Domaine St. Diego (Mendoza - Argentina)

Publicado por Blog Vinho SIM em 25.7.14 com Sem comentários
 

Em meados de julho deste ano (2014) retornei à Mendoza com minha parceira Talita Martinez com o objetivo de organizar uma degustação de espumantes brasileiros e argentinos (Desafio Brasil x Argentina de Espumantes) e conhecer mais algumas vinícolas da Cidade do Sol.
Desde então coletei material com amigos do Brasil, na internet e, principalmente, pedi sugestões à amigos mendocinos. Deste último grupo, a sugestão que mais ouvi foi Domaine St. Diego.

Organizado o plano de visitas, lá estávamos nós na vinícola cujo enólogo principal é também um dos principais nomes da enologia mendocina: Ángel Mendoza, que tivemos a feliz oportunidade de conhecer.

Don Ángel vive o vinho mendocino há diversas décadas, tendo trabalhado como enólogo principal da Bodega Trapiche por longo tempo, período em que sempre nutriu a vontade de produzir seu próprio vinho, projeto que começou a colocar em prática em 1992, quando comprou a propriedade de 3,5ha em Lunlunta, no distrito de Maipu, Mendoza.

O tour à Bodega St. Diego, que é organizado pela Laura, filha do sr. Ángel e responsável pelo turismo da vinícola, é muito instrutivo e interessante, já que há muitas curiosidades e técnicas que são praticamente exclusivas de Don Ángel e seu Domaine St. Diego. Dentre as muitas informações recebidas, algumas nos chamaram bastante atenção. Vejamos algumas.

A vinícola trabalha o vinhedo de forma a ter em cada planta dois níveis de fruta, o primeiro mais abaixo, a uns 50cm do chão e o segundo um pouco mais alto.


Justamente por termos feito a visita no inverno, é possível ver perfeitamente os "braços" das videiras em dois níveis

Laura nos contou que isso se dá por dois motivos. O principal é para aumentar um pouco a produção já que a propriedade não tem mais para onde crescer. O segundo motivo é proteger parte da produção caso haja geadas durante o inverno, pois assim o nível mais alto não se queima e a perda é minimizada.

Outro ponto interessante da visita fica por conta do espaço compartilhado entre videiras e oliveiras, que já estavam na propriedade quando foi adquirida e foram preservadas.


Essa situação causa um pequeno “problema”. As oliveiras fazem sombra em algumas videiras prejudicando o amadurecimento das uvas, mas uma solução muito criativa foi encontrada pelo brilhante enólogo: usar estas uvas para produzir espumantes. Isso mesmo, as uvas que amadurecem menos por estarem em sombras das oliveiras são usadas para a produção de dois espumantes. E será que são bons? Ahhh, o Desafio Brasil x Argentina de Espumantes, idealizado pelo blog Vinho SIM este ano em Mendoza pode responder essa pergunta.

O terceiro ponto interessantíssimo a notar durante a visita é um vinhedo especial implantado numa encosta – provavelmente a única em Mendoza -, com plantas de aproximadamente 20 anos de Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon e Malbec usadas para a produção do Paradigma, um vinho sem passagem por barrica e com guarda estimada em 10 anos.


O quarto e último - é claro que existem muitos outros - ponto interessante é o tipo de comercialização que a vinícola faz de seus vinhos. Para conseguir uma das 35000 garrafas produzidas anualmente há uma única forma: tocar a campainha da propriedade e comprar diretamente na Domaine St. Diego! Os vinhos não são exportados e nem são colocados em vinotecas, restaurantes, empórios, etc a não ser que estes estabelecimentos os comprem diretamente lá, como qualquer outra pessoa.

Terminada a aula sobre vinificação mendocina, partimos para a degustação, onde pudemos provar 4 vinhos, além do azeite que a propriedade também produz.


Domaine St. Diego Brut Elea

Rosado 100% Malbec, produzido pelo método tanque com 8 horas de maceração. Muita fruta fresca, boa acidez e boa cremosidade.
Preço Argentina: 90 pesos na bodega. 
Nota: 14/20

Pura Sangre Brut Xero

Espumante produzido pelo método tradicional (18 meses de contato com as borras) com 30% Chardonnay e 70% Blanc de Noir Malbec com uvas de vinhedos com mais de 100 anos e leveduras indígenas, prduzidas na prória vinícola. Nariz muito perfumado, com toques de flores e frutas tropicais, além de alguma presença de cereja. Na boca tem ótima integração acidez-fruta e cremosidade. Um final que lembra um amargor típico de casca de laranjas. Lembra muito um cremant.
Preço Argentina: 90 pesos na bodega.

Paradigma 2010

Corte de 60% Malbec, 20% Cabernet Franc e 20% de uma parcela única da propriedade (encosta) e sem passagem por barricas de carvalho.
O nome Paradigma, segundo Don Ángel, vem da ideia de se quebrar o paradigma de que grandes vinhos devem ter, necessariamente, passagem por barricas.
O destaque deste vinho é conjunto de frutas vermelhas e negras, entre frescas e maduras, com uma bela acidez e um toque de rusticidade bastante interessante, que o tornam um vinho único, cheio de personalidade. Segundo o enólogo, possui um potencial de guarda de 10 anos.
Nota: 16,5/20
Preço Argentina: 90 pesos na bodega (TOP 10 Mendoza na relação qualidade-preço)

Pura Sangre 2009

Corte de 80% Malbec + 20% CS com 2 anos de passagem por barricas de 2º, 3º e 4º uso.
Nariz um pouco tímido com notas defumadas/salgadas e algo animal. Na boca é muito agradável, ocupando todos os espaços com bastante fruta e elegância. Boa acidez e final longo.
Nota: 16/20
Preço Argentina: 90 pesos na bodega (TOP 10 Mendoza na relação qualidade-preço)

Por que visitar?

- Oportunidade de conhecer a história do sr. Angel Mendoza na vitivinicultura mendocina.
- Único vinhedo de Mendoza plantado numa encosta (100% das uvas usadas na produção do Paradigma).
- Provar espumantes produzidos com Malbecs plantadas embaixo de oliveiras.
- Comprar vinhos que não estão no Brasil.

 Veja como é feita esta avaliação

Produção anual: 35 mil litros
Importador no Brasil: não possui.

Que Baco nos ilumine!
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