O vinho brasileiro evolui bem? [Lídio Carraro Grande Vindima CS 2004]

Publicado por Blog Vinho SIM em 30.7.14 com 1 comentário


A história do vinho no Brasil se confunde com a própria história do país, com relatos de videiras plantadas no início do século XVI na capitania de São Vicente, mas isso não significa (nem de longe) que muita coisa de interessante tenha sido produzida por aqui ou mesmo que tantos anos de "prática" tenha nos tornado um produtor de excelência. Pelo contrário.

O que aconteceu de fato foram anos e mais anos de uma produção estagnada em termos de evolução na qualidade e alguns passos que começam a ser dados nos anos 1980 e que viram saltos mesmo já no início dos anos 2000.

De lá pra cá se passam menos de duas décadas de uma produção que vem visivelmente melhorado a cada ano e que se depara, de forma iminente - e cada vez mais -, com a dúvida: o vinho brasileiro evolui bem? Tem potencial de guarda?

Como responder esta pergunta?

Diferentemente do que vem fazendo Chile e Argentina, no Brasil ainda não vejo um movimento organizado (que obviamente deveria partir das próprias vinícolas) para promover degustações verticais que poderiam fornecer subsídios para onde se poderia criar elementos para uma resposta, se não definitiva, pelo menos significativa.

Enquanto isso não acontece, nós do Vinho SIM, como grandes admiradores dos vinhos do nosso país, vamos apresentar alguns resultados/comentários de degustações de vinhos da nossa adega pessoal.

O primeiro vinho desta série será o Lídio Carraro Grande Vindima Cabernet Sauvignon 2004., que foi o nosso escolhido para iniciar esta série por um motivo em especial: é um vinho sem passagem por barrica.

Este CS, com uvas de Encruzilhada do Sul, mostrou-se vermelho rubi com com tons acastanhados. Mostrou potentes aromas de frutas negras maduras, notas balsâmicas, animais, de caixa de charutos, além da clássica "folhas de uva em conserva", típica dos vinhos do Sul do país. Na boca ainda é vivo, com um conjunto fruta-acidez muito harmonioso. Final de média duração, mas muito agradável. No auge dos seus 10 anos de idade, creio que ainda tenha potencial para evoluir mais.
Certamente um dos grandes exemplares já produzidos no Brasil.

REFINADO (18/20) 

Vem mais por aí. Acompanhe.

Que Baco nos ilumine!
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