ND: Viña Progreso Sueños de Elisa Open Barrel 2011


Filho de peixe, peixinho é?

A história desde vinho e desta vinícola é bem interessante.
Após formar-se em Enologia, Gabriel Pisano - com todo o apoio da família com uma história de mais de 100 anos com o vinho no Uruguai - cria asas e voa mundo a fora, conhecendo com detalhes diversas regiões, vinícolas e grandes vinhateiros do Velho e Novo Mundo, casos de David Ramey (Sonoma – Califórnia), Beyers Truter (Stellenbosch – Africa do Sul) e Michel Rolland (Clos Apalta – Chile), além de realizar trabalhos na Espanha e no Priorato, exatamente onde o aprendeu uma técnica que os produtores lá utilizam para a vinificação de pequenos lotes: a Open Barrel ("barrica aberta"). 

Já de volta ao Uruguai - e cheio de ideias! - o jovem e inquieto Pisano logo inicia seu próprio projeto,
onde seus sonhos finalmente se tornariam realidade e seu talento poderia ser conhecido pelo Uruguai e pelo mundo. Nascia assim a Viña Progreso, uma espécie de vinícola experimental, sem vinhedos, adega e nem ao menos equipamentos próprios, na definição do próprio Gabriel uma "vinícola de garagem", com produção limitada, mas inovadora, a soma do pedigree Pisano com a vontade de inovar, de mostrar a sua cara.

Tive o prazer de conhecer a Pisano (leia o 
artigo da visita) algum tempo atrás, ocasião em que também conheci Gabriel e seus vinhos, que me chamaram bastante à atenção pela personalidade e rusticidade típica da família, mas principalmente pela maciez que os tornam destacados. Dentre todos, o que mais me encantou foi exatamente o Sueños de Elisa Tannat 2011, pioneiro do estilo Barrica Aberta no Uruguai.

No processo, as uvas são colocadas numa barrica de carvalho, as uvas são prensadas manualmente e são usadas apenas leveduras indígenas. Terminado o processo de fermentação, a barrica é "reconstruída" e o vinho permanece por mais alguns meses (6 meses nesta safra), terminando seu amadurecimento. A produção de pouco mais de 1000 garrafas e o enólogo homenageou sua tia, Elisa,
 que é também quem ilustra os rótulos da Viña Progreso.

Vamos ao vinho.


Cheio de fruta em compota em perfeito equilíbrio com a madeira no nariz, onde também aparecem notas de chocolate e algo de especiarias doces. Na boca, excelente acidez, muita fruta (de novo) e toques tostados e de chocolate dão a tônica. Taninos supermaduros e final longo, elegante e macio. Este é um daqueles vinhos que o prazer e a vontade de continuar bebendo transcedem a análise/descrição organoléptica. Uma aula de vinificação de Tannat e prova obrigatória para qualquer enófilo. Certamente um dos grandes vinhos da América do Sul. Seu preço pode parecer não muito convidativo, mas vale cada centavo! Sem dúvida um vinho com o tempero Pisano: sincero, rústico e frutado com uma pitada de maciez da nova geração.

REFINADO (17/20) / R$ 345,00 (Importadora Vinci)
E foi assim.

É a prova de que fazer grandes vinhos é transmitida de geração para geração! Se a geração dos irmãos Daniel, Gustavo e Eduardo consagrou os trabalhos de Don Cesar e dos demais antepassados em Progreso, Gabriel Pisano é o legítimo sucessor do legado dos Pisano. Um daqueles vinhos que merece o título de "vinhaço".

Que Baco nos ilumine!