quarta-feira, 30 de abril de 2014

Lançamento do Dunamis Tannat 2012

 

Por Talita Martinez
(colunista do Vinho SIM)

Na noite da última quarta-feira (16/04) foi realizado no estúdio YB Music, em São Paulo, o lançamento do novo vinho da vinícola Dunamis, o Tannat 2012.

A ocasião foi uma ótima oportunidade de conhecermos os jovens enólogos da Dunamis, Thiago Peterle e Vinicius Cercato, e assim entender um pouco mais do conceito do vinho e, principalmente, do porquê de lançar ao mercado um Tannat, com tantas ótimas opções do Uruguai à disposição.

Segundo os enólogos, as primeiras parreiras de Tannat na propriedade em Campanha - RS foram plantadas em 2002, e desde então houve várias tentativas de produzir esse varietal, mas, ano a ano, muitos problemas foram enfrentados, como geadas, chuvas, safras não tão boas, até que finalmente a safra 2012 conseguiu ser adequada aos objetivos da vinícola: produzir um vinho com personalidade, com características próprias, diferente dos famosos Tannats dos nossos vizinhos.

A ideia de um Tannat descompromissado, que pode ser bebido a qualquer hora e em qualquer ocasião, é interessante, pois trata-se de uma uva peculiar, que geralmente leva a vinhos muito fortes e estruturados. Antes de provar o vinho, a dúvida que surgiu foi se esse vinho conseguiria manter a tipicidade da uva, dada a intenção de ser um vinho “fácil”.

O Dunamis Tannat 2012 passou 12 meses em barricas de carvalho americano e mais um ano em garrafa e chega ao mercado recebendo prêmio, ganhou a medalha de ouro no VII Concurso Internacional de Vinhos do Brasil, realizado de 8 a 11 de abril, em Bento Gonçalves.

Depois de entender um pouco do conceito do vinho, finalmente chegou a hora de prová-lo.

O momento foi bastante especial, pois o evento, que teve a sempre ótima organização da CH2A Comunicação, não se restringiu a uma prova do vinho e nos presenteou com uma fantástica apresentação musical: a indicada na categoria "Melhor cantora" ao Prêmio da Música Brasileira 2014, Blubell, acompanhada do saxofonista Hugo Hori, nos brindaram com um lindo show.

Thiago Peterle e Vinicius Cercato apresentam seu lançamento enquanto a cantora Blubell e o saxofonista Hugo Hori se preparam para a apresentação musical que viria a seguir

conclusão após a prova: o Tannat 2012 não é um vinho "fácil". Apesar de mais "leve" que a grande maioria dos Tannats encontrados no nosso mercado, ainda continua sendo um Tannat e, portanto, é bastante intenso. No nariz mostrou boa presença de frutas negras maduras e algum aroma que remete à couro, evidenciando ser um vinho brasileiro. Na boca, confirma bom frutado equilibrado por uma acidez presente, viva, e taninos macios. Apareceu também uma pontinha de amargor ao final, mas nada que atrapalhe sua harmonia. É certamente um vinho para acompanhar um bom churrasco, que deve agradar o público em geral.

A seguir, uma pitadinha do que foi o show da Blubell e Hugo Hori.


Perguntas, sugestões, críticas e afins, deixe seu comentário abaixo.


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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Os melhores espumantes do Brasil - RVS 2014 - Categoria BRUT ROSÉ - MÉTODO TRADICIONAL (CHAMPENOISE)


Seguindo os trabalhos no 2o dia de avaliações, passamos às avaliações dos espumantes da categoria Brut Rosé – Método Tradicional.

Este ano, houve a inscrição de 5 amostras nesta categoria, praticamente o mesmo número do ano passado e, como já acontecera em 2013 e também com os rosés produzidos pelo Método Tanque (Charmat) neste ano, esta categoria também agradou, novamente com espumantes cheios de personalidade, produzidos com cortes muito particulares, mais uma demonstração de coragem e ousadia dos nossos enólogos, muitas vezes tão criticados - por mim, inclusive - por vinhos previsíveis e cada vez mais padronizados.

Confesso que estava bastante curioso com esta categoria, já que as 4 amostras avaliadas da  Edição 2013 do RVS de Espumantes Nacionais (relembre) tiveram um ótimo desempenho.

Para quem não ainda não leu, lembro que para melhor compreensão do que foi esta 2a Edição do RVS de Espumantes Nacionais, bem como o completo entendimento das regras do evento, como critérios de avaliação, painel de jurados, local, dentre outros, é altamente recomendada a leitura DESTE POST, onde todos estes e mais alguns detalhes foram descritos com todo o cuidado que a prova exige.

Ressalto novamente que 70 vinícolas brasileiras foram convidadas para o RVS, mas muitas delas nem sequer se deram ao trabalho de responder ao convite, assim como algumas delas se recusaram a participar por motivos diversos.

Assim como já acontece em alguns dos principais concursos do mundo e atendendo as sugestões de alguns jurados e também de alguns produtores, neste ano somente serão divulgadas as notas/avaliações dos espumantes que se destacaram entre os mais representativos de cada categoria, sendo adotado como “nota de corte” um mínimo de 15 pontos, o que correspondeu a algo em torno de 25% das quase 80 amostras avaliadas, sendo os resultados completos enviados individualmente por e-mail aos produtores.

Que fique claro que o objetivo desta conduta não é de forma poupar determinadas amostras de críticas, mas sim evitar especulações errôneas no que diz respeito à classificação dos vinhos em uma ordem que não necessariamente é fiel à qualidade. 

CATEGORIA BRUT ROSÉ – MÉTODO TRADICIONAL (CHAMPENOISE) - AMOSTRAS MAIS REPRESENTATIVAS


Vinho / Produtor
Região
Uvas
$ médio
Nota
1
Valmarino
Pinto Bandeira - RS
Sa e PN
R$ 35,00
15,4
2
Casa Valduga Blush 25 2011
Vale dos Vinhedos - RS
Ch e PN
R$ 45,00
15,3
3
Poesia do Pampa 2012
Don Pedrito – RS
Ge e PN
R$ 52,00
15,1

Em que

Sa: Sangiovese,
PN: Pinot Noir,
Ch: Chardonnay e
Ge: Gewürztraminer.

1.  Valmarino


A vinícola de Pinto Bandeira que já havia emplacado seu Valmarino & Churchill entre os melhores da categoria Extra Brut & Nature (relembre), “estreou com os dois pés direitos” no RVS. A consistência dos espumantes da Valmarino já não é de hoje, com produtos sempre destacados no mercado, mas este rosé realmente chama bastante à atenção. Primeiramente pelo corte de Sangiovese com Pinot Noir (será que existe outro espumante no mundo com esta combinação?) e depois pelo preço de R$ 35,00, o que o coloca, sem nenhuma dúvida, como uma das grandes compras no mercado brasileiro.
A descrição-resumo do painel de degustadores destacou aromas florais com toques de frutas vermelhas. Boca macia, redonda, com acidez na medida certa. Final sem amargor, limpo e de média persistência.

**** $$$


2.  Casa Valduga Blush 25


Um dos poucos “veteranos” de toda a prova que se manteve como destaque nas duas edições do RVS, o que mostra a consistência deste espumantes, avaliado ano passado em sua safra 2008 e este ano em sua safra 2011.

Não é novidade pra ninguém que a Casa Valduga é uma das principais vinícolas nacionais e produz espumantes que a cada dia cativam mais o mercado e este rosé com 25 meses de contato com suas borras já se mostra imediatamente após ser despejado na taça, com aromas suaves frutas vermelhas e uma pitada de pimenta. Intrigante e sedutor. Na boca apresenta-se leve, com boa acidez e equilibrado, além de boa persistência. O custo médio de R$ 45,00 é bastante convidativo.

**** $$$


3.  Guatambu – Poesia do Pampa Rosé


Outra vinícola que apresenta grande consistência com seus espumantes – o Poesia do Pampa Branco, por exemplo, foi o grande vencedor da categoria Brut Branco - Tanque da 1a Edição do RVS (relembre) -, a Guatambu, da região de Don Pedrito, na Campanha Gaúcha, acabou de lançar ao mercado seu Poesia do Pampa Rosé e o espumante “chegou chegando”, de cara já sendo destacado em meio a diversos produtos já consagrados no mercado. O corte de Gewürztraminer com Pinot Noir é, pelo menos para mim, muitíssimo inusitado e não conheço outro espumante produzido assim no mundo, o que já torna sua prova algo interessante, mesmo ao (não tão barato) custo médio de R$ 52,00.
A avaliação do painel destacou notas de morangos frescos e lichia na paleta aromática, boa fruta vermelha fresca e acidez viva na boca, assim como ótimo equilíbrio e persistência. Macio na boca, gostoso de beber.

*** $$$$

Conclusões

1. Houve uma ligeira queda nas notas médias deste ano em relação às da 1a Edição do RVS, entretanto a diferença entre a maior e a menor nota média entre todas as amostras de 2013 e 2014 foram muito próximas.
2. Neste ano tivemos a inscrição de amostras de 1 nova vinícola nesta categoria, o mesmo aumento no número de amostras. Parece pouco, mas para um “universo” tão pequeno, isto já representa 20% de aumento.
3. Assim como na categoria Brut Rosé Tanque (relembre), nesta categoria também apareceram produtos bem diferentes, onde a ousadia e criatividade se afloraram trazendo boas perspectivas de produtos cheios de personalidade para os próximos anos.

Repetindo as conclusões do artigo Brut Rosé – Método Tanque, fiquei bastante feliz com os resultados desta categoria e gostaria de deixar público meus parabéns por toda coragem dos nossos enólogos em produzir espumantes com tanta personalidade.

Durante o ano, acompanharei os lançamentos de mais produtos desta categoria no mercado, sempre trazendo novidades e informações aqui no Vinho SIM.

Nos próximos dias o resultado das categoria Brut Branco – Método Tradicional estarão disponíveis aqui, bem como artigos com os destaques gerais, destaques na relação qualidade-preço e considerações gerais acerca dos espumantes nacionais.

Perguntas, sugestões, críticas e afins, deixe seu comentário aqui em baixo.

Que Baco nos ilumine!


Matérias relacionadas (demais resultados):

 RVS 2014: Brut Branco - Método Tanque

 RVS 2014: Brut Rosé - Método Tanque

  RVS 2014: Extra Brut & Nature - Método Tradicional

sábado, 26 de abril de 2014

Vinho SIM completa 2 anos!

Neste mês de abril o blog Vinho SIM completa 2 anos!não foi fácil chegar aqui!

Fazer um blog que saia da mesmice das notas de degustações padronizadas, das avaliações tendenciosas, das opiniões politicamente corretas e, principalmente, que não fique em cima do muro nos principais assuntos deste "mundo do vinho", às vezes, dá um trabalhão e ocupa um tempo que, definitivamente, não disponho. Mas o prazer que a leitura de alguns comentários acerca de todo o trabalho traz é proporcional a isso tudo e completo esses 2 anos com grande prazer e a certeza de dever cumprido.

Quero deixar público os agradecimentos à galera que participou dos paineis de degustadores das edições 2013 e 2014 do Ranking Vinho SIM de Espumantes Nacionais, aos confrades da Confraria Vinho SIM e a todos que acompanham as matérias, criticam, comentam, sugerem, enfim a todos que colaboram de algum forma com o blog.

Para comemorar este aniversário de 2 anos, apresento uma novidade! A partir deste mês, a já colaboradora do blog desde o início, Talita Martinez, agora será colunista! A cobertura de alguns eventos, assim como dicas de gastronomia e harmonizações serão os principais temas abordados.

Espero que todos gostem das novas matérias e que continuem curtindo o blog Vinho SIM.

Um grande abraço e

que Baco nos ilumine!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Provei os "TOP 10" da Expovinis 2014. O resultado foi justo?


Na terça-feria 23/04, pela manhã, ainda antes da abertura oficial da Expovinis 2014, em evento realizado para alguns convidados, foi divulgado o resultado da eleição dos TOP 10 deste ano. Como sempre, os vinhos são classificados por categorias e avaliados por um conceituado painel de degustadores, que conta com alguns dos mais influentes nomes do mercado do vinho do Brasil.

Um pouco mais tarde, já na feira, fui atrás dos destaques para prová-los e assim poder confirmar (ou não) sua condição de “campeão”.

A tarefa não foi das mais simples, já que a gama de vinhos a provar era muito extensa, mas com alguma disposição e ajuda da nova colaboradora do Vinho SIM, Talita Martinez, conseguimos provar um número significativo de rótulos e assim construímos uma opinião relativamente bem parametrizada e objetiva sobre o TOP 10 2014.

E o resultado disso tudo?

Na categoria Espumante Nacional, o campeão foi o Grand Legado Brut Champenoise, da vinícola Gran Legado, região de Garibaldi - RS. Realmente é um ótimo espumante e consideramos o resultado justo, porém, durante a feira, provamos outros que consideramos mais interessantes, caso do lançamento da Aracuri e dos já consagrados produtos da Perini e da Campos de Cima.

Na categoria Espumante Importado, o Champagne Lanson Brut, do produtor Lanson, levou o prêmio. Consideramos esta avaliação a mais difícil, pois há grandes vinhos nesta categoria e a escolha ficou de bom tamanho.

Na categoria Branco Nacional, o Pericó Vigneto Sauvignon Blanc, da Vinícola Pericó, de Santa Catarina foi o destaque. Gostamos do vinho  e também gostamos de outros, porém nos chamou à atenção o fato de que nenhum deles nos encantou. Acreditamos que algumas das melhores amostras de vinhos brancos nacionais não estavam presentes na feira, o que prejudica a análise e, de forma, esvazia um pouco a conclusão de "melhor branco nacional".

Para a categoria Branco Importado, a escolha do Boschendal Elgin Chardonnay, do produtor Boschendal, da África do Sul, sem dúvida é muito boa, mas nosso preferido foi o Prelúdio Branco, da uruguaia Família Deicas, um dos destaques do excelente estande da Wines of Uruguai.

Na categoria Rosado, os vinhos do Loire passeiam quase sem concorrentes e, sendo asism, há muitas boas escolhas, dentre as quais o escolhido Remy Pannier Rose D’Anjou, do produtor Ackerman, Vale do Loire, França é, certamente, uma delas.

Na categoria Tinto Nacional foi onde houve a maior convergência entre o resultado do júri, o Guatambu Rastros do Pampa Tannat, do produtor Guatambu Estância do Vinho, região da Campanha Gaúcha e a nossa, do Vinho SIM, já que se trata realmente de um vinho muitíssimo qualificado, com atributos que certamente o colocam não somente como destaque entre os vinhos nacionais, mas sim entre os melhores da América do Sul, principalmente na sua faixa de preço.

Na categoria Tinto Novo Mundo a escolha foi para o Casillero del Diablo Devil’s Collection, da Viña Concha y Toro, Vale do Rapel, Chile. Nesta categoria encontramos uma grande dificuldade em definir um campeão. Não por falta de produtos de qualidade, mas sim pela semelhança entre muitos dos produtos dentre os mais destacados de várias vinícolas. A maioria dos chilenos e argentinos topo de gama apresentados na feira, mostram uma boa concentração de fruta, acidez média e muitos toques aromáticos e gustativos aportados pelo envelhecimento em madeira, um estilo que é cada vez mais universal e, infelizmente, torna os vinhos muito parecidos.
Considerando o exposto, cremos que a escolha do juri pode ser considerada adequada, embora nossos preferidos recaiam sobre os uruguaios de maneira geral, com destaques para os vinhos do produtores de Lucca e Narbona com seus vinhos autênticos e de estilo "rústico fino" muito interessantes. 

Na categoria Tinto Velho Mundo/Itália/França, entre outros a escolha do Le Vigne Di Sammarco Solemnis Primitivo Salento IGP, do produtor Le Vigne di Sammarco, região da Puglia, Itália também nos foi um pouco surpreendente, já que o vinho destacado, embora seja um ótimo produto, não nos impressionou. Nosso escolhido é o Brunello di Montalcino Riserva 2007 do produtor Collelceto (Elia Palazzesi), Itália.

Possivelmente na categoria Tinto Velho Mundo/Península Ibérica foi onde encontramos os produtos mais interessantes desta edição da Expovinis, com muitas novidades e vinhos bastante autênticos, muitos ainda sem importadora, mas que devem surgir nos catálogos em breve. Gostamos da escolha do júri, o Scala Coeli, da Adega Alentejana, região do Alentejo, Portugal, mas nossa escolha vai para Reserva 2008, da Comenda Grande, também da região do Alentejo, Portugal, apresentado pelos próprios donos da vinícola no estande da importadora Jobtotal.

Finalmente, na categoria Fortificados e Doces, cuja escolha do júri foi para o Andresen Porto White 10 Years, do produtor Andresen, região do Douro, Portugal, nossa escolha vi para o Porto Golden White Colheita 1971, da vinícola Dalva, Portugal. O pequeno estande da vinícola, aliás, é um dos pontos imperdíveis desta Edição da Expovinis.

Que conclusão pode-se tirar disso tudo?

Como acontece em todos os anos, há polêmicas no resultado oficial da Expovinis e, embora não tenhamos concordado com algumas escolhas, é prudente ponderar a dificuldade de avaliar tantas amostras e cravar um resultado final.

Para dúvidas, comentários, críticas e sugestão, deixe sua mensagem abaixo.

Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?