ND: Magaña Calchetas 2005

Publicado por Blog Vinho SIM em 7.5.15 com Sem comentários
Durante muitos dos últimos anos considerada uma região para produção de vinhos a granel, a DO Navarra (Espanha) se reinventou a partir do fim dos anos 1990 e início dos anos 2000 e agora vem, anoa após ano, mandando para o mundo vinhos suculentos, densos, com aquela "rusticidade refinada" que tanto adoramos aqui no Vinho SIM e de personalidade marcante, como é o caso deste exemplar, o Calchetas 2005, da Bodega Viña Magaña.

A vinícola, localizada na parte sul de Navarra, tem uma história recente muito interessante. Trinta anos atrás, seu proprietário, Juan Maganã, teve uma visão: depois de pesquisar os melhores vinhos do mundo, ele decidiu cultivar "uvas Bordeaux" na região. Para isso, foi atrás de matrizes e comprou estacas Merlot exatamente do mesmo "berçário" que (diz a lenda!) forneceu videiras para o famoso Château Pétrus.

É difícil saber quanto disso é verídico, mas o que é certo é o grande objetivo da vinícola, especialmente com este Calchetas, é ter um vinho que possa evoluir por, pelo menos, 20 anos. Para isso, não há dúvida que a vinícola não mediu esforços, escolhendo com todo cuidado as melhores uvas (50% Merlot, 35% Cabernet Sauvignon e Malbec 15%) de seus vinhedos plantados em 1970. Desde a fermentações alcoólica (passando pela malolática, já em barris de carvalho) até o afinamento de 12 a 14 meses em barricas de carvalho francesas, a vinificação de cada casta foi realizada em separado, ocorrendo o assemblage somente após este período. Decidido o corte, o vinho passou mais 10 meses em carvalho até ser engarrafado. Mais alguns meses na adega e, finalmente, o vinho está pronto para o consumo.

O interessante corte de 50% Merlot, 35% Cabernet Sauvignon e 15% Malbec, bastante inusitado na Espanha, amealhou nada mais, nada menos que 95 pontos de Robert Parker. Vamos à prova.




Tive a sorte de provar este vinho algumas vezes e em anos diferentes, o que me deu uma boa condição não apenas de analisar suas características no momento da prova, mas também a forma que vem evoluindo no decorrer dos anos.
Sua cor já mostra o sinal dos tempos, um vermelho bem acastanhado, mas límpido. No nariz já não mostra toda a vivacidade de alguns anos atrás, por outro lado os aromas de couro e terrosos fazem bela companhia para um delicioso fundo de mirtilos maduros ainda envoltos por toques defumados do carvalho. Na boca, a acidez já não aparece mais como nos últimos anos, tornando o vinho menos vivaz, porém ainda muito equilibrado, com destaque agora para uma mineralidade que faz belo par com as frutas negras supermaduras. Os taninos ainda existem (bem madurinhos) e um final gostoso e longo fazem esta prova valer (e muito) a pena. 

REFINADO (17/20) / ~ U$ 50,00 (não disponível no Brasil)

E foi assim.

Que Baco nos ilumine!

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