Os melhores espumantes do Brasil - Ranking Vinho SIM 2014 - Categoria BRUT BRANCO - MÉTODO TRADICIONAL (CHAMPENOISE)

Publicado por Blog Vinho SIM em 2.6.14 com Sem comentários
Depois do intenso trabalho para availiar as amostras das categorias Brut Branco – Método Tanque (Charmat), Brut Rosé – Método Tanque, Extra Brut & Nature – Método Tradicional (Champenoise) e Brut Rosé – Método Tradicional, finalmente chegamos à categoria Brut Branco – Método Tradicional, provavelmente a mais esperada pelos avaliadores, já que, na 1a Edição do RVS foi a categoria com esoumantes mais bem pontuados.

Este ano, houve a inscrição de 23 amostras de 20 vinícolas diferentes nesta categoria, um aumento de 27% em relação ao mesmo número do ano passado e, como já acontecera em 2013, novamente agradaram bastante.

Vale ressaltar que 70 vinícolas brasileiras foram convidadas, mas muitas delas nem sequer se deram ao trabalho de responder ao convite, assim como algumas delas se recusaram a participar por motivos diversos.

Assim como já acontece em alguns dos principais concursos do mundo e atendendo as sugestões de alguns jurados e também de alguns produtores, neste ano somente serão divulgadas as notas/avaliações dos espumantes que se destacaram entre os mais representativos de cada categoria, sendo adotado como “nota de corte” um mínimo de 15 pontos, o que correspondeu a algo em torno de 25% das quase 80 amostras avaliadas, sendo os resultados completos enviados individualmente por e-mail aos produtores.

Que fique claro que o objetivo desta conduta não é de forma poupar determinadas amostras de críticas, mas sim evitar especulações errôneas no que diz respeito à classificação dos vinhos em uma ordem que não necessariamente é fiel à qualidade.

Para a melhor compreensão do que foi este 2a Edição do RVS de Espumantes Nacionais, bem como o completo entendimento das regras do evento, como critérios de avaliação, painel de jurados, local, dentre outros, é altamente recomendada a leitura DESTE POST, onde todos estes e mais alguns detalhes foram descritos com todo o cuidado que a prova exige.

CATEGORIA BRUT BRANCO – MÉTODO TRADICIONAL (CHAMPENOISE) - AMOSTRAS MAIS REPRESENTATIVAS


Vinho / Produtor
Região
Uvas
$ médio
Nota
1
Bueno Cuvée Prestige 2011
Garibaldi - RS
Ch e PN
R$ 72,00
16,8
2
Campos de Cima
Campanha Gaúcha - RS
Ch e PN
R$ 39,00
16,0
3
Almaúnica
Vale dos Vinhedos - RS
100% Ch
R$ 45,00
15,9
4
Don Giovanni - Stravaganzza
Bento Gonçalves - RS
Ch e PN
R$ 38,00
15,6
5
Marco Luigi - Grande Reserva
Bento Gonçalves - RS
Ch e PN
R$ 42,00
15,6
6
Dezém Extrus
Toledo - PR
Ch e PN
R$ 44,00
15,6
7
Dunamis 2012
Serra Gaúcha - RS
100% Ch
R$ 50,00
15,6
8
Don Giovanni
Bento Gonçalves - RS
Ch e PN
R$ 50,00
15,6
9
Miole Millésime 2011
Garibaldi - RS
Ch e PN
R$ 75,00
15,6
10
Pizzato 2011
Vale dos Vinhedos - RS
Ch e PN
R$ 53,00
15,3
11
Casa Valduga 130
Vale dos Vinhedos - RS
Ch e PN
R$ 65,00
15,3
12
Perini
Farroupilha - RS
Ch e PN
R$ 45,00
15,1
13
Kranz
Serra do Marari - SC
100% Ch
R$ 40,00
15,0
14
Poesia do Pampa
Dom Pedrito - RS
Ch e SB
R$ 47,00
15,0

1.  Bueno Cuvée Prestige 2011


Estreante no RVS, o espumante da Miolo não apenas se destacou nesta categoria, mas foi a amostra com a maior nota dentre as quase 80 participantes, sendo eleito o grande campeão do RVS 2014. Sua nota média de 16,8 pontos é certamente reflexo do grande equilíbrio entre fruta e acidez, aliado a “um nariz” fantástico, com muitas notas de abacaxi, damasco, além de pão tostado e frutas secas. Cremoso e com boa persistência realmente foi merecedor do resultado por se tratar de um produto de grande qualidade.

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2.  Campos de Cima


A vinícola da Campanha Gaúcha - RS, como eu já havia citado nos comentários da categoria Extra Brut & Nature – MétodoTradicional (Champenoise), menos conhecida no cenário nacional que o merecido, mostra mais uma vez que veio pra ficar. Se não bastasse os destaques na 1a Edição do RVS e recentemente na categoria Extra Brut & Nature, mais um de seus espumantes aparece com destaque em meio a tantos produtos de qualidade. Um combinado harmonioso de fruta madura e seca seduz no nariz, mas o grande destaque desde espumante é o paladar, muito equilibrado, com acidez refrescante e certa complexidade que seduzem desde o primeiro gole. Ótima persistência. A nota média de 16 pontos a um preço de R$ 39,00 o colocam no topo da relação qualidade-preço no mercado nacional. Para mim, imbatível na sua faixa de preço.

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3.  Almaúnica


Mais um estreante que não veio para fazer figuração no RVS.
A jovem vinícola do Vale dos Vinhedos, foi fundada pelos irmãos gêmeos Magda e Márcio Brandelli, filhos de Laurindo (Don Laurindo) e Doracy Brandelli.
Os irmãos pertencem à quarta geração de uma família que chegou ao Vale em 1887, trazendo na bagagem a paixão pelas videiras que perdura até hoje. Após passarem pela vinícola da família, os dois decidem seguir um caminho próprio e fundaram a Almaúnica em 2008.
Este Brut, que já vêm obtendo boas notas em diversas degustações, também se destacou aqui, principalmente pela ótima presença de fruta, além de notas minerais e algum toque animal, denotando boa evolução. Na boca mostrou-se complexo, com ótima cremosidade, bem estruturado e com uma acidez pungente que o torna muito agradável. Excelente no quesito “vontade de continuar bebendo” amealhou a nota média de 15,9 pontos que, aliada ao seu preço médio de R$ 48,00 o tornam uma ótima compra.

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4.  Don Giovanni Stravaganzza


Nos últimos anos os espumantes da Don Giovanni (Bento Gonçalves – RS) tornaram-se sinônimo de boa qualidade, aparecendo sempre entre os melhores em qualquer prova que se realize no Brasil e até no mundo. Confesso que fico um pouco intrigado e até incomodado quando isso começa a acontecer com muita frequência, principalmente porque a vinícola constrói uma reputação (claro que, na maior parte das vezes, merecida) que induz os avaliadores. Acho isso um tanto quanto perigoso e, muitas vezes, injusto com novas marcas que ficam “achatadas” por essas e não conseguem colocar seus produtos em destaque.
Como todos sabem, isso é quase impossível de acontecer aqui no RVS, pois os produtos são avaliados 100% às cegas e nenhum jurado tem qualquer contato com as amostras antes dos espumantes caírem em suas taças.
Infelizmente a Don Giovanni não participou da 1a Edição do RVS e a falta de seus espumantes foi sentida pelos avaliadores, mas desta vez eles tiveram presentes e, ambos os produtos avaliados estão entre os destaques. A curiosidade fica por conta deste Stravaganzza ter conseguido a mesma nota média do Don Giovanni (8), uma espécie de “irmão mais velho” e assim, devido ao seu menor preço médio, ficar à frente na classificação final. A fruta branca doce que aparece no nariz é acompanhada por ótimo frescor proveniente de ótima acidez que o deixam muito gostoso de beber, sempre muito convidativo ao próximo gole.

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5.  Marco Luigi – Grande Reserva


Uma das mais tradicionais vinícolas de Bento Gonçalves – RS, a Marco Luigi é, na minha opinião, também uma das mais “injustiçadas” no mercado nacional. Possivelmente por priorizar a qualidade ao invés de investir muito dinheiro em publicidade, a vinícola acaba não contando com grande aparição na imprensa e seus vinhos, principalmente espumantes – de extrema qualidade – acabam tendo menos apelo que merecem.
Pelo segundo ano consecutivo a vinícola é um dos grandes destaques no RVS, emplacando amostras entre as mais significativas em mais de uma categoria, Brut Branco Tanque e Brut Branco Tradicional.
Este clássico corte de Chardonnay com Pinot Noir, de preço médio R$ 42,00, amealhou a nota de 15,6 pontos o que o coloca como uma das grandes compras do Brasil. No nariz é muito frutado e traz notas de panificação que lhe conferem certa complexidade. Na boca, as notas doces acompanhadas de ótima acidez o tornam muito equilibrado e gostoso de beber. Sem dúvida, em grande espumante nacional.

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6.  Dezém Extrus


Mais uma novidade no RVS 2014, a vinícola paranaense trouxe diversidade para a degustação, com seus espumantes produzidos com uvas próprias da região de Toledo, mostrando que há mais terroirs no Brasil do que imaginamos.
Proveniente da linha Extrus, uma linha de produtos de qualidade superior, este espumante foi um dos mais intrigantes do painel. No nariz, além de muitas notas de fruta madura, aparece também algo especiado, que lembra pimenta e cominho, além das esperadas notas de panificação. Na boca é bastante intenso, com acidez média e final médio-longo. Saboroso e com boa vocação gastronômica. A nota média de 15,6 pontos ao preço de R$ 44,00 o colocam como uma ótima compra mas, principalmente, como um produto a ser provado pela diferença em relação às demais amostras.

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7.  Dumanis 2012


Lançamento, este espumante safrado certamente coloca a vinícola da Serra Gaúcha no mapa dos grandes produtores de espumante do Brasil. É claro que ainda é muito cedo para se fazer esta afirmação, mas sem dúvida este espumante, com nota média de 15,6 pontos, mostra qualidades para figurar neste seleto grupo. Com aromas delicados, seu grande destaque é o paladar, com a cremosidade de frutas maduras permeadas por uma acidez quase crocante, muito interessante para recepções com canapés e entradas à base de queijos macios. No mínimo, interessante.

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8.  Don Giovanni


O empate com seu “irmão mais novo” que, de certa forma surpreende, na verdade mostra a qualidade dos produtos desta vinícola que é uma das mais respeitadas do Brasil. Mais maduro que o Stravaganzza (o “irmão mais novo”), os aromas deste espumante se destacam pela forte presença de frutas maduras e secas, acompanhadas de notas de oxidação, denotando um ótimo amadurecimento, no entanto não apresenta o frescor do anterior. São produtos de estilo diferentes, que ocupam de forma contundente fatias consideráveis (e merecidas) do mercado. Parabéns à Don Giovanni por conseguir colocar dois espumantes entre os melhores do Brasil.

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9.  Miolo Millésime 2011


Um clássico nacional. Assim podemos definir este espumante safrado, da tradicional Miolo que, ano após ano, aparece entre os melhores do Brasil.
Primeiro representante da tradicionalíssima região de Garibaldi a aparecer como destaque nesta categoria, o Millésime 2011 mostrou amplo tanto no nariz, quanto na boca, com boa presença de frutas de polpa branca acompanhadas por toques de mel e notas de pão torrado. Cremoso e de persistência média foi mais uma amostra que atingiu a nota média de 15,6 pontos. Seu “ponto negativo” é o preço médio de R$ 75,00, que não permite que os atributos mostrados durante a degustação o façam uma surpresa.

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10.  Pizzato 2011


Mais um estreante no RVS que chegou marcando território. A vinícola Pizzato, localizada no Vale dos Vinhedos – RS, que já vem obtendo ótimos resultados nos últimos anos com seus vinhos tranquilos – especialmente os produzidos com Merlot – começa a se destacar também com seus espumantes, puxados por este Brut Branco, produção de apenas 5000 garrafas que mostrou, no nariz, notas de frutas de polpa branca, com destaque para pêssegos em calda, acompanhadas de frutas secas, como amêndoas com algum toque de nozes. Na boca mostrou-se bem frutado, com boa acidez e certa cremosidade. Final médio. Sua nota média de 15,3 pontos a preço de R$ 53,00 o colocam como uma boa compra, indicado especialmente para acompanhar pratos à base de peixes mais gordurosos.

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11.  Casa Valduga 130


A vinícola de Bento Gonçalves, que dificilmente passa por uma degustação sem levar algum prêmio, desta vez coloca seu 130 - um dos espumantes mais badalados dos últimos anos - pela primeira vez como destaque no RVS.
Frutas secas e toques de panificação são o maior destaque nos aromas deste exemplar, denunciando os 36 meses de fermentação em garrafa. Na boca é saboroso, com acidez e final medianos.

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12.  Perini


Com amostras destacadas em 3 categorias, com direito ao primeiro lugar na Extra Brut & Nature – Tradicional  e na Brut Rosé - Tanque, a Perini - sem dúvida o grande destaque da Edição 2014 do RVS – se consolida com mais um destaque.
Este espumante, que apresenta aroma levemente frutado e delicado floral tem uma certa rusticidade interessante na boca. Alguma cremosidade e um final médio com leve amargor completam as principais características desta amostra que, com preço de R$ 45,00 pode ser considerado uma boa compra, levando-se em conta sua norta média de 15,1 pontos.

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13.  Kranz


Primeiro representante de Santa Catarina a aparecer nesta categoria, este Brut da vinícola de Treze Tílias é um espumante de estilo bem interessante. Sua coloração tendendo ao dourado e as notas oxidativas que aparecem no nariz podem induzir apreciadores pouco experientes a um julgamento errôneo, supondo um defeito que na verdade é característica de uma evolução muita apreciada por diversas pessoas. Muitas notas de frutas maduras e secas, acompanhadas de panificação mostram certa complexidade. Boa cremosidade e persistência média-longa. Ao custo de R$ 40,00, considero-o imperdível aos apreciadores de espumantes de estilo mais evoluído.

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14.  Poesia do Pampa


O grande campeão da categoria Brut Tanque (Charmat) na Edição 2013 mudou de categoria neste ano. A vinícola da região de Dom Pedrito produziu apenas 4000 garrafas deste espumante que apresentou notas sutis de frutas cristalizadas e panificação no nariz, assim como bom frutado e acidez na boca, o que lhe conferem um bom equilíbrio. Persistência média.

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Conclusões

1. Assim como já havia acontecido em outras categorias, aqui na Brut Branco Tradicional houve uma ligeira queda nas notas médias deste ano em relação às da 1a Edição do RVS, embora a média final de pontos de todas as amostras de 2013 e 2014 tenha sido muito próximas.
2. Além de um aumento de 27% no número de amostras, houve também a presença de 10 novas vinícolas nesta categoria, o que me traz uma imensa alegria. Este grande número de amostras/vinícolas torna esta categoria a mais disputada de todo RVS 2014, sendo as 14 amostras ranqueadas correspondentes a pouco mais de 50% do painel.

E então, depois de meses de um intenso trabalho, o Ranking Vinho SIM de Espumantes Nacionais finalmente está concluído. 

Espero que todos tenham gostado da forma com que as degustações foram conduzidas e da forma com que os resultados foram apresentados.

Sempre à disposição para sugestões, críticas, dúvidas e afins, aguardo o seu comentário aqui em baixo.

Que Baco nos ilumine!


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