sexta-feira, 30 de maio de 2014

Gheller - Cabanha Tannat 2008: uma surpresa e tanto!


Há pouco mais de um ano atrás escrevi sobre um vinho que havia me impressionado à época, o Gheller Tannat 2007 (relembre), principalmente por ser um brasileiro produzido com uma casta ainda não tão bem domada e difundida - posso contar nos dedos os Tannats brasileiros que gosto de verdade - e de relação qualidade-preço fora do comum. Na ocasião cheguei a comentar que o vinho, eleito aqui no Vinho SIM a pechincha de dezembro/2012, era um verdadeiro presente de Papai Noel.

Obviamente meu ceticismo quanto a esse resultado tão bom não me deixou feliz enquanto eu não provasse novamente o "dito cujo". Provei e confirmei: o Gheller Tannat 2007 é realmente uma das melhores relações qualidade-preço do Brasil.

Daquele momento em diante, comecei a prestar mais atenção ao mercado de Tannats brasileiros e o que pude concluir é que os produtores  por aqui me parecem estar olhando cada vez com mais carinho para a Tannat nos últimos anos e alguns bons produtos têm surgido no nosso mercado. Já temos há algum tempo a Don Laurindo e a Lídio Carraro produzindo bons vinhos com esta casta e mais recentemente também surgiram varietais da Casa Perini, Pizzato, Dunamis, dentre outros.

É claro que "nossos" Tannats ainda são incomparáveis em ternos de concentração de fruta, estrutura e taninos com os dos nossos vizinhos uruguaios, mas creio que este caminho da comparação não seja o ideal e nem a busca dos produtores, já que a concorrência seria, provavelmente, fatal para nós. Os Tannats produzidos por aqui são tem tudo um pouco menos que os dos nossos vizinhos, mas nem por isso podem ser menos prazerosos de beber. São estilos diferentes que podem se apropriar de nichos de mercado também diferentes.

E foi nesta busca que me deparei com a Gheller, uma jovem vinícola fundada em 2004 no município de Guaporé, a 50 km do Vale dos Vinhedos.

No início, foram apenas 3 hectares de Cabernet Sauvignon com mudas importadas da França em uma área privilegiada e cuidadosamente estruturada. Após um pequeno período de “testes”, a área foi ampliada e introduzidas novas cultivares como Merlot, Chardonnay, Tannat, Carnenère e Ugni Blanc (Trebbianno), totalizando 18 hectares de plantação de videiras com produção limitada ao máximo de 8.000 kg de uva por hectare, reforçando o foco na qualidade. 

Entre um Tannat e outro, cheguei até a Gheller. Convidados por mim para participar da 1ª Edição do Ranking Vinho SIM de Espumantes Nacionais, toparam o desafio e, de lá para cá, comecei a procurar seus vinhos. Foi assim que cheguei ao Cabanha Tannat 2008, vinho surpreendente.

Com produção limitada a 5300 garrafas (3kg de uvas por planta) é um vinho de estilo próprio, cada vez mais raro no mercado. Consegue ser refinado com certos toques de rusticidade na medida certa

O nariz se abre com uma profusão de frutas vermelhas e negras bem maduras - quase uma compota de framboesas, groselhas, amoras e mirtilos -, que são acompanhadas por notas de couro, tudo envolvido por uma camada terrosa e toques defumados aportados pelos 12 meses de estágio em barricas de carvalho francês. Na boca, a sensação de frutas maduras se confirma, acompanhadas por toques de chocolate, taninos firmes e maduros, além de excelente acidez que torna o conjunto muito harmonioso.

O próprio rótulo da garrafa já denuncia sua harmonização perfeita: a carne de cordeiro que, não por acaso, é uma das outras especialidades da fazenda onde a vinícola está. Escolhi carrés de cordeiro acompanhados de batatas rústicas assadas com tomilho e, sinceramente, embora o vinho deva se dar muito bem com carnes de sabor mais adocicado em geral, nem tente outra coisa, como diz o próprio site da vinícola "eles parecem ter nascido um para o outro".



Enfim, este é um vinho brasileiro que julgo imperdível para qualquer enófilo, curioso ou para aqueles que ainda têm qualquer preconceito com o que é produzido no Brasil. Recomendadíssimo! 

R$ 70,00 | Álcool 13,5%

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (17/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Direto de Mendoza - Pulenta Estate


Fazer um grande vinho é um ato de generosidade, de pensar sempre no outro que vai degustá-lo. A nossa missão é produzir series limitadas de grandes vinhos, elaborados com orgulho na Argentina.”

A frase que é a marca da vinícola poderia ser apenas um conjunto de palavras bonitas e bem colocadas, mas não, a vinícola localizada na zona de Alto Agrelo, Luján de Cuyo – Mendoza - Argentina é um grande exemplo de como a tecnologia pode ser uma grande aliada de uma vinificação quase artesanal, unindo perfeitamente o que há de mais avançado em termos técnicos com a tradição de quem está no mundo do vinho há mais de um século.

Estive na vinícola em 2013, com minha parceira de blog, Talita Martinez, e pude conhecer um pouco da história da família, que tento resumir nas linhas seguintes.


Embora a vinícola Pulenta tenha apenas um pouco mais de uma década de existência, a família está ligada à viticultura Argentina por três gerações, desde que os patriarcas Angelo Polenta e Palma Spinsanti chegaram à Argentina em 1902. Depois de breve estada em Buenos Aires, partiram para Mendoza onde começaram a construir a história da família, que seguiu seus passos e cresceu ainda mais já na região de San Juan, onde em 1914 compraram seu primeiro terreno, de 5 hectares, que deu origem a primeira vinícola da família.

Uma década depois, os 9 filhos do casal acabam ficando órfãos mas a família, agora liderada pelo irmãos mais velhos Quinto e Maria, continuou batalhando e honrando o legado de trabalho, esforço e união familiar deixado pelos pais, expandindo o pequeno empreendimento familiar por San Juan e Mendoza.

É aí que aparece a figura de Antonio, o penúltimo dos nove irmãos, que se translada para Mendoza para estudar enologia e posteriormente  tomar conta da vinícola da província. Em 1946,  ele se casa com María Zulema Chirino com quem teve 6 filhos: Silvia, Carlos, Antonio, Eduardo, Zulema e Hugo.

Pulenta Estate é a continuação desta tradição, já que são justamente os filhos do vinicultor Antonio Pulenta - Eduardo e Hugo Pulenta -, que dão vida a esta vinícola em 2002, aportando experiência e a mais qualificada mão de obra.

Hoje são 135 hectáres de vinhedos próprios a 980 metros acima do nivel do mar, com diversas variedades, como trazidas especialmente da França e da Itália por Antonio Pulenta e que beneficiam cada dia mais das virtudes da proximidade com a Cordilheira dos Andes.

São vinhedos de Sauvignon Blanc, Chardonnay, Pinot Gris, Merlot, Cabernet Sauvignon, Malbec, Pinot Noir e Cabernet Franc (para mim o grande destaque da vinícola!) vinificados em três linhas, denominadas La Flor, a linha de entrada, com vinhos de caráter mais jovem, fresco e frutado, Pulenta Estate, com vinhos que transitam entre o jovem e maduro, já um pouco mais densos e com alguma passagem por barricas de carvalho e, por último, a Pulenta, com os vinhos premium da vinícola, sempre amadurecidos em barricas de carvalho francês e de estilo mais complexo e refinado.

Provei alguns deles durante a visita e fiquei bastante feliz com o resultado. São vinhos elegantes, que mostram com segurança o estilo mendocino (maduro e frutado) com a forte tradição francesa e italiana que a vinícola carrega de anos e anos.

Começamos com Sauvignon Blanc VI 2012 e Pinot Gris XIV 2012, ambos da linha Pulenta Estate que acertam em cheio na harmonia frescor e fruta. Ambos com bastante intensidade aromática e boa persistência são ótimas opções para pratos à base de frutos do mar.
R$ 78,00 cada.
Na se quência passei para a prova dos 4 vinhos da linha Pulenta, Pinot Noir XV 2010, Grand Malbec X 2010, Gran Cabernet Franc XI 2009 e Gran Corte VII 2009.

Desta linha, os 4 vinhos agradaram bastante. São vinhos com muita personalidade e, principalmente, tipicidade. Aqui, meus destaques principais vão para o Pinot Noir XV e o Cabernet Franc XI.

O Pinot Noir XV por ser um vinho de estilo praticamente único com esta casta no mercado brasileiro, conseguindo alcançar um ponto de equilíbrio entre os chilenos superconcentrados e amadeirados (que são a maioria no nosso mercado) e os grandes borgonhas terrosos e cheios de frutas vermelhas frescas, cujo preço em grande parte das vezes não são nenhum pouco convidativos. Claro que este vinho não pode ser considerado uma pechincha, mas seus atributos o colocam como uma ótima compra, ainda aos R$ 185,00 que chega ao Brasil. 

Já o Cabernet Franc não só é um dos principais vinhos desta vinícola como foi, para mim, um dos 10 melhores vinhos de Mendoza provados em 2013, conforme artigo que publiquei no final do ano (relembre). A mescla de frutas e ervas frescas é muito interessante e nos seduz desde o primeiro contato. Na boca, o conjunto continua surpreendendo com grande equilíbrio, taninos maduros e grande persistência. Um dos grandes vinhos no mercado brasileiro e grande destaque na sua faixa de preço (R$ 185,00).


Atestar a paixão de todos da Pulenta Estate pelo trabalho e, principalmente, pelos seus vinhos - alguns dos quais já conhecia e admirava – foi algo extraordinário, mas já esperado, uma vez que já havia pesquisado e estudado um pouco sobre a vinícola. O que eu não podia imaginar é que o prazer de degustar alguns deles com o clima e a “energia” local seria tão grande e tão impressionante.

Sem dúvida alguma, uma visita imperdível em Mendoza.

Michelle (responsável pelo turismo), eu, Gabi (que nos apresentou a vinícola) e Talita.

A vinícola está aberta das 9h às 17h de segundas às sextas-feiras e da 9h às 13h aos sábados e feriados. Para reservar seu tour guiado (em espanhol, com duração entre 1 - 2 horas) é importante fazer reserva. Para isso, envie um e-mail diretamente para a amável responsável pelo turismo Michelle Schromm (michelle@pulentaestate.com) ou para reservas@pulentaestate.com solicitando um horário.

Os vinhos da Pulenta Estate são importados ao Brasil pela Grand Cru e podem ser adquiridos através do site www.grandcru.com.br. 

Que Baco nos ilumine!

domingo, 18 de maio de 2014

Vinho do Porto harmoniza "só" com sobremesas? Será ... ?


Você é fã de vinhos do Porto?
Como costuma harmonizá-los?

Jorge Rosas, sobrinho-bisneto de nada mais, nada menos que Adriano Ramos Pinto - um dos maiores nomes em vinhos do Porto do mundo -, neste bate-papo descontraído no restaurante Trindade em São Paulo, nos surpreende com harmonizações com vinho do Porto pouco comuns aqui no Brasil.


Assista ao vídeo a seguir e divirta-se.

Que Baco nos ilumine!

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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Santa Rita Gran Hacienda - Cabernet Sauvignon Rosé - 2012


Por Talita Martinez.

A vinícola Santa Rita foi fundada em 1880, por Domingo Fernández Concha e tem atualmente 3000 hectares de vinhedos sob responsabilidade dos enólogos Cecilia Torres e Andrés Ilabaca.

Esse varietal é produzido com 100% de uvas Cabernet Sauvingnon do Vale do Maipo40km ao sul de Santiago, aos pés da Cordilheira dos Andes, terroir que é reconhecido como uma das melhores áreas do mundo para a plantação de variedades tintas, especialmente a Cabernet Sauvignon.

Vamos à prova.

Coloração rosada bem atrativa. O aroma tem frutas vermelhas frescas, como morango e cereja, e algo herbáceo. Na boca o frutado se confirma, é suave, equilibrado, leve, fresco, gostoso de beber. O amadurecimento por 4 meses em barrica de carvalho não deixa nenhuma nota marcante.

É um vinho bem feito, porém simples, adequado para pessoas que ainda estão na transição entre o vinho “docinho” e o vinho seco. Além disso, devido ao seu equilíbrio, seus 13,5% de álcool não se sobressaem, o que o torna um vinho bem fácil de beber. Ideal para acompanhar pratos leves em geral, mas pode perfeitamente ser tomado sozinho, como um aperitivo, em qualquer ocasião.

Chama atenção o site da Viña Santa Rita não trazer nenhuma informação sobre essa linha de vinhos (Gran Hacienda), bastante vendida no Brasil. Possivelmente seja uma produção especial para cá.

R$ 47,00 (Grand Cru) | Álcool 13,5%

Avaliação Vinho SIM: BOM (13/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: RAZOÁVEL

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Siegel - Gran Crucero Limited Edition 2010


O Vale do Colchágua (Chile) é uma das minhas regiões favoritas no mundo, pela história e tradição, mas principalmente pela Cabernet Sauvignon e pela Syrah que são plantadas ali, cujos vinhos são únicos no mundo, cheios de personalidade.

Foi lá também que um grande nome ligado ao vinho chileno surgiu: Alberto Siegel.

História
Nascido em Santiago, Alberto cresceu em meio aos vinhedos da Viña San Pedro, onde seu pai trabalhou, e assim começou o interesse pela agronomia, que foi estudar anos depois.

Depois de passar algum tempo trabalhando em vinícolas na Alemanha, Aberto retorna ao Chile e, em pouco tempo, começa a trabalhar como corretor de vinhos na região do Colchágua, onde tem a oportunidade de conhecer a fundo a vitivinicultura local. Alberto foi, e ainda é, possivelmente o negociante de vinhos mais conhecido de todo o Chile.

O tempo passou e o caminho natural era o da produção de seus próprios vinhos, o que aconteceu no início dos anos 80, com a fundação da vinícola Siegel.

A vinícola hoje possui mais de 700 hectares, em diversas regiões chilenas, desde os pés da Cordilheira, na subdenominação Andes até as proximidades do Pacífico, na subdenominação Costa (entenda as novas subdenominações do Chile)

Vamos ao Gran Crucero Limited Edition 2010.

Este vinho, que é a grande estrela da Siegel, é uma seleção das melhores uvas dos vinhedos de cada sub-região da vinícola. Os 45% Cabernet Sauvignon vêm de Lolol, os 35% Carmenère de Los Lingues e os 20% Syrah de Marchingue, o que já mostra, de cara, o cuidado que o enólogo tem com este produto.

O que mais me chamou à atenção neste vinho foi a clareza com que se nota a presença de cada cepa. A groselha com notas mentolados da Cabernet Sauvignon, o herbáceo frutado fino da Carmenère (quando bem vinificada) e os toques especiados e apimentados da Syrah são permeados por um gostoso defumado proveniente dos 12-14 meses de afinamento em carvalho. Taninos maduros e ótima acidez tornam o vinho redondo e macio na boca, com final médio-longo e muito agradável. Tenho certeza que se o preço fosse um pouco mais baixo (talvez na casa dos R$ 100,00) seria um best buy e amealharia uma boa parcela do mercado, mas ainda assim é um vinho que vale ser provado. 

R$ 168,00 (Tahaa) Álcool 14,5%

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (15/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: BOA

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Confraria Vinho SIM - Abril/2014: Chardonnay barricado x Chardonnay não-barricado!


Após a reestreia da Confraria Vinho SIM no excelente encontro de março, com o tema Sauvignon Blanc Novo Mundo (relembre), voltamos a nos reunir, desta vez na noite do dia 04 de abril, no Empório do Bacalhau, em São Bernardo do Campo.

O tema definido foi "Chardonnay barricado x Chardonnay não-barricado" e, desta vez, mudamos um pouquinho o formato de seleção das amostras.

Além do tema do encontro, definimos também duas faixas de preço. A primeira, adotada por quem chega “desacompanhado” é de R$ 75,00 e a segunda, que pode ser adotada pelos “casais” é de R$ 150,00. Desta forma, tivemos uma maior variedade de vinhos, com amostras da Argentina (2), Austrália (1), Brasil (1), Chile (1) e França (3), trazidas pelos 12 confrades participantes.

Neste encontro tivemos o desfalque dos confrades Rodrigo e Graziela que, por motivo de viagem, não puderam estar presentes, mas, por outro lado, tivemos a estreia da confrade Beatriz, mais uma apaixonada por vinhos aqui do ABC.


Outra novidade neste encontro é a colaboração dos confrades na construção das NDs/avaliações dos vinhos. Para este encontro teremos avaliações dos confrades André Cuer (AC) - que escreve sua primeira (de muitas) nota de degustação -, Riverlei Armellini (RA) – sommelier pela ABS-SP -, e Talita Martinez (TM) - colunista do Vinho SIM.

Tem frase melhor para definir o encontro de uma confraria?

Chega de “papo”, vamos aos vinhos. A sequência foi definida aleatoriamente e a degustação feita às cegas.

1. Jean-Marc Brocard – Chablis 2011


A região de Chablis – França, produz vinhos separados em quatro categorias, que são determinadas conforme o terreno onde os vinhos são produzidos: Grand Cru, 1er Cru, Petit Chablis e Chablis. A última, caso deste exemplar, é a mais simples e, em geral, seguem direto do tanque de inox para as garrafas.
A definição geral desta categoria, prega que os vinhos sejam muito vivos, com aroma floral e de frutas brancas, apresentando grande acidez na boca. E é exatamente assim que é este vinho de Jean-Marc Brocard, um vinho com ótima tipicidade.

Recebeu a nota média de 15,6, o que seria relativamente baixa para seu custo na casa dos R$ 150,00, mas vale ressaltar que parte do painel considerou que o fato de ter sido o primeiro da noite prejudicou um pouco sua avaliação. 

Posto tudo isso, creio que ainda valha a compra, principalmente se seu objetivo for uma harmonização com peixes com molhos leves e ácidos.

2. Miras Jovem - 2012


Como os vinhos deste produtor da Patagônia vêm recebendo diversos elogios, decidimos provar um deles, o Chardonnay Jovem 2012, cujo volume de 30% estagia por 10 meses em barricas de carvalho francês e americano.

No nariz a madeira se mostra bem integrada, destacando um fundo suave de baunilha. Paladar denota frutas cítricas com acidez fresca, que não chama à atenção. Equilibrado, com boa estrutura e persistência média. Vinho correto. (AC)

Com nota média de 15,2 e preço na casa dos R$ 60,00, nem de longe justifica toda aclamação que o produtor vem recebendo. Esperamos provar outros exemplares do Marcelo Miras em breve para verificar se esta impressão se modifica.


3. Château de Péronne – Mâcon-Villages 2011


Macon-Villages é uma denominação de vinhos brancos produzidos nos municípios selecionados do Maconnais, área vinícola do sul da Borgonha – França.
Assim como acontece em Chablis, em Macon também há algumas classificações, basicamente separadas em Macon, Macon-Villages e Macon-“nome da vila” (por exemplo, Macon Lugny ou Macon Fuisse), que são mais refinadas, pois os vinhos são elaborados com uvas provindas de um mesmo terroir. Normalmente na região, a Chardonnay amadurece um pouco mais que em Clablis, por isso os vinhos podem ter algumas características mais frutadas, sendo que as frutas cítricas aparecem mais “quentes” nos melhores exemplares.

O vinho degustado, do produtor Château de Péronne foi o grande destaque da noite, exalando um gostoso perfume de flores e frutas cítricas maduras, com um final lembrando mel. Na boca, mostrou-se com ótima estrutura, realmente trazendo todas as características de um clima quente, mostrando também alguns toques de frutas secas, como amêndoas e nozes e boa acidez. Muito bem equilibrado e com final longo. Certamente é uma ótima harmonização para pescados – preferencialmente os de carne mais firme – com molhos brancos e rosés à base de creme de leite.

A nota média de 17,2 e a indicação do melhor do painel por 6 confrades, o colocam como o campeão do encontro. Suas qualidades o fazem uma ótima compra, ainda que seu custo médio seja na faixa dos R$ 120,00.

4. Diamandes de Uco - 2010


Na “brincadeira” de acertar qual vinho era barricado e qual não, esse foi o mais “sem graça”. Assim que provamos, o termo usado para descrevê-lo foi “chá de madeira”.

Produzido pela associação entre a Família Bonnie, proprietária do Château Malartic-Lagravière, e Michel Rolland, DiamAndes é o último Diamante do grupo Clos de los Siete. Fincada ao pé dos Andes, no Valle de Uco - Mendoza - Argentina, a DiamAndes possui 130 ha onde cria seus vinhos

No nariz e boca apresenta notas de frutas tropicais e cítricas, com um final longo e boa acidez, porém o estágio de 8 a 10 meses em barricas de carvalho francês lhe confere aromas excessivos de baunilha, que acabam se sobressaindo às outras características, tornando o vinho pesado e um pouco desequilibrado, especialmente se consumido numa ocasião como essa, uma prova às cegas de Chardonnays diversos. (TM)

Provei o vinho em outra ocasião, acompanhando uma bacalhoada à Gomes de Sá e as impressões organolépticas mudaram um pouco. O conjunto da carne do bacalhau e da oleosidade suave do prato fez bem ao vinho, embora sua principal característica (madeira) ainda seja destacada.

A nota média de 14,7 ao custo de R$ 70,00 colocaram este vinho como o último colocado do painel. A não ser que você seja um adorador de vinhos amadeirados, a compra deste exemplar não é recomendada.

5. Domaine Denis Race – Chablis 1er Cru


Aqui já subimos de categoria dentro da região de Chablis. Os 1er Cru costumam ser mais elegantes, finos e longevos que os das categorias Chablis e Petit Chablis e costumam ter alguma passagem por madeira e, por isso, podem ser guardados por mais anos.

Este exemplar mostrou-se límpido, com tonalidade amarela pálida e nuances e reflexos verde-ouro cambiantes, claros e cristalinos. Nariz elegante no limiar de percepção, cítrico, mineral e com delicado toque floral. Paladar cítrico de limão a pequenos traços de toranja, integrados a uma sensível mineralidade e uma fresca acidez, harmoniosamente equilibrada por um leve traço láctico. Corpo médio e persistência média, sempre evidenciando um final cítrico, bem mineral, proporcionando um frescor harmonioso na boca. Harmoniza bem com pescado branco, grelhado e servido com molhos a base de limão, maracujá. Também vai bem com ostras e vieiras. (RA)

Recebeu nota média de 15,6 pontos e a indicação de 3 confrades como o melhor da noite, o que o coloca, no mínimo, como um vinho a ser provado. Custo médio de R$ 120,00.

6. Elderton Unoaked 2011


O sexto vinho do encontro era um desconhecido da quase todos os confrades, um Chardonnay não-barricado da região de Barossa - Austrália.
Ao contrário da maior parte da Austrália, cuja indústria do vinho foi fortemente influenciada pelos ingleses, Barossa Valley tem uma forte ligação com a Alemanha, já que foram os alemães fugidos da Prússia que colonizaram a região. Essa informação talvez seja muito importante para entender um pouco mais o Chardonnay 2011 da Elderton.

O vinho tem uma acidez quase pungente que lembra um pouco um Sauvignon Blanc, ainda mais quando se percebe algumas notas minerais. De cara, pensamos ser um vinho de clima frio, mas aí surgem algumas notas de frutas tropicais e até algum amendoado.

O Barossa Valley é, na realidade, uma região quente e este vinho foi bastante intrigante. Apesar de não apresentar tanta tipicidade da Chardonnay – pelo menos não aquela que estamos acostumados -, os confrades gostaram do vinho, indicando que é muito agradável, fácil de beber e versátil. Um dos confrades, inclusive, o indicou como o melhor da noite.

A nota média de 15,7 pontos o deixa praticamente empatado com o 4o e o 5o colocados e um pouco longe dos 2 primeiros, mas ainda assim, ao custo médio de R$ 80,00 pode incluído na lista de vinhos para conhecer. Parece-me uma boa pedida para acompanhar pratos leves em geral. 

7. Dal Pizzol - Chardonnay 2013


O que diz a vinícola: o mosto deste vinho foi obtido através de desengace e leve prensagem das uvas. Logo após, foi refrigerado e clarificado, para estar em condições ideais de serem inoculadas as leveduras selecionadas (Saccharomyces Cerevisiae). Este vinho requer uma fermentação com temperatura controlada, em torno de 15 a 18ºC e um rigoroso processo de limpeza do mosto, a fim de ressaltar seus aromas secundários provindos da fermentação. Após realizar a fermentação malolática, passou por um pequeno período de amadurecimento sobre suas borras finas (03 meses), posteriormente estabilizado, filtrado e engarrafado.

Certamente a grande surpresa da noite, que já chama à atenção por seu aspecto brilhante. Os aromas de maçã verde, maracujá e abacaxi maduro, com um certo toque adocicado lembram bastante um Chablis. Na boca, a acidez quase picante confirma as notas de frutas cítricas e chega-se a notar alguma mineralidade. A boa estrutura, acompanhada de certa elegância, ótimo equilíbrio e um final médio fecham a análise deste ótimo exemplar brasileiro.

A nota média 16,6 pontos ao custo na faixa dos R$ 40,00 não só somente o colocam na 2ª colocação este vinho como a melhor relação qualidade-preço da noite, muito embora tenhamos provado vinhos mais refinados.

8. De Martino Quebrada Seca 2011



O último vinho da noite, foi um dos destaques do Guia Descorchados 2014, amealhando nada mais, nada menos que 95 pontos de Patrcio Tapia.

Produzido com uvas do Valle del Limarí – Chile e fermentado já em barricas de carvalho francês, tem ainda mais 12 meses de afinamento em barricas de usos diversos. Os aromas, de intensidade não muito marcante, mostraram toques cítricos, algo de frutas secas e nada mais. Na boca tem as mesmas notas do nariz, boa acidez e algo mineral. Apesar de equilibrado, não se destaca positivamente nenhum dos seus atributos. Boa estrutura, boa persistência. Pode ser harmonizado com uma tábua de frutos do mar grelhados, assim como peixes defumados.

Um vinho correto e nada mais. Não justificou, pelo menos nesta degustação, a superpontuação que recebeu de Patricio Tapia, pois recebeu aqui a nota média de 15,3, o que o colocou em 6o lugar no nosso painel. O custo médio de R$ 120,00 me parece um tanto exagerado e o coloca como, no máximo, razoável no quesito qualidade-preço.


E assim, terminamos mais um encontro da CVS. 


Vinho / Produtor
Safra
Região
País
$ médio
Nota
1
Château de Péronne
2011
Mâcon-Villages
França
R$ 120,00
17,2
2
Dal Pizzol
2013
C. Gaúcha - RS
Brasil
R$ 45,00
16,6
3
Elderton Unoaked
2011
Barossa
Austrália
R$ 75,00
15,7
4
Jean-Marc Brocard
2011
Chablis
França
R$ 150,00
15,6
5
Domaine Denis Race
2011
Chablis 1er Cru)
França
R$ 120,00
15,5
6
De Martino Quebrada Seca
2011
Vale de Limari
Chile
R$ 120,00
15,3
7
Mira Jovem
2012
Patagônia
Argentina
R$ 63,00
15,2
8
DiamAndes
2010
Vale do Uco
Argentina
R$ 70,00
14,8

A seguir, algumas fotos do encontro.

 

  

 

E foi assim.

Vale destacar a recepção do Empório do Bacalhau (Rua Continental, 389 – Jd. do Mar – SBC – Fone 2356-2010), que ficou responsável pela elaboração de um cardápio sugerido pelos confrades e acertou em cheio, oferecendo um serviço de excelente qualidade que encerrou a noite de forma brilhante.

Próximo encontro!


O encontro de maio da CVS já está acertado. Será dia 30, novamente no Empório do Bacalhau, em São Bernardo do Campo, que nos receberá para o tema Pinot Noir. Promessa de mais uma noite de muito bate-papo e estudos! Dúvidas, sugestões e comentários diversos, deixe seu recado aqui em baixo.

Reitero o convite para que novos apaixonados que se identificarem com essas ideias e queiram participar, entrar em contato através do e-mail vinhosim@uol.com.br que sua solicitação será avaliada pelos fundadores da Confraria Vinho SIM com toda atenção. Produtores e importadoras que queiram trazer ideias e sugestões para os encontros também devem entrar em contato pelo mesmo e-mail.

Que Baco nos ilumine!

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Anota aí: Workshop de vinhos 2014 da Adega & Empório ABC, em Santo André


A Adega & Empório ABC, em Santo André, em parceria com grandes importadoras, apresenta mais uma vez um dos grandes eventos sobre vinhos do região do ABC:  o Workshop de Vinhos 2014.

O evento deste ano ganhou corpo (relembre as edições anteriores) e contará com ótimos exemplares de grandes vinícolas do mundo, oportunidade única no ABC de provar e comprar vinhos como o Brioso e o Signature, da argentina Susana Balbo, o Vértice, da chilena Ventisquero, o Notios Red, produção da vinícola Gaia na Grécia, o Selecion Especial, da espanhola Gran Feudo, o Valpolicella Superiore, da italiana Villa Spinosa, dentre muitos outros, que podem ser visualizados aqui.

Se as edições anteriores já foram muito interessantes, a deste ano promete ser ainda melhor, possivelmente a melhor oportunidade para preparar seu estoque de vinhos para o inverno que se aproxima.

Onde? Adega & Empório ABC, na Rua Lino Jardim, 854 – Santo André. Contato: (11) 4432-3813

Quando? 09/05 - das 18h00 às 22h00 e 10/05 - das 15h00 às 19h00

Quanto? R$ 120,00 por pessoa, convertidos compras, mais 2kg de alimentos não perecíveis que serão doados a Associação Beneficente Criança Cidadã.

Imperdível para os "ABCeenses", que vivem reclamando das poucas opções na região! Não percam!

Nos vemos por lá e

que Baco nos ilumine!

Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?