sábado, 27 de setembro de 2014

Anota aí: Dia 03/10, Festival do vinho sulamericano em São Paulo!


A SBAV-SP (Associação Brasileira dos Amigos do Vinho) realiza no próximo dia 03/10, no Hotel Golden Tulip Paulista Plaza, em São Paulo, o seu primeiro Festival do Vinho Sulamericano.

As importadoras Decanter, Interfood, Viníssimo e Zahil, assim como vinícolas como Ventisquero (Chile) e as brasileiras Miolo, Perini e Aurora estarão no evento, que será uma ótima oportunidade para provar novas safras de alguns produtos já consagrados, conhecer as novidades que sempre chegam ao mercado e, principalmente, encher sua adega par o final do ano com preços promocionais.

Quando? 03 de outubro/2014, das 16h às 21h.
Onde? Hotel Golden Tulip Paulista Plaza - Alameda Santos, 85 - Jardins - São Paulo 
Quanto? R$ 50,00 para não associado e R$ 30,00 para associados.

Mais informações diretamente na SBAV-SP (11 - 3814-7905 - vinho@sbav-sp.com.br) ou no site da CH2A Comunicação (aqui).

Vejo vocês por lá e
que Baco nos ilumine!

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

American Wine Show São Paulo 2014: o melhor do vinho estadunidense no Brasil!

A tarde da última terça-feira, dia 24/09, reservou momentos muito especiais para o mundo do vinho em São Paulo, onde a importadora Smart Buy Wines - organizadora da maior degustação de vinhos dos Estados Unidos já realizada no Brasil, a American Wine Show 2014 -, através de seus proprietários, Odmar e Giselda Badelucci, apresentou para a imprensa e convidados alguns dos vinhos estadunidenses mais prestigiosos no nosso mercado.

O evento contou com representantes de algumas vinícolas, assim como alguns outros grandes nomes ligados ao vinho norte americano, como o Master Sommelier Geoff Kruth, Vivien Gay, presidente do Conselho Internacional do Napa Valley, Jeff Gordon, o primeiro presidente da Associação dos produtores de uvas de Washington, dentre outros.

O serviço foi conduzido pelo sommelier da Smart Buy, Marcos Martins, acompanhado pela equipe da BOS BBQ, sede do encontro e considerada a primeira Barbecue House do Brasil.


Foram apresentados 7 rótulos, todos do catálago da importadora, cujas impressões pessoais apresento a seguir.

Chateau Montelena Chardonnay 2010

O 100% Chardonnay de Napa Valley é um clássico dos brancos estadunidenses, com o tradicional toque inicial amadeirado (10 meses de barricas de carvalho francês, 8% novas) - neste caso bem afinado e integrado no conjunto -, bom frutado alternando entre o fresco e o maduro, muito boa acidez e uma ponta de álcool no final. Vinho interessante, mas com o preço um pouco salgado pro nosso mercado.

Nota VS: 16/20 - Preço: R$ 417,00

Duckhorn Merlot 2011


Mais um representante do Napa Valley, que na verdade é um corte de 83% Merlot, 10% Cabernet Sauvignon, 2,5% Petit Verdot, 2,5% Malbec e 2% Cabernet Fran, com 15 meses de passagem por barricas francesas, 25% novas e 75% de segundo uso.
O ataque aromático inicial tem destaque para gostosos toques defumados, que seduzem e, ao mesmo tempo, encobrem um pouco a esperada presença de um frutado típico dos Merlots, que aparece com certa discrição. Na boca, essa "decepção" inicial desaparece e as notas de cerejas e ameixas dão a tônica, acompanhadas por algo especiado e um ótimo frescor.   

Nota VS: 16/20 - Preço: R$ 399,00
















Clos du Val Cabernet Sauvignon 2010

Outro representante do Napa Valley que é um corte de 86% Cabernet Sauvignon, 5% Merlot, 7% Cabernet Franc e 2% Petit Verdot, com 10 meses de passagem por barricas de carvalho francês.
O famoso Clos du Val agrada sempre e, nesta safra, não foi diferente. Para mim este é um exemplar para se colocar em livros de vinificação da CS, uma verdadeira bomba de groselhas frescas com menta, contornada por deliciosos toques amadeirados. Um vinho intrigante que traz doçura e frescor em camadas e consegue mostrar complexidade aliada a uma facilidade de beber de dar inveja aos melhores produtores do mundo. 

Nota VS: 17,5/20 - Preço: R$ 246,00

Ferrari-Carano Prevail 2005


Este representante do Alexander Valley é um corte de 65% Cabernet Sauvignon e 35% Syrah com amadurecimento em carvalho francês (não encontrei o tempo) 65% de primeiro uso e 35% de segundo uso.
A safra 2005, embora não apresente nenhum defeito já me parece em declínio. Os aromas de fruta supermadura já parecem um pouco enjoativos no nariz, mas a (ainda) boa presença da madeira conseguem suavizar a impressão inicial. Por pouco tempo, já que o paladar ressente de acidez, sensação que é potencializada pela pontada de álcool que parece sobrar no final. Uma pena não poder provar safras mais jovens (a que está atualmente no catálogo é a 2009) para conferir essas impressões.

Nota VS: 15/20 - Preço: R$ 359,00 (safra 2009)








Buena Vista Zinfandel 2010


Partimos agora para um exemplar produzido com 100% Zinfandel de Sonoma, um dos carros-chefes da vitivinicultura estadunidense. Com 14 meses de passagem por barricas de carvalho francês, americano e húngaro, mostrou-se cheio de fruta, com framboesa e mirtilo sem moderação, acompanhados por algum toque especiado. Gostoso tostado, boa acidez e um final médio-longo.

Nota VS: 16/20 - Preço: R$ 149,00


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Silver OAK 2008


Outro representante do Alexander Valley, o sexto vinho da prova é o sempre constante Silver OAK, 100% Cabernet Sauvignon com 25 meses de passagem por barricas de carvalho americnano, 50% novas.
Opulento, complexo e de ótima estrutura. Nariz cheio de frutas negras, com destaque para groselhas, acompanhadas por toques mentolados e de especiarias doces. Na boca tem taninos super redondos, perfeito conjunto fruta-acidez, que são um convite intermitente para o próximo gole. O preço não é dos mais convidativos, mas, ainda assim, vale a prova.

Nota VS: 18/20 - Preço: R$ 860,00 (2009) e R$ 537,00 (2010)


Gordon Estate Syrah 2010


Este 100% Syrah de Columbia Valley, com passagem de 22 meses de barricas de carvalho é certamente um dos exemplares estadunidenses mais interessantes no nosso mercado. Considerado um Syrah de clima frio traz um nariz cheio de toques de frutas frescas, flores e ervas frescas. Na boca tem ótimo conjunto fruta-acidez em perfeita harmonia com uma textura sedosa e amanteigada e um final longo e encantador. Certamente a melhor relação qualidade-preço da tarde.

Nota VS: 17/20 - Preço: R$ 152,00


Considerações finais.

- Odmar e Giselda Badelucci acertaram em cheio organizando, de forma inédita, um encontro para apresentar vinhos dos Estados Unidos ao mercado brasileiro. Pioneirismo, ousadia e coragem louváveis num mercado cada vez mais previsível, mas sedento por novidades.

- Os vinhos estadunidenses (pelo menos os apresentados!) têm diversos atributos para agradar ao paladar brasileiro e a seleção feita pela importadora me parece bem criteriosa e detalhada visando realmente nosso mercado. O único "asterisco" ate então é o preço, principalmente se levarmos em conta a gama de produtos que existe no Brasil.

O destaque final vai para o ótimo trabalho de assessoria prestado pela Inbox Comunicação, através da Fernanda Lage, exemplar desde os primeiros contatos até a data do encontro.

Deixo aqui meus parabéns à organização geral do evento.

Que Baco nos ilumine!

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O vinho brasileiro evolui bem (3)? [Marco Luigi Brut 10 anos - 2001]


A internet é uma ferramenta incrível, já completamente integrada ao nosso cotidiano, mas ao passo que seu uso segue crescimento exponencial, cresce também exponencialmente a quantidade de bobagens publicadas, por isso o leitor tem que tomar bastante cuidado com o que lê e, principalmente, de que forma é influenciado pelo que lê. Infelizmente um número cada vez maior de publicações cometem enganos (será mesmo que são meros enganos?) e o principal deles são comentários baseados em "achismos", avaliações feitas sem nenhum critério acadêmico cujo único objetivo é o marketing 
Depois de provar a safra 2004 do Cabernet Sauvignon da Lidio Carraro e a safra 2005 do Desejo da Salton, seguimos provando mais exemplares da nossa adega pessoal para subsidiar a resposta à pergunta "O vinho brasileiro evolui bem?" e agora provamos um espumante, o Marco Luigi Brut 2001, um espumante que permaneceu 10 anos (não, eu não digitei errado, são 10 anos mesmo!) em contato com as borras!

O amarelo dourado não muito intenso, mas muito brilhante, os delicados aromas de damascos secos, amêndoas, nozes e brioche e a boca untuosa, com um gostoso frescor são suficientes para responder a pergunta.  Apesar da quantidade de gás um pouco abaixo do desejado, este é um espumante cuja prova é obrigatória para qualquer enófilo.

REFINADO (18/20) 

Vem mais por aí. Acompanhe.


Que Baco nos ilumine!

Artigos relacionados


O vinho brasileiro evolui bem?
Lidio Carraro CS 2004
Gheller Cabanha Tannat 2008

O vinho brasileiro evolui bem [2]?
Salton Desejo 2005

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Uma noite especial em Mendoza: vinho, jantar e astronomia! Pode ter algo mais especial?

 

Mendoza, a cidade apelidada de Cidade do Sol, agora também pode ser considerada a Cidade das Estrelas! Isso mesmo, a Cidade das Estrelas! Isso por conta de uma atividade recente que vem revolucionando a forma de fazer turismo em Mendoza.

A cidade, super reconhecida por suas fantásticas vinícolas e sua crescente gastronomia agora conta com uma opção de passeio que, pessoalmente, me encantou bastante, chamado Vino, Cena & Astronomia, promovida pela Tres Marias Wine Tours uma operadora/receptivo local que vem trabalhando de uma forma muito séria, proporcionando ao turista diversas opções que há pouco nem se imaginava na capital do vinho argentino.

A atividade, que é conduzida, nada mais nada menos, pela renomada astrônoma Beatriz Garcia, do Observatório Pierre Auger, em Malargüe e com diversos trabalhados publicados na área, é descrita pela própria pesquisadora do CONICET (Consejo Nacional de Investigaciones Cientificas) da Argentina assim:

"Enmarcado por montañas y vides, el paisaje celeste puede transformarse en el lienzo en donde redescubrir aquellas historias que los seres humanos escribimos con las estrellas. La brújula, el reloj y el calendario se diseñan con las constelaciones y el paisaje celeste se une con el terrestre mostrándonos cómo, finalmente, existe un vínculo indisoluble entre el ser humano y el Universo".

A convite da Gabriela Castellví, uma das três Marias, conheci a atividade, que foi realizada na Bodega Otaviano na fria noite do dia 04/07 e fiquei muito surpreso com a organização e qualidade apresentados, que mostraram todo o respeito que as três vertentes da atividade - o vinho, a comida e astronomia - merecem.

Prática:

Começamos a atividade com uma pequena aula ainda dentro da bodega sobre como observar o céu noturno a olho nu a partir de uma carta celeste bastante simples e eficiente e logo depois saímos para testar as dicas. Primeiro ponto positivo para a atividade: todos os participantes conseguiram identificar as principais constelações na linda noite mendocina!

A aula continua com mais algumas dicas sobre o céu noturno e, logo depois somos convidados a voltar para a bodega para começar a desfrutar da parte mais conhecida de Mendoza, seus vinhos e sua gastronomia. Segundo ponto positivo para a atividade: apesar da temperatura de pouquíssimos graus Celsius, diversos participantes (dentre eles, este que vos escreve, claro!) quiseram ficar mais um pouquinho observando. Também é claro que a Beatriz nos acompanhou!



Entre um assunto e outro e uma dúvida e outra, fomos conduzidos à mesa e recebidos por deliciosas empanadas acompanhadas pelo ótimo Penedo Borges Cabernet Sauvignon Gran Reserva 2012, um vinho carnudo, de muita presença na boca e conjunto fruta-acidez muito equilibrado. 


O jantar ainda continuou com duas opções de caldos quentes, um elaborado a partir da humita, uma espécie de creme de milho com alguns temperos, muito comum na região e outro a partir de lentilhas. Ambos fantásticos, cheios de sabor local. Terceiro ponto positivo: a união do vinho mendocino com a comida local sempre traz grandes harmonizações, além de nos dar a possibilidade de compreender um pouco mais da cultura local.


Depois do jantar ainda tivemos mais algum tempo de observações. Agora munidos com um binóculo somos convidados a observar a Lua e entender um pouquinho mais sobre o nosso único satélite natural! O saboroso (e quentinho) jantar e os vinhos ajudaram a aguentar o frio que fazia fora da bodega.

Depois da segunda parte da aula, ainda fomos brindados com uma degustação de chocolates com o vinho colheita tardia da Otaviano e café!


E foi assim.

A atividade é mais comum de ser realizada no verão, com direito à caminhadas pelos vinhedos e taça de espumante nas mãos, porém, ao meu ver, é imperdível em qualquer época do ano, já que temos a possibilidade de observar "diversos céus" ao longo do ano, além de todo charme que só o inverno pode proporcionar.




Que Baco nos ilumine!

Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?