sexta-feira, 27 de junho de 2014

O Wine Bar mais alto do mundo: Baco, em Cusco - Peru (3400m)!

A cidade de Cusco, fundada entre os séculos XI e XII e com altitude de mais de 3400m acima do nível do mar, foi o mais importante centro administrativo e cultural do Império Inca e hoje é um dos destinos turísticos mais procurados no mundo, por ser a base para se chegar à Machu Picchu, a "cidade perdida" dos Incas. Mas falar sobre história e cultura de Cusco e dos Incas é chover no molhado e tenho certeza que há dezenas de blogs e sites mais qualificados que o Vinho SIM e que já discorreram brilhantemente sobre o assunto. 

Atraído principalmente pela atmosfera criada pelos vales de Cusco - que guardam histórias preciosas de um dos povos mais fascinantes da humanidade, os Incas - e pelos atrativos gastronômicos de Limarecentemente tive a oportunidade de visitar o Peru.

Eu quero mesmo é falar sobre um oásis que encontrei durante caminhadas por esta fantástica cidade, que guardava mais "segredos" entre suas apertadas ruas do que qualquer enófilo podia imaginar.

Estudos sobre nosso continente apontam que foi numa fazenda de nome Marcahausi, em Cusco, em meados do século XVI, que a história da vitivinicultura americana se inicia, com as primeiras videiras trazidas para o Peru por Francisco de Carabanes e Bartolomé de Terrazas, logo após a conquista pelos espanhóis.

Até aí tudo bem, mas você já se imaginou num winebar a 3400m de altitude?!

Foi neste cenário que me deparei com a possibilidade de viver esta experiência. E como bom amante dos vinhos, não desperdicei a oportunidade de conhecer a casa cujo nome não poderia ser mais propício, Baco - Food and Wine

Além de um cardápio bem variado, com boas opções - como é de costume no Peru -, o winebar oferece uma grande variedade de vinhos - principalmente da América do Sul - e o mais interessante: a possibilidade de provar alguns vinhos peruanos em taça, algo que não encontrei em nenhum restaurante durante toda minha estada no Peru.

Provei 3 exemplares, o Chardonnay 2012 da Intipalka, o Blanco de Blancos 2013 e o Cabernet Sauvignon 2012, ambos da Bodega Tabernero.


Foi neste cenário que me deparei com a possibilidade de viver esta experiência. E como bom amante dos vinhos, não desperdicei a oportunidade de conhecer a casa cujo nome não poderia ser mais propício, Baco - Food and Wine

Além de um cardápio bem variado, com boas opções - como é de costume no Peru -, o winebar oferece uma grande variedade de vinhos - principalmente da América do Sul - e o mais interessante: a possibilidade de provar alguns vinhos peruanos em taça, algo que não encontrei em nenhum restaurante durante toda minha estada no Peru.


Provei 3 exemplares, o Chardonnay 2012 da Intipalka, o Blanco de Blancos 2013 e o Cabernet Sauvignon 2012, ambos da Bodega Tabernero.

O Chardonnay 2012 do Valle de Ica - um dos mais tradicionais (senão o mais) na produção de uvas do Peru - produzido pela Intilpalka, foi o mais interessante dos três, com ótimo equilíbrio entre fruta e acidez, bom corpo e boa persistência. Um vinho que, se chegasse ao Brasil com custo na casa dos R$ 40,00, certamente teria seu público e ocuparia um espaço no mercado. Ótimo (15/20).

O segundo vinho provado, o Blanco de Blancos 2013, um corte de Chardonnay, Chenin Blanc e Sauvignon Blanc, produzido pela Tabernero no Valle de Chincha não chamou tanta atenção quanto o primeiro, mas não chega a decepcionar. Mostrou-se um vinho simples, algo entre os reservados e os reservas chilenos que chegam ao nosso mercado, mas sem presença de madeira. Fruta fresca e uma boa acidez são seus principais atributos.

Na sequência provamos o Cabernet Sauvignon 2012, também da Tabernero, que chegou à mesa credenciado por uma medalha de prata no francês Challenge International du Vin. O vinho até tenta apresentar alguma qualidade, mas a baixa acidez o tornam um pouco enjoativo, prevalecendo muito as notas frutadas.

Definitivamente é um passeio imperdível! Se não tanto pelos vinhos peruanos, que não chegam a empolgar, pelo sentimento de estar no Wine Bar mais alto do mundo numa das cidades mais fantásticas do mundo.

Que Baco nos ilumine!

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Áustria - Fred Loimer - Grüner Veltliner 2012


Conheci este vinho durante um dos Weinprobe, degustação mensal organizada pelo restaurante Weinstube, em São Paulo e fiquei bem impressionado com suas qualidades.

Da região de Langenlois, principal cidade de Kamptal - uma das mais mais famosas denominações de origem da Áustria - vem este branco, do produtor Fred Loimer, feito a partir da uva Grüner Veltliner, responsável, nada mais, nada menos, por 60% de toda a produção austríaca.

Fred Loimer é um dos viticultores mais reconhecidos e populares dentro e fora da Áustria, reconhecido por seus excelentes Grüner Veltliners e Rieslings que refletem todas as qualidades que o terroir de Kamptal é capaz de produzir. Desde 2006 conduz seus vinhedos de forma biodinâmica rigorosa. A busca constante de Fred é por um vinho de alta tipicidade, puro, natural e verdadeiro.

Vamos ao vinho.

Visual bonito, de coloração amarelo palha límpido com traços dourados. Aromas de intensidade mediana, com clara presença de frutas cítricas frescas, como maçãs e toques de limão siciliano e alguma mineralidade. Na boca é bem fresco e mineral, com acidez marcada que permeia a presença de frutas de polpa branca. Final médio, mas bastante agradável e equilibrado.

É um vinho bastante interessante, mas cujo custo (R$ 98,00, importado exclusivamente pela Vinhos da Áustria) dificulta um pouco a penetração no mercado brasileiro, já que nesta faixa de preço encontra uma série de argentinos, chilenos, australianos, neozelandezes, brasileiros, dentre outros de ótima qualidade que já construíram uma forte marca. É uma boa opção para entradas, saladas e até mesmo para um prato com ostras e vieiras. Vale a prova, principalmente para conhecer um verdadeiro exemplar do que se pode produzir com a Grüner Veltliner.

R$ 98,00 (Vinhos da Áustria) | Álcool 12,5%

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (14/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: RAZOÁVEL

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Confraria Vinho SIM - Maio/2014: Pinot Noir!


A noite do dia 30 de maio marcou, novamente no Empório do Bacalhau, em São Bernardo do Campo, mais um encontro da Confraria Vinho SIM, desta vez com o tema Pinot Noir, cujo único critério de seleção foi o preço: na faixa entre R$ 50,00 e R$ 120,00. Sendo assim, tivemos amostras do Brasil (1), Chile (4), França (1) e Itália (1), sendo seis delas trazidas pelos 10 confrades participantes e uma gentilmente cedida pela Nor Import, que realizava uma degustação de apresentação de alguns de seus vinhos no mesmo dia no Empório.

Consagrando a novidade implantada no encontro de Abril (relembre), André Cuer (AC), Riverlei Armellini (RA) e Talita Matinez (TM) contribuíram com suas NDs e, neste encontro, receberam também a companhia dos confrades Vanessa Sobral (VS), do blog Falando Sobre Vinhos e Rodrigo Pavan (RP). Mais uma vez torno público meus agradecimentos pelas contribuições.


E vamos aos vinhos, na ordem que foram degustados. Novamente, não houve critério para escolha da ordem e a degustação foi realizada às cegas.

1. Emiliana Novas Gran Reserva 2011


Coloração vermelho rubi de média intensidade e brilhante. No nariz mostra frutas vermelhas frescas com toques de ervas finas que aportam certa elegância. Aparece também algum sinal proveniente do estágio de 8 meses em barricas muito bem integrado com o conjunto. Na boca, além das frutas vermelhas, surge um saboroso apimentado que, acompanhado de ótima acidez tornam o vinho ainda mais interessante que no nariz. O final médio-longo confirma a ótima qualidade deste orgânico da região de Casablanca - Chile.

2. Villard Expresión Reserve 2009 R$ 90,00


Coloração vermelho rubi de média intensidade e brilhante. No nariz, além das esperadas frutas vermelhas frescas, surgem notas de cereja preta, algum toque mineral e um tostado bem sutil de madeira. Na boca, as notas de frutas frescas não se destacam muito e o que prevalece são frutas mais maduras e toques defumados, possivelmente aportadas pelos anos de evolução do vinho que, apesar de ainda ser relativamente jovem, já se mostra do auge para o declínio. Percebe-se ser um vinho de muito boa qualidade, mas a baixa acidez apresentada tira um pouco do brilho e, principalmente, não nos dá aquela vontade de continuar bebendo, que é uma virtude muito apreciada nos Pinot Noirs.

3. Albert Bichot Pinot Noir Vieilles Vignes


Coloração vermelho rubi de média intensidade e brilhante. Aromas herbáceos, verde e de frutas frescas. Na boca acidez muito presente, refrescante, rústico sem perder a elegância. Taninos suaves. Persiste na boca muito mais pela alta acidez do que propriamente pelos sabores de um conjunto equilibrado. Bom potencial gastronômico. (TM)

4. Fulvia Garagem 2012


A descrição do vinho ficou por conta do sommelier Riverlei Armellini e a empolgação da ND demonstra como os confrades receberam este vinho.
Coloração rubi turva, tonalidade pálida. No nariz mostrou-se franco, com intensidade pronunciada, complexo, notas de aroma animal, estrebaria, fundo de floresta, húmus, cogumelos, champignon, pimenta e especiarias. Fruta vermelha e negra como framboesa e amora-silvestre e um traço herbáceo de folha de groselha, culminando em mineral, com um leve traço de borracha queimada. Na boca é seco, com excelente frescor, ótima acidez, álcool, tanino, corpo, todos médios e equilibrados. Intensidade de sabor pronunciada repetindo as frutas, framboesa e amora-silvestre, mas também evidenciando um traço de salinidade, especiaria e pimenta. O final é persistente, deixando na boca uma boa sensação de frescor.
Harmonizações: Terrina de cogumelos silvestres. O prato libera grossas baforadas outonais, captadas na vegetação rasteira, sob o húmus, mas o vinho não tem nada a invejar: suas próprias notas de cogumelos chamam para si os aromas de caça, frutas maceradas, mineral aquecido deste prato. Outra boa harmonização seria um Boeuf bourguignon bem untuoso, com uma porção bem farta de Champignons de Paris e uma pitada de pimenta moída.

5. Tabali Reserva 2012


Coloração vermelho claro e límpido. Aromas refinados e perfumados. Na boca surgem as notas de groselhas e morangos maduros, acompanhadas de suaves toques florais e de baunilha. Paladar aveludado com taninos redondos e delicada estrutura. (RP)

6. Lapostolle Cuvée Alexandre 2012


Coloração vermelho violáceo intenso e límpido. No nariz surgem de cara as notas amadeiradas, até conflitando com as gostosas e intensas notas de frutas vermelhas e negras maduras. Tostado. Na boca, a sensação da forte presença da madeira continua, que somada a uma acidez média-baixa traz uma certa frustração por saber que se trata de um Pinot Noir. Apesar de ser um ótimo vinho, dependendo dos parâmetros adotados, pode até ser considerado um pouco desequilibrado, principalmente pela pouca tipicidade apresentada. (AC)

7. Castelargo Delle Venezie IGT


Rubi translúcido. Frutas vermelhas frescas no aroma, com nota de menta e um discreto baslsâmico. Bom corpo, textura sedosa com sabores adocicados e persistentes. (VS)


Vinho / Produtor
Safra
Região
País
$ médio 
Nota
1
Fulvia / Marco Danielle
2012
Encruzilhada do Sul - RS
Brasil
R$ 120,00
17,1
2
Vieilles Vignes / Albert Bichot
2012
Borgonha
França
R$ 60,00
16,4
3
Novas Gran Reserva / Emiliana
2011
Casablanca
Chile
R$ 54,00
16,3
4
Expresión Rserve / Villard
2009
Casablanca
Chile
R$ 90,00
16,3
5
Reserva / Tabali
2012
Limari
Chile
R$ 55,00
15,9
6
Cuvée Alexandre / Lapostolle
2012
Casablanca
Chile
*
15,5
7
Delle Venezie / Castelargo
2011
Friulli
Itália
**
15,3

* Não disponível no mercado brasileiro.
** Não encontrei em nenhum site/loja especializada.

E foi assim.

Vale destacar a recepção do Empório do Bacalhau (Rua Continental, 389 – Jd. do Mar – SBC – Fone 2356-2010), que ficou responsável pela elaboração do um cardápio e acertou em cheio, oferecendo um serviço de excelente qualidade que encerrou a noite de forma brilhante.

Próximo encontro!

O encontro de junho da CVS já está acertado. Será dia 13, novamente no Empório do Bacalhau, em São Bernardo do Campo, que nos receberá para o tema Chianti. Promessa de mais uma noite de muito bate-papo e estudos! Dúvidas, sugestões e comentários diversos, deixe seu recado aqui em baixo.

Reitero o convite para que novos apaixonados que se identificarem com essas ideias e queiram participar, entrar em contato através do e-mail vinhosim@uol.com.br que sua solicitação será avaliada pelos fundadores da Confraria Vinho SIM com toda atenção. Produtores e importadoras que queiram trazer ideias e sugestões para os encontros também devem entrar em contato pelo mesmo e-mail.

Que Baco nos ilumine!

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Os melhores espumantes do Brasil - Ranking Vinho SIM 2014 - Resultado Final

Foram praticamente seis meses desde o início da divulgação até agora, data da publicação da lista dos campeões, de um longo trabalho, cujo principal objetivo é fornecer ao leitor o mais transparente panorama dos espumantes nacionais, sem interferência alguma de ações de marketing ou qualquer bajulação que possa servir de manipulação de resultados ou mesmo induzir à análises errôneas.

Graças a um trabalho intenso, o Ranking Vinho SIM de Espumantes chegou à sua 2a Edição e já vem sendo citado como o “mais democrático do Brasil”, título que me deixa muito feliz, já que nestes dois anos, foram convidadas mais de 70 vinícolas do Brasil e jamais foi recusada nenhuma amostra, sem distinção de preço ou marca, desde que inscrita nas categorias previstas em cada ano.

Para a melhor compreensão do que foi esta 2a Edição do RVS de Espumantes Nacionais, bem como o completo entendimento das regras do evento, como critérios de avaliação, painel de jurados, local, dentre outros, é altamente recomendada a leitura DESTE POST, onde todos estes e mais alguns detalhes foram descritos com todo o cuidado que a prova exige.

Na tabela a seguir, apresento os melhores espumantes do Brasil para o ano de 2014, isto é, as amostras mais significativas desta 2a edição, em ordem de nota. As 18 amostras listadas representam pouco mais de 20% de todo o painel, cuja “nota de corte” foi 15,6 pontos.

RVS 2014 - RESULTADO FINAL


Vinho / Produtor
Categoria
$ médio
Nota
1
Bueno Cuvée Prestige 2011
BB Tradicional
R$ 72,00
16,8
2
Campos de Cima
BB Tradicional
R$ 39,00
16,0
3
Perini
BR Tanque
R$ 30,00
16,0
4
Don Abel
BB Tanque
R$ 37,00
16,0
5
Aracuri
BB Tanque
R$ 45,00
16,0
6
Marco Luigi Tributo
BB Tanque
R$ 25,00
15,9
7
Almaúnica
BB Tradicional
R$ 45,00
15,9
8
Perini Nature
EB & N - Tradicional
R$ 75,00
15,9
9
Valmarino
BR Tradicional
R$ 35,00
15,6
10
Don Giovanni - Stravaganzza
BB Tradicional
R$ 38,00
15,6
11
Marco Luigi - Grande Reserva
BB Tradicional
R$ 42,00
15,6
12
Dezém Extrus
BB Tradicional
R$ 44,00
15,6
13
Dunamis Brut 2012
BB Tradicional
R$ 50,00
15,6
14
Don Giovanni
BB Tradicional
R$ 50,00
15,6

Dunamis Extra Brut 2012
EB & N – Tradicional
R$ 50,00
15,6
16
Guatambu Nature
EB & N – Tradicional
R$ 52,00
15,6
17
Valmarino & Churchill
EB & N - Tradicional
R$ 61,00
15,6
18
Miolo Millésime 2011
BB Tradicional
R$ 75,00
15,6

Em que

BB Tanque: Brut Branco – Método Tanque (Charmat)
BR Tanque: Brut Rosé – Método Tanque (Charmat)
BB Tradicional: Brut Branco – Método Tradicional (Champenoise)
BR Tradicional: Brut Rosé – Método Tradicional (Champenoise)
EB & N Tradicional: Extra Brut & Nature – Método Tradicional (Champenoise)

Interessante notar a presença de amostras de todas as categorias formatadas entre as mais significativas do Brasil, além de notas médias que as classificam, pelos critérios aqui do Vinho SIM, entre Ótimas e Refinadas, avaliação muito considerável.

Para mais informações de cada amostra, inclusive com comentários, fotos e NDs detalhadas, sugiro a leitura dos artigos relacionados listados ao final deste post.

Espero que os resultados sejam apreciados e debatidos por todos, pois são fruto de um trabalho sério organizado pelo Vinho SIM que contou com a ajuda de muitas pessoas, com quem tive o prazer de compartilhar esta fantástica experiência de avaliar produtos tão especiais.

Gostaria de deixar públicos meus mais sinceros agradecimentos aos amigos Jeriel da Costa (Blog do Jeriel) e Vanessa Sobral (Blog Falando sobre Vinhos); aos amigos convidados Waldemar de Lello Jr. e José C. M. Martinez, grandes enófilos; ao anfitrião Marcelo Yabiku (Empório Hedoniste) e à minha parceira de Vinho SIM, Talita Martinez, sem os quais jamais teria conseguido realizar este trabalho.

 Que Baco nos ilumine!

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Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?