vila Leopoldina), através do telefone 
2337-4138 ou ainda do e-mail info@cavatappienoteca.com.br.


Espero vê-los por lá e

que Baco nos ilumine!

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Ice Wine de Mendoza? Isso mesmo: Las Perdices Ice 2010!

 

Com clima bastante seco e invernos bem rigorosos, Mendoza - Argentina sempre me pareceu uma região apta a, pelo menos, tentar a produção dos vinhos classificados no mundo como "Icewines" ("vinhos do gelo"), mas, ao mesmo tempo, os produtores nunca me pareceram empolgados com aeste possibilidade. Parece que começaram a mudar de ideia.

Comprei este vinho durante uma visita à vinoteca Lo de Joaquin Alberdi, em Buenos Aires, quando solicitei uma opção de vinho de sobremesa diferente dos botritizados que comumente encontramos no mercado. Na época o vinho ainda não estava no Brasil, mas pouco tempo atrás encontrei-o numa loja aqui em São Paulo, motivação que me faltava para escrever este post.

Produzido pela Viña Las Perdices (que tem no seu nome uma homenagem à grande quantidade de perdizes que habitavam os arredores da região onde seriam cultivados os vinhedos na chegada de seu fundador, Don Juan Muñoz!), uma vinícola familiar localizada em Agrelo - Luján de Cuyo – Mendoza, aos pés dos Andes e a mais de 1000m de altitude acima do nível do mar, este vinho é realmente diferente.

Apesar do nome Icewine, a produção das 6000 garrafas é diferente do método empregado pelos criadores desta ideia, os austríacos e os alemães, com seus espetaculares eisweins. No caso deste mendocino, o vinho é desenvolvido a partir de uvas Malbec resfriadas por vários dias até chegar a temperaturas inferiores a -8ºC, valor no qual a água começa a formar cristais de gelo. Atingida esta temperatura, as uvas são prensadas e obtém-se um mosto concentrado com relação aproximada de 8kg/L.

Com teor alcóolico de 11,5% e 170g/L de açúcar residual o Las Perdices Ice Wine 2010 tem uma coloração vermelho cereja (a foto saiu um pouco escura) com ótimos brilho e limpidez. No nariz mostrou notas de frutas vermelhas maduras e algum toque de ervas finas. Na boca também apareceram as frutas vermelhas maduras. A proposta do vinho é interessante, mas confesso que senti falta de um pouco mais de acidez, o que o deixa com final um pouco enjoativo. Média persistência.

É um bom acompanhamento para sobremesas e para queijos azuis, onde sua doçura será mais equilibrada pela mescla de sabores.

R$ 125,00 (Bodegas) Álcool 13,5%

Avaliação Vinho SIM: BOM (13/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: RUIM

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Degustação de rótulos inusitados no Empório Húngaro, em São Paulo


Na tarde do último sábado, dia 03/08, o Empório Húngaro, localizado na zona sul de São Paulo, apresentou alguns de seus vinhos de importação exclusiva, numa degustação bem intimista, que contou com a presença de clientes e alguns convidados.

Minha relação com os vinhos húngaros, até então, se restringia aos Tokaji Aszú, dos quais sou fã declarado. Fui positivamente surpreendido.

A Hungria possui em torno de 20 regiões vinícolas que produzem, além dos famosos Tokaji Aszú (o vinho mais "famoso" por aqui), uma grande diversidade de brancos, tintos e espumantes, produzidos tanto com castas internacionais, quanto com castas autóctones pouco difundidas por aqui, como as que foram colocadas à prova no sábado.

Da esquerda para a direita: St. Isván 2011 [Olaszrizling], Royal Tokaji 2010 [Furmint], Mátrai 2009 [Cabernet Sauvignon + Kékfranko], Mátrai 2011 [Cabernet Sauvignon + Cabernet Franc] e Royal Tokaji Aszú 5 Puttonyos
A degustação contou contou com 5 rótulos, dos quais 2 me chamaram bastante atenção.


Szent István Korona - Olasrizling - 2011


Produzido com 100% Olaszrizling que é, nada mais nada menos, que a internacional Riesling escrita na língua local, este vinho é um vinhos sem grandes pretensões em termos de complexidade, mas a ótima presença de frutas cítricas, tanto no nariz quanto na boca, e uma acidez crocante o tornam muito interessante. Bem diferente da maioria dos rieslings minerais (que eu eu também gosto muito!) que encontramos no mercado brasileiro. Além disso é um vinho que custa menos de R$ 30,00 (no sábado custava R$ 25,00) o que o posiciona, certamente, como uma ótima compra. Comprei algumas garrafas para prová-las com comida japonesa. Em breve, conto como foi a harmonização.


Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (14/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA


Royal Tokaji Aszú 2008 - 5 Puttonyos


Era de se esperar que o grande vinho húngaro deveria se destacar na degustação. E não deu outra.
Como em todos os vinhos Aszú, as três cepas usadas na produção deste néctar são Furmint, Hárslevelű e Muscat de Lunel, que conferem ao vinho sabores como mel, damasco secos e casca de laranja seca, perfeitamente equilibrados por uma excepcional acidez. A garrafinha de 250mL foi vendida no sábado a R$ 80,00, mas tem preço normal de R$ 120,00. Não é barato, mas vale cada gole.

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (17/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: BOA.


Os demais vinhos também valeram a prova, mas, ao meu ver, não se destacaram tanto. Certamente serão tema de posts futuros.

O Empório Húngaro fica na Rua da Paz, 956 - Chácara Santo Antônio, em São Paulo. Para quaisquer informações é só ligar no (11) 5181-6298 ou enviar um e-mail para contato@emporiohungaro.com.br.

Que Baco nos ilumine.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Anota aí: São Paulo recebe em agosto o Circuito Brasileiro de Degustação!


Depois de passar por diversas cidades pelo Brasil, o Circuito Brasileiro de Degustação 2013 chega à São Paulo, nos dias 23 e 23 de agosto.

O evento de 2012 foi bastante interessante, principalmente pela ótima oportunidade de conversar com os produtores presentes a respeito das salvaguardas (relembre) - que até o dado momento não tinha uma solução - e verificar in loco a angústia de alguns com o tema. Felizmente o assunto se encerrou e (aparentemente) de forma satisfatória para a maioria.

Sempre interessante também é a oportunidade de conhecer novos produtos e novas safras de vinhos já consagrados no mercado. Relembre os TOP 5 do CBD 2012.

O evento deste ano será no Centro Fecomercio de Eventos e para participar basta confirmar presença com a Cintia Silva pelo telefone (11) 3141-9440 ou pelo e-mail cintia.silva@exponor.com.br.


Vejo vocês lá e
que Baco nos ilumine!

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Vinhos da Áustria no Weinstube!


Na noite da última terça-feira, dia 30/07, a The Special Wineries (TSW) apresentou alguns de seus rótulos num evento/degustação que já está se tornando tradição em São Paulo: o Weinprobe do restaurante Weinstube, no Club Transatlântico, em São Paulo, que ocorre sempre na última terça-feira de cada mês e é gratuito, basta confirmar presença  

A degustação foi dirigida pelo especialista em vinhos austríacos, Maurício Rodrigues e iniciou com uma verdadeira aula sobre a Áustria, que passeou pelas regiões produtoras, as castas tradicionais e vinícolas até chegarmos aos vinhos que seriam provados na noite.



Quem é a Áustria no mundo vitivinícola?

A Áustria é um produtor dos mais interessantes, com mais de 6000 vinícolas, das quais aproximadamente 350 possuem autorização da rigorosa fiscalização do país para exportar seus produtos.

E por que não encontramos muitos vinhos austríacos no nosso mercado? Simples, 70% de toda a produção é consumida internamente, o que coloca o país entre os 10 maiores consumidores per capita de vinho no mundo. Se contabilizarmos o consumo de cerveja e destilados, a Áustria passa para o primeiro lugar em consumo per capita no mundo!

O mapa vitivinícola da Áustria é dividido basicamente em 4 grandes regiões:
  • Niederösterreich (amarelo no mapa abaixo): especializada em vinhos brancos, onde reina a grande uva austríaca, a Grüner Veltliner.
  • Burgenland (vermelho): de onde vêm grandes tintos e vinhos doces, com grande destaque para as castas Sankt Laurent - uma derivada da Pinot Noir que produz vinhos muito frutados e perfumados - e a Gelber Muskateller, conhecida mundialmente como Muscat Amarela.
  • Steiermark (verde): considerada a Toscana austríaca, referência que não tem nenhuma relação com seu terroir, mas sim com a produção majoritária de castas internacionais.
  • Wien (Viena) (azul): onde se localiza grande parte das vinícolas cuja produção tem um carácter mais comercial, não em sentido pejorativo, mas sim no sentido de volume, com vinícolas cuja produção é muito maior que a média das demais.


Num mundo cada vez mais globalizado e, especialmente em relação ao mundo do vinho, cada vez mais padronizado é interessantíssimo conhecer vinhos de um país cujos produtores preservam, cultuam e priorizam a produção com castas autóctones, que nos dá a possibilidade de provar vinhos únicos, que expressam aquilo que eu, como estudioso e apaixonado por vinhos mais tenho buscado: personalidade e tipicidade!

Neste cenário, a grande estrela é a Grüner Veltliner, que reina principalmente em Weinviertel - maior região vinícola da Áustria e a primeira denominação de origem (que na Áustria é denominada "DAC") da nova legislação implantada em 2003 -, pertencente a Niederösterreich (região em amarelo no mapa acima), mas também é encontrada em diversas outras sub-regiões, sendo a responsável por 60% de toda a produção austríaca.

A casta produz vinhos dos mais variados estilos, desde os jovens frutados, passando pelos mais estruturados, com grande potencial de guarda, até chegar a vinhos de sobremesa, mas sempre com predominância de sua característica principal, o toque apimentado, que remete àquela que é possivelmente sua "mãe", a Traminer.

Chama a atenção também o fato de muitos produtores (como foi o caso dos apresentados nesta degustação) conduzirem seu trabalhos com vinhedos biodinâmicos, na busca por uma produção sustentável o que eleva ainda mais o padrão de pureza e qualidade dos vinhos.

Degustação


Após a ótima introdução sobre a Áustria, passamos para a prova dos vinhos, onde foram apresentados 5 rótulos, de sub-regiões de Niederösterreich (Kamptal DAC e Carnuntum) e Burgenland.


Da esquerda para a direita, Loimer - Lois 2011 [Grüner Veltliner] (R$ 97,30), Wenzel 2009 [Gelber Muskateller] (R$ 97,30), Juris Rosé 2011 [Sankt Laurent] (R$ 97,30), Markowitsch 2010 [Rubin Carnuntum] (R$ 96,00) e Prieler Johanneshohe 2008 [Blaufrankisch] (R$ 131,70).


A prova atendeu às expectativas criadas durante a "aula" inicial. Realmente os vinhos são muito interessantes, muito diferentes do padrão que o mercado parkerizado vem nos impondo cada dia mais.



Apesar de ter gostado dos cinco vinhos, quero destacar principalmente dois deles, que me agradaram bastante.

Wenzel 2009 [Gelber Muskateller]


O biodinâmico do produtor Wenzel, produzido com uva Gelber Muskateller é (Muscat Amarela) muito intrigante, pois possui um ataque aromático "doce", com muitas notas de lichia madura e florais, mas na boca apresenta-se seco, com uma fantástica mineralidade e acidez crocante. Elegante. A principal sugestão de harmonização fica por conta dos preparos agridoces, com destaque aqui para os pratos da culinária indiana e tailandesa.

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (16/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: BOA


Juris Rosé 2011 [Sankt Laurent]


Este para mim foi o grande destaque da noite.
Também biodinâmico, produzido pelo produtor Juris com a uva Sankt Laurent - uma possível derivada da Pinot Noir - este é um rosé bem diferente da maior parte que se encontra em nosso mercado. Uma espécie de meio termo entre os normalmente ótimos vinhos da Provence e os mais encorpados sulamericanos, é um vinho de grande personalidade. A paleta aromática é bastante extensa, com notas de morango e framboesa frescos algum toque apimentado. Na boca é intenso, com excelente equilíbrio entre fruta e acidez e um toque mineral muito interessante. Ótima harmonização para preparos mais sofisticados de frutos do mar ou ainda pratos diversos à base de molhos com boa acidez.

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (17/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA


Resumo da noite: ótima "aula", ótimos vinhos e ótima recepção proporcionada pelo Weinstube.


Para quem quiser conhecer vinhos diferenciados, fica a dica: toda última terça-feira de cada mês o restaurante realiza sua Weinprobe (prova de vinhos) gratuitamente. Ótimas oportunidades de conhecer vinhos diferenciados e a ótima gastronomia alemã de um dos mais renomados restaurantes do segmento de São Paulo.

Para dúvidas, críticas, sugestões e comentários deixe sua mensagem.


Que Baco nos ilumine!

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