sexta-feira, 31 de julho de 2015

Anota aí: 5º Tasting Wines of Chile São Paulo



Tá chegando a hora!

Na próxima 4ª feira, dia 05 de agosto, São Paulo recebe o 5º Tasting Wines of Chile, evento já consagrado no calendário do vinho paulistano que conta mais uma vez com a recepção/organização da entrosada dupla Hotel Unique e CH2A Comunicação.

Como já acontecera em outros anos (relembre 3ª Edição - 2013 e 4ª Edição - 2014), a 5ª Edição do evento terá um tema principal, desta vez "Inovando com uvas antigas", ocasião em que os produtores prometem apresentar ao público suas inovações no resgate de uvas centenárias.

Blog Vinho SIM acompanha tudo de perto trazendo estas novidades do vinho chileno para quem não pode estar no evento. 

Que Baco nos ilumine!

Bodega Santa Rosa: tesouros subterrâneos te aguardam em plena Montevidéu - Uruguai

 Visite o site da Bodega Santa Rosa

Quase 120 anos de vida e 6 gerações gerações da mesma família.
Parece bom?

Quem conhece a história do vinho na América do Sul sabe que esses números já seriam mais que suficientes para colocar a Santa Rosa como uma das mais sensacionais vinícolas do nosso continente.

No entanto, todo o pioneirismo não pararia por aí.

Dados verídicos da produção da vinícola na porta de descida para a cave

A Santa Rosa protegendo os vinhos na entrada da cave

Quase 
80 anos produzinho espumantes pelo método tradicional (champenoise)! A primeira safra, em 1936, foi um corte de Chardonnay e Pinot Noir que recebeu o nome de Fond de Cave, nome este que ainda está nos espumantes da vinícola. É desta mesma época a Cave subterrânea da vinícola, que ocupa uma área de quase 4000 metros quadrados.


 

Quase 40 anos desde a contratação do primeiro enólogo francês, Jean Pierre Lèdé, simplesmente um dos fundadores e professor do Instituto de Análise Sensorial de Champagne que colocou a vinícola definitivamente entre as melhores produtoras de espumantes das Américas.

Eu costumo dizer que no mundo vinho, entre estudos de produtos e produtores, degustações, visitas, provas e tudo mais 
há coisas interessantes e coisas desinteressante, mas há algumas que, definitivamente, não se enquadram em nenhuma das duas categorias, pois são extraordinárias, simplesmente necessárias a qualquer enófilo apaixonado, a qualquer estudioso. Uma dessas coisas é essa vinícola: Santa Rosa.

Tive a honra de conhecê-la guiado pelo atual manager, Daniel Mutio, uma daquelas figuras indispensáveis para o mundo do vinho, cuja conduta se pauta na verdade de seus produtos e no contato com seus amigos, não no jogo de cena ou no marketing descompromissado com a realidade que acabou se tornando o mundo atual, um homem que nasceu para lidar com o vinho e o faz com um amor cada vez mais raro e mais admirado. 

Hoje, algum tempo depois da visita e já desimpactado pela experiência vivida, posso afirmar com toda tranquilidade: ir ao Uruguai e não conhecer essa pérola, não ter oportunidade de conversar com Daniel Mutio e ouvir suas histórias, é um grande desperdício para qualquer amante dos vinhos.


 

Obviamente não sairíamos de lá sem provar algumas das preciosidades produzidas pela vinícola. O portfólio da vinícola é bem extenso, com produtos desde o mais famoso Médio a Médio uruguaio, até tintos encorpados e complexos, passando pelos espumantes elaborados pelo método tradicional, os quais privilegiamos nesta visita.


Fond de Cave Blanc de Blancs Extra Brut

Corte de 80% Pinot Noir e 20% Chardonnay (Blanc de Blancs?) com 12 meses de contato com as borras. Perlage perfeita. Nariz pleno de frutas tropicais e algumas notas de frutas vermelhas e pão. Boca muito harmoniosa, com fruta e acidez na medida certa. Final médio-longo muito elegante.

Nota VS: 16/20



Brut Sauvage Nature

100% Chardonnay com 16 meses de contato com as borras. Perlage perfeita. Aqui, além das tradicionais leveduras e das notas de frutas como abacaxi, pêssego e até banana, aparace também a baunilha (20% do vinho é fermentado inicialmente em barricas de carvalho francês). Na boca, um conjunto cítrico-amanteigado de textura fantástica dá o tom, muito equilibrado. Final longo e muito prazeroso, trazendo notas complexas e deixando aquele gostinho de quero mais. Espumante de "gente grande".
Nota VS: 18/20



Fond de Cave Blanc de Noir

100% Pinot Noir com 12 meses de contato com as borras. Perlage perfeita. Nariz com destaque para frutas vermelhas frescas sobre um fundo de creme, algo como uma tortinha de framboesa e morango. Na boca, a lembrança da tortinha volta a aparecer muito equilibrada com uma acidez incrível, muito equilibrada. Final médio-longo e muito gostoso.

Nota VS: 17,5/20


Conclusão da prova. Você tem alguma dúvida que o Uruguai pode produz grandes espumantes? Visite a Santa Rosa.

Qualquer forma de agradecimento à recepção amistosa e calorosa de Daniel Mutio e equipe seria pequena perante a alegria de apreciadores como nós do Vinho SIM de estar perto de pessoas tão especiais, que constroem dia a dia não somente uma vitivinicultura melhor, mas um mundo melhor!



Bodega Santa Rosa

Por que visitar?


  • História da vinícola se confunde com a própria história do vinho uruguaio.
  • Uma das mais lindas caves da América do Sul.
  • Provar espumantes deliciosos produzidos pelo método tradicional.
Importador no Brasil: no momento está sem.

Avaliação VS



Que Baco nos ilumine!


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quarta-feira, 29 de julho de 2015

Os melhores BRANCOS (acima de R$ 50,00) do Brasil - RVS de Brancos, Tintos & Rosés 2015

Pelo 3º ano consecutivo  tive o prazer de organizar uma grande degustação de vinhos nacionais, que desde o início intitulei Ranking Vinho SIM

Depois das edições 2013-14 e 2014-15 realizadas somente com espumantes, neste ano resolvi voar por outros vinhedos e convidar as vinícolas a colocar a prova seus BrancosTintos Rosés. 

Como não poderia deixar de ser, neste ano a degustação foi também surpreendente. Cumprindo seu principal objetivo de ser uma vitrine amplamente democrática no cenário do vinho nacional, esta 1a Edição do Ranking Vinho SIM de Brancos, Tintos & Rosés consolidou o trabalho de algumas vinícolas já conhecidas do grande público e apresentou algumas "novidades" que certamente serão muito comentadas nos próximos anos no cenário nacional e internacional.

Desde a 1ª Edição do RVS (Espumantes), eu mencionei que minha maior motivação para criar e organizar esta prova era a busca por respostas à algumas dúvidas, que, três anos depois, confesso ainda não saber, embora já possa ter algumas desconfianças.

1. Por que as notícias em torno do vinho brasileiro tratam quase sempre das mesmas vinícolas?

2. Por que, quase sempre, são premiados os mesmos vinhos?

3. Quem são os vinhos destaque na relação QUALIDADE-PREÇO?

Vale ressaltar que para esta prova convidei mais de 80 vinícolas, mas muitas delas nem sequer se deram ao trabalho de responder ao convite, assim como algumas delas se recusaram a participar por motivos diversos. Estaria aqui parte das respostas que busco?

Nas categorias subsequentes a esta, a saber Brancos até R$ 50,00 (leia artigo), Tintos até R$ 50,00 (leia artigo) e Rosés (leia artigo) adotei como critério de divulgação, como acontece em alguns dos principais concursos do mundo e atendendo as sugestões de alguns jurados e também de alguns produtores, as notas/avaliações dos vinhos que se destacaram entre os mais representativos de cada categoria, sendo adotado como nota média mínima os 16 pontos (vinho considerado ÓTIMO - no limite para o REFINADO - para mais detalhes consulte os CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO do blog) - exceto na categoria Rosés, onde foi necessário um pequeno ajuste -, que tam ém foi seguido nesta categoria.

Que fique claro que o objetivo desta conduta não é de forma alguma poupar determinadas amostras de críticas, mas sim evitar especulações errôneas no que diz respeito à classificação dos vinhos em uma ordem.

Para a melhor compreensão do que foi esta Edição do RVS de Brancos, Tintos & Rosés, bem como o completo entendimento das regras do evento recomendo a leitura DESTE POST, onde todos estes e mais alguns detalhes foram descritos com todo o cuidado que a prova exige.

Posto isso, vamos aos destaques da categoria Rosés.


Que, em resumo, foram descritos assim: 

Miolo Quinta do Seival Alvarinho 2013 


Com uvas cultivadas na região da Campanha Gaúcha - RS a Miolo apresenta este Alvarinho da linha Quinta do Seival (~ R$ 57,00) cuja grande destaque na categoria se dá pela maestria da união de complexidade e vivacidade. Um vinho repleto de aromas de frutas brancas e de caroço, toques de ervas frescas e algo de especiarias. Na boca um conjunto fruta-acidez fantástico e um final macio, longo e cativante. A nota média de 17,0 já fala por si só, mas ainda assim vale frisar que se trata, certamente, de um dos grandes brancos da América do Sul. 


Santa Augusta Chardonnay 2013


A vinícola catarinense do Vale do Contestado - Videira Água Doce, que já havia emplacado seu Moscato Giallo entre os destaques da categoria Brancos até R$ 50,00 com a ótima nota de 16,1 se superou colocando este Chardonnay (~ R$ 60,00) entre os principais brancos do país, vinho que pessoalmente adorei o obteve a nota média 16,6. Muito aromático, com muitas notas de frutas tropicais - destaque para bananas maduras e doce de banana - , além de alguma especiaria doce e algo floral. Na boca é muito harmonioso, com ótima integração entre fruta e acidez. Um bom corpo e uma ótima avaliação no quesito 'vontade de continuar bebendo' completam a análise deste belo branco catarinense. 



Pericó Vigneto 2013

Mais um representante de Santa Catarina, agora do Vale batizado pela própria vinícola de Pericó Valley, na gelada São Joaquim. A Pericó, que já havia emplacado seu rosé Taipa 2013 como um dos melhores da sua categoria, agora nos brinda com este Vigneto (~ R$ 85,00), um varietal Sauvignon Blanc que mostrou muito boa tipicidade, repleto presença de frutas tropicais e cítricas muito interessantes. A boca, com grande acidez, é um convite para entradas à base de frutos do mar frescas, como as tradicionais ostras fartamente encontradas no litoral do Brasil. Um ótimo exemplar.

Miolo Cuvée Giuseppe Chardonnay 2012


A vinícola de Bento Gonçalves, que até esta categoria não vinha apresentando uma grande performance no RVS 2015, coloca mais um representante entre os melhores brancos nacionais, mostrando toda a vocação do Vale dos Vinhedos em produzir este vinhos. Considerado pela vinícola como seu primeiro branco super-premium, o Cuvée Giuseppe (~ 58,00) mostrou um bom conjunto fruta-madeira, com toques amanteigados e algumas notas de frutas secas. Um bom vinho para acompanhar pratos à base de carnes brancas com temperos delicados e perfumados, como por exemplo, uma truta com molhos de amêndoas.





Villaggio Grando Chardonnay 2014


A vinícola catarinense de Água Doce, que já se destacou com seus ótimos espumantes no RVS 2013-2014 e 2014-2015 desta vez apresentou na prova dois vinhos brancos realmente muito interessantes. Este Chardonnay (~ R$ 60,00) de bom corpo e certa untuosidade mostra bom conjunto fruta-acidez, com vocação gastronômica para acompanhar queijos de maturação média e massas com molhos brancos encorpados. 



Monte Paschoal Dedicato Chardonnay 2014

A vinícola Basso, que se notabilizou nos últimos anos por seus vinhos e espumantes de boa relação qualidade-preço vem se desenvolvendo também na capacidade de produzir vinhos de gama superior, como é o caso desta linha Dedicato, que já emplaca este Chardonnay (~ R$ 65,00) como um dos melhores desta edição do RVS. Vinho com muito bom corpo e boa complexidade, mostrando algumas notas de frutas secas e algo defumado proveniente do amadurecimento de 6 meses em barricas americanas e francesas. Na boca é untuoso e com boa vocação gastronômica. Acredito que deve melhorar um pouco nos próximos meses, já que é recém lançado. 


Villaggio Grando Sauvignon Blanc 2014


Mais um exemplar para consolidar de vez os vinhos catarinenses e, ainda mais, a vinícola Villagio Grando como muito representativa no cenário do vinho branco nacional. Este SB (~ R$ 62,00) é muito gostoso, com notas cítricas muito bem acompanhadas por frutas brancas. Na boca tem muito boa acidez e até um toque mineral muito interessante. Ótimo vinho para acompanhar pratos frios da culinária oriental, assim como saladas que apresentem complexidade aromática. 



E foi assim.
Mais uma prova muito interessante que mostra que o Brasil evolui dia após dia e pode produzir vinhos muito interessantes e cada vez melhores.

Vem mais por aí.

Que Baco nos ilumine.

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RVS 2015 - Os melhores TINTOS ATÉ R$ 50,00 do Brasil
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terça-feira, 28 de julho de 2015

ND: Família Deicas Cru D'Exception Merlot 2007

Maior produtor de vinhos do Uruguai, o Establecimiento Juanicó / Familia Deicas, além de deter grande fatia do mercado interno é também o maior exportador do nosso vizinho e responsável – em grande parte – por tornar os vinhos uruguaios conhecidos no mundo todo.

Claro que nos últimos anos vem contando com “ajuda” de outras excepcionais vinícolas “concorrentes”, porém o nome 
Establecimiento Juanicó / Familia Deicas merece reconhecimento por tudo que fez e faz pelo vinho de seu país.

Atualmente conta com uma linha de vinhos com dezenas de rótulos, desde espumantes e vinhos leves sem passagem por madeira, até vinhos de alta gama, de produção baixíssima como é o caso deste ícone uruguaio que dá título ao artigo, o Cru D'Exception Merlot 2007. Vamos a ele.





Disparado o melhor Merlot uruguaio - quicá o melhor sulamericano. Uma verdadeira bomba de frutas maduras e compotadas, boa presença de especiarias doces, café, chocolate e diversas notas tostadas. Taninos maduros, excepcional acidez e final longo. Um Merlot muito diferente de todos que já provei, mas muito gostoso e interessante. Versátil, pode acompanhar desde belos cortes mal passados de carnes vermelhas até fondues de queijo ou carne e ainda massas com molhos fortes e bem estruturados. Não tem no Brasil e o preço é um pouco salgado no Uruguai (~ U$ 80,00), mas sem dúvida é um ícone sulamericano que merece ser provado. 

REFINADO (18/20) / ~ U$ 80,00 (não disponível no Brasil)

E foi assim. 

Que Baco nos ilumine!

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Seleção Wine Expert: Rio Sol Syrah 2013

Wine Expert

Queridos leitores, acredito que a maioria que vem acompanhando o blog já tenha visto que há pouco tempo iniciei um novo trabalho, a curadoria da seção Brasil na novíssima loja virtual Wine Expert, um trabalho muito prazeroso e criterioso onde vou lançar periodicamente seleções com vinhos especialmente escolhidos pelo Vinho SIM, com base nestes anos e anos de experiências com os vinhos nacionais e, principalmente, nos resultados das Edições 2013-2014 e 2014-2015 do Ranking Vinho SIM de Espumantes, assim como na Edição 2015 do RVS de Brancos, Tintos & Rosados, com resultados divulgados bem recentemente.

Espero que gostem. Comentários, críticas e sugestões são sempre bem vindos.

Vamos à prova de um dos selecionados, o Rio Sol Syrah 2013.



Num momento em que o Chile empenha todas suas forças para mostrar a todos seus diferentes terroirs (Leia matéria sobre a Master Class "Extremos do Chilerealizada no 4º Tasting Wines of Chile em São Paulo), alguns países europeus com grande tradição vitivinícola se “reinventam” e o mundo reverencia cada vez mais os vinhos autênticos, no Brasil uma joia é pouco conhecida e ainda pouco explorada pela maioria dos enófilos: a região do Vale do São Francisco, Nordeste do país. No local onde um bom número de empreendimentos se instalou nos últimos anos há destaque para aquela que é praticamente a pioneira dos vinhos de qualidade da região, a Vitivinícola Santa Maria, um projeto luso-brasileiro que foi definido pela especialista Jancis Robinson como a "Nova Latitude", uma denominação inédita que foge dos tradicionais “Velho Mundo” e “Novo Mundo”.

E é realmente assim que enxergo os vinhos desta região: novos, como o recentemente comentado Miolo Testardi Syrah 2013 (leia ND aqui), muito exótico e interessante.  Única região do mundo com duas safras por ano, o VSF vem entregando vinhos suculentos, cheios de personalidade e com boa acidez ao mercado nacional, como é o caso deste Rio Sol Syrah 2013, um dos meus eleitos para este novo trabalho que passei a realizar agora em 2015.

Nariz e boca com muita fruta contornada por toques de especiarias doces e aquela deliciosa pontada de pimenta. Acidez na medida e taninos bem domados são a deixa para curtir este vinho num bate-papo com amigos ou ainda acompanhando pratos de estrutura leve-média elaborados com ervas finas e outros à base de carnes brancas com temperos levemente picantes e/ou condimentos, como uma galinhada ou o tradicional 'frango com quiabo' mineiro.

Sem dúvida, um grande Syrah nacional, cujo preço na casa dos R$ 55,00 já é uma bela oportunidade de provar um vinho fora dos padrões e que tem muito a entregar. No momento, em promoção de lançamento por R$ 35,00 na Wine Expert.

R$ 35,00 (Wine Expert)

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (16/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: ÓTIMA

Espero que aproveitem e
que Baco nos ilumine!

quarta-feira, 22 de julho de 2015

ND: Lapostolle Clos Apalta 2010, uma verdadeira joia chilena.

 

Este grande ícone chileno, produzido pela conceituada  Casa Lapostolle é um daqueles vinhos para se deliciar com tempo suficiente para deixá-lo evoluir calmamente na taça, enquanto desfruta-se de um jantar romântico ou um encontro com grandes amigos, durante uma longa conversa, em que o simples prazer da companhia acentuará os aromas, sabores e toda a atmosfera que sua prova proporcionará.

O corte de 71% Carmenere, 18% Cabernet Sauvignon e 11% Merlot de uvas provenientes de vinhedos de cultivo biodinâmico e sem irrigação em Apalta (Vale do Colchágua, Chile) da linda vinícola, que tive o prazer de conhecer nos idos de 2012 (confira aqui varia ano a ano, sempre de acordo com a escolha dos enólogos, que selecionam as melhores barricas para elaborar o blend.

Este 2010 é aquilo que costumo definir como uma verdadeira bomba de frutas negras. Tanto no nariz quanto na boca, ameixas e groselhas pretas e mirtilos maduros e compotados preenchem os sentidos, trazendo um vinho muito sedoso e vigoroso ao mesmo tempo. Também aparecem muitas notas de figo, pimentas brancas, tostados e bastante baunilha,  provenientes do estágio de 24 meses em barricas novas de carvalhos francês. Com mais algum tempo de aerador/taça aparecem algumas notas de caixa de lápis também. O ótimo equilíbrio entre acidez-fruta-madeira é um convite-tentação para o próximo gole, onde é praticamente impossível perceber seus 15% de álcool! Taninos finos e um final longo e muito sedoso são a cartada final para avaliar este exemplar com um verdadeiro vinhaço sulamericano, que compartilhado com grandes amigos fica ainda melhor.

É bem verdade que o preço não é dos mais convidativos, não é vinho para o dia a dia, mas vale muito para ocasiões especiais.

R$ 550,00 (Mistral)

Avaliação Vinho SIM: REFINADO (18/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: RAZOÁVEL

terça-feira, 21 de julho de 2015

ND: Gimenez Mendez Premium Tannat 2011



Diretamente da região de Las Brujas, uma microrregião da aclamada Canelones - Uruguai, vem este belo Premium Tannat safra 2011 da vinícola Gimenez Mendez que, ano após ano, vem ganhando o mercado brasileiro com seus vinhos que unem com maestria potência e maciez.

Como é o caso deste ótimo exemplar Tannat da linha Premium 2011, que apresentou-se cheio de frutas vermelhas e negras, chocolate e algo especiado somados a um conjunto acidez-taninos perfeito para carnes vermelhas mal passadas na churrasqueira. Parece elaborado exatamente para as espetaculares parrillas uruguaias. Dizer que é um grande Tannat uruguaio é praticamente clichê, mas é o que é. 

Está no mercado brasileiro com preço por volta dos R$ 80,00, o que é bem justo para sua qualidade, uma boa relação qualidade-preço. Se tiver oportunidade, compre.

R$ 80,00

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (16/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: MUITO BOM

segunda-feira, 20 de julho de 2015

ND: Miolo Testardi Syrah 2013



Um dos destaques da edição 2015 do Ranking Vinho SIM de Brancos, Tintos e Rosados este Testardi Syrah 2013, produzido pela Miolo no Vale do São Francisco - BA é certamente um dos vinhos mais empolgantes do ano, cheio de notas terrosas e frutadas, com fantástico equilíbrio fruta-acidez e gostosas notas tostadas aportadas pelo estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês. Taninos finos e um delicioso final médio-longo completam a análise deste excelente Syrah brasileiro.

Muito versátil, este é vinho é ideal para harmonizações mais "conservadoras", como pizzas com boa quantidade de gordura, como as de 4 queijos, gorgonzola, calabresa, etc, pratos combinados de massa + carnes com molhos fortes, tábuas de queijos e embutidos ou - e para mim, principalmente! - com pratos exóticos da culinária brasileira, com destaque especial àqueles que levam miúdos de boi ou porco ou ainda uma bela "pezada ou pescoçada de frango" apimentada, acompanhada de pães fresquinhos que, neste dia, foi a nossa escolha. Combinação nada convencional e deliciosamente brasileira!


Um vinhaço nacional que vale o preço e é extremamente recomendado!

R$ 90,00

Avaliação Vinho SIM: ÓTIMO (17/20) / Relação QUALIDADE-PREÇO: MUITO BOM

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Os melhores ROSÉS do Brasil - Ranking Vinho SIM de Brancos, Tintos & Rosés 2015

Pelo 3º ano consecutivo  tive o prazer de organizar uma grande degustação de vinhos nacionais, que desde o início intitulei Ranking Vinho SIM

Depois das edições 2013-14 e 2014-15 realizadas somente com espumantes, neste ano resolvi voar por outros vinhedos e convidar as vinícolas a colocar a prova seus BrancosTintos Rosés. 

Como não poderia deixar de ser, neste ano a degustação foi também surpreendente. Cumprindo seu principal objetivo de ser uma vitrine amplamente democrática no cenário do vinho nacional, esta 1a Edição do Ranking Vinho SIM de Brancos, Tintos & Rosés consolidou o trabalho de algumas vinícolas já conhecidas do grande público e apresentou algumas "novidades" que certamente serão muito comentadas nos próximos anos no cenário nacional e internacional.

Desde a 1ª Edição do RVS (Espumantes), eu mencionei que minha maior motivação para criar e organizar esta prova era a busca por respostas à algumas dúvidas, que, três anos depois, confesso ainda não saber, embora já possa ter algumas desconfianças.

1. Por que as notícias em torno do vinho brasileiro tratam quase sempre das mesmas vinícolas?

2. Por que, quase sempre, são premiados os mesmos vinhos?

3. Quem são os vinhos destaque na relação QUALIDADE-PREÇO?

Vale ressaltar que para esta prova convidei mais de 80 vinícolas, mas muitas delas nem sequer se deram ao trabalho de responder ao convite, assim como algumas delas se recusaram a participar por motivos diversos. Estaria aqui parte das respostas que busco?

Nas categorias subsequentes a esta, a saber Brancos até R$ 50,00 (leia artigo) e Tintos até R$ 50,00 (leia artigo), adotei como critério de divulgação, como acontece em alguns dos principais concursos do mundo e atendendo as sugestões de alguns jurados e também de alguns produtores, as notas/avaliações dos vinhos que se destacaram entre os mais representativos de cada categoria, sendo adotado como nota média mínima os 16 pontos (vinho considerado ÓTIMO - no limite para o REFINADO - para mais detalhes consulte os CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO do blog) que correspondeu a algo em torno de 20% das mais de 100 amostras avaliadas, mas nesta categoria foi necessário abrir uma exceção, pois somente uma amostra atingiu esta "nota de corte". Sendo assim, aqui decidimos divulgar os vinhos nota média maior ou igual a 15,5.

Que fique claro que o objetivo desta conduta não é de forma alguma poupar determinadas amostras de críticas, mas sim evitar especulações errôneas no que diz respeito à classificação dos vinhos em uma ordem.

Para a melhor compreensão do que foi esta Edição do RVS de Brancos, Tintos & Rosés, bem como o completo entendimento das regras do evento recomendo a leitura DESTE POST, onde todos estes e mais alguns detalhes foram descritos com todo o cuidado que a prova exige.

Posto isso, vamos aos destaques da categoria Rosés.


Que, em resumo, foram descritos assim: 

Campos de Cima - Irene Antonietta 2014



Razoavelmente acima de seus concorrentes da categoria, o Irene Antonietta, produzido pela Campos de Cima, da região de Itaqui - RS, é realmente um rosé nacional bem diferente, de estilo leve e refinado, diferente dos rosados mais "pesados" produzidos por aqui. Ótima relação fruta-acidez e uma excelente nota no quesito "vontade de continuar bebendo" cativaram os jurados, que determinaram a nota média de 16,0 para este vinho.


Santa Augusta Rosé 2014



É do Vale do Contestado - Videira - SC que vem mais um destaque da categoria, produzido pela vinícola Santa Augusta com um corte de Cabernet Sauvignon (70%) e Merlot (30%). Um vinho com muito bom equilíbrio, cheio de fruta e uma boa acidez, muito gostoso de beber. Alguma vocação gastronômica completa a avaliação dos jurados, que indicaram a nota média de 15,6 para este exemplar nacional. 

Pericó Taipa 2013

Mais um representante de CS, agora do Vale batizado pela própria vinícola de Pericó Valley, na gelada São Joaquim. Apesar do pouco tempo, este exemplar já mostra algumas notas de envelhecimento que, ao contrário do que pode acontecer às vezes, agradaram aos jurados por trazer certa complexidade com notas de frutas secas e até alguma pontada de mel. Certamente um vinho muito interessante que amealhou a nota média de 15,4 posicionando-se no TOP 3 da categoria.

Ótima experiência, ótimos vinhos e a certeza - cada vez maior - que o Brasil caminha a bons passos para um sucesso cada vez maior no mercado mundial de vinhos.

Gostaria de deixar aqui meu agradecimento à todas as vinícolas participantes e aos "Wine Experts" que me ajudaram nesta avaliação.

Vem mais por aí.

Que Baco nos ilumine.

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Qual dos vinhos seguir você gostaria de ver comentado aqui no Vinho SIM?