quarta-feira, 30 de julho de 2014

O vinho brasileiro evolui bem? [Lídio Carraro Grande Vindima CS 2004]



A história do vinho no Brasil se confunde com a própria história do país, com relatos de videiras plantadas no início do século XVI na capitania de São Vicente, mas isso não significa (nem de longe) que muita coisa de interessante tenha sido produzida por aqui ou mesmo que tantos anos de "prática" tenha nos tornado um produtor de excelência. Pelo contrário.

O que aconteceu de fato foram anos e mais anos de uma produção estagnada em termos de evolução na qualidade e alguns passos que começam a ser dados nos anos 1980 e que viram saltos mesmo já no início dos anos 2000.

De lá pra cá se passam menos de duas décadas de uma produção que vem visivelmente melhorado a cada ano e que se depara, de forma iminente - e cada vez mais -, com a dúvida: o vinho brasileiro evolui bem? Tem potencial de guarda?

Como responder esta pergunta?

Diferentemente do que vem fazendo Chile e Argentina, no Brasil ainda não vejo um movimento organizado (que obviamente deveria partir das próprias vinícolas) para promover degustações verticais que poderiam fornecer subsídios para onde se poderia criar elementos para uma resposta, se não definitiva, pelo menos significativa.

Enquanto isso não acontece, nós do Vinho SIM, como grandes admiradores dos vinhos do nosso país, vamos apresentar alguns resultados/comentários de degustações de vinhos da nossa adega pessoal.

O primeiro vinho desta série será o Lídio Carraro Grande Vindima Cabernet Sauvignon 2004., que foi o nosso escolhido para iniciar esta série por um motivo em especial: é um vinho sem passagem por barrica.

Este CS, com uvas de Encruzilhada do Sul, mostrou-se vermelho rubi com com tons acastanhados. Mostrou potentes aromas de frutas negras maduras, notas balsâmicas, animais, de caixa de charutos, além da clássica "folhas de uva em conserva", típica dos vinhos do Sul do país. Na boca ainda é vivo, com um conjunto fruta-acidez muito harmonioso. Final de média duração, mas muito agradável. No auge dos seus 10 anos de idade, creio que ainda tenha potencial para evoluir mais.
Certamente um dos grandes exemplares já produzidos no Brasil.

REFINADO (18/20) 

Vem mais por aí. Acompanhe.

Que Baco nos ilumine!

terça-feira, 29 de julho de 2014

Anota aí: 1º Festival de vinhos WinePro (São Paulo)

A WinePro (São Paulo) convida a todos para seu 1º Festival de Vinhos, nos dias 07, 08 e 09 de agosto (a partir das 16h).

A loja da Vila Madalena promete um grande evento, que terá a presença das importadoras Tahaa, Calix, Obra Prima, World Wine, Mercovino, TW Wines, PPS, Mistral, Qual Vinho, Dominio Cassis, Three Links, Devinum, Bodegas e Magnum apresentando diversos rótulos de seus catálogos.

O grande diferencial das degustações serão alguns vinhos não muito badalados e até certo ponto desconhecidos do público geral, como o caso do Las Ocho (Chozaz Carrascal), do Chocalan Syrah Reserva, do Narbona Pinot Noir, do Chateau Grimont, do Encostas da Pedra Alta, do Quinta da Pedra Alta, do Las Perdices Pinot Grigio, do Kloof Street, dentre outros não divulgados para manter um certo ar de surpresa.

Os convites devem ser reservados pelo telefone (11) 2609-2822 ou pelo e-mail renata@winepro.com.br ao preço de R$ 55,00 (R$ 30,00 revertidos em compra), com direito a uma taça. Vagas limitadas.


Vejo vocês por lá.
Que Baco nos ilumine!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Cava Ave Maria Purisima [Bodega Alto Cedro] (Mendoza 2014)


Localizada no departamento de Maipu - Mendoza a Cava Ave Maria Purisima é uma espécie de quartel general de Karim Mussi, enólogo e dono da Bodega Alto Cedro, além de consultor e parceiro em vários outros projetos do mundo do vinho mendocino.

A proposta da Cava é bastante interessante. Proporcionar visitas guiadas (exclusivamente com reservas) onde o turista escolhe um dos seis programas oferecidos (com preços entre US$ 19 e US$ 29) e assim pode conhecer não somente vinhos da Altocedro, mas também da Abras, Los Poetas, Alpasión, Alandres e Angulo Innocenti, bodegas de diversas regiões da Argentina.

A Cava ainda conta com Winebar onde se pode degustar das 14h às 16h30 (sem reserva) em taça ou garrafas quase todos os vinhos das vinícolas mencionadas acima.

Para visitas, basta entrar em contato com a simpática Dibe Montaña (informações abaixo) e agendar.



Para completar a vasta gama de opções, recentemente foi inaugurado numa linda casa antiga junto à Cava, o restaurante Casa Coupage, uma filial do restaurante de Buenos Aires, dos donos Inés Mendieta e Michele Aretini, que segue a mesma linha da matriz, um restaurante a portas fechadas, sem cartazes ou informações na porta que recebe os clientes somente com reserva prévia para uma experiência que está baseada essencialmente na harmonização entre comida e vinho. O cliente pode optar por um menu de 3, 5 ou 7 vinhos acompanhados por um prato principal ou um menu degustação ou ainda escolher um vinho numa carta com mais de 70 opções para acompanhar sua refeição. No inverno abre de segunda a sexta para almoço e sábados para o jantar. A partir da primavera a ideia é abrir todos os dias, mas não se esqueça, sempre com reserva prévia!

Embalados pela nossa visita à Cava, aproveitamos para conhecer o Casa Coupage e testar algumas harmonizações com os vinhos da Altocedro.


A Bodega Altocedro

A Altocedro nasceu com Mario Mussi, pai de Karim, que comprou uma vinícola centenária rodeada por cedros em La Consulta (Vale do Uco) há mais de 30 anos e investiu principalmente na exportação de mosto sulfitado.

A partir de 1999, Karim, recém formado em enologia assume os negócios da família para mudar de vez os rumos da produção que, partir daí, passa para os vinhos de alta qualidade.

Em 2001 a vinícola coloca no mercado sua primeira safra e em pouco tempo, Karim se torna um dos enólogos mais promissores da Argentina, fato comprovado pelas inúmeras premiações que seus vinhos recebem ano após ano.

Karim fez questão de receber pessoalmente o blog Vinho SIM para apresentar alguns rótulos da Altocedro, momento em que pudemos compreender um pouco da sua paixão pelos seus vinhos e, principalmente, pelo “seu” terroir em La Consulta, de onde vem suas uvas, tanto de um vinhedo próprio,como de uvas da melhor qualidade adquiridas de vinhedos com idade entre 15 e mais de 100 anos.

Vamos aos seus vinhos.


Altocedro Año Cero Tempranillo 2012

Año Cero é a linha de entrada da vinícola mas, diferentemente de muitas vinícolas que possuem uma linha de vinhos simples e puramente frutados, esta já é uma linha com produção diferenciada, com rendimento de 2kg de uvas por planta e passagem de 30% do vinho por 8 meses em barricas de carvalho francês.
Este tempranillo de micro região de El Cepillo (solo aluvional muito pouco pedregoso) foi uma das grandes surpresas desta nossa passagem por Mendoza (mais de 250 vinhos provados) mostrando, no nariz uma grande quantidade de frutas vermelhas maduras e compotadas e belas notas tostadas. Na boca tem entrada levemente adocicada, macia, passando por algo mineral, meio salgado, algo que lembra conservas de cogumelos champignon. Termina com boa acidez, dando uma sensação agridoce que o coloca como um belo exemplar no quesito “vontade de continuar bebendo”.

Nota VS: 16,5/20

Preço Argentina: AR$ 120 (TOP 10 Mendoza na relação qualidade-preço)
Preço Brasil: ~ R$ 75,00

Altocedro Año Cero Malbec 2012

No nariz apresenta-se floral com boa presença de frutas negras. Na boca tem bom equilíbrio com um final levemente adocicado, como é típico dos Malbecs mendocinos.

Nota VS: 15,5/20

Preço Argentina: AR$ 120,00
Preço Brasil: ~ R$ 75,00







Altocedro Año Cero CS 2012

Não é de hoje que bato na tecla que os melhores vinhos de Mendoza são os produzidos com Cabernet Sauvignon e os provados da região de La Consulta me parecem ainda mais distintos, com muita personalidade.
Este Año Cero 2012 é exatemente isso. Tem um conjunto pimentão verde-menta-groselha muito bem integrado com a madeira. Na boca tem ótima acidez, que equilibra a fruta, taninos maduros e um final médio-longo.

Nota VS: 16/20

Preço Argentina: AR$ 120,00 (TOP 10 Mendoza na relação qualidade-preço)
Preço Brasil: ~ R$ 75,00









Altocedro La Consulta Select 2012

Considerado um vinho de linha intermediária da vinícola (veja vídeo a seguir), este corte 42% Malbec, 27% Cabernet Sauvignon, 22% Tempranillo e 9% Syrah passou 12 meses por barricas de carvalho francês desde novas até 4º uso.
Nariz refinado, com muitas notas defumadas acompanhadas por frutas vermelhas e negras compotadas e certa complexidade. Na boca mostrou-se muito redondo e opulento, com ótima acidez, apesar de um final levemente adocicado. Final bem longo e gostoso, cheio de fruta, evoluído. Outro campeão no quesito vontade de continuar bebendo.

Nota VS: 17,5/20

Preço Argentina: AR$ 250,00
Preço Brasil: não disponível






Altocedro Reserva Malbec 2012

Blend de Malbec, com uvas das regiões de Altamira, Chacon e Cepillo de plantas cuja produção média é de 1,2kg. Passou 18 meses por barricas de carvalho francês que lhe aportaram muitas notas de chocolate e baunilha, além de um fundo frutado muito sedutor. Na boca, confirma o frutado com chocolate e não possui aquela entrada doce típica dos Malbecs de Mendoza, equilibrado por uma ótima acidez. Os taninos bem maduros e o final longo, completam o conjunto refinado do vinho.

Nota VS: 17/20

Preço Argentina: AR$ 350,00
Preço Brasil: não disponível

Convidei Karim para falar um pouco sobre sua linha de vinhos e principalmente sobre o La Consulta Select 2012, que foi o vinho que mais me chamou à atenção durante a degustação. Ele gentilmente atendeu à solicitação do Vinho SIM, que você pode ver no vídeo a seguir:


E foi assim.


Cava Ave Maria Purissima

Por que visitar?

- Diversos programas interessantes para turistas.
- Possibilidade de provar vinhos de diferentes terroirs e de projetos diferenciados.
- Comprar vinhos de excelente relação qualidade-preço.
- Almoçar no Casa Coupage.  

Avaliação VS

 Como avaliamos?

Que Baco nos ilumine!

Bodega Dante Robino (Mendoza 2014)


O ano é 1920. Dante Robino chega à Argentina trazendo, diretamente do Piemonte – Itália, na bagagem mudas de Malbec e Bonarda que ajudariam a formar a identidade do que hoje é Mendoza. Começa aí a história de uma das bodegas de maior prestígio e sucesso da Argentina.

Já no ano de 1982, a família Squassini, também de descentes do Piemonte, assue o controle da bodega, incorporando novas técnicas e tecnologias na busca por vinhos de qualidade, incluindo aí um espaço reservado para produção de espumantes, pelo qual a bodega é muito reconhecida mundo afora.

Como grande fã de espumantes, o blog Vinho SIM foi visitar a Dante Robino e conhecer um pouco mais sobre a história da bodega e poder ver com nossos próprios olhos o belo trabalho que a vinícola mendocina vem fazendo.


Atualmente a vinícola tem uma produção estimada em 9 milhões dos quais metade é de espumantes ou vinho base para espumantes – que além de ser usado na própria vinícola é também vendido a terceiros -, sendo o Novecento, um espumante produzido por método tanque e de preço bastante acessível – principalmente no mercado interno, ocupa a maior fatia.

Como se pode ver, não só de espumantes vive a vinícola, tendo também uma produção bastante expressiva dos chamados “vinhos tranquilos”, dos quais a Bonarda e a Malbec são as grandes estrelas.

A busca por seus Bonardas, aliás, foi o outro grande motivo que nos levou a vinícola, os quais degustamos e comentaremos na sequência da matéria.

Entre os anos de 2007 e 2008 houve um grande investimento na estrutura da bodega para receber turistas da melhor forma, desde instalações mais adequadas até pessoal preparado para fazer da visita à Dante Robino uma experiência única.

Destaques da visita, as inúmeras obras de arte enfeitam os corredores, salas de barricas, antigos tonéis, enfim, estão por toda parte durante o tour

Outra novidade apresentada pela vinícola nos últimos tempos é a assessoria de Paul Hobbs, que se junta ao grupo de enólogos da Dante Robino aportando toda sua experiência para a otimização da produção da vinícola.

Como toda boa visita à uma bodega, não poderia faltar a degustação. Como mencionado, tínhamos foco nos Bonardas e espumantes da vinícola e, acompanhados pelo chefe de turismo Juan Manuel Masanas - que comenta um pouco sobre os Bonardas da Dante Robino no vídeo a seguir -, pudemos prová-los.


Espumante Novecento Rosé

Interessante corte de 90% Chardonnay com 10% Bonarda, que confere gostosas notas de frutas vermelhas e de flores ao vinho. Produzido pelo método tanque, permanece 30 dias em contatos com suas borras, período que fica evidente no paladar frutado e com alguma cremosidade.

Nota VS: 14,5/20

Preço Argentina: AR$ 80,00.
Preço Brasil: R$ 40,00.

Dante Robino Bonarda 2012

Da linha “Dante”, que apresenta vinhos com passagem aproximada de 6 meses por barricas francesas e americanas já usadas, este Bonarda -  produzido com uvas de vinhedos de idade média de 50 anos -, é um vinho bem frutado, com aromas adocicados e toques de ervas frescas e café. Corpo e acidez medianos e um fundo de amargor. Boa vocação gastronômica e final curto-médio.

Nota VS: 14,5/20

Preço Argentina: AR$ 80,00.
Preço Brasil: R$ 40,00


Gran Dante Bonarda 2011

De forma quase contraditória, as uvas deste vinho, ícone da vinícola, vêm de um vinhedo mais jovem que o anterior, implantados em 1997 no distrito El Marcado.
Apesar do rendimento de aproximadamente 6kg por planta (que é considerado alto para vinhos de topo de gama) este Bonarda é bastante concentrado, com muito destaque para os aromas de frutas vermelhas maduras desde sempre acompanhados pela presença de côco e notas tostadas provenientes dos 12 meses de envelhecimento em barricas de carvalho americano (a partir da safra 2013 será carvalho francês). Na boca é um vinho denso, que preenche com muita geleia de frutas vermelhas e uma excelente acidez. Taninos maduros e final longo. Sem dúvida é um vinho com grande potencial gastronômico, principalmente para a culinária italiana e suas massas acompanhadas de molhos untuosos e suculentos, preferencialmente com base de tomates.

Nota VS: 17,5/20

Preço Argentina: AR$ 260,00 (TOP 10 Mendoza na relação qualidade-preço)
Preço Brasil: R$ 215,00


Dante Robino Reserva Malbec 2012

Único vinho da linha “intermediária da vinícola” este Malbec com uvas de Luján tem passagem de 12 meses por barricas de carvalho americano de 2o e 3o uso e aromas típicos da Malbec mendocina, com boa presença de frutas negras e algum toque da madeira, bem integrada. Suas maiores virtudes certamente aparecem na boca, de ótimo volume, excelente acidez e algo mineral. A madeira aparece novamente muito integrada, dando um final muito equilibrado de fruta-acidez-madeira incomum para vinhos desta faixa de preço.

Nota: 16/20

Preço Argentina: AR$ 125,00.
Preço Brasil: não disponível.

E foi assim.


Dante Robino

Por que visitar?

- Bonitas obras de arte espalhadas pelo trajeto do tour.
- Interessantes peças antigas espalhadas pela vinícola.
- Oportunidade de conhecer Bonardas de estilo próprio, de muita qualidade.
- Comprar vinhos com excelente relação qualidade-preço.  

Avaliação VS

 Como avaliamos?
Que Baco nos ilumine!

sábado, 26 de julho de 2014

Anota aí: Empório Húngaro convida para degustação especial de Dia dos Pais

Em ação que está virando tradição em São Paulo, o Empório Húngaro convida a todos para sua degustação especial de Dia dos Pais, no dia 02/08 das 11h às 15h30.

Estive lá na Edição 2013 e considerei bastante interessante a oportunidade de provar vinhos húngaros, que até então eram praticamente desconhecidos para mim. Vale a pena.

O evento é gratuito, mas o Empório pede que todos se inscrevam através do e-mail degustacao@emporio.com.br, do telefone (11) 2597-0881 ou diretamente na loja, localizada na Rua da Paz, 956 - Chácara Santo Antônio - São Paulo.

Que Baco nos ilumine!

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Domaine St. Diego (Mendoza - Argentina)

 

Em meados de julho deste ano (2014) retornei à Mendoza com minha parceira Talita Martinez com o objetivo de organizar uma degustação de espumantes brasileiros e argentinos (Desafio Brasil x Argentina de Espumantes) e conhecer mais algumas vinícolas da Cidade do Sol.
Desde então coletei material com amigos do Brasil, na internet e, principalmente, pedi sugestões à amigos mendocinos. Deste último grupo, a sugestão que mais ouvi foi Domaine St. Diego.

Organizado o plano de visitas, lá estávamos nós na vinícola cujo enólogo principal é também um dos principais nomes da enologia mendocina: Ángel Mendoza, que tivemos a feliz oportunidade de conhecer.

Don Ángel vive o vinho mendocino há diversas décadas, tendo trabalhado como enólogo principal da Bodega Trapiche por longo tempo, período em que sempre nutriu a vontade de produzir seu próprio vinho, projeto que começou a colocar em prática em 1992, quando comprou a propriedade de 3,5ha em Lunlunta, no distrito de Maipu, Mendoza.

O tour à Bodega St. Diego, que é organizado pela Laura, filha do sr. Ángel e responsável pelo turismo da vinícola, é muito instrutivo e interessante, já que há muitas curiosidades e técnicas que são praticamente exclusivas de Don Ángel e seu Domaine St. Diego. Dentre as muitas informações recebidas, algumas nos chamaram bastante atenção. Vejamos algumas.

A vinícola trabalha o vinhedo de forma a ter em cada planta dois níveis de fruta, o primeiro mais abaixo, a uns 50cm do chão e o segundo um pouco mais alto.


Justamente por termos feito a visita no inverno, é possível ver perfeitamente os "braços" das videiras em dois níveis

Laura nos contou que isso se dá por dois motivos. O principal é para aumentar um pouco a produção já que a propriedade não tem mais para onde crescer. O segundo motivo é proteger parte da produção caso haja geadas durante o inverno, pois assim o nível mais alto não se queima e a perda é minimizada.

Outro ponto interessante da visita fica por conta do espaço compartilhado entre videiras e oliveiras, que já estavam na propriedade quando foi adquirida e foram preservadas.


Essa situação causa um pequeno “problema”. As oliveiras fazem sombra em algumas videiras prejudicando o amadurecimento das uvas, mas uma solução muito criativa foi encontrada pelo brilhante enólogo: usar estas uvas para produzir espumantes. Isso mesmo, as uvas que amadurecem menos por estarem em sombras das oliveiras são usadas para a produção de dois espumantes. E será que são bons? Ahhh, o Desafio Brasil x Argentina de Espumantes, idealizado pelo blog Vinho SIM este ano em Mendoza pode responder essa pergunta.

O terceiro ponto interessantíssimo a notar durante a visita é um vinhedo especial implantado numa encosta – provavelmente a única em Mendoza -, com plantas de aproximadamente 20 anos de Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon e Malbec usadas para a produção do Paradigma, um vinho sem passagem por barrica e com guarda estimada em 10 anos.


O quarto e último - é claro que existem muitos outros - ponto interessante é o tipo de comercialização que a vinícola faz de seus vinhos. Para conseguir uma das 35000 garrafas produzidas anualmente há uma única forma: tocar a campainha da propriedade e comprar diretamente na Domaine St. Diego! Os vinhos não são exportados e nem são colocados em vinotecas, restaurantes, empórios, etc a não ser que estes estabelecimentos os comprem diretamente lá, como qualquer outra pessoa.

Terminada a aula sobre vinificação mendocina, partimos para a degustação, onde pudemos provar 4 vinhos, além do azeite que a propriedade também produz.


Domaine St. Diego Brut Elea

Rosado 100% Malbec, produzido pelo método tanque com 8 horas de maceração. Muita fruta fresca, boa acidez e boa cremosidade.
Preço Argentina: 90 pesos na bodega. 
Nota: 14/20

Pura Sangre Brut Xero

Espumante produzido pelo método tradicional (18 meses de contato com as borras) com 30% Chardonnay e 70% Blanc de Noir Malbec com uvas de vinhedos com mais de 100 anos e leveduras indígenas, prduzidas na prória vinícola. Nariz muito perfumado, com toques de flores e frutas tropicais, além de alguma presença de cereja. Na boca tem ótima integração acidez-fruta e cremosidade. Um final que lembra um amargor típico de casca de laranjas. Lembra muito um cremant.
Preço Argentina: 90 pesos na bodega.

Paradigma 2010

Corte de 60% Malbec, 20% Cabernet Franc e 20% de uma parcela única da propriedade (encosta) e sem passagem por barricas de carvalho.
O nome Paradigma, segundo Don Ángel, vem da ideia de se quebrar o paradigma de que grandes vinhos devem ter, necessariamente, passagem por barricas.
O destaque deste vinho é conjunto de frutas vermelhas e negras, entre frescas e maduras, com uma bela acidez e um toque de rusticidade bastante interessante, que o tornam um vinho único, cheio de personalidade. Segundo o enólogo, possui um potencial de guarda de 10 anos.
Nota: 16,5/20
Preço Argentina: 90 pesos na bodega (TOP 10 Mendoza na relação qualidade-preço)

Pura Sangre 2009

Corte de 80% Malbec + 20% CS com 2 anos de passagem por barricas de 2º, 3º e 4º uso.
Nariz um pouco tímido com notas defumadas/salgadas e algo animal. Na boca é muito agradável, ocupando todos os espaços com bastante fruta e elegância. Boa acidez e final longo.
Nota: 16/20
Preço Argentina: 90 pesos na bodega (TOP 10 Mendoza na relação qualidade-preço)

Por que visitar?

- Oportunidade de conhecer a história do sr. Angel Mendoza na vitivinicultura mendocina.
- Único vinhedo de Mendoza plantado numa encosta (100% das uvas usadas na produção do Paradigma).
- Provar espumantes produzidos com Malbecs plantadas embaixo de oliveiras.
- Comprar vinhos que não estão no Brasil.

 Veja como é feita esta avaliação

Produção anual: 35 mil litros
Importador no Brasil: não possui.

Que Baco nos ilumine!

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Confraria Vinho SIM - Junho/2014: Chianti




O dia 13 foi o dia eleito para o encontro de junho da Confraria Vinho SIM, desta vez com o tema Chianti, já que a proposta do nosso anfitrião, o Empório do Bacalhau, em São Bernardo do Campo, era apresentar um jantar típico italiano, com direito a sopa de capeletti, massa e panna cotta de frutas vermelhas de sobremesa. Mais uma noite de muita descontração e muito estudo em torno do tema.

Vamos às estrelas da noite.



Vinho / Produtor
Safra
$ médio (R$)
Nota
1
Brancaia Classico DOCG Riserva
2010
117,00
17,1
2
Viticcio Classico DOCG Riserva
2009
160,00
16,9
3
Scassino Classico DOCG
2009
137,00
16,4
4
Cecchi DOCG
2012
80,00
14,9
5
Poggiotondo DOCG
2012
80,00
14,8
Os grandes destaques da noite foram descritos pelos confrades Riverlei Armellini (RA) e André Cuer, respectivamente assim:

Brancaia Classico DOCG Riserva 2010


Visual límpido de intensidade média, coloração vermelho rubi, com nuances em tons granada. Intensidade olfativa média para pronunciada, características aromáticas demonstram frutas como cereja e ameixa mesclados com notas de especiarias, culminando em ligeiro traço de tostado, baunilha e tabaco, agraciados pelo envelhecimento em carvalho. Seco, mas redondamente agradável no palato. Excelente equilíbrio harmônico, por sua bela acidez, taninos de boa qualidade e álcool totalmente integrados. Corpo é médio, porem vinoso e agradável. Intensidade gustativa é média e suas características repetem as frutas como cerejas e ameixas, desta vez quase maduras e aquecidas por um ligeiro traço de especiaria elegantemente  suavizada pela baunilha. No final, uma boa persistência e uma sensação de frescor e vivacidade.
Harmonização sugerida:  Massas com molho vermelho mais firmes, característicos da cozinha Italiana, embora possa acompanhar bem um frango assado com ervas e um tradicional Risoto. Vai muito bem também com uma Zuppa di toscanelli al rosmarino e na sequencia um tradicional Coniglio alla cacciatora. (RA)

Viticcio Classico DOCG Riserva


Nariz e boca mostrando frutas negras, com madeira bem integrada e notas de baunilha. Boca redonda de corpo médio, com ótimo equilíbrio entre fruta e acidez. Toques terrosos e de especiarias completam a matriz gustativa deste vinho. (AC)

Resumo

Data
13/06
Local
Empório do Bacalhau
Número de Participantes
8
Tema
Chianti
Amostras
5
Vinho Destaque
Brancaia Classico DOCG Riserva (Importadora Gran Cru)

E foi assim.

Próximo encontro!

O encontro de julho da CVS já está acertado. Será dia 26 com o tema Malbec. Promessa de mais uma noite de muito bate-papo e estudos! Dúvidas, sugestões e comentários diversos, deixe seu recado aqui em baixo.

Reitero o convite para que novos apaixonados que se identificarem com essas ideias e queiram participar, entrar em contato através do e-mail vinhosim@uol.com.br que sua solicitação será avaliada pelos fundadores da Confraria Vinho SIM com toda atenção. Produtores e importadoras que queiram trazer ideias e sugestões para os encontros também devem entrar em contato pelo mesmo e-mail.

Que Baco nos ilumine!

Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?